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Communication publicitaire interculturelle

1. Une promesse ou un axe

3.5 Marketing interculturel :

3.5.5.13 Différences linguistiques

Marina Nespor e Irene Vogel se debruçaram sobre o estudo da fonologia prosódica, com base em dados da língua italiana. Para elas, a representação mental da fala está dividida em fragmentos hierarquicamente organizados, os quais, no fluxo natural da fala, estão marcados com diferentes classes de sinais que incluem desde modificações segmentais em si, até mudanças fonéticas mais sutis (Nespor & Vogel, 1994: 13). Cada um dos níveis hierárquicos constitui um domínio prosódico, com características próprias e com diferentes tipos de informação fonológica. E cada domínio possui como característica as especificidades do domínio anterior somada às suas peculiaridades; sendo assim, a palavra fonológica (ω) possui suas características além das do pé (∑), e assim por diante. Então, matematicamente pensando:

.

As estudiosas destacam que não há uma similaridade completa entre os domínios prosódicos e elementos da morfologia e da sintaxe, apesar de refletirem alguma noção desses níveis de análise da língua. Dessa forma, a prosódia serviria, como já mencionado neste capítulo da pesquisa, também para desfazer questões em que a sintaxe provoca ambiguidade, como no exemplo:

Observa-se que, na frase, há uma ambiguidade de cunho sintático, pois não se sabe se quem estava molhada era Maria ou sua irmã. Para as autoras, a prosódia poderia resolver a questão, a depender do elemento mais proeminente, entre outros elementos prosódicos. Frases com essa natureza têm sido alvo de estudiosos, como se verá no capítulo seguinte com o estudo de Fonseca (2012).

Quanto à morfossintaxe, Nespor & Vogel defendem que seus níveis hierárquicos são divergentes dos da prosódia, uma vez que a estrutura fonológica é finita, e a sintática, infinita (Nespor & Vogel, 1994: 14). Os dados dos estudos das autoras embasam e confirmam essa afirmativa, e as análises feitas com a língua portuguesa nesta pesquisa corroboram-na, mais uma vez.

(ω) = (∑) + 1

Nespor & Vogel também relacionam os componentes fonológicos com os semânticos, e afirmam que essa relação é necessária devido a algumas informações semânticas que são acessadas via componentes fonológicos, sobretudo nos níveis mais altos da hierarquia prosódica. Apesar de não ser abordada pelas autoras, não se pode deixar de se considerar a relação entre prosódia e Pragmática, como já foi mencionado neste trabalho. Algumas informações de cunho pragmático só são possíveis de serem acessadas via prosódia, também em níveis hierárquicos mais altos, como é o caso da ironia. Assim, cogita-se a hipótese de haver domínios prosódicos em níveis maiores do que os identificados pelas estudiosas, mas isso deverá ser verificado nos dados, que serão coletados na próxima fase desta pesquisa, como será esclarecido no capítulo metodológico.

Como cerne da teoria da Fonologia Prosódica, tem-se os domínios prosódicos, que são os seguintes:

 sílaba (σ) ─ é considerada a menor categoria prosódica, e tem como cabeça sempre uma vogal, que é o elemento de maior sonoridade, acompanhada de consoantes e/ou glides, que segundo Bisol (2006), são seus dominados. Ela é uma unidade fonológica e, portanto, prosódica, sendo a base da hierarquia prosódica;

 pé ( ∑ ) ─ é a combinação de duas ou mais sílabas, em que há uma relação de dominância de uma com a outra, e é responsável por regras fonológicas no português como a do acento;

 palavra fonológica (ω) ─ é o domínio em que se realiza a interação entre a fonologia e a morfologia, é composta por pés (lembrando que um domínio possui as características do nível anterior, somado às suas peculiaridades), possui apenas um acento primário, e não necessariamente corresponde à forma morfológica da palavra;

 grupo clítico (С) ─ o clítico, no português, são palavras (geralmente pronomes e artigos) átonas ─ o, a, te, se, me, etc. ─ que em geral se unem à palavra de conteúdo no fluxo de fala espontâneo ([[me] ω [leve]C]), e é nesse nível em que começam a ocorrer o fenômeno do sândi externo (por hora = porora  grupo C). Esse é um fenômeno muito importante na análise dos dados desta pesquisa, que será investigado e discutido nos capítulos seguintes. Sobre o grupo clítico e sua importância para o fenômeno de sândi, e sobre como o clítico perde totalmente sua independência em C, Bisol (2006: 266) afirma:

Quando o sândi ocorre entre dois elementos de um grupo clítico, a reestruturação silábica os converte em uma só palavra fonológica. É neste caso que o clítico perde totalmente sua independência para tornar-se, com a palavra de conteúdo adjacente, uma unidade só. Na escala prosódica, o grupo clítico é, pois, o domínio mais baixo na aplicação do sândi externo. Somente por ação desse, o clítico incorpora-se totalmente à palavra de conteúdo adjacente.

 frase fonológica (ϕ) – é outro domínio que terá destaque nesta pesquisa. A frase fonológica é constituída de um ou mais Cs, em que há um elemento proeminente e com cabeça lexical. Nesse domínio também se observam sândis externos, o que também tem sido confirmado no estudo piloto, assim como a não obrigatoriedade de isomorfismo entre ϕ e a sintaxe;

 frase entonacional (I) – formada por um conjunto de ϕs, sendo domínio de um contorno de entonação, com seus fins marcados por pausas. Eis mais um nível que os dados tentarão investigar, quanto ao efeito discursivo na argumentação, sobretudo no que diz respeito às pausas; e

 enunciado (U) – é o mais alto nível da hierarquia prosódica – afirmação que também se busca confirmar nos dados deste estudo – é formado por uma ou mais frases entonacionais. Seu limite é marcado por pausa, assim como I, e onde se dá o efeito pragmático e discursivo do texto. Também nesse nível não é obrigatório o isomorfismo entre fonologia e sintaxe.

Como já mencionado, os níveis hierárquicos propostos por Nespor & Vogel são fundamentais para a presente pesquisa, pois a prosódia será investigada com ênfase nos níveis mais altos da hierarquia prosódica. Isso por causa do objetivo de investigar os efeitos textuais, discursivos e pragmáticos desse elemento fundamental da língua portuguesa.