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DIAGNOSTIC MAINTENANCE

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CHAPTER 7 INSTALLATION AND MAINTENANCE

7.5 DIAGNOSTIC MAINTENANCE

Segundo a historiadora Barbosa Mota (2004) e o professor da faculdade de Direito, Ferreira Filho (1977), o termo quarto poder teria surgido no Brasil em 1824 quando foi constituído um poder moderador entre o legislativo, judiciário e executivo. Embora o conceito de um poder neutro para fiscalizar os demais parecesse demais avançado para o período do

Brasil império, os autores explicam que esse quarto poder, à época, era estabelecido pelo imperador, ou seja, foi criado com objetivo de manter o controle sob a tutela de um soberano, mantendo o totalitarismo.

Na democracia, esse título de quarto poder, historicamente e em diversos países vem sendo conferido a imprensa. Adghirni (2005) diz que a expressão “teria sido usada como título do livro sobre imprensa em 1850, pelo jornalista F. Knight Hunt”. (ADGHIRNI, 2005, p 49).

Segundo Traquina (2012, p. 46) esta definição surge ao mesmo tempo da busca pela liberdade de imprensa travada no século XIX. Com governos autoritários, os jornais, questionadores da autoridade, eram considerados revolucionários e conspiradores. Ainda de acordo com Traquina (2012) a designação de quarto poder teria sido de um deputado do parlamento inglês ao indicar os jornalistas que acompanhavam a sessão pelas galerias.

No ano de 1828, ainda sobre a influência da Revolução Francesa, quando McCaulay se referiu ao “quarto” état (o termo francês para state) ou “poder” tinha como quadro de referência os três état da Revolução Francesa: o clero, a nobreza e o troisième état, que engloba os burgueses e o povo. No novo enquadramento da democracia, com o princípio de “poder controla poder” (power check power), a imprensa (os media) seria o “quarto” poder em relação aos outros três: o poder executivo, o legislativo e o judicial. (TRAQUINA, 2012, p.46).

A imprensa, considerada o quarto poder por funcionar como um contrapoder, um fiscalizador do executivo, legislativo e judiciário, passa a ser representação do poder econômico conforme a imprensa funda seus alicerces como empresa econômica. Serrano (2013), atenta que os três poderes (executivo, legislativo e judiciário) estão “gravemente ameaçados pelo poder econômico, que, com sua ambição desmedida e sua capacidade de corrupção, transformou-se num ator fundamental de nossos sistemas políticos”. (SERRANO, 2013, p.72).

Para o autor a mídia, muitas vezes, “não exerce o direito à liberdade de expressão, mas o direito à censura, na medida em que decide o que nós cidadãos, vamos conhecer e o que não”. (SERRANO, 2013, p.78).

A censura a um determinado tipo de conteúdo noticioso, por exemplo, foi uma forma de poder utilizada pelos regimes autoritários. Hittler e Getúlio Vargas são exemplos que ficaram marcados na história como governantes que utilizaram de forma ardilosa o recurso da censura, ao mesmo tempo em que investiam na publicidade favorável de seus atos. Com a imprensa vigiada, durante anos de regimes autoritários muitas notícias deixaram de ser

veiculadas sem que os cidadãos soubessem. Atualmente, poucos países estão sob a censura à imprensa, mas Serrano (2013, p.78) alerta que imprensa livre não significa liberdade de expressão. Os meios de comunicação (rádio, tv e impresso) também exercem uma forma de censura:

A liberdade de expressão – que eles chamam de liberdade de imprensa – também deve nos assegurar conhecer as reclamações e contribuições das associações de ecologistas, sindicatos, advogados de direitos humanos; em suma vozes críticas que têm algo a dizer. Existem proibições para que essas pessoas e coletivos façam suas denúncias? Na maioria dos países, não. No entanto, são os meios de comunicação que têm poder para levar essas vozes até os cidadãos. Desta forma, a mídia não exerce o direito à liberdade de expressão, mas o direito à censura, na medida em que decide o que nós cidadãos, vamos conhecer e o que não (...). Em síntese, no atual sistema de mercado não são os governos que aplicam censura, são os meios de comunicação. (SERRANO, 2013, p. 78).

Nesta relação de dominados e dominadores, Giddens (2013) aponta, que além da bidirecionalidade de poder no qual fica evidente qual grupo possui poder sobre outro, se exercer o poder fora do alcance dos olhos da maioria, ou seja, omitindo as alternativas possíveis para a tomada de decisões, para a construção da consciência. “De acordo com a perspectiva bidirecional sobre o poder, devemos examinar não apenas as decisões e políticas visíveis, mas também a constituição da própria agenda de tomada de decisão. Que assuntos são mantidos fora da agenda?”. (GIDDENS, 2013).

Wu (2012, p.32) lembra um acontecimento no qual poder econômico e poder político se amalgamaram e, sem que se percebesse censuraram um determinado conteúdo noticioso. No final do século XIX, a Western Union, por possuir o monopólio do telégrafo pode ter conseguido interferir no resultado da eleição do republicano Rutherford B. Hayes. A Western

Union transmissora exclusiva de notícias da Associated Press contou com o apoio do jornal New York Times, assumidamente republicano (ainda não se havia estabelecido o conceito de

imparcialidade na imprensa):

A AP emitia relatos e mais relatos mostrando como ele (Hayer) era um homem honesto, como fora bom governador, ou sobre o que estava fazendo naquele dia. Omitia qualquer escândalo relacionado a Hayes e se recusava publicar matérias positivas sobre seus rivais. (WU, 2012, p.32).

Embora o receptor não seja um sujeito totalmente passivo, desguarnecido de consciência no qual a mídia possa impregnar com ideias, conceitos e ideologias, é inegável a força da mídia de chamar a atenção para determinados assuntos. Este poder da mídia que chega interferir em qual tema os indivíduos passam a observar foi analisado pela teoria da

agenda setting (McCombs e Shaw) em um artigo desenvolvido em 1972. A teoria foi objeto

de muitos outros estudos que geraram diversas sub-hipóteses as que foram apontadas por

McCombs e Shaw. Alsina (2009, p.93) aponta que a base do pensamento foi mantida: “o

temário dos meios de comunicação (Media Agenda), o temário do público (Public Agenda) e o temário político (Policy Agenda)”. Eles podem ser entrelaçados, relacionados ou independentes. Desenvolver o processo e a construção de cada temário poderia nos desviar do foco principal do nosso estudo. O nosso interesse é destacar que, apesar da diversidade que a teoria da agenda setting ganhou, ela ainda se mantém em muitos estudos de comunicação social.

Soares (2009) lembra que o agendamento funciona no sentido inverso, ou seja, da sociedade para os meios de comunicação, mas pondera “que os meios noticiosos formam um painel parcial a sociedade, geralmente super-representando temas de interesse de classe média, de onde provêm os leitores e consumidores dos produtos anunciados”. (SOARES, 2009 p.67).

Alsina (2009) é um dos teóricos que defendem o uso da agenda setting como instrumento de pesquisa que busque explicitar a relação entre polo-emissor e polo-receptor. Neste sentido, embora os dois polos interajam há que se observar a assimetria nesta inter- relação. De um lado um emissor que fala para milhões de pessoas ao mesmo tempo, do outro um indivíduo com direito a voz em comunicações estabelecidas apenas face a face.

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