Abstract Data Types
1.5 Application: Student Records
1.5.1 Designing a Solution
Segundo o Programa de Desporto Escolar, emitido pelo Ministério da Educação, referente aos anos 2013-2017, o Desporto Escolar entende-se como “o conjunto de práticas lúdico-desportivas e de formação com objeto desportivo, desenvolvidas como complemento curricular e de ocupação dos tempos livres, num regime de liberdade de participação e de escolha, integradas no plano de atividade da escola e coordenadas no âmbito do sistema educativo” (Artigo 5.º - “Definição”, Secção II – “Desporto Escolar”, do Decreto-Lei n.º 95/91, de 26 de fevereiro).
A minha participação no DE incidiu no grupo de dança e incorporou distintas valências. Desde o acompanhamento e apoio das sessões de treino, à orientação autónoma das mesmas, integrando a execução de todos os procedimentos relacionados com as inúmeras deslocações do grupo. Com efeito, esta experiência concedeu-me todas as ferramentas para me tornar
completamente autónoma, caso surgisse qualquer eventualidade e fosse necessário desempenhar qualquer uma destas tarefas.
Desde o primeiro contacto com o professor responsável pelo grupo de Dança – RP Dancers – aquele espaço e com o grupo de alunos, que fui completamente arrebatada e transportada para aquele universo tão rico, e próprio deste grupo com o qual contactei ao longo deste percurso, proporcionando-me um crescimento pessoal e profissional incrível. Assim, atendendo ao elevado impacto que este grupo, não só na escola, como também na região, desde logo foi importante ser elucidada pelo professor responsável acerca dos diversos objetivos que ainda planeava alcançar, fazendo-me sentir comprometida com a confiança que depositou em mim.
Então, quando os treinos integravam a presença do professor responsável e dos meus colegas de outro núcleo de estágio, o professor assumia-se como líder do grupo, ministrando a totalidade do treino, salvo raras exceções, nas quais solicitava a minha liderança como uma espécie de teste (criando-me alguma pressão). Nas sessões nas quais o professor não podia comparecer, responsabilizava-me pela sua concretização, fornecendo-me apenas breves indicações inerentes aos objetivos que o treino deveria integrar. Por vezes era, inclusive surpreendida com esta responsabilização, devido a alguns imprevistos do professor. Recordo-me que no primeiro treino que tal sucedeu fiquei realmente chateada e algo nervosa, questionando-me também sobre os motivos que o impeliram a responsabilizar-me pela orientação do mesmo. Todavia, com a repercussão destes episódios e algumas conversas com a PC e com questões que o professor me colocava inerentes à condução dos treinos, comecei a deter um entendimento diferente desta atitude. Pois, compreendi que ele pretendia preparar-me para que conseguisse tornar-me autónoma na execução de qualquer tarefa respeitante a este grupo.
Paulatinamente, incrementava responsabilidade e/ou dificuldade nos objetivos que me desafiava a alcançar. Inclusivamente, existiram algumas conversas nas quais o mesmo demonstrava o desejo de potenciar ao máximo a minha aprendizagem. Obviamente que a sensação de estar constantemente “à prova” me pressionava, todavia o facto de o professor adotar esta atitude poderia
significar que acreditava em mim, no meu potencial e, por isso, jamais poderia desiludi-lo. Logo, o meu objetivo integrava a concretização destas metas que progressivamente iam sendo reveladas.
O grupo de alunos integrava bailarinos com alguns anos de experiência em contraste com outros em que esta era a primeira vivência na dança. Neste sentido, era imperativo continuar a fomentar o espírito de grupo, de entreajuda e colaboração, resumidamente de “Família RP”.
No decorrer do contacto com este grupo, pude perceber a imprescindibilidade da manutenção de uma relação mais próxima com estes alunos, comparativamente à turma que me havia sido atribuída. No entanto, era essencial alterar o registo em determinados momentos, permitindo que o grupo compreendesse que não poderia ultrapassar determinadas regras basilares para a manutenção do bom ambiente, instituído desde a sua fundação.
Salvo raras exceções, este grupo foi um exemplo de união e respeito. Mesmo nos momentos em que os alunos se encontravam sob grande pressão, o espírito de entreajuda foi sempre evidente. Aliás, foi também nestas circunstâncias que compreendi quais as estratégias que deveria adotar para poder auxiliar o grupo, no sentido de desenvolverem mecanismos que permitissem aliviar a tensão daqueles momentos. Nestes instantes os laços eram fortalecidos e os alunos desenvolviam uma ligação mais intensa de confiança e segurança.
Para além do DE este grupo era convidado para realizar imensas atuações e em todas elas o professor nomeava-me a responsável pelo grupo. Para mim, foi importante esta confiança depositada pelo professor, pois embora os meus colegas por vezes me acompanhassem, era a mim que o professor atribuía esta tarefa. Naturalmente que isto me enchia de orgulho e ajudava a aumentar a minha credibilidade frente aos alunos, dado que iam percebendo quem estava sempre com eles.
Além disso, como tive a oportunidade de desenvolver o meu estudo de investigação no seio do grupo, este potenciou também a relação com os mesmos. Os alunos atribuíam extrema credibilidade às minhas indicações, à importância do treino e aos meus conselhos, uma vez que foram percebendo as
modificações que se repercutiam no seu desempenho na dança. Quando esta ligação é criada os alunos seguem-nos como discípulos e essa sensação foi bastante encorajadora, atendendo aos dilemas que me deparava na minha turma.
Em suma, a convivência com este grupo permitiu-me compreender quais os valores basilares que fomentam a união, incrementam a paixão pela nossa profissão, dado que através desta se desenvolve o desejo de superação constante, indispensável para o nosso desenvolvimento profissional.
4.2.1.5. Breve participação em alguns episódios numa nova escola
A oportunidade de lecionar no 2º ciclo de ensino, nomeadamente ao 5º ano de escolaridade, foi rapidamente abraçada por todas nós (núcleo de estágio), dada a mais-valia que representava para o nosso potencial desenvolvimento profissional.
Importa referir que nos foram atribuídas duas turmas de 5º ano, ficando responsáveis duas de nós por cada uma, sendo-nos ainda concedida a autonomia referente às decisões inerentes ao processo E/A. Enquanto as minhas colegas optaram pela lecionação simultânea, eu e a minha colega decidimos dividir a lecionação da UD, tendo assim autonomia total nas respetivas aulas. Consideramos que esta decisão era mais indicada, pois permitia-nos desenvolver esta experiência em circunstâncias idênticas à realidade que esta profissão integra.
Não obstante, quando não lecionava, efetuava uma observação que pudesse servir de correção para as próximas intervenções, com o propósito de melhorar constantemente a minha prática.
Esta experiência revelou-se extremamente gratificante e deveras enriquecedora, sobretudo pelo contacto com uma realidade tão distinta daquela que vivenciei na EC. Aqui tive a oportunidade de constatar o sistema organizativo referente à diversas decisões alusivas quer à lecionação, quer aos procedimentos que a escola adota em relação às rotações de espaços. Pude ainda compreender que existem realidades escolares que incorporam tremendas limitações – espaços, funcionários, processos burocráticos, a
“cultura” – que definem a identidade de uma escola. Por conseguinte, considero imprescindível a vivência com outras realidades, a par da nossa experiência na EC. Apesar da escassez do período de lecionação atribuído, foi suficiente para compreendermos que cada escola possui uma identidade própria.