5. APPROACHES TO MAINTENANCE OPTIMIZATION
5.1. Description of various methods
O romance ficcional Americanah (2014a), da escritora nigeriana Chimamanda Adichie, retrata as travessias da personagem Ifemelu, uma nigeriana pertencente ao grupo étnico igbo, um dos maiores grupos étnicos africanos, e de Obinze, também igbo, primeiro namorado de Ifemelu, seu encontro e enlance, o período longo de separação em que os dois foram morar no estrangeiro, bem como o regresso de Ifemelu à Nigéria, depois de treze anos residindo em solo estadunidense, para retomar sua vida em sua terra natal e, também, ter a chance de reencontrar Obinze.
Ifemelu cresceu em Lagos, cidade situada no sudoeste da Nigéria, filha única de um ex-funcionário público, desempregado por muitos anos, e de uma vice-diretora escolar. Além de seus pais, Ifemelu possuía um contato maior com Uju, filha do irmão de seu pai, portanto, sua prima, mas a quem a personagem chamava carinhosamente de ‘Tia Uju’. Por ter desenvolvido um bom relacionamento com a mãe de Ifemelu, Tia Uju passa a residir com a família de seu tio, tornando-se uma parente residente especial (ADICHIE, 2014a, p. 52). A presença não somente de Tia Uju, mas também de outros familiares, grande parte da família de seu pai, fez com que Ifemelu nunca se sentisse propriamente filha única em sua infância:
[...] [g]rowing up, Ifemelu did not feel like an only child because of the cousins, aunts and uncles who lived with them. There were always suitcases and bags in the flat; sometimes a relative or two would sleep on the floor of the living room for weeks. Most were her father’s family, brought to Lagos to learn a trade or go to school or look for a job, so that the people back in the village would not mutter about their brother with only one child who did not want to help raise others. Her father felt an obligation to them […][.]269 (ADICHIE, 2014a, p. 52-53).
com a qual ela enfeita o topo da mesa. O grão surge no carvalho
e o pinheiro cresce luminoso mas eu recuso com todas as marcas
ser como ela, anônima. (ALVAREZ, 1984, p. 9, tradução nossa).
269 [...] [q]uando Ifemelu era criança, ela não se sentia filha única por causa dos primos, tias e tios que moravam
com eles. Sempre havia malas e bolsas no apartamento; às vezes, um ou dois parentes passavam semanas dormindo no chão da sala. A maioria era da família do pai, gente que fora a Lagos para aprender um ofício, estudar ou procurar um emprego, para que as pessoas da aldeia não falassem mal do irmão que só tinha uma filha, mas não
É por meio de Tia Uju que Ifemelu, anos mais tarde, toma a decisão de se inscrever em algumas universidades estadunidenses para ter a chance de, caso aprovada em uma das suas instituições de interesse, morar nos Estados Unidos, a princípio, até o momento de finalizar o seu curso de graduação. Ifemelu já havia iniciado o curso de Geologia na Universidade de Nsukka, na Nigéria, mas, devido aos constantes períodos de greve dos professores universitários nigerianos em protesto pelos atrasos de salários e condições de trabalho precárias, Ifemelu obtém o visto estadunidense para estudar Comunicação em uma universidade na Filadélfia, no estado da Pensilvânia.
O romance adichiano em foco, como dito anteriormente, descreve os displaçamentos da personagem Ifemelu antes, durante e após sua vivência como imigrante nos Estados Unidos. A fim de estabelecer um ponto central de observações acerca da obra, visto que há uma grande possibilidade de temáticas a serem abordadas, o recorte analítico desta seção privilegiará, em sua grande maioria, as travessias, assim como os displaçamentos vivenciados por Ifemelu a partir de seu contexto diaspórico enquanto mulher, negra e imigrante nos EUA. Antes disso, porém, torna-se mister compreender o(s) sentido(s) da palavra displaçamento adotado neste estudo, bem como tal sentimento configura-se na identidade da própria personagem mesmo antes de deslocar-se para solo estadunidense.
De acordo com o dicionário Merriam-Wesbster (2019), o vocábulo displacement, da língua inglesa, possui, dentro de algumas de suas definições, os seguintes verbetes:
1: the act or process of displacing; the state of being displaced; 2: […]
b: [physics]: the difference between the initial position of something (such as a body or geometric figure) and any later position;
3: psychology […]
b: the substitution of another form of behavior for what is usual or expected especially when the unusual response is nonadaptive or socially inappropriate […]270. (MERRIAM-WEBSTER, 2019, grifos no original).
queria ajudar a criar os outros. O pai sentia que tinha uma obrigação com eles [...][.] (ADICHIE, 2014b, p. 61, tradução de Julia Romeu).
270 1: o ato ou processo de deslocamento; o estado de estar deslocado;
2: […]
b: [física]: a diferença entre a posição inicial de algo (como um corpo ou figura geométrica) e qualquer posição posterior;
3: psicologia […]
b: a substituição de outra forma de comportamento pelo que é usual ou esperado, especialmente quando a resposta incomum é não-adaptativa ou socialmente inadequada [...]. (MERRIAM-WEBSTER, 2019, tradução nossa). Disponível em: <https://www.merriam-webster.com/dictionary/displacement>. Acesso em: 01 fev. 2019.
As definições estabelecidas pela palavra displacement parecem abranger um escopo maior ao lidar com características que ultrapassam os significados encontrados na palavra deslocamento, uma vez que, além de indicar o ato de locomoção, assim como um distanciamento, engloba também os aspectos psicológicos de um afastamento, seja ele acarretado por um episódio diaspórico ou não. Outros pesquisadores da área de literaturas de expressão inglesa, tais como os professores doutores Cláudio Braga (UnB), Priscila Campello (PUC Minas) e Gláucia Gonçalves (UFMG), também têm usado a palavra displaçamento, uma tradução livre do termo displacement, como um dos aspectos proeminentes dos textos, ficcionais ou não, de enredos diaspóricos. Diante disso, o espaço literário diaspórico, segundo Braga e Gonçalves (2014), dentre outras colocações,
[...] prioriza um clima tenso, recorrente na condição diaspórica, quer seja por razões sociais, morais, econômicas, políticas ou psicológicas, girando em torno da relação da diáspora com o país hospedeiro e a terra natal; [...] em termos discursivos, tende a apresentar narradores e personagens cuja linguagem caracteriza a diferença cultural na diáspora, sendo frequente o emprego de vocábulos, expressões e até textos inteiros em mais de uma língua e, muitas vezes, misturando e fundindo as línguas da terra natal e do país hospedeiro, constituindo uma conjuntura linguística híbrida; [...] explicita um posicionamento político, já que narrativas diaspóricas geralmente dão voz a minorias displaçadas, ignoradas e silenciadas [...]. (BRAGA & GONÇALVES, 2014, p. 45-46).
Já Campello (2013), ao tratar da questão do retorno do imigrante à sua terra natal, depois de algum tempo de seu deslocamento geográfico, contende que o sujeito diaspórico é acarretado pela percepção de extrema mudança da localidade considerada como lar, uma vez que a distância física propicia mudanças significativas na forma de enxergar e lidar com a localidade inscrita em sua certidão de nascimento, assim como em seu passaporte. Em suas próprias palavras:
[...] [a] volta ao lugar de origem [...] significa, para o imigrante, uma forma de descobrir um espaço no qual se enquadre e onde ele reconheça o seu lar. Porém, ele percebe que esse lugar que gostaria de chamar de “lar” é muito mais complexo do que meramente o reconhecimento de uma localização geográfica e física ou o simples registro do local de nascimento. O retorno, desse modo, implica um posicionamento cercado por incertezas e questionamentos. Não há uma identificação imediata, como se havia esperado, gerando, nesse indivíduo, um sentimento de frustração, displaçamento e busca constante e inacabada. (CAMPELLO, 2013, p. 4, grifo no original).
Sendo assim, a partir dessas elucidações, as observações aqui realizadas por meio do enredo da obra Americanah também fazem uso do vocábulo ‘displaçamento’, presente, da mesma forma, no título desta seção, pois levam em consideração os posicionamentos da personagem Ifemelu face à sua condição de mulher displaçada, seja no seu país de origem, ou em solo estrangeiro.
Em momentos importantes do romance, Ifemelu enfatiza seu sentimento de displaçamento. Enquanto criança, ainda na Nigéria, a personagem vivenciou diversos conflitos com sua mãe, por não concordar em ter de se comportar de acordo com os padrões estabelecidos por ela e pela sociedade em que vivia. O pai de Ifemelu, na maioria das vezes, consentia com as atitudes de sua esposa e pedia para a filha ter mais paciência com a mãe. Tempos depois, ao ficar anos desempregado, seu pai se tornou uma figura silenciosa em casa, abstendo-se de opinar sobre qualquer questão mais acalorada. Com isso, Ifemelu, mesmo demonstrando seus questionamentos e indignações, experimenta certos conflitos com sua mãe, sem nenhum suporte do pai.
No meio de alguns desses conflitos, o religioso foi o que passou a trazer maiores incômodos para a garota. A menina não havia entendido a mudança repentina de religião da mãe que, de uma hora para outra, deixa de ser católica e passa a fazer parte de sua primeira igreja evangélica, a Igreja dos Santos Renascidos:
[...] Her mother’s words were not hers. She spoke them too rigidly, with a demeanour that belonged to someone else. Even her voice, usually high- pitched and feminine, had deepened and curdled. That afternoon Ifemelu watched her mother’s essence take flight. […] But, after that afternoon, her God changed. He became exacting. Relax hair offended Him. Dancing offended Him. She bartered with Him, offering starvation in exchange for prosperity, for a job promotion, for good health. She fasted herself bone-thin: dry fasts on weekends, and on weekdays, only water until evening.271 (ADICHIE, 2014a, p. 42).
Após experimentar outras igrejas evangélicas, ao deixar a Igreja dos Santos Renascidos, a mãe de Ifemelu se estabelece na Assembleia dos Guias, e a menina passa a frequentar o local todos os domingos com ela. Em um domingo de Ação de Graças, Ifemelu e as outras meninas que faziam parte da escola dominical sob o comando da Irmã Ibinabo, uma participante muito poderosa da igreja, mas que não poderia se tornar um pastor por ser mulher,
271 [...] Aquelas palavras não eram da sua mãe. Ela as falou de maneira rígida demais, agindo como uma outra
pessoa. Mesmo sua voz, que em geral era aguda e feminina, tornara-se mais grossa e pesada. [...] Mas, depois daquela tarde, seu Deus mudou. Tornou-se exigente. O cabelo alisado O ofendia. A dança O ofendia. Ela barganhava com Deus, oferecendo a fome em troca da prosperidade, de uma promoção, de boa saúde. Jejuou tanto que ficou só pele e osso: não comia nem bebia nada nos fins de semana e, nos dias úteis, só bebia água até o início da noite. (ADICHIE, 2014b, p. 50, tradução Julia Pompeu).
tiveram como tarefa daquela manhã a confecção de guirlandas para serem postas no pescoço de um dos membros da igreja e de sua família por terem doado vans para a igreja. Ifemelu recusa- se a produzir tais guirlandas quando requisitada por Irmã Ibinabo, respondendo-a: “[...] “Chief Omenka is a 419 and everybody knows it,” she said. “This church is full of 419 men. Why should we pretend that this hall was not built with dirty money?”272” (ADICHIE, 2014a, p. 51).
A irmã Ibinado ressalta que ela e as outras meninas estão realizando um trabalho de Deus e, como Ifemelu não se parece disposta a ajudá-las, pede para que a garota se retire. Ao caminhar em direção ao ponto de ônibus, Ifemelu se recorda de ter feito trabalhos parecidos como os das guirlandas para outros homenageados tão estelionatários quanto o chefe que homenageavam naquele dia. Entretanto, o que a incomodou de verdade foi a postura da Irmã Ibinado, muito parecida com a postura de sua própria mãe:
[...] [y]et something had been different today. When Sister Ibinabo was talking to Christie, with that poisonous spite she claimed was religious guidance, Ifemelu had looked at her and suddenly seen something of her own mother. Her mother was a kinder and simpler person, but like Sister Ibinabo, she was a person who denied that things were as they were. A person who had to spread the cloak of religion over her own petty desires.273 (ADICHIE, 2014a, p. 51).
A mãe de Ifemelu retorna para casa enfurecida com o comportamento da filha. A menina leva alguns puxões de orelha da mãe que insiste em dizer que a filha tem sido usada como um objeto do demônio para julgar as pessoas. O pai de Ifemelu, acostumado com o displaçamento da filha tanto em relação à religião da mãe, quanto à imposição a certos padrões de gênero, como a submissão feminina, adverte a filha, sem muito alarde: “[...] [y]ou must refrain from your proclivity towards provocation, Ifemelu. You have singled yourself out at school where you are known for your insubordination and I have told you that it has already sullied your singular academic records. There is no need to create a similar pattern in church.”274” (ADICHIE, 2014a, p. 52).
272 [...] “O chefe Omenka é um estelionarário e todo mundo sabe disso”, disse ela. “Esta igreja está cheia de
estelionatários. Por que a gente tem de fingir que este prédio não foi construído com dinheiro sujo?”. (ADICHIE, 2014b, p. 59-60, tradução Julia Pompeu).
273 [...] [m]as havia algo de diferente naquele dia. Quando Irmã Ibinabo falara com Christie, com aquele desprezo
venenoso que afirmava ser orientação religiosa, Ifemelu tinha olhado para ela e visto um traço de sua própria mãe. Ela era uma pessoa doce e mais simples, mas, assim como Irmã Ibinabo, negava que as coisas eram como eram. Uma pessoa que tinha que estender o manto da religião sobre seus desejos mesquinhos. (ADICHIE, 2014b, p. 60).
274 [...] “[v]ocê deve se abster de sua propensão natural à provocação, Ifemelu. Já é conhecida por sua
insubordinação na escola, o que maculou seu singular currículo acadêmico. Não há necessidade de criar um padrão similar na igreja. (ADICHIE, 2014b, p. 61, tradução Julia Pompeu).
Mais tarde, com a chegada de Tia Uju em casa, a Mãe de Ifemelu relata o episódio da igreja e pede para que a prima tenha uma conversa com a garota:
[...] “Go and give that Ifemelu a talking-to. You are the only person she will listen to. Ask her what I did to her that makes her want to embarrass me in the church like this. She insulted Sister Ibinabo! It is like insulting Pastor! Why must this girl be a troublemaker? I have been saying it since, that it would be better if she was a boy, behaving like this.”275 (ADICHIE, 2014a, p. 52).
Parece ser evidente que o sentimento de displaçamento de Ifemelu, ainda na infância, sobressai- se pelo seu comportamento de ser uma pessoa direta e falar o que lhe vem à mente, diferente da conduta submissa e retraída esperada de uma menina e, até mesmo de uma mulher, já que proceder dessa forma era algo relacionado aos meninos/homens em si. Na conversa com a mãe de Ifemelu Tia Uju reconhece que o problema da menina é não saber quando deve se calar e, ao conversar em particular com a prima, ela recomenda: “[...] “[y]ou should have just made that garland. I’ve told you that you don’t have to say everything. You have to learn that. You don’t have to say everything.”276” (ADICHIE, 2014a, p. 53, grifo no original).
O displaçamento de Ifemelu também se evidencia na escola. Conhecida por seu comportamento diferente da maioria das meninas, por ter o hábito de sempre discordar de todos, a menina portava-se sempre de forma assertiva e confiante, o que, muitas vezes, repelia a aproximação de outros garotos. Contudo, quando conheceu Obinze, seu primeiro namorado, a atração por sua personalidade fez com que ele se aproximasse de Ifemelu e começasse, mais tarde, um relacionamento amoroso com ela:
[...] “Aren’t you hot in that jacket? Ifemelu asked. The question came out before she could restrain herself, so used was she to sharpening her words, to watching for terror in the eyes of boys. But he was smiling. He looked amused. He was not afraid of her.
“Very hot,” he said. “But I’m a country bumpkin and this is my first city party so you have to forgive me.” Slowly, he took his jacket off […]. “Now I’ll have to carry the jacket around with me.”
[…]
“I didn’t mean it like that,” Ifemelu said. “It’s just that this room is so hot and that jacket looks heavy.”
“I like your voice,” he said, almost cutting her short. And she, who was never at a loss, croaked. “My voice?”
275 [...] “Vá dar uma bronca naquela menina. Você é a única pessoa que ela ouve. Pergunte o que eu lhe fiz para
querer me envergonhar desse jeito na igreja. Ela insultou a Irmã Ibinabo! É como insultar o pastor! Por que esta menina tem de dar tanto trabalho? Sempre digo que, se era para se comportar assim, melhor se tivesse nascido menino.” (ADICHIE, 2014b, p. 61, tradução Julia Pompeu).
276 [...] “[v]ocê deveria ter feito a guirlanda e pronto. Já te disse que não tem que dizer tudo. Precisa aprender isso.
“Yes.” […]
[…] “So what did Kayode say about me?” “Nothing bad, he likes you.”
“You don’t want to tell me what he said.”
“He said, ‘Ifemelu is a fine babe but she is too much trouble. She can argue. She can talk. She never agrees. But Ginika is just a sweet girl.’” He paused, then added, “He didn’t know that was exactly what I hoped to hear. I’m not interested in girls that are too nice.”
“Ahn-ahn! Are you insulting me?” She nudged him, in mock anger. She had always liked this image of herself as too much trouble, as different, and she sometimes thought of it as a carapace that kept her safe.
“You know I’m not insulting you.” […] “I thought you were so fine, but not just that. You looked like the kind of person who will do something because you want to, and not because everyone else is doing it.277 (ADICHIE, 2014a, p. 57-59)
Mesmo sendo uma garota com coragem para desafiar as imposições de comportamentos padronizados advindos de sua mãe e, da mesma forma, da escola, e da sociedade patriarcal em que vivia como um todo, Ifemelu vivenciava o sentimento de displaçamento de forma constante, como se não pudesse se encaixar. Tendo Obinze como namorado, a garota passou a perceber que ele parecia pertencer melhor à escola do que ela, embora Ifemelu possuísse fama onde estudava, exatamente por se comportar de forma outra em relação à maioria das garotas. Para a personagem, estudar naquela escola, onde grande parte dos alunos já havia visitado o exterior, possuíam bens materiais que estavam fora do alcance de sua família, acometia um grande esforço de sua parte:
277 [...] “Você não está com calor com esta jaqueta?”, perguntou ela. A pergunta saiu de sua boca antes que pudesse
se controlar, de tanto que estava acostumada a afiar as palavras, a buscar o terror nos olhos dos meninos. Mas ele sorriu. Parecia ter achado aquilo engraçado. Não estava com medo dela.
“Muito”, disse Obinze. “Mas sou um caipira da roça e esta é minha primeira festa na cidade grande, então você vai ter que perdoar.” Ele tirou devagar a jaqueta [...]. “Agora vou ter de ficar carregando a jaqueta para todo lado.” [...]
“Não foi isso que eu quis dizer”, corrigiu Ifemelu. “É só que esta sala está tão quente e essa jaqueta parece bem pesada.”
“Gostei da sua voz”, disse ele, quase a interrompendo.
Ela, que nunca ficava sem sabe o que dizer, balbuciou roucamente: “Minha voz?” “É.”
[...]
[...] “Então, o que Kayode disse sobre mim? “Nada de ruim. Ele gosta de você.”
“Você não quer dizer o que foi.”
“Ele disse: ‘Ifemelu é linda, mas dá trabalho demais. Sabe discutir. Sabe falar. Nunca concorda com ninguém. Mas Ginika é um doce de menina’.” Obinze fez uma pausa e acrescentou: Não estou interessado em meninas boazinhas demais”.
“Hum! Você está me insultando?”, perguntou ela cutucando-o com uma raiva fingida. Gostava dessa imagem de si mesma como sendo alguém que dava trabalho, que era diferente, e às vezes encarava aquilo como uma carapaça que a mantinha segura.
“Você sabe que não estou te insultando.” [...] “Achei você linda, mas não foi só isso. Você pareceu ser o tipo de pessoa que faz algo por que quer, não porque os outros estão fazendo.” (ADICHIE, 2014b, p. 65-69, tradução Julia Pompeu).
[...] [s]he was popular, always on every party list, and always announced, during assembly, as one of the “first three” in her class, yet she felt sheathed in a translucent haze of difference. She would not be there if she had not done