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In derogation of the provisions of Article 48, Countries have the right not to apply to commercial papers, printed papers and samples of merchandise the

TO THE UNIVERSAL POSTAL CONVENTION

1. In derogation of the provisions of Article 48, Countries have the right not to apply to commercial papers, printed papers and samples of merchandise the

Com a abertura política iniciada no Brasil no final dos anos setenta e início dos anos oitenta, ocorreu uma mobilização da sociedade civil pela instauração de vários mecanismos de funcionamento do Estado de regime democrático, com direitos sociais e cidadania. Esses mecanismos envolvem desde a abertura política com a anistia aos exilados, eleições diretas para as esferas de governo, a suspensão dos atos institucionais, a reestruturação do sistema partidário, a legalização dos vários partidos, a promulgação e regulamentação da nova Carta Magna de 1988.

O estímulo à participação da sociedade, contudo, não é novo; tal estratégia foi utilizada oficialmente pelo Estado, em meados da década de setenta, com o objetivo de legitimar decisões governamentais procurando, com isso, melhorar a imagem do governo diante do arrocho decorrente da crise econômica gerada no período pós

"milagre econômico". Este fenômeno se deu a partir de duas razões: primeiro, a

necessidade de se consolidar a hegemonia da elite burocrática dominante no país; segundo, devido à necessidade de aproximar o modelo desenvolvimentista da população, transformando a participação em um movimento outorgado / concedido, com objetivo claro de popularizar as medidas do governo. Nesta perspectiva, tratava-se de uma ação voltada à cooptação dos movimentos sociais por parte do Estado, dando prioridade à prática do favoritismo e do clientelismo.

Essa realidade se manteve até o final da década de setenta, quando surgiram os

"novos movimentos sociais" 58. Estes são assim denominados por abranger o

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Este assunto possui uma literatura vasta. Porém, neste estudo utilizamos como referência o capítulo I de: NETTO, José Paulo. Ditadura e Serviço Social. Uma análise do Serviço Social no Brasil pós-64. São Paulo: Cortez, 1996c.

sindicalismo - que rejeita a intervenção do Estado através do Ministério do Trabalho - os movimentos reivindicatórios urbanos, o movimento feminista, o movimento dos sem-terra; etc. Os sujeitos políticos oriundos destes movimentos tiveram um papel importante na democratização do Estado e da sociedade, no que se refere às esferas política e social.

Inicia-se, assim, a construção de uma nova relação entre o Estado e a sociedade, que começa a reconhecer a capacidade de mobilização e articulação entre os diversos segmentos. Através da luta social ampliam-se as conquistas como respostas às demandas sociais. Enfatizamos que as relações são impulsionadas por ações coletivas, através das quais aglutinam-se grupos em defesa de interesses diversos e/ou específicos e; são caracterizadas pela rede estabelecida entre os representados e as lideranças, como elemento de mobilização popular.

O processo de redemocratização da sociedade brasileira inicia uma nova etapa política diante do agravamento da questão social: no período pós - 88, a questão central é a mudança nas diretrizes das políticas sociais no contexto institucional, propondo a descentralização59 na efetivação das políticas sociais.

A década de oitenta, apesar de ser considerada perdida por economistas, termina com a decretação da Constituição de 1988, conhecida como Cidadã, por trazer, em seu conteúdo jurídico-formal, avanços no campo da proteção social. Temos a seguridade social que congrega a política de assistência social, previdência e saúde, como direito social do cidadão e dever do Estado.Vale ressaltar que o modelo de seguridade social, em particular, a saúde no Brasil foi constituído, historicamente, tendo como referência paradigmática uma “cidadania regulada”, termo criado por Santos (1987:68) que assim a define:

"Por cidadania regulada entendo o conceito de cidadania cujas raízes encontram-se, não em um código de valores políticos, mas em um sistema de estratificação ocupacional (o qual) é definido por

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Sobre o assunto conferir SADER, Éder. Quando novos personagens entram em cena: experiências, falas e lutas dos trabalhadores da Grande São Paulo (1970-80). Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1988. 329p.SCHERRER -WARREN, Ilse. Redes de Movimentos Sociais, São Paulo: Loyola, 1993.

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norma legal (...) A cidadania está embutida na profissão e os direitos do cidadão restringem-se aos direitos do lugar que ocupa no processo produtivo, tal como reconhecido por lei".

A proteção social brasileira, fundada na estratificação ocupacional, excluiu parcelas expressivas da população, em especial os setores mais pauperizados da classe trabalhadora, submetidos a relações informais de trabalho ou diretamente expulsos do mercado de trabalho. No campo da saúde, a quebra deste modelo implica a extensão de um conjunto de demandas, impondo ao sistema a necessidade imperiosa de expansão dos serviços.

A nova Constituição democrática estabelecida implicou reconhecer o direito à participação da sociedade nas diversas instâncias - aqui nos referimos particularmente à saúde, à educação, à criança e ao adolescente e ao meio ambiente, através dos Conselhos Municipais, Estaduais e Nacionais, garantidos e regulamentados por leis complementares - de modo a participar da gestão e fiscalização da coisa pública, através desses canais institucionais criados, ampliando a participação da sociedade nas decisões do Estado.

Neste sentido, no contexto democrático reinstalado, as propostas de participação da sociedade na gestão de políticas públicas setoriais surgem, concomitantemente, com o advento da descentralização político-administrativa, do controle social, objetivando a universalização dos direitos sociais, numa tentativa de superar o caráter econômico, político e socialmente excludente do Estado burocrático autoritário.

No final dos anos setenta e início dos anos oitenta, temos na conjuntura política mundial o surgimento do neoliberalismo, estratégia econômica que impõe novas formas de assimilação do capital e desempenha forte influência institucional sobre os indivíduos de modo a forçá-los a incorporar novas formas de consentimento involuntário das classes trabalhadoras subalternizadas.

Essas estratégias entendidas como consentimento e passivização60 das classes trabalhadoras subalternizadas, em geral, ocorrem através do uso da coerção. Um método eficaz da prática de mitificar o pertencimento de classe, no qual ocorre a não aceitação da conquista a partir de uma visão passiva do mundo. Ou seja, as estratégias do neoliberalismo são parte da estratégia do capital.

Nestes termos, concordamos com Mota & Amaral (1998:40), quando afirmam que: “(...) as estratégias utilizadas pelo grande capital, para redefinir

socialmente o processo de produção de mercadorias, a rigor, evidenciam as reais necessidades do processo de reestruturação produtiva: a integração passiva dos trabalhadores à nova ordem do capital, isto é, a adesão e o consentimento do trabalhador às exigências da produção capitalista”.

O neoliberalismo, como demonstração do ideário capitalista, é algo que é produzido a partir de fatos concretos no conjunto de mudanças no modo de produção que o senso comum não identifica com facilidade. Neste sentido, as autoras entendem que

“O conjunto destas mudanças na esfera da produção e da organização social implicou o redirecionamento da intervenção estatal, em especial, nos mecanismos de regulação da produção material e da gestão estatal e privada da força de trabalho. As relações entre o Estado, sociedade e mercado materializam-se em um conjunto de medidas de ajuste econômico e de reformas institucionais, cujos destaques são os mecanismos de privatização, as pressões do empresariado e da burocracia estatal para suprimir direitos sociais e trabalhistas e ‘naturalização’ da superexploração do trabalho”’ (Op. Cit. p, 37).

Esta “naturalização” vem expressar uma assertiva liberal de que um fenômeno social se exprime, a rigor, com uma certa independência em relação aos indivíduos - cidadãos, contudo, coagindo-os. Tal força coercitiva (de naturalização) apresenta-se como um produto novo criado, independente da vontade singular de cada cidadão. Antes de ser considerado como uma política de ajuste macroeconômico ou um conjunto de preceito material, consideramos que o neoliberalismo é também uma forma de rearranjo do capitalismo no seu momento atual de crise.

No dizer de Friedman (1988:28),

60

Sobre o conceito de consentimento e passivização sugerimos ver MOTA, Ana Elizabete & Amaral, Ângela Santana do. Reestruturação do capital, fragmentação do trabalho e Serviço Social. In MOTA, Ana Elizabete (org) A nova fábrica de Consensos. São Paulo: Cortez, 1998.

“Os grupos de nossa sociedade que têm mais razões para preservar e fortalecer o capitalismo competitivo são os minoritários – que podem mais facilmente tornar o objeto de desconfiança e hostilidade da maioria: os negros, os judeus, os estrangeiros, para mencionar somente os mais óbvios. Entretanto, e paradoxalmente, os inimigos do mercado livre - os socialistas e os comunistas – foram recrutados numa proporção bem grande nesses próprios grupos. Em vez de reconhecer que a existência do mercado os protegeu das atitudes de seus compatriotas, eles erradamente atribuem a discriminação do mercado”.

Não obstante, a despeito daqueles que opinam em contrário, nos parece que o autor tem uma visão distorcida da realidade quando chega a afirmar que a harmonia do mercado é alcançada, através da colaboração de grupos considerados minoritários da sociedade capitalista.

Neste sentido, o neoliberalismo é também uma forma do capitalismo coagir - através de vários mecanismos, como adesão, terceirização das relações trabalhistas, privatização, sociabilidade emergente, como a criação de novas formas de subordinação do trabalho, entre tantas outras estratégias que levam as classes trabalhadoras a adotarem uma conduta que seja mais adequada ao capital.

Nestes termos, o neoliberalismo fornece à classe trabalhadora a ‘idéia’ de estar integrada ao mercado, seja como produtor ou consumidor. Assim, o “pragmatismo

econômico é expresso na subordinação (ajustes e reformas), neutralizando, na prática as questões que dizem respeito aos projetos sociais” (MOTA & AMARAL,

1998: 30).

A política de conformação do neoliberalismo descaracteriza os trabalhadores como sujeitos de classe, ao tempo em que os compreende como apenas consumidores no mercado. Nessa acepção, Friedman (1988:175) esclarece que “o liberal fará,

portanto, uma distinção clara entre igualdade de direitos e igualdade de oportunidades, de um lado, e igualdade material ou igualdade de rendas, de outro”.

De acordo, ainda com o autor, não existe um território econômico separado do campo político, uma vez que o econômico e o político são interdependentes, a fim de que chega a assegurar que "o tipo de organização econômica que promove a

política porque separa o poder econômico do poder político e, desse modo, permite um controle do outro” (Op. Cit. P,18).

Embora tal discussão se prenda mais em alguns aspectos no neoliberalismo, torna- se imperioso lembrar que a relação existente entre o político, social e o econômico é bastante problemática nesta doutrina, de modo que não se pode negar a sua importância para compreendermos o papel do Estado contemporâneo e dos direitos sociais.