A Hidden Markov Model based Speech Recognition Approach to Automated
12.3 Proposed Approach
12.4.2 Decoding Phase
Com todo este panorama histórico e algumas aplicações da cultura do medo, os estudos sobre o imaginário entram em cena para detalhar como este sentimento de insegurança impacta toda uma sociedade.
Para o pesquisador Jacques A. Wainberg (2005, p.7-9) o terror tem ―relevante impacto no imaginário das pessoas‖, ―abalando o estado de espírito das comunidades, em especial a da comunidade visada‖ e explica:
É possível, portanto, ressaltar a similitude de propósitos existente entre o ato terrorista e a propaganda. A noção de ―batalha irrestrita‖ utilizada na
literatura militar moderna inclui o terror e a guerra de informação como instrumentos de luta. Denominada também ―administração da percepção‖, essa ―batalha‖ sobre o controle e a mobilização das crenças não respeita as fronteiras nacionais e concentra sua energia no impacto que a violência pode exercer sobre a sensibilidade humana e sobre o imaginário social.
A administração da percepção tem sido, na verdade, uma marca da história dos povos em conflito. (grifos do autor)
Ainda, Jacques A. Wainberg (2005, p.12) demonstra que a exposição à violência tem como efeitos: ―o medo, a perda de sensibilidade do público e a desinibição (o que leva certo tipo de pessoa a imitar na vida real o ato violento e sua técnica)‖. Também apresenta a violência política, cujos atores utilizam para alcançar seus objetivos, motivando certos movimentos a escolherem ―o terror como estratégia de luta‖ visando abalar o inimigo (WAINBERG, 2005, p.15).
Os estudos científicos sobre o medo, então, se relacionam aos números de crimes, mortes e atos de violência. Indicam o porquê estes atores se utilizam do terror, como o bandido que rouba para sobreviver, a pobreza e a miséria como fatores do medo coletivo. É colocada, então, a necessidade de mais política de controle e repressão a violência, mais policiamento, e isto acontece por pedido popular, principalmente segmentos da burguesia, onde o imaginário já está contaminado a tal ponto pelo medo, que pedem mais segurança, ao menos para terem a sensação da mesma.
De certa maneira, com a exacerbação deste controle, assiste-se, na verdade, a um aumento do terror do Estado que se legitima em nome da manutenção do próprio Estado, ou seja, o poder antes ―pactuado‖ para que se mantivesse a
―paz‖ é agora utilizado para que se mantenha este próprio poder e a ordem que ele institui (FRANÇA, 2010, p.131).
Para a construção, então, deste imaginário, devemos pensar na comunicação a construção simbólica que os meios fazem. Para Moraes (1994, p.3), o itinerário simbólico para o imaginário social depende do fluxo comunicacional entre emissor, que promove sua concepção de mundo com seus interesses e objetivos, e o receptor, que pode ou não decodificar as mensagens. Porém, ambos são inseparáveis para estruturar os sentidos.
Se o fluxo de mensagens que compõe a mídia, e também as estruturas governamentais, geram mensagens que cultuam o medo, então a decodificação destas mensagens, em sua maioria, serão de que o ―mundo a sua volta está repleto de mal-feitores‖. Junto com esta informação, vem a construção simbólica de um Estado ou instituição que pode resolver o problema, mas que a população deve seguir uma série de leis, repressoras ou não. Logo, o imaginário do medo entra em ação na sua fase aguda, a da suplica social por uma solução, para trazer a paz.
Há uma união social que é ―a unidade e coesão interna do tecido imensamente complexo de significações que impregnam, orientam e dirigem toda a vida daquela sociedade e todos os indivíduos concretos que, corporalmente, a constituem‖ (CASTORIADIS, 1984, p.230). Neste sentido, o medo como forma de controle está sempre em busca de criar o consenso, a hegemonia social.
A etimologia da palavra hegemonia explica melhor o fato do medo ser usado como forma de controle e de construção hierárquicas sociais, como apresenta o pesquisador Dênis de Moraes (1994, p.3):
Etimologicamente, hegemonia deriva do grego eghestai, que significa ―conduzir‖, ―ser guia‖, ―ser chefe‖, e do verbo eghemoneuo, que quer dizer ―conduzir‖, e por derivação ―ser chefe‖, ―comandar‖, ―dominar‖. Eghemonia, no grego antigo, era a designação para o comando supremo das Forças Armadas. Trata-se, portanto, de uma terminologia com conotação militar. O eghemon era o condottiere, o guia e também o comandante do exército.
Ainda, Moraes (1994, p.3) cita que o conceito de hegemonia do filósofo Antonio Gramsci ―caracteriza a liderança cultural-ideológica de uma classe sobre as outras‖ sendo que ―as formas históricas da hegemonia nem sempre são as mesmas e variam conforme a natureza das forças sociais que a exercem‖.
A análise dos estudos culturais, com base no modelo de Gramsci, de ―formas sociais e culturais hegemônicas de dominação‖ e de ―forças contra-hegemônicas de resistência e luta‖, é elaborada pelo filósofo Douglas Kellner (2001, p.48) que diz:
Para Gramsci, as sociedades mantêm a estabilidade por meio de uma combinação de força e hegemonia, em que algumas instituições e grupos exercem violentamente o poder para conservar intactas as fronteiras sociais (ou seja, polícia, forças militares, grupos de vigilância, etc.), enquanto outras instituições (como religião, escola ou a mídia) servem para induzir anuência à ordem dominante, estabelecendo a hegemonia, ou o domínio ideológico, de determinado tipo de ordem social (por exemplo, capitalismo liberal, fascismo, supremacia branca, socialismo democrático, comunismo, ou seja lá o que for).
Para estabelecer a hegemonia de determinados grupos, a cultura da mídia produz representações visando aceitação de certos projetos políticos. Como exemplo: ―redução da regulação governamental e mercado livre são coisas boas, a proteção do país exige intensa militarização e uma política externa agressiva, etc.‖ (KELLNER, 2001, p.81).
O educador Paulo Freire (1988, p.137) defende que ―os meios de comunicação com as massas‖, propagam mitos ―cuja introjeção pelas massas populares oprimidas é básica para a sua conquista‖ e exemplifica que: o mito de que ―a ordem opressora é uma ordem de liberdade‖, o ―mito de que esta ordem respeita os direitos da pessoa humana‖, o mito de que ―todos são livres para trabalhar onde queiram‖, o mito da inferioridade ―ontológica‖ dos oprimidos e da superioridade dos opressores. Assim, quando uma estrutura social se denota de feição dominadora, ―as instituições formadoras que nela se constituem estarão, necessariamente, marcadas por seu clima, veiculando seus mitos e orientando sua ação no estilo próprio da estrutura‖ (FREIRE, 1988, p.151).
Portanto, afirma Douglas Kellner (2001, p.85) que: ―[...] a ‗distorção‘, a ‗mistificação‘, o ‗mascaramento‘ e outras funções oclusoras em geral associadas à ideologia estão relacionadas com certo tipo de abstração e com um tipo específico de fronteira ideológica que legitima a dominação dos grupos sociais mais poderosos‖.