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Approximate Least Squares Based Strategies

Sparse Matrix Computational Techniques in Concept Decomposition Matrix

10.3 Approximate Least Squares Based Strategies

O pesquisador Tim Wu (2012, p.126) ao estudar a formação dos monopólios da comunicação, investiga através da história que o surgimento de novas tecnologias nem sempre é aceito pelas grandes corporações como um novo modelo de negócio. Ele explica que:

Agora vamos nos voltar para o que os impérios (da comunicação) entendem por linguagem e inovação. A maior parte dos que estudam esses temas é obcecada pelo papel do governo na censura e na difusão de incentivos à inovação. Mas o papel do Estado, embora significativo, não pode ser comparado ao poder da indústria para censurar a expressão ou reprimir a criatividade (2012, p.126).

O Intervozes (Coletivo Brasil de Comunicação Social) no relatório da pesquisa Direito à Comunicação no Brasil, conclui que os empresários da comunicação rejeitam qualquer tipo de discussão sobre regulamentar a produção e disseminação de informações, ainda mais se o debate vem de fora do círculo empresarial, e culpam o Estado e atores sociais envolvidos na discussão de estarem impondo uma censura e de restrição a liberdade de expressão. A pesquisa indica que ―esse tipo de postura configura uma clara estratégia de encerrar a discussão sem efetivamente fazê-la, já que o debate pode gerar mudanças contrárias a seus interesses‖ (2005, p.24). O relatório conclui a análise sobre o posicionamento das corporações midiáticas ao dizer que ―o setor empresarial normalmente age como se estivesse acima das leis e se julga isento de toda e qualquer forma de regulação estatal e/ou pública‖ (2005, p.24).

Os Laboratórios Bell, parte da corporação AT&T, durante a década de 1930 possuía pesquisadores em diversas linhas de pesquisa, que realizavam, além de avanços para aprimorar a tecnologia das linhas telefônicas (monopólio da empresa na época), também obtinha grandes resultados em pesquisas sobre física e inovação. Em 1937, um dos pesquisadores da empresa, Clinton Davisson, ganhou um Prêmio Nobel ao demonstrar a natureza ondulatória da matéria, apesar da descoberta ser mais creditada a Albert Einstein. Além de Davisson, os funcionários dos Laboratórios Bell conquistaram outros sete Nobel, incluindo o de 1956 ao inventarem o transistor, que possibilitou a criação dos computadores, e ainda apresentaram outras invenções da informática como o Unix (sistema operacional portátil) e a programação C (WU, 2012, p.131).

Porém, uma das principais invenções da Bell não foi exposta ao público até 1990. Clarence Hickman, engenheiro da empresa, criou em 1934 uma espécie de secretária eletrônica. A máquina tinha cerca de dois metros de altura e gravava as ligações do escritório de Hickman quando ele não atendia ao telefone. Tim Wu (2012, p.130) explica que a importância desta inovação não estava no conceito, avançado para a época, mas sim pela tecnologia usada na máquina. O pesquisador explica o caso:

[...] o princípio técnico que a fazia funcionar e que, eventualmente, transformaria o mundo: a fita magnética. Lembre-se que, antes do registro magnético, não havia como armazenar sons a não ser imprimindo um disco ou torneando o rolete de uma pianola. A nova tecnologia não apenas levaria às fitas de áudio e vídeo como também seria usada com os microprocessadores de silício, tornando realidade o armazenamento de dados em computadores. Na verdade, a partir dos anos 1980, empresas como Microsoft e o Google - e o mundo todo - passariam a depender fundamentalmente do registro magnético, agora conhecido como disco rígido (2012, p.130).

As pesquisas básicas realizadas pela AT&T, explica Wu (2012, p.132), eram uma espécie de compensação social para os preços altos praticados pela empresa por deter o monopólio da telefonia nos Estados Unidos. Wu completa esta relação da AT&T com as pesquisas como:

Dito de outra forma, nos Estados Unidos, os preços mais altos para o consumidor, decorrente do monopólio, eram na verdade uma espécie de imposto que os americanos pagavam para financiar a pesquisa básica. Essa insinuação nada habitual de existência de uma associação entre governo e seus objetivos de desenvolver ciência no país explica bem como a AT&T, já madura, tornou-se quase uma divisão do governo, encarregada de trabalhos altamente sigilosos, de interesse nacional (2012, p.132).

Dentro deste cenário, onde a empresa realizava pesquisas importantes em diversas áreas do conhecimento, principalmente em tecnologia da informação, a dúvida fica por que a AT&T deixou a máquina de Hickman escondida. O historiador Mark Clark, ao encontrar o caderno de anotações do engenheiro da Bell, explica o que aconteceu. O pesquisador diz que ―o sucesso técnico dos cientistas e engenheiros‖ dos laboratórios da corporação ―era ocultado pela alta gerência‖ e que a empresa ―se recusou a desenvolver a gravação magnética para uso dos consumidores, e desestimulou seu desenvolvimento e utilização por outros‖ (in WU, 2012, p.133). A AT&T realizou esta estratégia de encobrimento da tecnologia de Hickman por acreditar que a secretária eletrônica e as fitas magnéticas fariam com que os consumidores abandonassem o telefone (WU, 2012, p.133). Tim Wu explica o sentimento da corporação em relação a este caso:

Na imaginação da Bell, o simples conhecimento de que era possível gravar uma conversa ―restringiria muito o uso do telefone‖, com consequências catastróficas para os empreendimentos. Por exemplo, homens de negócios teriam medo da possibilidade de uma conversa gravada anular um contrato escrito. Gravadores de fita também inibiriam o debate de questões obscenas e eticamente duvidosas. Em resumo, a possibilidade da gravação magnética ―mudaria toda a natureza das conversas telefônicas‖ e ―tornaria o aparelho muito menos satisfatório e útil na grande maioria dos casos em que ele era empregado‖ (2012, p.133, grifos do autor).

Este caso demonstra como as corporações sentem a necessidade de manter o controle das inovações centralizadas (WU, 2012, p.138). Tim Wu (2012, p.138) relata que a centralização não é de todo ruim. Ele explica que esta estratégia empresarial evita o desperdício de recursos e impede que várias empresas realizem o mesmo tipo de pesquisa (o que impede a duplicação de pesquisas). Porém, também traz um problema de difícil solução às corporações, que nas palavras de Wu:

[...] se todos os recursos para resolver qualquer problema forem dirigidos por uma só inteligência centralizada, essa inteligência dominante deve acertar na previsão do futuro para que a inovação seja funcional. E este é o problema: os monopólios supõem uma faculdade de previsão que os seres humanos raramente conseguem ter (2012, p.139).

Peter Drucker trata da questão da inovação centralizada ao criticar este modelo adotado pelas corporações. O economista afirma:

A inovação, isto é, a aplicação do conhecimento para a produção de novo conhecimento, não resulta, ao contrário do folclore americano, de ―inspiração‖, nem é obtida por gênios solitários trabalhando em suas garagens. Ela requer esforço sistemático e um alto grau de organização. Mas ela também requer descentralização e diversidade, isto é, o oposto do planejamento central e centralização (1993, p.146).

Drucker continua sua crítica a este modelo ao indicar a consequência do mau gerenciamento da inovação em corporações que centralizam o conhecimento:

A especialização em conhecimentos nos deu um enorme potencial de desempenho em cada área. Porém, como os conhecimentos são muitos especializados, precisamos também de uma metodologia, uma disciplina, um processo para transformar este potencial em desempenho, caso contrário a maior parte do conhecimento disponível não se tornará produtiva; ela permanecerá como mera informação (1993, p.149).

Porém, este modelo descentralizado de inovação acontece quando uma tecnologia ainda está em estado embrionário. A partir do momento em que ela atinge uma grande escala de consumidores e abre as portas para novos modelos de negócio, empresas querem adquirir o controle da inovação e criar um novo monopólio. Até mesmo a web, tida hoje como

revolucionária no trato da informação e da liberdade de expressão, já sofre tentativas de ser regulamentada e controlada pelas grandes corporações midiáticas.