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4 15 8 0 0 1 2 3 4 5 Ref. Tamanho (1) 1 lauda (considerada até 2000 caracteres sem espaço) (2) de 2 a 3 laudas (de 2 a 6 mil caracteres sem espaço) (3) de 4 a 6 laudas (de 6 mil a 12 mil caracteres sem espaço) (4) de 7 a 8 laudas (12 mil caracteres a 16 mil caracteres sem espaço)
(5) mais de 8 laudas (acima de 16 mil caracteres sem espaço)
Da amostra, 51,85% teve como eixo conceitual a questão ética, 14,81% tratam do “perfil profissional”, mesmo percentual de textos que abordam as “questões/normas técnicas” (14,81%). Na sequência, 11,11% dos textos analisam as “características do jornalismo” e 3% tratam do “processo editorial”.
GRÁFICO 6 – Eixos conceituais norteadores do texto Fonte: A autora
O jornalista exerce a responsabilidade social de informar os cidadãos para que estes tenham acesso aos fatos e possam tomar decisões. A Organização das Nações Unidas para Educação, Ciência e Cultura (UNESCO) reforça constantemente a importância da informação como um bem social e não como um simples produto.
Entretanto, o respeito espontâneo do jornalista às regras depende de uma série de questões éticas no dia a dia da profissão. Nesse contexto, vários questionamentos permeiam o trabalho cotidiano do profissional, dentre eles: como o jornalista concilia o direito do público à informação com a política da empresa e as suas convicções pessoais quando estas questões entram em conflito? Como garante o direito do público à informação, quando a notícia diz respeito à vida privada de um ator social? A partir destes exemplos, é possível visualizar que a discussão ética abrange princípios do jornalismo que, muitas vezes, entram em choque com o desenvolvimento prático da atividade e precisam ser reavaliados, para a solução dos pontos de tensão que se formam.
De acordo com Stephen Ward (2009), a ética jornalística necessita de uma base teórica mais rica, de uma epistemologia mais adequada, visto que existem conflitos e discordância entre o nível da prática - na aplicação de normas - e o nível da teoria. Para Ward, a ética implica a
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Ref. Eixos conceituais norteadores do texto (1) Processos editorias jornalísticos (2) Questões/ normas técnicas (3) Preocupações éticas (4) Caraterísticas do jornalismo (5) Perfil profissional (6) Outros
análise, avaliação e promoção do que constitui conduta correta e virtuosa, com base nos melhores princípios disponíveis.
Francisco José Karam (2004) defende que o jornalismo possui características próprias e por isso, precisa um campo específico da ética profissional.
Voltando ao campo da ética jornalística, podemos dizer que só é possível construí-la, em bases reais, se levarmos em conta a necessidade de que, na particularidade do jornalismo, o que se desdobra é a própria complexidade crescente da humanidade, que carrega consigo não apenas atos, fatos, versões e opiniões, mas igualmente os valores embutidos na carga moral em que se configuram diariamente. (KARAM, 2004. p. 42)
É necessário ressaltar que os limites da ética mudam conforme as sociedades se transformam. Nesse caso, devido às novas tecnologias e novas condições sociais, faz-se necessário pensar em uma teoria mais rica que venha a responder a questões complexas, voltadas à realidade atual, levando-se em consideração os processos comunicacionais em rede, os conteúdos em multiplataforma e de alcance global.
O tema é recorrente em boa parte dos textos, como observado em “O círculo vicioso das ‘fake news’ e o futuro do jornalismo”, escrito por Lucas Souza Dorta e publicado no dia 26 de março. Segundo o autor, o crescente uso da internet e a expansão midiática elevaram o número de plataformas voltadas para a comunicação e a produção de conteúdo. No entanto, isso não trouxe apenas pontos positivos para a área, visto que aumentaram as notícias falsas (fake news) difundidas pela web como se fossem verdadeiras. Além disso, as redações estão cada vez mais enxutas por causa das crescentes demissões e as relações mais fluidas devido ao excesso de factualidade presente. Todas estas questões dificultam a identificação de jornalismo de qualidade e a gestão das mídias contemporâneas.
Ana Claudia Vargas aborda questão semelhante no texto “Vamos parar de compartilhar notícias falsas?”, ao tratar do lucrativo mercado de fake news que vem crescendo na internet. A autora questiona a fábrica de cliques que visa atrair leitores a partir de informações descontextualizadas ou, até mesmo, inventadas que são disseminadas em formato jornalístico. Para Vargas, apesar da falta de credibilidade que a mídia tradicional vem sofrendo, as pessoas deveriam atribuir mais confiança aos veículos de comunicação, visto que eles assumem uma responsabilidade perante o público e podem ser questionados a partir deste pressuposto. O texto lança um olhar para o compromisso da profissão com a sociedade, bem como a garantia da sua observância a partir do exercício prático.
Para Richards (1998), no que se refere à ética do jornalismo, é preciso dar mais atenção à noção de instituição como agente moral. A unidade básica de compreensão não deve ser o jornalista individual, mas o jornalista como empregado de uma corporação que exerce
influência significativa no comportamento ético dos seus funcionários. A questão é reconhecida como central por Alexandre Marini que questiona a capacidade dos jornais de cumprirem a tarefa fundamental de informar a sociedade de forma confiável, no texto “Crise abre espaço para alternativos no jornalismo”, publicado no dia 04 de abril. Segundo o autor, a falta de credibilidade explicaria a notável queda no número de exemplares e o concomitante crescimento das mídias online. O autor apresenta a questão ética em diálogo com o descumprimento dos jornais na realização de um serviço público de qualidade. Para Marini, a imprensa já não estaria cumprindo com a função de checar as informações e transmitir com clareza aquilo que publica, visto que grande parte da mídia vem pautando suas notícias em releases e não em investigações, se assemelhado a meras plataformas de discursos. Além disso, as notícias cotidianas e que impactam diretamente a sociedade aparecem cheias de jargões que não fazem parte do vocabulário da população, o que torna difícil a compreensão da mensagem. Esta lacuna deixada pelos meios de comunicação, explicaria o crescente uso das mídias sociais, de acordo com Marini.
Pode-se (e deve-se) alegar falta de confiabilidade das informações geradas e compartilhadas pelas redes sociais, mas, para o público geral, talvez nesse quesito esta não esteja tão distante se comparada às mídias tradicionais: novamente, pouco claras e pouco confiáveis” (MARINI, 2017).
Tendo em vista a prestação de um serviço público considerado essencial à comunidade, o jornalismo proclama a sua responsabilidade social acima de quaisquer outros interesses ou lealdades, pressuposto legitimador da profissão. Nesse sentido, a conduta regida por princípios éticos, serviria também para reforçar o compromisso que assume perante a sociedade e como medida aferidora do seu efetivo cumprimento. A partir dos dados obtidos, percebe-se que o comprometimento ético, evidenciado em um conjunto de normas, códigos deontológicos e códigos de conduta, é reforçado pelos pares da área, já que o universo de colaboradores do
Observatório da Imprensa é, em sua grande maioria, formado por jornalistas.
Seguida da questão ética, aparecem as subcategorias “perfil profissional” e “questões/normas técnicas”, ambas em segundo lugar, com o mesmo percentual de frequência de textos na amostra da análise (14,81%). O primeiro grupo (perfil profissional) reúne textos já analisados ao longo da pesquisa, tais como: “Precisa-se de repórteres” de Leandro Olegário, publicado no dia 1° de março; “Dez dicas para Iniciantes” de autoria de Franthiesco Ballerini, publicado no dia 29 de abril; “A liberdade de imprensa passa pelas condições de diálogo nas redações”, enviado por Hebe Rios, publicado no dia 06 de maio; e “Como encontrar novos rumos na mesma profissão”, de Suzana Amyuni, pulicado dia 06 de junho. A característica
comum dos materiais é que mostram quais os compromissos que o jornalista assume com a sociedade, como deve atuar, quais comportamentos são desejados e a importância do constante aperfeiçoamento para o exercício da atividade, como se pode visualizar no texto de Leandro Olegário:
Ter paciência e firmeza. Exercer a capacidade constante da dúvida e, também, do altruísmo. Ser inconformado com as incongruências da vida e dar aspas a quem precisa ser ouvido e, ainda, mostrar o rosto de quem prefere o silêncio das ilicitudes. É indispensável ter faro para separar o trigo do joio e encontrar as melhores histórias. E acima de tudo: carregar consigo a sensibilidade humanizadora da esperança por dias melhores, ainda que o cenário seja de guerra ou insista em dizer o contrário (OLEGÁRIO, 2017)
O jornalismo é uma área de múltiplas interações complexas que passa, atualmente, por transformações e mudanças em decorrência dos avanços tecnológicos que permitem a participação de novos atores na produção e disseminação de informações, enfraquecendo o papel do profissional. Nesse sentido, os textos sobre o “perfil profissional” reconhecem e legitimam o que é valorizado no exercício da atividade, a partir de indícios de como os jornalistas devem agir.
O segundo grupo de textos abordam as “questões/normas técnicas” e apontam para o exercício da profissão de forma específica com a atenção voltada para a execução operacional da atividade. Nesses materiais é evidenciado o método ou procedimento para a execução do processo de forma eficaz. Como no texto de Renato D’Ávila Moura “Tecnologia gratuita da UFRJ facilita o trabalho de jornalistas com deficiência visual”, que explica sobre o software gratuito DOSVOX, destinado a pessoas com deficiência visual. A tecnologia permite ao profissional desenvolver o seu trabalho no mercado, em conformidade com as técnicas de utilização do programa. Outro texto que se pode citar como exemplo, é de autoria de Roberto Schiavon, “A banalização do absurdo”, que reforça a necessidade do jornalista de aprimorar as técnicas de escrita, com o objetivo de transmitir a informação de forma clara, a partir de um português correto.
De acordo com Josenildo Guerra, as técnicas precisam ser compatíveis com os processos profissionais, com a tecnologia e estar em conformidade com a ética. “Por exemplo, uma nova técnica de apuração que fira normas éticas ou que não encontre viabilidade tecnológica terá dificuldades para ser incorporada à profissão” (GUERRA, 2016, p.13). As técnicas estão no âmbito da natureza teórico-prática, visto que além de satisfazerem a necessidade prática do jornalista ao produzir a notícia, também devem estar em conformidade com o quadro de referência teórica que sustenta a profissão, como por exemplo, o compromisso com a verdade, pluralidade, interesse público, dentre outros princípios.