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Nesta subcategoria, os textos evidenciam a figura do jornalista e o trabalho que este realiza de forma individual, relacionando a qualidade jornalística à figura profissional. O texto “Precisa-se de repórteres”, por exemplo, enviado por Leandro Olegário ao site e publicado no dia 1° de março, exalta a profissão e reforça as qualidades que o jornalista deve possuir. O autor sublinha o importante papel que o jornalismo desempenha para a sociedade e para a democracia, no entanto, o texto é voltado aos sujeitos que atuam diretamente como interlocutores entre os fatos e o público. 4 4 0 0 0 3 1 5 5 3 2 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11
Ref. Foco do texto
(1) Sistema midiático (comercial e/ou público) (2) Empresa (organização) jornalística (3) Mídia impressa (4) Televisão (5) Rádio (6) Mídia online (7) Produtos/ programas (8) Cobertura (assunto) (9) Profissional (comportamento, prática ou referência) (10) Profissão jornalística (valores, identidade, reconhecimento) (11) Outros
A mesma característica é identificada no texto “Dez dicas para Iniciantes”, direcionado aos alunos e jornalistas recém-formados sobre como se tornar um jornalista cultural de referência no Brasil. O texto, publicado por Franthiesco Ballerini em 29 de abril, sugere o que o novo profissional precisa ler e como deve se portar para alcançar sucesso na carreira. Com características semelhantes, o texto publicado no dia 06 de junho, “Como encontrar novos rumos na mesma profissão,” também apresenta as etapas necessárias para conseguir uma colocação no mercado de trabalho, mas, neste caso, a temática é voltada para as novas áreas de atuação dentro do jornalismo. A autora Suzana Amyuni compartilha as suas experiências com o leitor ao explorar outras possibilidades profissionais após um período de quase cinco anos em uma afiliada da Rede Globo. O foco está na importância do autodesenvolvimento e atualização constantes.
Outro texto classificado nesta subcategoria, “A banalização do absurdo”, de Roberto Schiavon, discute o desprezo de muitos jornalistas pela língua portuguesa e aponta para a queda no desempenho dos profissionais. O texto, publicado no dia 2 de outubro, ressalta a importância de os redatores dominarem a escrita e tomarem cuidado ao produzirem uma notícia, relendo-a com atenção pelo menos uma vez antes de passá-la para frente. O argumento principal está no cuidado que o profissional deve tomar para evitar falhas no texto, seja de concordância ou de digitação, diante da banalização que a escrita vem sofrendo, principalmente, nas redes sociais. Já o texto “Os elementos do jornalismo”, escrito por Claudio Luiz de Carvalho e publicado no dia 23 de outubro, trata da gravação em que o presidente Temer diz “Tem que manter isso aí, viu?” e a relação que se estabeleceu com o pagamento de propina ao ex-deputado Eduardo Cunha para que não fossem realizadas novas denúncias ao Ministério Público. Além de aumentar a oposição ao governo, essa questão gerou amplo debate na mídia e entre a opinião pública. No entanto, o autor Claudio Luiz critica o jornalista que produziu a notícia com base na conclusão da Procuradoria Geral da República, sem ouvir, até então, o áudio da conversa. O texto foca no cuidado que o profissional deve tomar para não tirar conclusões precipitas e na importância da investigação jornalística para a produção de notícias de qualidade.
Os materiais desta subcategoria reforçam principalmente os compromissos profissionais estabelecidos para a atividade e reiteram as representações configuradas em torno do jornalista. Os textos reforçam discursivamente a elevação do profissionalismo dentro do campo e buscam compreender o papel do profissional, a importância do trabalho que realiza, a relação que mantém diariamente com a sociedade e com os meios de comunicação, destacando a necessidade constante de aperfeiçoamento para o exercício da atividade. As análises estão
centradas na identidade do jornalista por meio de um mapeamento de como este deveria realiza a sua função.
Há uma crítica sobre a atuação dos profissionais fixada como referência de fundo na amostra. É importante sublinhar que os elementos presentes nos textos indicam como a atividade jornalística é projetada no imaginário dos escritores. Nesse sentido, os resultados do estudo apontam para a reflexão, discussão e concepção de como o profissional deveria exercer a função com qualidade.
Os textos apontam para ações de divulgação das notícias e incluem questões que são valorizadas, tais como aperfeiçoamento constante, busca pelo autoconhecimento, cuidados com a produção textual - em especial com o uso correto do português - investigação minuciosa e atenção aos procedimentos de avaliação e confirmação das informações. Os textos revelam indícios de como os jornalistas são reconhecidos e legitimados profissionalmente e qual o estatuto social valorizado.
Os autores trazem dimensões da identidade dos jornalistas que estão presentes também na legitimação deste grupo. Dessa forma, os textos explicam quais são as expectativas em relação aos profissionais e reiteram discursos que ajudariam a verificar se o jornalismo está cumprindo com a sua função social. Em suma, o principal foco dos textos é de como devem agir os jornalistas - e, nesse sentido, a evidência está no empenho dos profissionais na criação e gestão do próprio trabalho. Nesta subcategoria, o debate sobre o jornalismo é centrado no indivíduo. No entanto, não se pode esquecer que a independência do campo jornalístico, em geral, é bastante ameaçada e que o profissional muitas vezes não possui total autonomia para realizar o seu trabalho. A produção jornalística é fortemente ditada pelas condições sociais, especialmente políticas e econômicas nas quais está inserida. No atual contexto, o jornalista sofre influência de uma variedade de organizações, atores sociais e até mesmo, da própria empresa na qual trabalha, que possui capital e poder para direcionar a cobertura dos temas - questões que foram negligenciadas pelos textos classificados nesta subcategoria.