• Aucun résultat trouvé

Data specification for spent fuel management facilities

3. SPECIFICATION ON SPENT FUEL DATA

3.3. Specification on spent fuel by data parameters

3.3.4. Data specification for spent fuel management facilities

MUNICÍPIOS EIXO LESTE

UF MUNICÍPIO UF MUNICÍPIO UF MUNICÍPIO

PB Alcantil PB São João do Tigre PE Ibirajuba

PB Amparo PB São José dos Cordeiros PE Iguaraci

PB Aroeiras PB São José dos Ramos PE Inajá

PB Barra de Santana PB São Miguel de Taipu PE Ingazeira PB Barra de São Miguel PB São Sebastião do Umbuzeiro PE Itaíba

PB Bayeux PB São Vicente do Seridó PE Itapetim

PB Boa Vista PB Sapé PE Jataúba

PB Boqueirão PB Serra Branca PE João Alfredo

PB Cabaceiras PB Serra Redonda PE Jucati

PB Caldas Brandão PB Sobrado PE Jupi

PB Camalaú PB Soledade PE Jurema

PB Campina Grande PB Sumé PE Lagoa do Ouro

PB Caraúbas PB Taperoá PE Lagoa dos Gatos

PB Caturité PB Tenório PE Lajedo

PB Congo PB Umbuzeiro PE Limoeiro

PB Coxixola PB Zabelê PE Machados

PB Cruz do Espírito Santo PE Afogados da Ingazeira PE Manari

PB Cubati PE Agrestina PE Orobó

PB Fagundes PE Águas Belas PE Palmeirina

PB Frei Martinho PE Alagoinha PE Panelas

PB Gado Bravo PE Altinho PE Paranatama

PB Gurinhém PE Angelim PE Passira

PB Gurjão PE Arcoverde PE Pedra

PB Ingá PE Barra de Guabiraba PE Pesqueira

PB Itabaiana PE Belo Jardim PE Poção

PB Itatuba PE Betânia PE Quixaba

PB João Pessoa PE Bezerros PE Riacho das Almas

PB Juarez Távora PE Bom Conselho PE Sairé

PB Juazeirinho PE Bom Jardim PE Salgadinho

PB Juripiranga PE Bonito PE Saloá

PB Livramento PE Brejão PE Sanharó

PB Mari PE Brejinho PE Santa Cruz da Baixa Verde

PB Massaranduba PE Brejo da Madre de Deus PE Santa Cruz do Capibaribe

PB Mogeiro PE Buíque PE Santa Maria do Cambucá

PB Monteiro PE Cachoeirinha PE Santa Terezinha

PB Natuba PE Caetés PE São Bento do Una

PB Nova Palmeira PE Calçado PE São Caitano

PB Olivedos PE Calumbi PE São João

PB Ouro Velho PE Camocim de São Félix PE São Joaquim do Monte

PB Parari PE Canhotinho PE São José do Egito

PB Pedra Lavrada PE Capoeiras PE São Vicente Ferrer

PB Picuí PE Carnaíba PE Serra Talhada

PB Pilar PE Caruaru PE Sertânia

PB Pocinhos PE Casinhas PE Solidão

PB Prata PE Correntes PE Surubim

PB Puxinanã PE Cumaru PE Tabira

PB Queimadas PE Cupira PE Tacaimbó

PB Riachão do Bacamarte PE Custódia PE Taquaritinga do Norte

PB Riachão do Poço PE Feira Nova PE Terezinha

PB Riacho de Santo Antônio PE Flores PE Toritama

PB Salgado de São Félix PE Floresta PE Triunfo

PB Santa Cecília PE Frei Miguelinho PE Tupanatinga

PB Santa Rita PE Garanhuns PE Tuparetama

PB Santo André PE Gravatá PE Venturosa

PB São Domingos do Cariri PE Iati PE Vertente do Lério

PB São João do Cariri PE Ibimirim PE Vertentes

MUNICÍPIOS EIXO NORTE

UF MUNICÍPIO UF MUNICÍPIO UF MUNICÍPIO

CE Abaiara PB Junco do Seridó RN Cruzeta

CE Alto Santo PB Lagoa RN Currais Novos

CE Aquiraz PB Lastro RN Doutor Severiano

CE Aracati PB Malta RN Encanto

CE Aurora PB Marizópolis RN Equador

CE Baixio PB Mato Grosso RN Felipe Guerra

CE Beberibe PB Passagem RN Francisco Dantas

CE Brejo Santo PB Patos RN Frutuoso Gomes

CE Caririaçu PB Paulista RN Governador Dix-Sept Rosado

CE Cascavel PB Poço Dantas RN Grossos

CE Caucaia PB Poço de José de Moura RN Ipanguaçu

CE Cedro PB Pombal RN Ipueira

CE Chorozinho PB Quixabá RN Itajá

CE Crato PB Riacho dos Cavalos RN Itaú

CE Eusébio PB Salgadinho RN Janduís

CE Fortaleza PB Santa Cruz RN Jardim de Angicos

CE Fortim PB Santa Helena RN Jardim de Piranhas

CE Granjeiro PB Santa Luzia RN Jardim do Seridó

CE Guaiúba PB São Bentinho RN João Dias

CE Horizonte PB São Bento RN José da Penha

CE Icapuí PB São Domingos RN Jucurutu

CE Icó PB São Francisco RN Lagoa Nova

CE Ipaumirim PB São João do Rio do Peixe RN Lajes

CE Itaiçaba PB São José da Lagoa Tapada RN Lucrécia

CE Itaitinga PB São José de Espinharas RN Luís Gomes

CE Jaguaretama PB São José de Piranhas RN Macau

CE Jaguaribara PB São José do Brejo do Cruz RN Major Sales

CE Jaguaribe PB São José do Sabugi RN Marcelino Vieira

CE Jaguaruana PB São Mamede RN Martins

CE Jardim PB Sousa RN Messias Targino

CE Jati PB Triunfo RN Mossoró

CE Juazeiro do Norte PB Uiraúna RN Olho-d'Água do Borges

CE Lavras da Mangabeira PB Várzea RN Ouro Branco

CE Limoeiro do Norte PB Vieirópolis RN Paraná

CE Maracanaú PB Vista Serrana RN Paraú

CE Maranguape PE Araripina RN Parelhas

CE Mauriti PE Bodocó RN Patu

CE Milagres PE Carnaubeira da Penha RN Pau dos Ferros

CE Missão Velha PE Cedro RN Pedra Preta

CE Morada Nova PE Exu RN Pedro Avelino

CE Ocara PE Granito RN Pendências

CE Pacajus PE Ipubi RN Pilões

CE Pacatuba PE Mirandiba RN Portalegre

CE Palhano PE Moreilândia RN Rafael Fernandes

CE Penaforte PE Ouricuri RN Rafael Godeiro

CE Pindoretama PE Parnamirim RN Riacho da Cruz

CE Porteiras PE Salgueiro RN Riacho de Santana

CE Quixeré PE São José do Belmonte RN Riachuelo

CE Russas PE Serrita RN Rodolfo Fernandes

CE São Gonçalo do Amarante PE Terra Nova RN Santana do Matos CE São João do Jaguaribe PE Trindade RN Santana do Seridó

CE Tabuleiro do Norte PE Verdejante RN São Fernando

CE Umari RN Acari RN São Francisco do Oeste

CE Várzea Alegre RN Açu RN São João do Sabugi

PB Aparecida RN Afonso Bezerra RN São José do Seridó

PB Areia de Baraúnas RN Água Nova RN São Miguel

PB Assunção RN Alexandria RN São Rafael

PB Belém do Brejo do Cruz RN Almino Afonso RN São Vicente PB Bernardino Batista RN Alto do Rodrigues RN Serra do Mel

PB Bom Jesus RN Angicos RN Serra Negra do Norte

PB Bom Sucesso RN Antônio Martins RN Serrinha dos Pintos

PB Bonito de Santa Fé RN Apodi RN Severiano Melo

PB Brejo do Cruz RN Areia Branca RN Taboleiro Grande

PB Brejo dos Santos RN Augusto Severo RN Tenente Ananias PB Cachoeira dos Índios RN Baraúna RN Tenente Laurentino Cruz

PB Cacimba de Areia RN Bodó RN Tibau

PB Cajazeiras RN Caiçara do Rio do Vento RN Timbaúba dos Batistas

PB Carrapateira RN Caicó RN Triunfo Potiguar

PB Catolé do Rocha RN Caraúbas RN Umarizal

PB Condado RN Carnaúba dos Dantas RN Upanema

PB Jericó RN Carnaubais RN Venha-Ver

PB Joca Claudino RN Coronel João Pessoa RN Viçosa

Durante esses mais de 15 anos de discussões recentes sobre a transposição, foram encontradas em documentos oficiais e em estudos relativos à transposição, divergências entre as áreas de influência desse grande empreendimento hídrico, composto por dois eixos de transferência de água: Norte, com 260 quilômetros de extensão; e Leste, com 217 quilômetros. As estruturas captam a água do Rio São Francisco, no interior de Pernambuco, para abastecer adutoras e ramais que vão perenizar rios e açudes existentes na região. Trata-se de uma discussão relevante, reconhecer quais, de fato, serão as áreas atendidas pela transposição do Rio São Francisco; porém, para o intuito de se apresentar a área de estudo à qual o objeto de pesquisa está atrelado, será adotado o recorte institucional de 390 municípios para discussão de dados que sejam relevantes sobre os municípios que a água alcançará e, consequentemente, poderá alterar realidades do território.

Na delimitação da área que fez parte do estudo ambiental do Projeto de Transposição, houve a necessidade de escolher enfoques e graus de profundidade de análise que fossem ajustados à distribuição e à intensidade dos impactos previsíveis relacionados a este projeto. (CASTRO, 2011). Foram consideradas, inicialmente, as duas tradicionais unidades de análise: a Área de Influência Indireta (AII), onde ocorrem os efeitos indiretos da integração das águas, e a Área de Influência Direta (AID) (Figura 10), onde se dão, principalmente, as transformações ambientais diretas (ou primárias) decorrentes do empreendimento, por exemplo, no entorno imediato de onde serão construídos os canais (CASTRO, 2011, BRASIL, 2004).

Fonte: Brasil, 2004.

Porém, verificou-se na análise documental que esses dados estão divergentes desde o Relatório de Impacto Ambiental, até apresentações públicas do Ministério da Integração, como também em estudos mais recentes divulgados por órgãos do governo federal, como por exemplo, a ANA e a Codevasf. Desse modo, para operacionalizar a pesquisa, adotou-se o valor de 390 municípios – dado mais atualizado encontrado nos documentos oficiais do Ministério da Integração (BRASIL, 2018a).

Em suma, a lista da população que será atendida pelo Projeto de Transposição apresentada pelo MI não está fundamentada em dados passíveis de comprovação e é, provavelmente, menor do que a declarada pelo MI, a não ser que sejam realizados investimentos na construção de uma infraestrutura de captação, tratamento e distribuição de água capaz de atender a todos os municípios enumerados pelo MI como potenciais beneficiários do projeto (CASTRO, 2011, p.34).

De acordo com Castro (2010, p. 33) “AII é definida como a área real ou potencialmente afetada pelos impactos indiretos da implantação e operação do empreendimento, abrangendo os ecossistemas e o sistema socioeconômico que podem ser impactados pelas alterações ocorridas na área de influência direta”. A AII, refere-se aos eixos que abordam os temas físicos e bióticos, tendo sida definida como o conjunto das bacias hidrográficas dos rios São Francisco, Piranhas-Açu, Apodi, Jaguaribe e

Paraíba. (CASTRO, 2011, BRASIL, 2004). Considerou-se a análise referente apenas a área de influência indireta, já que foram estes os dados disponibilizados pelo Ministério da Integração (atual Ministério do Desenvolvimento Regional, totalizando os 390 municípios (222 no Eixo Norte e 168 no Eixo Leste).

Segundo o Relatório de Impacto Ambiental (RIMA), foram estudadas 22 opções de traçados, numa área de 110 mil km2 correspondente a 153 municípios nos estados de Pernambuco, Rio Grande do Norte, Paraíba e Ceará. Decidiu-se que o ponto de captação em Cabrobó (PE) levará uma média de 45,2 m3 de água pelo Eixo Norte, com 402 km de canais, até os rios Brígida (PE), Salgado (CE), do Peixe e Piranhas-Açu (PB e RN) e Apodi (RN). Segundo o planejamento, sete açudes serão beneficiados por essa parte da estrutura: Chapéu e Entremontes (PE), Castanhão (CE), Engenheiros Ávidos (PB), Pau dos Ferros, Santa Cruz e Armando Ribeiro Gonçalves (RN). Por sua extensão, o Eixo Norte foi dividido em trechos I, II, III, IV, V e VI (BRASIL, 2004).

Desse modo, tem-se que a localização do Projeto Integração do Rio São Francisco com Bacias Hidrográficas do Nordeste Setentrional ficou definida a partir da criação dos dois eixos principais, o Norte e Leste, assim como em consideração aos açudes que serão abastecidos. No Norte: Chapéu, Entremontes (PE); Atalho, Quixabinha, Prazeres, Lima Campos, Orós, Castanhão e Banabuiú (CE); Ávidos, Curemas, São Gonçalo, Lagoa do Arroz (PB); Angicos, Pau dos Ferros, Santa Cruz, Armando Ribeiro (RN). No Leste: Barra do Juá, Poço da Cruz e Ipojuca (PE), Poções, Boqueirão e Acuã (PB).

Nesse sentido, do entendimento da real área de destinação das águas da transposição, cabe uma crítica acerca da falta de clareza em relação à área de abrangência do PISF. Ao se mapear os 390 municípios citados como os beneficiados pela transposição, percebe-se a presença de alguns vazios em municípios que estão localizados entre outros municípios que serão beneficiados, sem uma clara justificativa nem nos próprios documentos oficiais atuais, nem nos primeiros estudos de concepção do projeto.

Acredita-se que tal informação, para os governos estaduais e para os próprios municípios, seja de fundamental importância no que tange à gestão das águas da transposição. No âmbito estadual, a gestão dos recursos hídricos e a manutenção e operação das estruturas complementares dependerão de como, quando e onde essas águas irão chegar. E para os municípios, detentores da responsabilidade de planejar o saneamento básico, também necessitariam saber se estão inclusos nessa nova forma de recepção de águas. Assim, não há uma clara região formada pelos 222 municípios

beneficiados no Eixo Norte, apesar de que, ao se estabelecer um número específico de municípios, assim como os próprios nomes dos municípios, entende-se que há uma finalidade do ponto de vista do planejamento ou do direcionamento de ações, fato que não se identificou como claro a partir dessa pesquisa.

Outra questão interessante a se destacar acerca da área de estudo, e consequentemente, da área relativa à Transposição do Rio, diz respeito ao motivo para escolha do Rio para implementarem a transposição entre Bacias. De acordo com o RIMA (Brasil, 2004, p. 33). A escolha do São Francisco foi justificada “[...] porque esse rio é a maior e a mais próxima fonte de água doce perene da região”, e as outras possibilidades de suprimento de água eram limitadas, caras e/ou apenas complementares à transposição, como poços, cisternas, açudes e a dessalinização.

Destarte, a área geográfica da transposição do Rio São Francisco marca o território em razão da inserção de novas estruturas, compondo uma malha de materialidades a partir do complexo de obras do PISF, como também das estruturas complementares. A configuração territorial pode, então, ser apreendida por esse arranjo estrutural combinado com as próprias atribuições naturais da área do fenômeno da transposição do Rio São Francisco.

3 PLANEJAMENTO TERRITORIAL E O PACTO FEDERATIVO BRASILEIRO: ARTICULAÇÕES POLÍTICO-INSTITUCIONAIS DO PISF

Discutir a questão política e institucional da concepção e gestão do projeto da Transposição do Rio São Francisco é um exercício elementar para o entendimento das estratégias de planejamento que foram implementadas ao território brasileiro à medida que os projetos começaram a se operacionalizar em obras, e, consequentemente, as obras deram origem a outros processos de gestão. Essa relação entre as estratégias de planejamento oriundas do governo federal e as articulações políticas deste com as demais escalas da federação pressupõe um entendimento do pacto federativo brasileiro, que dispõe acerca de um conjunto de relações políticas entre os entes municipais, estaduais e federais, trazendo diferentes consequências para a operacionalização do Projeto de Integração do Rio São Francisco.

A transposição do Rio São Francisco constitui, nesse cenário, um importante parâmetro para discussão e análise da efetividade e organização dos entes federativos brasileiros, não apenas de enquanto instâncias governativas, mas também do ponto de vista da operacionalização de políticas públicas pensadas a nível federal e que se concretizam no território, abarcando mais de um estado da federação, a exemplo do PISF. No caso da transposição, quatro estados da federação são diretamente influenciados, tanto pela descentralização de recursos como pelo planejamento de novas obras e criação de infraestruturas. Muitos são os problemas e obstáculos encontrados ao longo dos 13 anos de obras (2007 – 2019), período marcado por um processo repleto de alterações nos projetos originais e atrasos.

Uma questão fundamental que deve ser evidenciada é que o Projeto de Integração do Rio São Francisco não possui um término definido. Ainda após a futura finalização das obras, há uma série de elementos que devem continuar em processo de constante monitoramento tanto pelo governo federal, através do ministério responsável, quanto pelos estados e pelos municípios, a depender das atribuições legais de cada um dos entes. Relativamente à manutenção das estruturas e operação de reservatórios vinculados à transposição do Rio São Francisco, a título de exemplo, a Agência Nacional de Águas (ANA) é o órgão instituído pelo Governo Federal a quem incumbirá a responsabilidade. Porém, para questões vinculadas ao saneamento básico dos municípios diretamente beneficiados pelas águas da transposição, a responsabilidade pelo planejamento e operação dos serviços de saneamento vem a ser do próprio município.

Isso já indica, de modo claro, que há um grande desafio no que concerne ao entendimento das responsabilidades de cada um dos entes federados, não somente no processo atual de realização das obras, mas também de gestão dos recursos hídricos e, principalmente, do entendimento das atribuições político-institucionais, tendo em vista que o complexo de obras que o PISF abarca necessita de um constante monitoramento dos sistemas de engenharia e processos de gestão, para que assim, de fato, sejam alcançados os objetivos iniciais do projeto de transposição.

Nesse sentido, o entendimento do funcionamento do pacto federativo brasileiro está expresso e praticado na atual conjuntura de implantação do PISF no Nordeste do país. Apesar de não se tratar de uma política de nível nacional, que abarque todos estados da federação, é um claro parâmetro de entendimento das relações entre a União, estados e municípios, principalmente no que diz respeito às relações institucionais e políticas, tendo em vista que a transposição não possui um viés somente técnico, mas também político, por tudo que se constatou a partir da viabilização da obra em dados momentos anteriores, sobretudo no governo do ex-presidente Lula, o qual conseguiu viabilizar o início das obras, mas não a sua conclusão.

Essa viabilização “histórica” da obra, será mais bem explorada no tópico 3.1.1, auxiliada principalmente pelo embasamento do livro do engenheiro José Sarmento acerca da Transposição do Rio São Francisco – “Os bastidores da maior obra hídrica da América Latina” (SARMENTO, 2018), fonte base para elaboração do esquema da Figura 12. Esse engenheiro e autor do livro destacado participou de todo o processo de planejamento do PISF e acompanha até os dias atuais a implantação da transposição.

Por todo o exposto, resta clara a importância da análise documental de todo processo de planejamento da transposição do Rio São Francisco, do ponto de vista histórico, dos projetos, como também de documentos mais recentes que versam sobre o tema a nível de planos ou políticas. Essa análise permite a identificação de diferentes visões acerca do objeto, permitindo uma investigação mais assertiva de como o PISF vem sendo abordado nos documentos técnicos, projetos, estudos, normas e, principalmente, o rebatimento dessas abordagens nas atuais políticas e nas atuais e futuras ações dos municípios, estados e da própria União. A análise documental, então, não se restringe apenas aos documentos históricos, mas também aos projetos de planejamento do PISF e análises de políticas pública, conforme será exposto adiante. Porém, primeiramente, importante se traçar uma elucidação histórica acerca das concepções de projetos do PISF.

3.1 TRANSPOSIÇÃO DO RIO SÃO FRANCISCO NA FEDERAÇÃO BRASILERIA: UMA ANÁLISE HISTÓRICO-DOCUMENTAL

Na perspectiva do estudo da transposição em relação ao pacto federativo brasileiro, uma fase fundamental a ser considerada é a da constituição dos projetos que levaram à atual situação de inexecução. Para bem compreendê-la, importante conduzir o foco para aspectos específicos do projeto, utilizando como recurso dois tipos de análises: entrevista e análise dos documentos diretamente ligados aos projetos da transposição, a partir dos quais se possa elucidar as características do pacto federativo, explicitando como os entes federativos aparecem como instância que se antecipa ao processo de transposição.

Tais elementos possibilitam evidenciar como o processo histórico de concepção do projeto e das obras tem influência nas atuais problemáticas, desde a questão da pouca articulação governativa dos estados envolvidos com o projeto, até, por exemplo, o atraso na execução das obras, implicando em alterações significativas no andamento do planejamento inicial do PISF e, consequentemente, impactando de maneira diferenciada cada um dos estados receptores das águas, que há tantos anos aguardam sua chegada.

Desse modo, além da explicação da conjuntura história da transposição, utiliza-se como recurso metodológico a análise documental dos principais projetos a transposição, bem como importantes documentos que versam sobre a efetividade da política da transposição, como o relatório elaborado pela Controladoria-Geral da União e o relatório produzido pela Comissão do Senado Federal (Comissão de Desenvolvimento Regional e Turismo) responsável por analisar a efetividade de políticas públicas voltadas à questão