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Data Reception – The USART Receiver

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No caso da RPC TV, a maior parte dos agendamentos de pauta que geram deslocamento das equipes de reportagens para as cidades da região surgem do contato da redação com as assessorias de imprensa nas cidades que compõem a área de cobertura. Esses casos tratam-se normalmente de produções não factuais que chamam a atenção do produtor da emissora.

Em um dos casos presenciados durante a coleta de dados dessa pesquisa, a produtora da emissora, ao falar com a assessora de imprensa da prefeitura por telefone, descobriu que era a época do florescimento dos jardins em um clube na cidade de Castro. A produtora entrou em contato com a responsável pelo jardim pelo menos três vezes, mas de acordo com a fonte, as flores ainda não haviam desabrochado.

Além desse tipo de vigia, a redação se preocupa com assuntos factuais com alto grau de noticiabilidade que possam ocorrer nas cidades que estão em sua área de cobertura. Para tentar controlar essas ocorrências, a redação da RPC TV realiza um contato telefônico diário com delegacias, batalhões da Polícia Militar e Corpo de Bombeiros nessas cidades. O contato com as fontes é complementado com o monitoramento de dispositivos de mídia que operam na região.

Os produtores da emissora estabelecem um contrato (acordo) com os responsáveis por essas mídias para facilitar o acesso às informações factuais que acontecem nas cidades da área de cobertura. Esse acordo está atravessado pela política editorial da emissora, que permite o uso de conteúdos (normalmente fotos)

de outras mídias desde que citada a fonte e que esse conteúdo não seja pago. O acordo permite que algumas fotos publicadas pelos veículos regionais sejam utilizadas pela RPC TV.

A troca que se estabelece nesses casos é que os produtores da RPC TV têm interesse em publicar informações sobre situações que acontecem regionalmente enquanto os dispositivos de mídia regionais conseguem ter sua marca divulgada em um telejornal com grande alcance de público. A participação dos portais regionais no processo de construção da notícia na RPC TV não se dá apenas na oferta (troca) de conteúdos já publicados. É possível perceber ainda uma negociação que se estabelece entre a redação pesquisada e veículos regionais em assuntos que estão em processo de apuração. Uma das situações que pode ilustrar essa presença dos veículos regionais na construção da notícia na RPC TV aconteceu no 12° dia de observação.

Ao descobrir, através de um portal de notícias de Telêmaco Borba que um cadáver havia sido encontrado pela polícia em uma área periférica da cidade, a produtora logo copiou as informações que estavam publicadas no site, porém a informação não dava mais detalhes sobre o caso, apenas informava que o cadáver havia sido encontrado. Na tentativa de apurar mais informações sobre o caso, a produtora ligou para a delegacia para tentar falar com o delegado que cuidava do caso. Ela foi informada que o delegado não estava na delegacia, pois havia feito plantão durante a madrugada e havia finalizado o expediente no início da manhã. Ao perguntar sobre o boletim de ocorrência do caso que lhe interessava, o policial que conversava com ela informou que o documento não tinha informações detalhadas, e que por hora só sabiam mesmo o local onde o corpo foi encontrado. Ainda na tentativa de coletar mais informações sobre o caso, a produtora busca encontrar o telefone celular do delegado na agenda de contatos da emissora, ao não encontrar checa sua agenda de contatos pessoal (comum entre cada um dos produtores) e em seguida, como não encontra o telefone, liga para o responsável pelo site que havia publicado a informação do corpo encontrado. O responsável pelo site, que também trabalha em uma rádio da cidade repete as informações já publicadas e diz não ter mais informações sobre o caso. Diante da insistência da produtora revela uma suspeita que havia motivado o crime, mas avisa que se trata apenas de uma especulação. Antes de encerrar a ligação, o radialista oferece o número do telefone celular do delegado, conforme a produtora desejava. Em seguida a produtora liga para o Delegado responsável pelo caso e consegue pegar mais informações sobre o crime. A apuração da produtora rende uma nota pelada no telejornal do meio dia. (TRECHO DO RELATO DE PESQUISA).

Ao final da apuração, a produtora revelou que não pensou em deslocar uma equipe de reportagem para a cidade por se tratar de um sábado e não haver tempo (considerando a distância de 130 quilômetros entre as duas cidades) de essa equipe conseguir trazer alguma produção para o telejornal. Sua resposta mais uma vez

indica o quanto a preocupação com o fator tempo é um importante elemento condicionador da notícia.

A partir dos dados coletados, é possível perceber que o deslocamento da equipe de reportagem para cidades que compõem a área de cobertura se dá em duas situações específicas: quando a pauta é programada com antecedência ou então quando o assunto factual consegue se encaixar no dia noticioso da emissora.

Um dos casos acompanhados que permitiu o deslocamento da equipe de reportagem para a região foi de uma perseguição policial a um carro furtado em Carambeí43. Como a informação chegou logo às 9 horas da manhã na redação, uma equipe foi deslocada para acompanhar o caso. De volta, às 11h15min, houve tempo do VT ser editado e publicado na 1ª edição do telejornal.

Essa pressão do tempo em redações jornalísticas é compreendida a partir do que Schlesinger (1993) chama de ciclos noticiosos, ou seja, pelo período compreendido entre a chegada dos jornalistas à redação até a hora do deadline. Conforme já explicado no primeiro capítulo deste estudo, nesse intervalo de tempo, quando as notícias precisam ser produzidas, se formula o período chamado de time- slots.

Cada dia noticioso é composto por uma série de time-slots, cada um dos quais claramente demarcado. A existência de news slots (“espaços noticiosos”) é de conhecimento público (disponíveis a partir dos jornais, The Radio, Times, The TV Times). O público espera que os boletins noticiosos ocupem esses slots. Para os produtores jornalísticos a existência desses

slots coloca um problema. Têm de ser preenchidos com notícias.

(SCHLESINGER, 1993, p. 182).

É preciso considerar que esses news slots são ocupados por produções resultantes de um processo de intensa negociação que envolve desde questões organizacionais e profissionais como também a vigilância de emissoras concorrentes. Nesse sentido, a cada time-slots as redações precisam verificar se aquilo que foi oferecido ao público se aproxima daquilo que seu concorrente direto também ofereceu.

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