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Data Cleansing and Standardization

Dans le document Introduction to Regular Expressions in SAS (Page 86-91)

Chapter 4: Applications of Regular Expressions in SAS

4.2 Data Cleansing and Standardization

Talvez um dos mais similares exemplos de aplicação do dispositivo do comando preciso vem do exército, onde é exercida a clareza de comando, eliminando explicações a cada investida de forma que se atinja o alvo com a eficiência desejada. A sistematização desse exercício no mundo das organizações empresariais poderia, em determinado momento histórico, se atribuir a Fayol (1970) quando aplicou dentre os quatorze princípios da função administrativa, a unidade de comando (4º) e a unidade de direção (5º). O princípio da unidade de comando tem como regra a determinação de que “para cada execução de um ato qualquer, um agente deve receber ordem somente de um chefe. [...] se é violada, a autoridade se ressente, a disciplina se compromete, a ordem se perturba, a estabilidade periga.” (FAYOL, 1970, p. 44). Fayol considerou essa regra fundamental a ponto de enunciá-la como um dos princípios necessários para manter a saúde e o bom funcionamento do corpo social. É necessário esclarecer que o autor chamou de corpo social o objeto que a função administrativa tem por órgão e instrumento, ou seja, “[...]enquanto as outras funções põem em jogo a matéria-prima e as máquinas, a função administrativa restringe-se somente ao pessoal.” Assim, o autor estabelece o foco da administração de pessoal como principio da ciência da administração. Por esse princípio, Fayol (1970) alerta sobre os perigos da dualidade de comando que podem gerar perturbações, atritos, aborrecimentos, enfim desordem no trabalho. Para o autor o cerne do

princípio da unidade de comando está na prudência da prevenção ao fracasso administrativo. Ele afirma que, sem divisão das atribuições que separam os poderes dos envolvidos gerando dualidade de comando, pode-se se chegar ao fracasso de qualquer associação humana, seja “na Indústria, no Comércio, no Exército, na família, no Estado”.

As contínuas relações entre os diversos serviços a interligação natural das funções, as atribuições amiúde imprecisas, criam o perigo constante da dualidade. Se um chefe sagaz não puser as coisas em ordem, surgirão usurpações a perturbar a marcha dos negócios, comprometendo-os.(FAYOL, 1970, p. 45)

Na seqüência de seus princípios Fayol (1970, p.46) estabelece o quinto como sendo o princípio da unidade de direção, uma vez que “[...]um só chefe e um só programa para um conjunto de operações que visam ao mesmo objetivo [...] é a condição necessária da unidade de ação, da coordenação das forças, da convergência dos esforços”. Nesse instante da análise destes princípios, é possível visualizar a dependência entre ambos o que ao autor não escapa quando enuncia que “[...]a unidade de comando não pode existir sem a unidade de direção, mas não é uma conseqüência desta”. Ou seja, na unidade de direção um só chefe e um só programa, na unidade de comando um agente não deve receber ordens senão de um só chefe. “Chega-se à unidade, mediante uma boa constituição do corpo social; a unidade de comando depende do funcionamento do pessoal.” Num idêntico sentido, a analítica de Foucault (2003a) trata o dispositivo que denominei unidade de comando:

Essa combinação cuidadosamente medida das forças exige um sistema preciso de comando. Toda a atividade do indivíduo disciplinar deve ser repartida e sustentada por injunções cuja eficiência repousa na brevidade e na clareza; a ordem não tem que ser explicada, nem mesmo formulada; é necessário e suficiente que provoque o comportamento desejado[...] Colocar os corpos num pequeno mundo de sinais a cada um dos quais está ligada uma resposta obrigatória e só uma[...] (FOUCAULT, 2003a, p. 140)

Para o funcionamento do dispositivo, Foucault (2003a, p. 140) exalta a técnica de treinamento que “[...]exclui despoticamente em tudo a menor representação, e o

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menor murmúrio [...] sua obediência é pronta e cega; a aparência de indocilidade, o menor atraso seria um crime”.

Na empresa, como já visualizado nos enunciados dos trabalhadores anteriormente, existe a presença marcante do treinamento e o controle para a obediência ao menor sinal comandado. Um exemplo é o relato do trabalhador Dilon – Coordenador de redes – cujo corpo simplesmente reagiu da maneira esperada por outros trabalhadores hierarquicamente superiores, quando ele ouve o sinal sonoro que indica a ocorrência de situações que demandem a urgência e prioridade máxima no atendimento, sem questionamentos que poderiam redundar em atrasos, desordens. O comando acontece a um simples som emitido por equipamento automatizado, que acaba por automatizar o comportamento do trabalhador.

Esta máxima prioridade é vista desta forma, porque normalmente quando acontece este som, se não conseguirmos resolver rápido, pode ocorrer uma ligação do ONS – Operador Nacional do Sistema no Sudeste que fica no Rio de Janeiro, e logo depois, o presidente da empresa liga para saber da solução do problema.

No mesmo setor tem-se o exercício do comando com treinamento que utiliza um simulador de eventos, sendo o trabalhador submetido a condições similares às reais. Nesse momento são exercitados os sinais, a questão temporal, a diversidade de informações e situações que farão parte do cotidiano do trabalhador na empresa. Seu corpo é, dessa forma, submetido a um regime de treinamento, que o prepara para obediência ao menor sinal. A massificação do treinamento, com a reestruturação produtiva, desenhadas em movimentos anteriores, evidencia a utilização do dispositivo de comando no exercício das disciplinas.

Num movimento para sintetizar sua análise sobre o funcionamento das disciplinas, Foucault resume:

[...] pode-se dizer que a disciplina produz, a partir dos corpos que controla, quatro tipos de individualidade, ou antes uma individualidade

dotada de quatro características: é celular (pelo jogo da repartição espacial) é orgânica (pela codificação das atividades), é genérica (pela acumulação do tempo), é combinatória (pela composição das forças). E, para tanto, utiliza quatro grandes técnicas: constrói quadros; prescreve manobras; impõe exercícios; enfim, para realizar a combinação das forças, organiza ‘táticas’ (FOUCAULT, 2003a, p. 141).

Assim, foi possível traçar algumas linhas que já fizeram compor o diagrama que faz funcionar as disciplinas na empresa. Para tanto, se buscou o auxílio de algumas teorias da Administração de Pessoas em Organizações, aliadas à teoria do Filósofo Michel Foucault, bússola, tanto teórica quanto empírica, para desenvolvimento da pesquisa como um todo. Esta última utilizou uma postura cartográfica ante os movimentos da vida dos trabalhadores na empresa e fora dela. Seguindo esses movimentos e o roteiro estabelecido durante a pesquisa, é prudente que se permita continuidade na análise dos instrumentos para um bom adestramento. Essa análise segue a analítica de Foucault, na qual são sugeridos três recursos do funcionamento das disciplinas, que serão detalhados a seguir.

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