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Partie II - Matériel et Méthodes

2.2 Développement in vitro des embryons

Casa dos Condes da Guarda Fonte: IGESPAR, I.P.

A Casa dos Condes da Guarda situa-se também na Praça 5 de Outubro, acolhendo, desde os anos 30 do século XX, a sede do Município de Cascais.

Desconhece-se o seu arquitecto e o construtor, bem como a data precisa da edificação. No entanto, verifica-se pela estrutura da planta de Cascais em 1755, que a construção não existia ainda nesta data. Foi, certamente, construída após o terramoto.

Sabe-se, no entanto, que a primeira proprietária da casa foi D. Inês Margarida Antónia da Cunha, nascida em Cascais e casada com um fidalgo de nome José Eduardo de Figueiredo, capitão do Exército, que se havia distinguido na campanha do Roussillon, em 1793 (Andrade, 1964, p. 257).

A casa é vendida, mais tarde, aos Condes da Guarda, permanecendo na sua posse até ao final do século XIX (Andrade, 1964, p. 257).

Na época dos Condes da Guarda, o edifício era constituído por três corpos, revestidos a azulejos, possuindo o central mais um piso, que mantinha o revestimento azulejar.

Segundo um artigo, publicado no final do século XIX, no jornal Costa do Sol, a casa, ainda na posse dos Condes da Guarda, servia de alojamento a vacas, a venda de leite e outros produtos da quinta dos condes (cit. por Andrade, 1964, p. 264).

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89 Em 1917, depois da morte do 2º Conde da Guarda, a casa foi comprada pelo advogado Herlânder Ribeiro, que procedeu a alterações no seu interior, bem como no exterior, nomeadamente, o corpo central do edifício, que possuía mais um andar, foi retirado, de forma a tornar a fachada mais harmoniosa. Os azulejos que dele faziam parte foram vendidos. (Meco, 2011, p. 46).

O município iniciou o processo de compra do imóvel, em 1925, quando este se encontrava na posse da União Comercial de Cascais, que o pretendia vender pelo montante de Esc. 650.000$00. Com efeito, a transação acabou sendo definitivamente efectuada em 1932. (Henriques, 2011, pp. 243-244).

Em 1940, foram realizadas diversas obras de intervenção, ao nível do telhado, a fachada, o átrio e a escadaria, propostas por uma equipa chefiada pelo arquitecto José Segurado. E de decoração do interior, em estilo D. João V, nomeadamente, a Sala de Sessões e o Gabinete da Presidência, de acordo com uma proposta apresentada pelo tenente Lacerda de Machado. (Meco, 2011, p. 46).

Datam desta empreitada, os azulejos do Salão Nobre, da autoria de Eduardo Leite (1902-1962)82, Fábrica Viúva Lamego83, que representam:

(…) Com excepção do painel na extremidade junto da entrada, o qual mostra uma imagem de Cascais na primeira metade do século XVI, reproduzindo um fragmento da conhecida Vista de Lisboa a

Cascais de Braunius, os restantes apresentam temas profanos variados:cena marítima com um farol, uma batalha naval, pescarias, uma cena galante num jardim barroco, palácio antecedido por um cortejo, uma caçada ao veado, coche numa paisagem e duas cenas de camponeses a caminho do mercado. Em vez de usar gravuras, como era hábito dos pintores de azulejos dos séculos anteriores, Mestre Leite inspirou-se directamente no vasto conjunto de painéis do Mosteiro de São Vicente de Fora, em Lisboa, recriando livremente algumas das cenas das galerias dos claustros e da escada da portaria (…) (Meco, 2011, p. 48).

O Gabinete da Presidência, também revestido de painéis de azulejo, provenientes da mesma fábrica, em estilo rococó, foram propostos por Mestre Leite e representam, o maior, uma cena galante e uma paisagem campestre e, o menor, um casal sentado junto de uma mesa. (Meco, 2011, p. 49).

Ainda nesta sala, também da Fábrica Viúva Lamego84, mas da autoria de Mestre Leite, são os restantes painéis, destacando-se o painel intitulado Dança em volta da

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Dados biográficos de Eduardo Leite em ANEXO XVII – Ficha Casa dos Condes da Guarda.

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História da Real Fábrica de Louça do Rato, idem.

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fogueira (reprodução de uma composição do claustro do Mosteiro de São Vicente de

Fora). (Meco, 2011, p. 49).

Da mesma época que os anteriores são os azulejos que revestem o patamar médio da escadaria, um enorme painel neo-rococó, alusivo à Caridade e encimado pelo brasão de Cascais, não assinado, da provável autoria de Alves de Sá85, Fábrica Viúva Lamego. (Meco, 2011, p. 49).

Por fim, em 1966, o prédio que fazia esquina para a Rua Marques Leal Pancada, onde existia o restaurante A Marisqueira, foi destruído, e o edifício foi ampliado para Sul, o que deu mais espaço e independência à construção e alargou simultaneamente o acesso à rua (Meco, 2011, p. 46). Na sua forma actual, o palácio apresenta agora quatro corpos, ao mesmo nível, com dois pisos, térreo e andar nobre.

A fachada divide-se em quatro vãos, seccionados por pilastras, dispondo-se a parte mais antiga do conjunto, para o lado Norte, onde se encontra situada a entrada principal. (Sousa, 2003, p. 21 e 52, cit. por Carvalho, idem).

Tanto a fachada principal como as duas partes laterais, ao nível do andar superior apresentam revestimento de azulejos, figurando santos, identificados não só pelos seus atributos como pela respectiva legenda e envoltos por uma cartela de concheados, suportada por anjos.

Estes painéis de azulejos foram datados como pertencendo a diferentes épocas e a diferentes artistas, assim: São Jerónimo, São Marçal, Santo António e São Sebastião (fachada principal) são provavelmente de Francisco Jorge da Costa86, da Real Fábrica de Louça do Rato, e constituem, “apesar dos elementos rococó, um dos primeiros, e um dos poucos exemplos na região que documenta a transição para o neoclássico”; S. João, S. Lucas (lateral, Beco dos Inválidos), S. Mateus e S. Marcos (zona central da fachada principal), estão atribuídos a Francisco de Paula e Oliveira (c. 1764-1830)87, neoclássicos, cerca de 1786, também da Real Fábrica de Louça do Rato; São João de Brito (fachada principal), S. Pedro e São Paulo (lateral, Rua Marques Leal Pancada), são atribuídos a Alves de Sá (1878-1982), datados de 1969, da Fábrica da Viúva Lamego. (Meco, 2011, p. 46-47).

O seu interior, não possibilita já uma visão de como estaria dividida.

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Dados biográficos de João Alves de Sá, idem.

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Dados biográficos de Francisco Jorge da Costa, idem.

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91 Contudo, o enorme átrio de entrada, pavimentado com grandes lajes de pedra, decorado com azulejos do final do século XVIII, dá-nos conta de uma vivência fidalga. Em especial, destaca-se ao nível do andar térreo, em frente da porta principal, um painel com uma “figura de convite”, “representando um alabardeiro”, possivelmente de época posterior, mas que mantém as características:

Esta interessantíssima ‘figura de convite’ não se apresenta recortada na parte superior, como era frequente, e a sua policromia destaca-se da pintura azul do fundo, representado uma esfinge num pedestal, em primeiro plano, e um jardim rematado por um palácio à distância, provavelmente inspirados em gravura francesa. O próprio alabardeiro deve basear-se, em parte, num modelo barroco, devido a usar indumentária com características da primeira metade do século XVIII (casaca, colete, calções, sapatos de fivela, meias bordadas) combinadas com elementos da época pombalina (laço no pescoço, cabelo natural apanhado, tricórnio, faixa do espadim), sendo igual a um alabardeiro pombalino, recortado, aplicado no patamar superior da escada de serviço do Palácio Pimenta (Museu da Cidade), em Lisboa. (Meco, 2011, p. 48).

Este palácio, juntamente com o Solar dos Falcões (situado junto ao Teatro Gil Vicente, na zona velha alta de Cascais, actual Residencial D. Carlos), é considerado uma das construções mais antigas e mais importantes da vila de Cascais, que, além de residência particular, albergou a União Comercial de Cascais, como se disse, e o Grupo Dramático de Cascais, que utilizava o espaço para as suas representações. (Guia de

Portugal e Arredores, 2006, p. 619; Carvalho, idem).

Durante o período das Invasões Francesas, aquando das negociações da Convenção de Sintra, parece ter sido esta residência escolhida para alojar o Almirante Cotton. (Andrade, 1964, p. 264).

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