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As entrevistas foram transcritas integralmente e preservados os nomes dos participantes, atribuindo-lhes nomes fictícios, como descritos na Tabela 1. Da mesma forma foram preservados os nomes das escolas e empresas citadas pelos entrevistados, denominadas por um nome fictício.

Utilizaram-se as transcrições em trechos das narrativas, relevantes para se responder às questões-problemas de pesquisa em relação à escolarização e inclusão no trabalho, embora os demais aspectos das narrativas fossem considerados na análise das entrevistas.

Foram caracterizadas, nessas transcrições, as três possibilidades de se fazer a transcrição de entrevistas definidas por Meihy (2002) como: a) Transcriação; b) Textualização e c) Transcrição.

a) A Transcriação:

[...] é um teatro da linguagem, teatralizando o que foi dito, recriando-se. O processo da transcriação, enfim, implica evidenciar o narrador em uma essência maior. O que interessa é jogar luzes na narrativa e não nas intermediações [...]. Transcriar é como quem traduz. Como quem traduz é contar uma história [...] (MEIHY, 2002, p. 33).

b) A Textualização consiste:

[...] em um estágio mais graduado na feitura de um texto de história oral. Consta desta tarefa a reorganização do discurso, obedecendo à estruturação requerida para um texto escrito. Através da soma da palavra-chave, estabelecendo o corpus, isto é, a soma dos assuntos que constituem o argumento, faz parte do momento da textualização, a rearticulação da entrevista de maneira a fazê-la compreensível, literalmente agradável. (MEIHY, 2002, p. 30).

c) Transcrição se define como um processo de forma fiel ao que foi falado nas entrevistas “[...] por transcrever a passagem fiel do que foi dito para a grafia, não se muda nada” (MEIHY, 2002, p. 30).

Assim, esta pesquisa se pautou na transcrição das entrevistas seguindo critérios estabelecidos na História Oral, ou seja, utilizou-se a transcrição em sua totalidade e nas análises os trechos dessas entrevistas (MEIHY, 2002, 2012).

Para Glat e Pletsch (2009), a análise dos dados da história oral de vida atende a uma base que: “[...] consiste em identificar a partir da transcrição das entrevistas os conteúdos ou tópicos mais frequentes que emergem do discurso dos entrevistados, os quais serão posteriormente agrupados em categorias de análise ou núcleos temáticos” (p. 144).

Para análise das narrativas, esta pesquisa se fundamentou na utilização do método de análise de conteúdo, por meio da análise categorial, sem perder de vista o referencial teórico da história oral de vida (FRANCO, 2008; BARDIN, 2009, 2016; MEIHY, 2002, 2012).

Nessa direção, a presente pesquisa compartilha das mesmas ideias, de ouvir o outro, suas experiências, valorizar suas interações, compreender o que pensam, sentem as pessoas e os efeitos para suas vidas (MINAYO, 2002; MEIHY, 2002; BOSI, 2003, 2009).

5.6.1 Etapas da Transcrição

Foram observadas três etapas nas transcrições da entrevista, a primeira transcrição foi feita por meio de uma transcritora. A segunda, pela revisão das transcrições pela pesquisadora, e o conferimento completo das transcrições. A terceira etapa consistiu na apresentação dos resultados e citação das entrevistas transcritas, consideradas as relações entre transcrição, transcriação e textualização.

5.6.2 Etapas da Categorização

A categorização envolveu o processo de codificação da mensagem, por meio de pré-análise, leituras flutuantes das transcrições das entrevistas e tratamento dos dados, correlacionando-se às questões norteadoras, problemas e objetivos da pesquisa (FRANCO, 2008).

Para Franco (2008), a análise de conteúdo consiste em um conjunto de técnicas de análises de comunicações, procedimentos sistemáticos e objetivos de descrição de conteúdo e interpretação das mensagens.

Assim Franco (2008) define os elementos constitutivos no processo de decodificação da mensagem:

Toda fonte é composta por cinco elementos básicos: uma fonte ou emissão; um processo codificador que resulta em uma mensagem e se utiliza de um canal de transmissão; um receptor, ou detector da mensagem, e seu respectivo processo decodificador (p. 24).

O processo de categorização considerou a codificação das unidades de registros de temáticas que mais sobressaíram nas transcrições e pertinências na pesquisa, as quais foram organizadas a partir dos destaques semânticos das transcrições das entrevistas de cada um dos entrevistados, relacionando-as entre si e agrupando-as por características comuns atinentes aos objetivos da pesquisa (FRANCO, 2008; BARDIN, 2009, 2016).

Fez-se a organização delas no quadro 4 por eixos temáticos, em categorias e subcategorias que mais sobressaíram nas entrevistas.

Quadro 4 – Categorias e subcategorias

Categorias Subcategorias

EJA e transição para o trabalho

Perspectivas da EJA para o trabalho;

Contribuições da EJA para a transição para o trabalho. Inclusão no trabalho Função e atividades desenvolvidas no trabalho;

Facilidades e dificuldades no trabalho; Sentidos do trabalho.

EJA, trabalho e a família Relação família, trajetória na EJA e no trabalho. Fonte: Elaborada pela pesquisadora a partir dos relatos dos entrevistados.

O quadro 4 representa as categorias e subcategorias definidas com base nas narrativas transcritas dos entrevistados. Na categoria EJA e transição para o trabalho e subcategorias Perspectivas da EJA para o trabalho e Contribuições da EJA para a transição para o trabalho, entende-se como ‘perspectivas’ a visão de mudanças na EJA para inclusão no trabalho e as ‘contribuições’ a base existente nas disciplinas da EJA, ou seja, as contribuições a partir dessa relação direta da escolarização e a inserção no trabalho.

A segunda categoria discutirá a Inclusão no trabalho em duas subcategorias: Função e atividades desenvolvidas no trabalho e Facilidades e dificuldades no trabalho e Sentidos do trabalho. Nessa categoria e suas respectivas subcategorias, aborda-se a relação de cada entrevistado no desempenho de suas funções e atividades desenvolvidas no trabalho e os sentidos atribuídos por ele ao trabalho.

E, por fim, a terceira categoria refere-se à EJA, trabalho e à família, que discutirá a subcategoria Relação família, trajetória na EJA e no trabalho. Nota-se, nessa dimensão, a contribuição da família dos entrevistados para acesso a EJA e ao trabalho, bem como as consequências dessas escolhas.

As categorias e suas subcategorias são a representação genuína das narrativas dos entrevistados, discutindo-se a escolarização na EJA e a transição da escola para o trabalho.

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