Ao longo da nossa análise mensal verificámos que as nove temáticas estiveram representadas na nossa amostra, os 151 telejornais estudados. Além disso, também foi notória a maior predominância de alguns temas em vez de outros e que constituíram maior número de aberturas nos noticiários da Rádio e Televisão de Portugal. Nesse sentido, depois de percorrer os dados mês a mês, cabe agora verificar quais as temáticas mais dominantes nas aberturas do período analisado, dados esses que estão representados na seguinte tabela:
Tabela 2 - Temáticas Totais
Temáticas Frequência Absoluta Frequência Relativa
Cultura 2 0,8 % Desporto 13 5,3 % Economia 38 15, 4 % Justiça 42 17 % Internacional 46 18,6 % Manifestações e Greves 7 2,8 % Política 31 12,5 % Sociedade 35 14,2 % Total 247 100%
Nos 151 dias do período em análise foram identificados 247 temas, sendo que em algumas notícias de abertura verificaram-se mais do que um tema, pois considerámos que um assunto poderia ter adjacentes múltiplas temáticas. Nesse sentido, olhando para os números é notório que a temática dominante foi internacional com 18,6 por cento das notícias, seguido de Justiça (17%), Economia (15,4 %), Sociedade (14,2%), Acidentes e Catástrofes (13,4%), Política (12,5 %), Desporto (5,3 %), Manifestações e Greves (2,8%) e Cultura (0,8%).
Tal como descrevemos anteriormente, as razões que explicaram muitas vezes a grande predominância de notícias internacionais foram sobretudo os ataques terroristas ao jornal
Charlie Hebdo em Paris, notícia por seis vezes em janeiro, o tiroteio em Copenhaga
(Dinamarca) que foi notícia de abertura em dois dias seguidos de fevereiro e ainda algumas notícias ligadas a ameaçadas de terrorismo, jihadistas e catástrofes naturais, caso da tragédia dos Alpes onde foi abertura cinco vezes e a tragédia do Mediterrâneo por três vezes. Seguindo esta lógica, o maior número de notícias internacionais pode explicar-se pelo facto de parte das notícias estarem ligadas a causas que afetaram o mundo e causaram medo, transtorno e insegurança não só aos países que sofreram o ataque como a todo o
mundo que tomou conhecimento do mesmo. Assim, as notícias ganharam destaque pelo facto de a morte estar presente nesses acontecimentos, razão que levou a RTP a dar cobertura a estas catástrofes. Para além destas notícias negativas também a Grécia foi abertura por várias vezes, registando 10 vezes o primeiro lugar na grelha do telejornal. Este número explica-se pelo facto de o Eurogrupo ser uma instituição global que envolve vários países europeus, incluindo Portugal. Nesse sentido, tudo o que gira à volta da Grécia é de interesse para o nosso país, tanto pela proximidade, como pelo facto de pertencerem ambos à União Europeia.
As notícias de justiça representaram 42 notícias de abertura nos cinco meses da análise, sendo que os 17 por cento estiveram ligados sobretudo ao valor-notícia de notoriedade e infração, onde se verificaram ilegalidades, caso da Lista VIP, crimes, terrorismo – Paris, Copenhaga e Europa - catástrofes e tragédias. Em muitas notícias deste género, a justiça esteve presente como abertura, pois houve muitas investigações criminais, processos, procura de criminosos e intervenções policiais. Também o facto de haver novidades relativas à prisão preventiva do ex-primeiro ministro José Sócrates presenciou algumas aberturas do telejornal, o que explica o segundo lugar desta temática no total dos 5 meses. O terceiro lugar pertenceu à economia com 15,4 por cento, o que significa que, por 38 vezes, as notícias desta temática foram abertura do telejornal. A razão deste número deve- se ao facto de parte das notícias terem sido dedicadas à companhia aérea portuguesa TAP – onde se registaram nove notícias de abertura – e também questões como os lesados do BES, a lista VIP de contribuintes e as dívidas à segurança social de Passos Coelho.
Quanto a sociedade, uma temática bastante vasta visto que engloba questões como saúde, tecnologia, educação, meteorologia e parte dos acontecimentos que podem ocorrer no país, incluindo acidentes e catástrofes, acabou por estar presente em 35 notícias de abertura, o que correspondeu a 14,2 por cento. Nesse sentido, foram várias as situações que envolveram esta temática, muitas vezes articulada com outra como forma de complemento, uma vez que notícias de justiça, economia, política, acidentes, manifestações ou cultura podem também ser consideradas sociedade, se estiver inerente algum destes subtemas que destacámos. Além disso, a maior predominância deste tema verificou-se com a situação das urgências hospitalares, notícias que acabaram por assumir por várias vezes o primeiro lugar do telejornal no mês de janeiro.
Com um número bastante próximo de sociedade, a temática acidentes e catástrofes registou 13,4 por cento de notícias, estando presente por 33 vezes nas aberturas do telejornal. Este número explica-se pelo elevado número de vezes que se verificaram tragédias, mortes, assassínios, crimes ou questões ligadas ao terrorismo. De facto, como observámos anteriormente, tanto em Portugal como no mundo foram várias as situações inesperadas que implicaram elevados números de mortes, seja de forma propositada e planeada como no caso dos terrorismos como em acontecimentos imprevistos causados pela natureza. O sexto lugar da nossa análise de temáticas pertenceu a política com 12,5 por cento, ou seja, 31 notícias de abertura. O tema de política abriu os noticiários sobretudo quando envolvia personalidades do Estado como o primeiro-ministro Pedro Passos Coelho e o Presidente da República Cavaco Silva, uma vez que o facto de haver notícias ligadas a estes protagonistas é razão suficiente para abrir um telejornal. Para além disso, também a questão da greve da TAP, a prisão do ex-primeiro ministro José Sócrates e a dívida da Grécia tiveram implícitos a temática de política, devido a declarações de políticos a respeito destes assuntos.
No sétimo lugar, o desporto conquistou 5,3 por cento de notícias de abertura, estando presente em 13 aberturas do telejornal24. A preferência por esta temática esteve em praticamente todas as notícias (11) ligadas ao futebol, o que demonstra a grande importância deste desporto para abrir um noticiário. Não obstante, a exceção remeteu para as duas notícias de abertura relativas à medalha de ouro conquistada pelo atleta Nelson Évora no triplo salto nos campeonatos de Europa de pista coberta, um facto importante e de grande honra para Portugal, razão que explica a preferência para abrir o noticiário. Em penúltimo ficou o tema ligado às manifestações e greves, presente por sete vezes e em todos os meses na abertura do telejornal, o que correspondeu a 2,8 por cento, um número bastante reduzido quando comparado com as primeiras seis temáticas presentes ao longo dos 151 dias. Além disso, este facto demonstra que mesmo que haja protestos ou manifestações estes não são de todo a preferência para abrir um telejornal, tendo em conta os números que podemos constatar.
Por último, o tema cultura obteve apenas 0,8 por cento de notícias abertura, uma vez que só por duas vezes e em apenas um mês se apuraram notícias deste género. Além disso, as duas notícias só foram abertura de telejornal porque tiveram inerente o factor negatividade, visto que foram relativas à morte do cineasta português Manoel de Oliveira, uma personalidade conhecida mundialmente e que fez história no cinema. Nesse sentido, é notório a pouca importância que a RTP dá a esta temática, pois a não ser uma situação
excecional como esta,a cultura não teria constituído qualquer notícia de abertura.