B. Etude 2 : Rôle de la macroarchitecture sur l’orientation cellulaire et son influence sur la
III. Résultats
2. Culture cellulaire
Após ter sido evidenciada uma dimensão frágil em ambos os hospitais do estudo a partir da percepção dos enfermeiros, expõem-se a seguir, algumas estratégias que podem ser necessárias às instituições hospitalares que tendem a punir os enfermeiros pelos erros cometidos invés de utilizá-los para o aprendizado organizacional.
Destaca-se que as estratégias descritas têm como propósito, uma tentativa em cada instituição de melhorar a resposta negativa pela punição ao erro.
Inicialmente, o precário progresso sobre a segurança do paciente pode ser atribuída à situação da relação dos profissionais de saúde com o sistema, algo muito ainda institucionalizado na estrutura hierárquica das organizações, o que pode contribuir para o desencorajamento do trabalho em equipe e transparência
desses profissionais, além de prejudicar a criação de sistemas objetivos e claros quanto a uma assistência segura.
Visto dessa forma, o erro pode ser encarado como algo que pode trazer um aprendizado e melhoria na prestação de cuidados à saúde, o aprendizado pelo erro, mas para isso é imprescindível desenvolver e criar a cultura de segurança do paciente dentro dos ambientes de saúde, na formação dos profissionais de saúde e nos gestores (PETERLINI, 2014).
O desejado é que se entenda o erro como consequência de uma série de problemas do sistema, e que a busca por implantar medidas de melhoria, correção e prevenção seja prioridade e não somente a punição de quem comete o erro. É muito provável que todos já tenham ouvido a seguinte frase: “Quem fez isso?”, ao invés de ouvir “Como, quando, por que isso aconteceu?”. De fato a mudança de cultura na organização de saúde poderá promover uma assistência mais segura e transparente aos pacientes.
Há muita dificuldade entre quase todos os envolvidos na organização de saúde em lidar com o erro, pois quando ocorre, a tendência é omitir o fato ou buscar culpados, sem na verdade buscar entender as causas do erro. Infelizmente, é evidente a prática da cultura de punição caracaterizada por rigidez organizacional e hierárquica e por ações disciplinares que resultam em repercurrões judiciais e demissionais (KUSAHARA; CHANES, 2012). Além do mais, a cultura da intimidação também está bastante presente porque é muito mais fácil procurar um culpado ao invés de mudar todo um sistema de prestação de cuidado. A demissão profissional ocasionada pelo erro não é o caminho ideal, pois é o momento de educá-lo.
Muitos são os modelos internacionais para ser criar propostas de melhorias, em que há indicadores muito bem definidos e descritos, metas nacionais e internacionais de melhorias e programas expressivos para promover a segurança do paciente.
Um exemplo claro de aprendizado na área da segurança, como já descrito nesse estudo, foi a indústria automobilística, de usina nuclear e da aviação que desempenha atividade de alto risco. Sabe-se que nessa área de alto risco, como é o caso da saúde, não se faz segurança sem uma cultura de confiança, comunicação, transparência e disciplina, ou seja, a segurança não depende
exclusivamente de medidas, práticas, protocolos, regras, normas e de métodos de melhoria imposto pelos gestores.
Nos participantes do estudo há uma precariedade do trabalho em equipe entre as unidades, cooperação e coordenação entre si, pois quando se olha para essas instituições de saúde, observa-se que ainda existe muito pouco processo estruturado e bem desenvolvido de forma segura e consistente. Contudo, os enfermeiros devem ser valorizados como as principais ferramentas para a promoção de práticas seguras.
Outro ponto a se destacar, é que a maioria dos profissionais de saúde não trabalha em equipe, estando focados em seu próprio desempenho, sem mencionar que a comunicação entre eles é bastante deficitária, podendo ocorrer erros, pela falha dela e do trabalho em equipe, prevalecendo e dependendo da decisão hierárquica.
Os erros humanos acontecem até por falhas no processo de educação a qual o enfermeiro e demais profissionais de saúe foram submetidos. Acredita-se que na estrutura de formação dos profissionais de saúde pouco se discute sobre o trabalho em equipe multidisciplinar e multiprofissional, comunicação entre os pares e aprendizado pelo erro, por isso, se faz emergente a reformulação dos currículos e a inserção destas competências na formação do ensino médio profissional de saúde, da graduação e da pós-graduação. Isso inclui ampliar o desenvolvimento de habilidades, comportamentos e atitudes necessárias para a prática profissional.
De um modo geral, os profissionais de saúde não estão preparados para lidar e dialogar sobre o erro.
O processo do Coaching de trabalho em equipe dos profissionais de saúde é uma ferramenta técnica e de conhecimento de diversas disciplinas e ciências, que visa conquistar grandes e efetivos resultados. Esse processo pode ser usado, pois permite a visualização clara dos aspectos individuais e coletivos, de elevar a autoconfiança, de quebrar barreiras de limitação, para que os profissionais possam conhecer e atingir o potencial máximo e alcançar seus objetivos de modo assertivo (STANIK-HUTT et al., 2013).
Além dessas competências mencionadas anteriormente, tem-se a equipe de enfermagem presa às funções burocráticas, prevalecendo a maior parte do
tempo debruçada sobre os registros e burocracias, o que na verdade é posto durante a formação, a priorização do cuidado ao paciente. Muito tem se gastado do tempo sobre essas atribuições, em detrimento do cuidado ao paciente, sobretudo no HB.
A National Patient Safety Foundation, nos EUA, descreve que seria ideal na visão futura da assistência em saúde o momento em que a cultura de segurança fosse aberta, transparente, robusta, sólida e comprometida com o aprendizado, na qual todos os profissionais de saúde tratam-se uns aos outros, inclusive aos pacientes, com respeito e competência, em que o paciente é colocado no centro da prioridade e posto envolvido em seus próprios cuidados. Prevê-se uma cultura centrada no trabalho em equipe e uma organização voltada ao aprendizado, em que cada voz é ouvida e cada profissional tem poderes para impedir falhas do sistema e corrigi-los quando eles surgirem (IHI, 2013).
Para se construir uma cultura de segurança dentro da organização de saúde é necessário que haja um compartilhamento de informação entre os profissionais, caso contrário não estimula o aprendizado a partir do erro, além de ser um fator para corroer a confiança entre os pares e pacientes. A transparência parece ser o principal ponto chave, e é preciso ocorrer em todos os níveis profissionais, hierárquico, paciente e sociedade. O medo e a vergona em retratar um erro não pode haver por risco de uma punição.
Deve-se falar abertamente com o paciente sobre o erro no momento em que ele ocorre, pedindo-lhe desculpas. O investigador menciona que esse papel deve ser do superior hierárquico (FRAGATA; SOUSA; SANTOS, 2014).
O cuidado integrado é uma proposta de garantir eficiência, segurança, qualidade e confiabilidade de modo a produzir o desfecho desejável, consistente e com menos custo. Mas, para que esse serviço ocorra, é necessário centrar tudo no paciente, atribuindo o trabalho de cada profissional de maneira a potencializar os desempenhos individuais, que sejam apropriados e respondam às necessidades de cada paciente.
No cuidado integrado, o engajamento do paciente é fundamental, deve-se também integrar a participação da família, pois estudos apontam que eles auxiliam no reconhecimento de problemas e no desenvolvimento de respostas (EUROPEAN COMMISSION, 2012). É grande valia trazer o paciente e família
para fazer parte da equipe e informar de forma clara, de modo que ele tenha poder de repartir decisões sobre a sua própria saúde.
Nessa direção, corrobora-se de que pacientes adequadamente preparados para lidar com suas necessidades de saúde são a principal fonte de prevenção de erros em saúde.
Os enfermeiros não têm como oferecer uma assistência melhor e mais segura a não ser que se sintam devidamente valorizados e encontrem satisfação e significado no seu labor (DALRI; SILVA; MENDES; ROBAZZI; 2014). Um estudo realizado nos EUA revela que 33% dos enfermeiros recém-formados tendem a mudar de profissão em um ano após a conclusão do curso. Muito se justifica pela falta de respeito por parte dos gestores, administradores e médicos, a burocratização do serviço e carga elevada de trabalho. O fato é que o trabalho desse profissional está se distanciando do seu real significado (BERWICK, 2014).
Além desses, deve-se propiciar um ambiente de trabalho onde se permita mudanças visando melhores práticas, pois se sabe que as melhores ideias geralmente surgem dos profissionais que estão na linha de frente do cuidado direto ao paciente, pois eles, mais do que qualquer outro profissional, convivem diariamente com os processos de trabalho, portanto, são os melhores profissionais para possibilitar melhorias.
A falta de infraestrutura para adequado exercício da profissão e a falta de definição de políticas institucionais que evidenciem o bem do paciente como foco de toda a atividade desenvolvida na instituição são os principais indicadores de existência de práticas inseguras.
De fato, colocando ênfase nos sistemas mais do que nos indivíduos, redesenhando sistemas de forma a torná-los error proof e investindo concomitantemente nos profissionais, nos processos de trabalho e nas organizações, e também nos pacientes e na sociedade, parece ser um dos caminhos para promover melhorias de segurança na orgnização.
Em síntese, Fragata (2010) recomenda algumas estratégias de realizar o empoderamento “empowerment” dos indivíduos no extremo da ação; implementar práticas seguras por meio de processos de trabalho; promover uma cultura organizacional de segurança centrada em equipe; envolver os pacientes nos seus
próprios cuidados; utilizar de transparência (disclosure); controlar indicadores de segurança.
Por fim, é de fundamental importância que as instituições de saúde estimulem a cultura da não punição, incentivando assim a notificação dos eventos e implementação de estratégias preventivas, visando ações de saúde mais seguras.