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Dans le document Xerox SIGMA 9 Computers (Page 190-194)

Historicamente, os sujeitos marginalizados ou indigenciados na nossa sociedade são, por consequência, invisibilizados. As pessoas que estão inseridas de forma satisfatória na lógica da economia de mercado ou capitalista tendem a não enxergar os que são inseridos de forma marginal ou os enxergam através de uma “imagem modelo”, algo preestabelecido e reproduzido sem a necessária reflexão sobre, sendo os sujeitos marginalizados também reprodutores destas imagens em momentos e aspectos (SILVA, 2015).

Foi neste sentido que a epígrafe deste trabalho se referiu ao homem universal, distante, a uma imagem de homem que, ao se tornar translúcida no contato ou aproximação com o homem real, pode causar o distanciamento e até mesmo o desprezo. Sendo assim, é de suma importância que seja evidenciada a condição social dos catadores de materiais recicláveis e também o importante serviço prestado por eles tanto do ponto de vista ambiental, como econômico ao conjunto da sociedade, mas também para eles mesmos. É necessário ter consciência do seu papel e da sua importância para que os discursos dos indivíduos e da classe dos catadores sejam expostos, negando a reprodução

de um discurso terceiro, típico dos sujeitos marginalizados (SILVA, 2015).

Para tanto, foi realizado um trabalho no ano de 2018, com a utilização de entrevistas semiestruturadas, disposta de forma integral no Anexo 1. O objetivo das perguntas foi conhecer parte da realidade destes indivíduos e, com base nestas informações, tentar subsidiar ações que possibilitem uma mudança positiva na vida destas pessoas, alinhados com o pensamento de Souza (2006, p. 132) quando anuncia “os objetivos de aumento da justiça social e de melhoria da qualidade de vida podem ser compreendidos como sendo intrinsecamente relevantes, pois cristalinamente dizem respeito a fins, e não somente a meios do desenvolvimento sócio-espacial”.

Quanto à definição da área de estudo, apresentada no Mapa 11 (abrangendo do bairro de Nova Parnamirim, nas imediações da Avenida Petra Kelly e parte da Avenida Maria Lacerda), decorreu das experiências dos trabalhos de campo realizados em 2017, fatores como frequência de catadores vistos e as vias do bairro, mais utilizadas por eles, e na sua conexão com outras partes da cidade foram considerados. Todavia, no decorrer do novo trabalho de campo, visando especificamente a elaboração da monografia, foi identificado uma área fundamental, conhecida como “Toca da Raposa”, normalmente associada por moradores do bairro ao tráfico de drogas, é também o local de moradia de muitos catadores e, portanto, foi incluída na área de estudo.

Entrevistar catadores no decorrer dos seus trajetos, especialmente quando eles estão em carroças com tração animal, tem suas particularidades. O habitual é haver um ou poucos catadores executando uma mesma rota no mesmo horário. Para realizar a entrevista o pesquisador tem de estar perto ou no trajeto pelo qual o catador irá passar, quando a locomoção é realizada com tração animal, esta condição se torna ainda mais clara. Destarte, realizar entrevistas com catadores durante a realização de seu trabalho requer cobrir pequenos espectros de área durante longas horas e em dias alternados.

Esta metodologia foi utilizada para a elaboração do trabalho, todavia, a realização de obras para a construção de infraestruturas de esgotamento sanitário no bairro inviabilizou uma cobertura ampla nestes moldes, uma vez que interditou, em dias alternados, quantidade significativa de vias. Tendo em vista as dificuldades expostas, boa parte das entrevistas foi realizada na casa dos catadores, nas proximidades da localidade conhecida como “Toca da Raposa”, uma rua não asfaltada que fica em frente a um declive. Ao total, foram 14 entrevistas realizadas, todas no decorrer do mês de outubro de 2018.

A Figura 2 representa uma “pirâmide etária” com as idades e o sexo dos entrevistados, na qual 6 dos 14 entrevistados está na faixa dos 50 aos 59, sendo quatro homens e duas mulheres. Com catorze anos de idade, o único entrevistado menor de idade, declarou estar deixando a profissão pois o pai deseja que ele se dedique com mais veemência aos estudos. A quantidade de homens é a mais significativa, seguindo o padrão encontrado no último Censo (IBGE, 2010), no qual os homens representam 68,9% na escala nacional, e 70,7% quando no Nordeste.

Figura 2 – Pirâmide etária dos catadores em Nova Parnamirim

Fonte: Trabalho de campo, 2018.

-4 -3 -2 -1 0 1 2 10 a 19 20 a 29 30 a 39 40 a 49 50 a 59 60 a 69 Mulheres Homens

A predominância de homem nessa atividade pode estar relacionada

[...], por exemplo, o fato de muitas mulheres exercerem outras atividades, como o cuidado do lar e da família, e entenderem que a coleta de resíduos seja uma mera atividade complementar. Ou seja, algumas catadoras podem não se identificar com a atividade por manterem outra atividade como trabalho principal (IPEA, 2013, p. 48).

Em relação ao veículo utilizado para a coleta dos materiais, 9 dos 14 indivíduos relataram utilizar a carroça com tração animal em seus trabalhos; 1 utiliza carrinho (de tração humana); 1 a bicicleta e outros 3 fazem uso de carro de mão, típico do utilizado para construção (Figura 3). Ao questionar o porquê da não utilização da carroça, 4 dos 6 entrevistados, que não utilizam, declararam não ter condições de comprar a carroça e, principalmente, o animal, cujo o preço médio, do cavalo, orbita na faixa dos R$ 1000,00. Dos outros dois um relatou não ter local para guardar o animal e outra disse ter pena do animal, afirmando “não teria coragem para bater nele”.

Figura 3 – Veículos utilizados na coleta de materiais recicláveis em Nova Parnamirim

Fonte: Trabalho de campo, 2018.

Os preços de venda dos materiais recicláveis estão expressos na Quadro 1. Aspecto que chama atenção é o baixo preço de boa parte dos produtos, tendo 7 dos 11 produtos listados com preço abaixo de R$ 1,00 por quilo de produto, além de uma variação significativa entre o preço mínimo e máximo. Ainda sobre a Quadro 1, os dados evidenciam o fato de que nem todos os catadores coletam todos os tipos de materiais, há preferências estabelecidas de acordo com os compradores, as especificidades necessárias para o armazenamento, o peso, a frequência com que o material é encontrado. O chamado

22% 64% 7% 7% Carro de mão Carroça Carrinho Bicicleta

“litro”, por exemplo, são garrafas de vodca ou de cachaça, que não podem estar danificadas com rachaduras.

Quadro 1 – Preço de venda dos materiais recicláveis coletados em Nova Parnamirim por quilograma

Fonte: Trabalho de campo, 2018

Para compreender o porquê dos preços praticados é preciso levar em consideração que

[...] essa estrutura desce de forma piramidal ao longo da cadeia de comercialização de material reciclável. Assim, as empresas compram de grandes comerciantes de sucatas, que compram de pequenos e médios comerciantes, que compram dos catadores. Em cada passagem, normalmente o poder do comprador é maior que do fornecedor, sendo esta característica reforçada pela vulnerabilidade social dos catadores (IPEA, 2010b, p. 521)

Já na chamada “base da pirâmide”, encontram-se milhares de catadoras e catadores que trabalham diretamente na coleta, separação e triagem dos resíduos. Por sofrerem de uma infinidade de carências sociais e econômicas, constituem a parte mais frágil da cadeia, quase sempre dependentes da ação dos atravessadores e das indústrias, que determinam os preços, o volume e as condições dos materiais que serão adquiridos. Mesmo assim, eles são os atores- chave em todo o processo, já que são responsáveis por quase 90% de todo o material que chega a ser reciclado no Brasil. (IPEA, 2013, p. 19)

Materiais valorizados, como o cobre, o metal (típico do encontrado em torneiras) e as panelas, chamadas de “resto de panela”, normalmente são coletados quando encontrados, todavia, devido à baixa frequência com que são vistos, muitos entrevistados relataram não coletar, afirmando ser apenas “uma vez na vida” a oportunidade de vende- los. Plástico 11 Litro (Garrafa) 3 Latinha (Alumínio) 14 PVC 5 Papel Branco 5 Papelão 6 Plástico Filme 1 Resto de Panela 4 Ferro 3 Cobre 5 Metal (torneira) 5 Preço mínimo e máximo em Reais Média em Reais Produtos Catadores que coletam 14,6 0,58 0,46 3,33 0,68 0,13 7 0,5 e 0,7 0,3 e 0,6 3 a 3,6 0,5 a 1 0,05 a 0,15 0,15 a 0,3 0,5 4 a 4,8 0,15 a 0,2 9 a 16 5 a 8 0,2 0,5 4,2 0,16

Apenas um catador declarou coletar um único material reciclável, latinhas de alumínio, contudo, este não é o único material coletado em sua jornada. Este indivíduo coleta materiais reutilizáveis, como roupa, sapato, ventilador, liquidificador e outros, consertando, limpando e costurando o que for visto como potencial produto para venda, aos domingos, em feiras populares.

A grande maioria, 12 entre os 14 entrevistados afirmou realizar o mesmo percurso em todos os dias de trabalho, justificando-os por: ser bom; encontrar poucos catadores; e por estar habituado ao trajeto. Os dois que asseguraram não realizar corriqueiramente o mesmo trajeto alegaram modificar os caminhos em decorrência de festas, condomínio e de acordo com a vontade.

No decorrer da conversa sobre os trajetos, alguns catadores alegaram não realizar percursos mais longos pois havia o receio de cruzar avenidas e vias movimentadas, notadamente durante os retornos para as residências, pois há o peso dos materiais coletados, que dificulta a movimentação, e, via de regra, há maior circulação de automóveis devido ao horário. Estes relatos permitem ver as avenidas e rodovias como fronteiras, não para todos, nem para todos os catadores, este não foi um problema para muitos deles.

Em relação à frequência com que os produtos coletados são vendidos temos os dados expostos na Figura 4. O relatado durante os trabalhos de campo foi que existe uma rotina, na qual certo dia ou certos momentos da semana são reservados para a separação dos materiais e possíveis cuidados necessários, principalmente quando há uma maior diversidade de materiais coletados. Em um aspecto geral, a frequência de venda foi relatada como flexível, associada a compras básicas, como feiras ou “precisões” (necessidades esporádicas dos trabalhadores ou de membros da família).

Nas proximidades da “Toca da Raposa” dois compradores de materiais recicláveis foram entrevistados, e ao menos mais dois foram citados: um no bairro Coophab e outro próximo ao centro de Parnamirim. Estes indivíduos compram e armazenam os materiais, não necessariamente todos os tipos expostos na Quadro 1, e a cada certo período pagam um frete (cujo preço é por volta dos R$ 50,00) para levar os materiais até o bairro do Alecrim, em Natal, onde são vendidos a preços mais elevados.

Outros compradores não possuem pontos fixos para a compra, tendo uma rede de compradores, deslocam-se periodicamente para comprar os materiais com um carro e já os levam ao Alecrim, bairro central na compra de recicláveis. Entre os compradores entrevistados não houve relato de preços diferenciados de acordo com o catador,

entretanto, a vasta distinção nos preços declarados pelos catadores torna a suspeita cabível.

Figura 4 – Frequência de venda dos materiais recicláveis em Nova Parnamirim

Fonte: Trabalho de campo, 2018.

O catador que afirmou vender diariamente explicou que esta medida fora tomada por haver, no seu trajeto de coleta, um ponto de compra de materiais e que, quando a estocagem era realizada, a família e vizinhos reclamavam do cheiro das latinhas (único material coletado por ele), além de haver receio em relação a proliferação de vetores, como Aedes Aegypti.

Apenas dois dos 14 entrevistados alegaram vender os produtos para dois compradores, o restante vende apenas para um único comprador. Quando questionados sobre os motivos pelos quais o comprador fora escolhido, razões como “o preço é melhor” ou “já faz muito tempo que vendo para ele” foram as mais repetidas. Três respostas distintas a este padrão merecem ênfase. A primeira faz menção ao auxílio dado pelo comprador em momentos turbulentos, as chamadas “precisões”; a segunda expõe a venda de uma carroça e um burro para o catador, que irá pagar esse investimento vendendo materiais ao comprador e, por fim; o acolhimento e o atendimento atencioso dado no momento da compra foi um ponto crucial para um dos catadores decidir vender no estabelecimento escolhido.

No tocante aos rendimentos obtidos mensalmente (linha laranja), juntamente com a quantidade de horas trabalhadas (barras azuis) estão representados na Figura 5. Não é clara a esperada correlação, na qual quão maior a quantidade de horas trabalhadas, maior o rendimento obtido. Apenas dois entrevistados conseguiram obter renda maior que o

43% 36% 7% 7% 7% Mensalmente A cada 15 dias A cada 7 dias A cada 8 dias Diariamente

salário mínimo, um com R$ 980,00 e outro com R$1000,00, trabalhando, respectivamente, 56 e 28 horas.

O indivíduo com maior rendimento coleta apenas plástico e latas de alumínio, vendendo ambas pelo preço máximo encontrado por quilo, R$ 0,70 e R$ 3,60, respectivamente. Seu trajeto na coleta começa às duas da manhã e acaba às seis horas, trabalhando de domingo a domingo. O horário diferenciado; a quantidade de dias; qualidade dos seus contatos, permitindo a venda dos produtos por um preço diferenciado; e a realização de atividades como o afastamento da “metralha” ou restos de poda de árvore, são os fatores compreendidos pelo pesquisador como necessários para entender essa remuneração. Dez dos quatorze entrevistados iniciam sua jornada de trabalho no intervalo que vai das 4:30 às 6 horas da manhã.

O catador com maior carga horário de trabalho semanal, com 78 horas, coleta apenas latas de alumínio entre os materiais recicláveis, e entre os materiais reutilizáveis coleta liquidificador, ventilador, roupa e afins, com o intuito de consertar e vender. Em sua jornada que se inicia às 11 horas da noite, findando às 12 horas do dia seguinte, de segunda a sábado em sua bicicleta, rendem em média R$ 850,00, quando somado os recursos obtidos com a reciclagem e os reutilizáveis. Nenhum outro catador afirmou coletar reutilizáveis com o fim específico de vender, entretanto, alguns afirmaram fazer uso de DVDs, CDs, roupas e afins, quando conveniente.

Figura 5 - Horas de trabalho semanal por rendimento mensal em reais dos catadores em Nova Parnamirim

Fonte: Trabalho de campo, 2018.

0 200 400 600 800 1000 1200 0 10 20 30 40 50 60 70 80 90 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13 14

Fatores como compradores com melhor preço, rotas com menos catadores e maior concentração de materiais rentáveis, contatos com moradores que separam o material reciclável de sua residência ou de seu estabelecimento, o acesso aos resíduos de condomínios, tendo em vista a capacidade de concentrar resíduos em um único lugar, além de resistência física e disponibilidade de tempo para trabalhar, foram identificados como centrais para compreender os ganhos destes indivíduos.

Quando comparamos os rendimentos destes trabalhadores com os catadores das duas cooperativas de catadores presentes em Natal, cidade vizinha e com um sistema de coleta seletiva pouco expressivo em relação ao total de resíduos (conforme Tabela 2), notamos a distinção. Jerônimo et al. (2012) descreve ser 75% e 65% o percentual de catadores com rendimento menor que um salário mínimo na Cooperativa de Catadores de Materiais Recicláveis e Desenvolvimento Sustentável do Rio Grande do Norte (COOCAMAR), e na Cooperativa de Materiais Recicláveis da cidade de Natal (COOPCICLA), respectivamente, enquanto os demais trabalhadores recebem remuneração igual ou superior ao salário mínimo, demonstrando que mesmo em cooperativas pouco expressivas em relação a coleta dos resíduos da cidade a média de rendimentos é significativamente maior.

Tabela 2 - Coleta seletiva em relação ao total coletado em Natal (Ton/dia)

Natal 2014 2015 2016 2017

Coleta Seletiva 3.350 2.948 2.980 2.536

Total 457.289 410.199 382.237 293.384

Porcentagem do

Total 0,73 0,71 0,77 0,86

Fonte: URBANA 2017, apud ALMEIDA, 2018

Os dados descritos na Figura 6 expõem as respostas dadas à seguinte pergunta: você trabalha atualmente com outra coisa? A grande maioria respondeu de início que não, contudo, no desenrolar da entrevista seis catadores declaram trabalhar com serviços relacionados à construção civil, sempre que possível, sendo clara a preferência quando comparado ao trabalho da coleta. Outros seis afirmaram retirar restos de construções, as “metralhas”, assim como restos de poda de árvore. O mapa 12 expõe fotos e suas devidas localizações de áreas de comum destinação destes restos, geralmente caracterizados como locais de pouca circulação de pessoas, escondidos ou construções e terrenos abandonados.

O trabalho de levar esses materiais, que na realidade é uma tarefa com o fim de afastar, tirar das proximidades, habitualmente é um serviço feito por catadores, normalmente com carroça de tração animal, mas também por funcionários e habitantes. Com o intuito de não pagar o serviço de coleta privado para os seus resíduos, ou mesmo de retirar certos materiais dispostos nas proximidades de suas casas, encarados como um estorvo, a contratação dos chamados “carroceiros” é realizada.

Usualmente o indivíduo contratante, ao ver um catador, pergunta se o serviço pode ser realizado e a negociação já é feita no momento, inclusive com detalhes sobre o quão longe o material deve ser jogado. Em casos específicos, nos quais há uma geração continua ou periódica de resíduos, catadores relataram que o contratante possui seu telefone e o contato é feito pelo mesmo, com o ajuste dos detalhes necessários para o trabalho.

Ao falar especificamente sobre este serviço alguns catadores demonstraram receio, há ciência de que a efetivação desta atividade não é correta. Inclusive houve o relato de um dos entrevistados declarando ter deixado de realizar tal trabalho devido ao receio de possíveis punições.

Sobre esse aspecto, pode-se considerar que

[..] a razão pela qual as cidades de um país como o Brasil, apesar de tudo, não explodem: por mais que ocupações de imóveis, por sem-teto ou sob a forma de constituição de favelas, firam a propriedade privada, essa afronta simbólica não é nada em comparação com o fato de que, sem a válvula de escape

representada por essas saídas ilegais, os pobres urbanos não teriam como sobreviver – e o sistema não seria viável, entrando em colapso. (SOUZA, 2006,

p. 305)

Figura 6 – Outros trabalhos realizados pelos catadores em Nova Parnamirim

Fonte: Trabalho de campo, 2018.

43%

43% 14%

Não

Leva "metralha e resto de árvore"

Concordando com o raciocínio de Souza (2006), reconhecemos a ilegalidade do ato, compreendemos que há um potencial de proliferação de vetores; de por em risco encostas; e de poluição, visual e ambiental, pois quando não prejudica o terreno de um terceiro, prejudica o terreno de todos, as vias públicas. Entretanto, considerando a materialidade do uso do território, e não apenas a unilateralidade dos códigos descritos em lei, vemos ações educativas e, principalmente, inclusivas, com potencial de trazer justiça social, como as mais indicadas para minimizar estes tipos de ações que, na realidade, o Estado não tem capacidade de fiscalizar.

Quanto ao local de armazenamento dos materiais recicláveis temos representado na Figura 7 que, seis dos 14 entrevistados, guardam os materiais recicláveis na frente de suas casas, na rua conhecida como “Toca da Raposa”. Ao perguntar sobre relato de roubo dos materiais, todos afirmaram nunca ter ocorrido problemas deste tipo. Em relação aos demais, sete afirmaram armazenar no quintal da casa particular, e um declarou guardar os materiais em terreno abandonado ao lado de sua residência.

Em relação a escolaridade dos catadores entrevistados, os dados representados na Figura 8 revelam que cinco deles (36%) não souberam informar sobre suas escolaridades, não conseguiram se lembrar, alegando ser o estudo em escola algo de muito tempo atrás. Dados do Censo (IBGE, 2010) afirmam que 20,5% dos catadores, o dobro da média nacional, se declarou analfabetos, crescendo esta proporção para 34% na região Nordeste.

Figura 7 – Local de armazenamento dos materiais recicláveis em Nova Parnamirim

Fonte: Trabalho de campo, 2018.

Ainda sobre o grau de escolaridade, a partir das respostas obtidas verificou-se que 43% 50% 7% Na rua Quintal de casa Terreno Baldio

outros 36% possuem o Ensino Fundamental incompleto; apenas 7% (o que corresponde à uma resposta) possuem o Ensino Fundamental completo, 14% declaram ter o Ensino Médio incompleto e 7% o Ensino Médio completo.

Figura 8 – Escolaridade dos catadores em Nova Parnamirim

Fonte: Trabalho de campo, 2018.

Relativamente ao grau de alfabetização constatou-se que 71% dos entrevistados expuseram não saber ler e escrever, ou saber pouco, conseguindo assinar apenas o nome (Figura 9). Certo embaraço foi demonstrado por alguns ao responder à pergunta. Houve uma situação em particular na qual a esposa respondeu pelo marido, percebendo o incômodo.

Figura 9 – Alfabetização dos catadores em Nova Parnamirim

Fonte: Trabalho de campo, 2018.

36%

36% 7%

14%

7% Não soube informar

Ensino Fundamental l incompleto

Ensino Fundamental l completo

Ensino Fundamental ll incompleto

Ensino Fundamental ll completo

29% 21% 50% Sim Não Pouco ou apenas assinatura

Sobre a quantidade de anos dedicados ao trabalho de coleta, ao declarar as datas houve certo ponderamento por parte dos entrevistados, pois declaravam haver momentos em que o trabalho deixava de ser realizado e momentos de retomada do trabalho. De acordo com os dados da Figura 10, verifica-se que apenas um entrevistado (que corresponde à 7%) não soube informar. Até três anos na atividade, foi a resposta de 36% dos entrevistados. Entre 10 e 15 foi o tempo indicado por 28% dos entrevistados e 29% informaram que desenvolvem essa atividade há mais de 30 anos.

Essa constatação corrobora com a análise do IPEA, quando afirmar que

Muitos deles exercem a atividade em tempo integral por muitos anos, desde a infância, e em algumas famílias essa atividade passa a ser seguida pelos filhos,

Dans le document Xerox SIGMA 9 Computers (Page 190-194)