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Zonage régional

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Partie I : Evaluation et modélisation de l’aléa tsunami au Maroc

4.4. Résultats de la simulation

4.4.1. Zonage régional

Com relação à localização dos parques urbanos na área estudada, percebe-se a interferência do principal agente imobiliário, o Estado, que através de decisões direcionadas a determinadas classes implanta benefícios nas áreas de interesse. A presença desses parques constitui elemento de valorização do solo urbano, principalmente por trazer melhoria na qualidade ambiental para seu entorno. Com isso, a concentração dos parques urbanos, como mostrado no mapa 11, ocorreu na parte sudoeste da cidade, região essa que abriga, em sua maior parte, a população de alta renda.

Em Montes Claros, os imóveis nos bairros próximos aos parques apresentam um valor de mercado, valor real, maior que nas outras áreas da cidade. Embora as vantagens provenientes da presença dos parques sejam incontestáveis, tem-se percebido uma especulação imobiliária no entorno deles, uma vez que há alta valorização do solo urbano. Essa especulação imobiliária influencia no modelo segregatório imposto na cidade, em que as áreas com atrativos ambientais concentram a população de maior renda. Diante da visibilidade desse problema, alternativas para descentralização dos parques urbanos estão sendo discutidas no

poder legislativo municipal, como a criação de novos parques em outras partes da cidade. Todavia, as propostas ainda estão sendo debatidas, isto é, não existe nenhuma ação concreta para minimizar essa situação.

Além do problema social decorrente dessa concentração dos parques, essa evidência pode ser analisada por outro aspecto, o ambiental, em que há na cidade uma pequena porção do espaço de parques urbanos. As informações do uso do solo revelam que nos 101 km² de perímetro urbano há apenas 0.84 km² de área de parque no interior da cidade. Dessa forma, constata-se que além de extremamente concentrados, os parques urbanos representam uma pequena parcela do espaço urbano, isto é, 0,83% da área do perímetro urbano. Esse dado expressa a necessidade de pensar a implantação de novos parques na cidade de Montes Claros.

Embora possam se fazer algumas leituras específicas sobre os espaços ocupados e não ocupados da cidade de Montes Claros, o item que mais se destaca é a forma concêntrica da ocupação desse território. A área central apresenta alta densidade de ocupação e foi a partir dessa que o espaço ocupado se expandiu, mesmo que de maneira diferenciada para as periferias.

No interior do espaço ocupado é pequena a disponibilidade de extensas áreas vagas, excetuando alguns terrenos ao longo dos cursos da água. Essa situação ocorre pelo fato de essas áreas vagas que estão às margens dos rios não possuírem infraestrutura, ou seja, trata-se de áreas que estão sem serviços básicos, como o sistema de saneamento. Isso faz com que estes rios recebam esgoto e lixo, tornando-os poluídos.

Com o resultado do nível I do mapeamento do uso do solo, pode-se constatar que os 59,3% do perímetro urbano que estão ocupados apresentam tipos de usos distintos, embora, como na maioria das cidades, predomine o uso residencial.

4.3 Setores funcionais: Nível II do mapeamento do uso do solo

Para maior detalhamento sobre os usos do espaço ocupado na área urbana de Montes Claros, o nível II, ilustrado pelo mapa 12, traz informações sobre as categorias usadas nessa classificação, sendo essas: residencial, comércio/serviços e industrial. Nas propostas usuais de classificação do solo urbano, como Anderson et al. (1976), CORINE (1990) e IBGE (2006), há uma análise dirigida para a classe residencial justificada pela predominância e diversidade que esta encontra nas cidades.

A atividade industrial em Montes Claros sofreu, na década de 1990, uma crise motivada pelo fim dos incentivos da SUDENE e pela competição com novas áreas de atração industrial, tanto no Brasil quanto internacionalmente. Essa conjuntura provocou a saída de várias indústrias de Montes Claros. Apesar dessa crise que ocorreu na indústria montesclarense, a área destinada a essa atividade econômica se destaca no espaço urbano da cidade analisada, representando 6,75 km² na área urbana. Isso devido ao fato de a localização das fábricas ter sido planejada e a sua concentração ter se direcionado para a região norte da cidade, onde se criou o distrito industrial. Além dessa área determinada para as indústrias, outros poucos espaços no interior da cidade são ocupados por esta atividade, conforme mostrado no mapeamento do uso do solo.

A reestruturação espacial da indústria influenciou a dinâmica de localização de outras atividades econômicas, como o setor terciário. A indústria se destaca na economia urbana como um dos principais setores empregadores, por isso desperta o interesse de pessoas de outras áreas que acabam migrando para a cidade na tentativa de ocupar uma vaga no setor secundário. A migração de pessoas para a cidade gera um excedente no mercado de trabalho e, em sua maior parte, tendem a ser absorvidas pelo setor terciário, quando não, buscam oportunidade na economia informal.

No caso de Montes Claros, a indústria foi responsável pela imigração, embora a maior parte da população se concentre nas atividades de comércio e serviço. A redução do número de empregos no setor secundário, durante a década de 1990, e o crescimento do setor terciário provocaram a expansão das áreas comerciais e de serviços no espaço urbano dessa cidade.

A classe de comércio e serviço tem, de acordo com o mapa 12, o centro da cidade como polo irradiador que se expande para a periferia, através das principais vias de circulação da cidade. O uso da imagem de satélite associado à visita a campo permitiu verificar um processo de especialização comercial na área central, isto é, o centro da cidade está se tornando um ponto exclusivamente de comércio e serviços. Os imóveis que eram utilizados para uso de moradia foram adaptados e transformados em pontos comerciais. Outra tendência observada nessa parte da cidade é a verticalização, em que os imóveis antigos foram demolidos e, no lugar, foram construídos edifícios.

Além dessa inferência pode-se constatar a formação de subcentros comerciais e áreas de serviços especializados ao longo das vias de circulação. A formação de novas áreas de comércio e serviços provocou o surgimento de loteamentos e maior adensamento nos bairros existentes. Essa situação pode ser explicada pelo processo espacial de sucessão/invasão9, no qual áreas residenciais se transformam em áreas destinadas à atividade terciária10.

As figuras 27 e 28 mostram as Avenidas Castelar Prates e Francisco Gaetani, no bairro Major Partes, que se destaca como o principal subcentro comercial de Montes Claros. Como consequência, houve alta valorização do solo urbano e transformação do uso residencial para uso comercial e de serviços.

9

Para Mckenzie (1974), o processo espacial definido como sucessão/invasão refere-se à incursão de uma área da cidade sobre outra, havendo assim alteração no uso ou no usuário da área sobreposta.

10

Essa é uma tendência verificada em outros trabalhos, como Godoy e Soares Filho (2007) e Henriques (2008).

Figura 27 - Avenida Castelar Prates

Autor: Leite, 2010.

Figura 28 - Avenida Francisco Gaetani

Autor: Leite, 2010.

Na classe de comércio e serviços destaca-se, em termo de espaço ocupado, a atividade de transporte aéreo, em que está inserido o aeroporto. A área do aeroporto, que no início dos anos 1970 ficava isolada da parte adensada da cidade, atualmente, tem a área residencial se expandindo, sobretudo ao norte e ao sul do aeroporto.

O outro setor de destaque na classe comercial e de serviços é o universitário. A concentração de instituições de ensino superior está relacionada com a presença das duas únicas universidades públicas, a Universidade Estadual de Montes Claros – Unimontes – na parte oeste da cidade e a Universidade Federal de Minas Gerais – UFMG – na área norte. A presença dessas duas instituições públicas de ensino promoveu a formação do processo espacial denominado de coesão, haja vista que no entorno delas surgiram novas faculdades privadas, como apresentado no mapa 06 do terceiro capítulo.

No contexto mencionado de crise industrial em Montes Claros na década de 1990, a atividade de comércio e serviços ocupou os espaços deixados pelas fábricas. As faculdades privadas na parte norte da cidade foram instaladas em prédios de indústrias desativadas e, por isso, ocupam grandes espaços. Essa refuncionalização dos prédios de antigas indústrias também ocorreu com a instalação de supermercados atacadistas, como mostra a figura 29. Com isso, houve uma redução do uso do solo urbano para atividades secundárias e aumento para o setor terciário.

Figura 29 - Prédio da antiga fábrica de óculos, atualmente supermercado da rede Wal Mart

Há mudança, também, no uso do solo de residencial para comercial, com isso o uso de comércio e serviços ocupa a segunda maior área no espaço urbano de Montes Claros com 11,19 km² no perímetro urbano. Além da mudança na função do solo urbano, a formação de novas áreas de comércio e serviços altera a classe social que ocupa esse espaço, pois, com a formação de novas centralidades, há aumento no valor do imóvel. Logo, a população de baixa renda é substituída pela classe de maior poder aquisitivo.

A classe residencial, apesar de ceder espaço para a atividade comercial, ocupa a maior parcela do espaço urbano, em dados absolutos 41,86 km², ou seja, quase metade de toda área do perímetro urbano. Com isso, se torna a principal categoria a ser analisada nesta pesquisa.

Uma breve leitura do mapeamento do nível II do uso do solo urbano revela que a ocupação do espaço para moradia aconteceu de maneira diferente entre as regiões da cidade, sendo que a maior concentração está na parte sul e leste da cidade. Enquanto, nas outras áreas, a ocupação é recente e o ritmo do adensamento ainda é pequeno se comparado às duas regiões supracitadas. O crescimento espacial da cidade, como descrito no capítulo 3, explica a diversidade de áreas residenciais, bem como o padrão dessas na malha urbana.

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