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Contributions and Outline of the Dissertation

É marcante a diminuição do nível de investimento mínimo necessário para se criar uma empresa no setor de web para o consumidor, caindo do patamar de milhões para centenas de milhares. Os recursos e o material necessários para experimentar com um novo serviço de

alcance global se tornaram gratuitos ou de baixo custo, já proporcionam o status de commodity à tecnologia. O surgimento dos novos serviços de combinação com outros serviços já existentes, os quais já propiciam excelente valor na nuvem através de features, dados e API’s (MCQUIVEY; BERNOFF, 2013). Isto mostra que esta pequena barreira de entrada permite a empresas de qualquer tamanho e localização geográfica competir em caráter de igualdade com poderosas multinacionais estabelecidas (BRADLEY et al., 2015).

É comum afirmar que a economia da Internet provocou uma inversão na ordem das etapas do ciclo de vida de uma atividade:

"Quando a distribuição é gratuita, a participação acontece sem atrito e a in- formação é abundante, a ordem das operações em muitas tarefas é invertida. [. . . ] Por exemplo, primeiro se publica, depois se edita (Wikipédia2); seja pago, depois trabalhe (Kickstarter3); comece a vender, depois construa a sua reputação (eBay4). Em contraste com o modelo anterior de lançar um pro- duto ou ideia, mediante um intenso estudo do mercado antes de lançar, com custos extremamente altos para ajustar, o modelo da Internet é ’lance cedo e frequentemente’." (GROSSMAN, 2015, p. 2)

Esta nova maneira de desenvolver produtos é catalisada pelo aumento na quantidade de usuários de serviços e de Internet e da qualidade do acesso à plataformas digitais. A qualidade da Internet residencial e Internet móvel permitem que indústrias inicialmente tidas como alheias à revolução digital sejam afetadas diretamente. Por exemplo, a impressão 3D já está sendo utilizada por empresas da construção civil e os carros autônomos já impõem mudanças na maneira como a indústria automobilística se comporta em relação aos seus consumidores e em relação à legislação vigente (DOWNES, 2015).

É interessante notar que o impacto das plataformas digitais no processo de disrupção não se restringe apenas à concepção ou à entrega de um produto ou serviço: (i) uma organização pode utilizar a computação na nuvem para desenvolver e disponibilizar um produto ou serviço com alcance global de maneira extremamente ágil; (ii) para permitir a ubiquidade da interação com o consumidor, lojas de aplicativos se encarregam de distribuir a marca para as plataformas móveis; (iii) os esforços de relações públicas podem ser alavancados com ajuda de redes sociais, tais quais Twitter e Facebook; (iv) as estratégias de vendas e de formação de uma carteira

2Enciclopédia virtual colaborativa: http://www.wikipedia.com

3Plataforma de financiamento coletivo, onde usuários investem em projetos que serão desenvolvidos por empreendedores: http://www.kickstarter.com

4Plataforma de venda direta onde vendedores amadores ou profissionais e compradores fazem negócios sem interação presencial: http://www.ebay.com

de clientes têm o suporte de plataformas de “software como serviço” e “infraestrutura como serviço”.

A própria maneira como produtos digitais são concebidos e comercializados lhes garante uma combinação específica de características:

1. "(Produtos digitais) são não-rivais, ou seja, o consumo de um bem não diminui a disponibilidade do mesmo para outros;

2. Possuem custo marginal de produção e distribuição tendendo a zero até mesmo em grandes distâncias;

3. Possuem custo marginal menor de busca quando comparados a produtos vendidos em lojas físicas (offline);

4. Possuem custo de transação menor do que os de produtos não digitais." (LAMBRECHT et al., 2014, p. 332)

Todas estas características de um produto digital baseiam-se em um baixo custo de manutenção. O custo de se manter uma aplicação básica de Internet caiu de US$150.000 por mês em 2000 para US$1.500 por mês em 2011. E continua a cair. A Internet é apenas a mais recente e talvez a mais impressionante representação daquilo que os economistas chamam "tecnologias de uso geral", desde o motor a vapor até a rede elétrica, as quais, desde o seu início, tiveram um impacto massivamente desproporcional sobre a inovação e o crescimento econômico (ANDREESSEN, 2011).

Em um relatório de 2012, o Boston Consulting Group constatou que a economia da Internet representou 4,1% (cerca de 2,3 trilhões) do PIB nos países do G-20 em 2010. O relatório vai mais adiante e destaca a importância do ritmo de crescimento deste fenônomeno:

"A economia da Internet nos mercados desenvolvidos do G-20 vai crescer à uma taxa anual de 8% nos próximos cinco anos, superando de longe pratica- mente todos os outros setores econômicos tradicionais, criando mais riqueza e empregos. A contribuição para o PIB vai crescer para 5,7% na União Europeia e 5,3% no G-20. (. . . ) No total, a economia da Internet no G-20 vai quase dobrar entre 2010 e 2016.

Este crescimento é alimentado em grande parte por dois fatores: mais usuários e acesso mais rápido e ubíquo. O número de usuários ao redor do globo deverá atingir a projeção de 3 bilhões em 2016, partindo de 1,9 bilhões em 2010. A ampliação do acesso, particularmente através de smartphones e outros equipa- mentos móveis, e a popularização das redes sociais são outros componentes do impacto da Internet." (DEAN et al., 2012, p. 6)

A disrupção de mercados alavancada pelas plataformas digitais ainda está em fase inicial. Especialistas apontam que, com o estabelecimento e popularização da chamada Internet das Coisas (Internet of Things em inglês), muitas oportunidades de negócios devem surgir. As

empresas estabelecidas devem estar atentas para não serem disrompidas. Ao contrário, devem envidar esforços no sentido de liderar esta onda de inovação que está aos poucos se firmando. Gurus desta tendência da tecnologia afirmam que, ao prover conectividade a objetos do dia a dia, sejam eles carros, eletrodomésticos, equipamentos esportivos ou qualquer outro, é possível instalar sensores nestes itens, o que permite a obtenção de uma imensidão de dados que podem ser interpretados e utilizados como mecanismos para mudar a maneira como as pessoas vivem. Essa mudança no cotidiano das pessoas está sendo alavancada por organizações atraídas pelo mercado que isso deve gerar. Relatórios da McKinsey & Company apontam que existem mais de 10 bilhões de objetos que podem ser conectados até 2020, o que deve gerar um impacto de 6,2 trilhões de dólares na economia mundial até 2025 (BAUER; PATEL; VEIRA, 2014). Empresas estabelecidas podem não só fazer parte da concepção destas novas plataformas digitais que serão requeridas para o desenvolvimento da Internet das Coisas, mas podem também utilizar as ferramentas já existentes para inovar e, consequentemente, manter e até ampliar a presença no mercado.