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Contraintes d’acquisition d’un permis de construire

Dans le document UNIVERSITE ASSANE SECK DE ZIGUINCHOR (Page 103-108)

CHAPITRE II. ANALYSE DE LA PERCEPTION DU PC SELON LES MENAGES

II.2. Contraintes d’acquisition d’un permis de construire

Como já foi dito no segundo capítulo desta monografia, o setor de saúde pública de Rio Branco passou por algumas reformas na gestão do governador Guiomard dos Santos. Neste período a gestante acreana ganhou uma atenção especial por parte do poder público, que lhe ofereceu um novo modelo de atendimento ao parto, a partir da construção da Maternidade e Clínica das Mulheres Barbara Heliodora.

A ideia do governador Guiomard dos Santos em construir a maternidade, de alguma maneira contribuiu para que a vida de algumas mulheres gestantes da capital também sofressem transformações, principalmente ao que se atém a prática do parto.

A Maternidade Barbara Heliodora foi construída e preparada com equipamentos e profissionais capacitados para receber as gestantes acreanas, no entanto o atendimento da instituição se estendia aos serviços de clínica obstetrícia, clínica cirúrgica e clínica médica com seus ambulatórios.108

O ambiente hospitalar em termos de conforto, assepsia e segurança, se diferenciava ao atendimento prestado pelas parteiras tradicionais em Rio Branco. Vale ressaltar que de nenhuma forma o meu objetivo neste trabalho é diminuir o saber ―empírico‖ e o cuidado que a parteira tradicional tinha com a gestante acreana, porém o meu interesse é tentar demonstrar a diferença entre os dois modelos de atendimento à parturiente e ao parto em Rio Branco nos fins de 1940.

A respeito da construção da Maternidade Barbara Heliodora, pode-se dizer que o ato de proporcionar a gestante acreana um atendimento hospitalar, pode ter sido uma maneira que o governador Guiomard dos Santos encontrou para tornar a prática do parto em um ato ―civilizado‖, dentro dos padrões de higiene exigida por uma cidade moderna, segundo o pensamento da época. No entanto ―civilizar‖ o parto não se resumia apenas em levar a gestante para o interior da Maternidade, significava também a interferência na sua vida particular, fazendo com que as mulheres aos poucos fossem abandonando as suas tradições ao que se refere ao costume de ter seu filho em casa assistida por uma parteira tradicional.

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Na primeira metade do século XX, a gestante passa a ser alvo do interesse do poder público. A atenção pela maternidade foi organizada e apoiada em função da saúde infantil e somente a partir de então foi concluída como objeto de políticas especificas e prioritárias. (Mandú, 2002 apud Leister, p.19)109.

No Primeiro Capítulo desta monografia, pudemos observar que o interesse por parte do Poder Público em oferecer um parto hospitalar em Rio Branco iniciou-se na gestão de Hugo Carneiro, com a implantação da maternidade Pró-Matre, e se intensificou no governo de Guiomard dos Santos, com a construção da maternidade Barbara Heliodora.

Na década de 1930, o processo de inserção das gestantes no ambiente hospitalar, foi sendo aceito timidamente pelas parturientes da capital acreana. Nos fins de 1940, com construção da Maternidade Barbara Heliodora a procura por parte das gestantes ao atendimento da Maternidade ainda era bastante reduzido. Nesta época de acordo com a Dra. Laélia, as gestantes, ricas ou pobres eram examinadas e acompanhadas até o penúltimo mês de gestação no posto de puericultura e depois eram liberadas para terem seus bebês na Maternidade Barbara Heliodora, no entanto as parturientes diziam à Dra. Laélia de Alcântara que só procurariam a maternidade se fosse preciso, a preferência era pelo atendimento tradicional das parteiras em ambiente domiciliar.110

Na maternidade Bárbara Heliodora eram poucos os médicos obstetras. Também poucas eram as mulheres que confiavam no trabalho desses profissionais, preferindo ficar sob os cuidados daquelas que aprenderam na prática o ofício. Por esses motivos, as futuras mães que procuravam a Maternidade continuaram a contar com a sabedoria das parteiras na hora de dar à luz.111

Ao analisar a referente citação, fica e evidente que os profissionais de saúde tiveram dificuldades de se estabelecer na cidade de Rio Branco. No entanto a resistência das gestantes em procurar o atendimento hospitalar não foi um acontecimento isolado da cidade de Rio Branco. Em outras cidades do Brasil, a exemplo da Bahia, onde foi implantada uma das primeiras Maternidades do Brasil, os médicos também tiveram dificuldades de se estabelecer. A assistência ao parto no ambiente hospitalar, certamente representava uma novidade para a população do Acre, tendo em vista que o hábito de parir em casa era muito comum na

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LEISTER, Nathalie. Transformações no modelo assistencial ao parto: história oral de mulheres que deram à luz nas décadas de 1940 a 1980. Dissertação de (Mestrado) – Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo, 2011. p.172.

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cidade. ―As pessoas simplesmente não aceitavam a Maternidade, achavam longe, reclamavam de todo jeito. Mas depois passou a ser chique ter filhos ali‖.112

A história da obstetrícia no decorrer de sua trajetória presenciou várias vezes essa resistência ao atendimento médico por parte da gestante. Não é de se estranhar, o receio por parte da gestante ao atendimento médico hospitalar, afinal de contas essa nova proposta de atendimento ao parto, chegou para a parturiente como algo novo e desconhecido, portanto sujeito a sofrer rejeições. Foi necessário haver um minucioso trabalho de aproximação por parte dos profissionais de saúde, para que aos poucos a gestante fosse se sentindo segura e a vontade para buscar o atendimento médico e aos poucos ir abandonado o atendimento tradicional, na qual ela já estava acostumada. Podemos entender essa resistência das parturientes ao atendimento hospitalar como uma forma de resistência ao controle médico e politico no espaço privado e a intervenção sobre os corpos individuais.

No Acre, esse trabalho de aproximação entre os profissionais de saúde e a gestante pode ser observado, em especial na forma de atendimento que a Dra. Laélia, tinha com as parturientes, que de tão querida por elas, chegou até ser madrinha de algumas crianças que nasceram com a ajuda de seu atendimento médico.

A primeira criança a nascer na Maternidade Barbara Heliodora, foi batizada com o nome da instituição, no entanto cerca de oito meninas são tidas como sendo a primeira Barbara nascida na Maternidade. O senhor João Vaz da Silva, um antigo funcionário da Maternidade disse em entrevista que “a primeira Bárbara nasceu morta”113, um dia depois da inauguração da Maternidade, na manhã do dia 08 de setembro de 1950. Seu João Vaz explica que aconteceu um acidente com a mãe da primeira menina que nasceu na instituição, durante a madrugada quando estava a caminho da maternidade sobre um cavalo, foram surpreendidos por um temporal.

Um galho de arvore ao ser quebrado pela ventania, atingiu em cheio a mulher que ficou gravemente ferida. Devido ao estado debilitado que a mulher se encontrava ao chegar ao hospital ela teve a criança, que nasceu morta. Foi por esse motivo que o diretor da Maternidade, o Sr. Bastos, transferiu os prêmios que seriam ofertados para a primeira menina que nascesse na instituição para a segunda menina que nasceu no mesmo dia com vida as três horas da tarde na Maternidade e Clinica das Mulheres Barbara Heliodora. A premiação dava direito a mãe e a criança a ficarem internadas no apartamento de ―renda‖ e usufruírem de

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algumas vantagens preparadas pela direção da instituição para aquela ocasião. A Maternidade Barbara Heliodora, disponibilizava 03 apartamentos para aquelas mulheres que queriam ter um maior conforto antes e após o parto, os apartamentos mais luxuosos eram denominados apartamento de ―renda‖. Nestes locais ficavam somente aquelas pessoas que tinham um melhor poder aquisitivo. Fora os luxuosos ainda existiam uns mais simples que custavam um pouco menos enquanto o internamento no apartamento de ―renda‖ custava cerca de Cr$ 100, os mais simples custavam em média de Cr$ 30. Havia ainda a sala de indigência para aqueles que não tinham condições de pagar para ficar em apartamento, nesta sala a internação era totalmente gratuita. 114 Aqui é interessante observarmos que a organização dentro da instituição é a mesma do espaço público entre áreas centrais e periféricas.

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