O sucesso escolar dos alunos está efectivamente dependente não só das suas capacidades inatas mas, essencialmente, das experiências de aprendizagem que lhes são proporcionadas e que permitem o desenvolvimento de determinadas competências. Facto é que só será possível que os alunos desenvolvam determinadas competências se experienciarem situações de aprendizagem adequadas e significativas.
Para que tal objectivo se cumpra, é necessário que os alunos:
Experimentem situações estimulantes e que, através da manipulação e interacção com objectos, consigam realizar actividades exploratórias confrontando as suas concepções com o novo conhecimento, construindo o novo saber activamente – aprendizagens activas;
Estabeleçam conexões entre os seus conhecimentos, experiências e vivências prévias e/ou necessidades e interesses pessoais e os conteúdos programáticos. Só assim as aprendizagens se constroem significativamente – aprendizagens significativas;
Experimentem diversas técnicas, materiais e processos, pois só assim é possível que cada aluno consiga alargar o seu conhecimento e adequar as aprendizagens à sua individualidade – aprendizagens diversificadas;
Integrem a sua cultura nas novas aprendizagens, convergindo diferentes áreas do saber e deste modo obter uma visão mais flexível e unificadora das outras culturas e opiniões – aprendizagens integradas;
Interajam socialmente com outras formas de saber desenvolvendo hábitos de partilha de informação e inter ajuda, formação crítica, solidária, democrática e moral – aprendizagens socializadoras (ME – DEB, 2001).
São muitos os teóricos que, nos seus estudos, salientam a importância do papel activo do aluno e das interacções sociais na construção do conhecimento, a essência do construtivismo social. A assunção de uma perspectiva sócio-construtivista da aprendizagem na escola realça, também, a necessidade de desenvolvimento de projectos que envolvam alunos e professores em comunidades de aprendizagem, que estejam intimamente relacionadas com a vida do quotidiano tornando, deste modo, as aprendizagens mais motivantes e significativas. Nesta perspectiva, os
alunos assumem a responsabilidade da sua própria aprendizagem desenvolvendo competências metacognitivas que lhes permitam organizar e orientar a sua aprendizagem (Katz et al., 1997).
A aprendizagem é um processo contínuo relativamente ao qual o estudante deve ter plena consciência e responsabilidade, assumindo uma participação voluntária e empenhada (Papert, 1997; Gibbs, 1998). Ao revelar voluntarismo e empenho, a criança mostra que está motivada e estimulada podendo participar activamente nas actividades, principalmente se estas comportarem as suas próprias experiências e realidades.
O diálogo é um elemento fundamental na participação activa em aprendizagens colaborativas e indispensável para suportar a negociação e a criação da significação e da compreensão. Perante um problema, deve fazer-se uma análise conjunta derivada de diferentes perspectivas, negociando e produzindo soluções com base na compreensão partilhada. Os alunos serão envolvidos no processo de tomada de decisão, podendo avaliar as suas capacidades.
Defende-se uma aprendizagem orientada, aprendizagem essa que se constitui o centro do processo educativo (Nóvoa, 2009).
O conceito de projecto, no contexto educativo, apresenta-se como um trabalho realizado em grupo e representa uma intenção entusiasmante por todos os participantes (Gaspar, 2009). No trabalho em grupo, é definido um objectivo a prosseguir e todos os alunos devem interagir e contribuir para o êxito da actividade. Cada elemento do grupo é responsável quer pela sua aprendizagem quer pela aprendizagem dos restantes elementos, assumindo o cumprimento integral da sua tarefa partilhando o seu trabalho e recebendo as contribuições dos restantes elementos.
Gaspar (2009) refere que o trabalho em grupo permite ainda desenvolver: ―a auto- expressão, a autoconfiança, o espírito crítico e de autocrítica, as capacidades de auto e heteo- avaliação, o estabelecer de relações interpessoais, a responsabilidade pessoal e a educação para a responsabilidade colectiva‖ (8).
A Área de Projecto desenvolve-se em grupo, logo em confrontos, com conflitos cognitivos, com questionamentos, conversas e debates de ideias e pontos de vista diferentes. Cada um constrói o conhecimento mas esta construção faz-se num processo de interacção com os colegas (nos pequenos grupos formados ou no grupo turma), com o professor, com a instituição escola e/ou com a comunidade.
Leite et al. (1989) afirma que "ao implementarem projectos, os alunos compreendem os efeitos e as vantagens das aprendizagens e do seu significado nas suas histórias de vida.‖ (51).
Na Área de Projecto, o grupo implica-se na concretização de uma intenção, realizando um desejo. Como refere Leite et al. (1989), o projecto “envolve trabalho de pesquisa no terreno,
tempos de planificação e intervenção com a finalidade de responder a problemas encontrados, problemas considerados de interesse pelo grupo e com enfoque social.‖ (140).
As mesmas autoras salientam que a Área de Projecto:
―faz apelo à rentabilização da experiência pessoal e profissional; à implicação dos participantes com entusiasmo e disponibilidade; à criatividade; ao sentido de responsabilidade; à capacidade de trabalho em grupo; a um espírito de aventura, de enfrentar riscos; à abertura de novas ideias; à flexibilidade; à interdisciplinaridade; à pluridimensionalidade dos problemas; à dinâmica teoria - prática; à capacidade de pesquisar; à experimentação de métodos e técnicas diversificados, privilegiadamente qualitativos (observação, entrevistas, inquéritos com perguntas abertas, histórias de vida, análise de conteúdo, etc).‖ (134).
Também Gaspar (2009) faz referência à importância do trabalho de campo que ―estimulando a tomada de iniciativas, introduz rupturas na organização uniforme das aulas, proporcionando alternativas. As condições de aprendizagem passam por um ambiente de optimismo pedagógico, auto-confiança, discurso positivo, estimulador, calmo, respeitador, participativo, que se traduz em narrativas consentâneas.‖ (6).
Outro aspecto muito importante a reflectir é a motivação das crianças e dos jovens envolvidos nesta metodologia. Mobiliza-se uma motivação intrínseca, mais centrada em necessidades internas, no prazer de aprender e de realizar as propostas de trabalho do que em função de motivações extrínsecas, mais centradas na recompensa por classificações, prémios e outras (id). Assim, ajudam as crianças e jovens a ultrapassarem dificuldades pessoais (a timidez, o receio, a insegurança, a capacidade de suportar a frustração) ao mesmo tempo que promovem a confiança, a autonomia, a valorização pessoal e desenvolvem a auto e hetero-crítica.
No estudo de Santos (2006), verificou-se que ―os alunos fizeram trabalhos de acordo com os seus interesses, tendo realizado aprendizagens diversas e tendo-o feito com gosto (…) ao demonstrar a motivação (…) querendo participar novamente noutros projectos de simulação global na Internet.‖ (233).