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1.2 Reconnaissance de caract`eres isol´es

1.2.3 Classifieurs

Foi por volta de 1970 que se começaram a dar os primeiros passos na constituição da Internet, através da evolução de um projecto do U.S. Department os Defense – Advanced Research Projects Agency. Os computadores do Departamento de Defesa dos EUA foram ligados em rede e em 1973 foi criado um protocolo denominado por TCP/IP que permitiu o alargamento das ligações para outras instituições públicas e privadas (Sousa, 2005). Nesse mesmo ano, foi efectuada a primeira ligação internacional entre os EUA, a Inglaterra e a Noruega (id).

Nos finais da década de 80, início da década de 90, assistiu-se a uma explosão da Internet, devido sobretudo à WWW (World Wide Web), uma rede de computadores que contém milhões de documentos, as chamadas páginas Web, unidos entre si através de hiperligações. A facilidade de ―navegação‖ entre as páginas e a possibilidade de encontrar informação em textos, imagens, sons, vídeos e outros formatos, fizeram da WWW um êxito à escala mundial (id).

De acordo com o mesmo autor, a Internet ―é uma rede global, que consiste em milhares de redes independentes de computadores, de empresas privadas, entidades governamentais e instituições científicas e educativas.‖ (id).

É importante perceber que a Internet e a World Wide Web ou simplesmente a Web, são coisas distintas. Segundo Viseu (2003), referido em Carrilho (2006), ―a Internet pode ser definida como uma rede de computadores a nível mundial que usam a mesma linguagem, que permite a disponibilização de serviços de troca de informação e comunicação, tais como a Web, o correio electrónico e os grupos de discussão‖ (25). Por outro lado, ―a Web, criada por Bernes-Lee, consiste num sistema de páginas de hipertexto (são assim denominadas por associarem referências, ou ligações, a outros documentos no próprio texto) e multimédia à escala mundial, acessível em qualquer computador por meio de programas de navegação – browsers‖ (Azul, 2004

cit. in Carrilho, 2006: 26).

Na imensidão de milhões de páginas que compõem a WWW, nem sempre é fácil encontrar a informação desejada. Os motores de pesquisa e os portais são fundamentais para

facilitar a navegação pois permitem encontrar sites relacionados com o tema pretendido. Os motores de pesquisa e os portais, mais abrangentes, podem ser generalistas ou mais vocacionados para determinados temas. No nosso país, destacam-se o http://www.sapo.pt ou o http://www.aeiou, http://www.terravista.pt ou http://www.clix.pt. A nível internacional, sobressaem o http://www.yahoo.com, http://www.google.com ou o http://www.altavista.com.

O aparecimento da Internet e da Web conduziu a mudanças muito significativas no sistema educativo, principalmente pela fonte inesgotável de informação, que até então só era possível encontrar em bibliotecas. De acordo com D´ Eça (1998):

―Recorrer à Internet significa derrubar as paredes da sala de aula e deixar a comunidade exterior invadir (de uma forma saudável) aquele espaço até agora perfeitamente delimitado e limitado. (…) Falar de Internet é falar de uma sala de aula sem paredes, de uma gigantesca biblioteca, de uma gigantesca base de dados, de um gigantesco museu, de um incomensurável volume de informação, de uma interacção sem precedentes de computadores e pessoas, acessível vinte e quatro horas por dia.‖ (cit. in Carrilho, 2006: 40).

Miranda (2009), com base num texto de Ricardo Inácio, refere que ―A evolução da Internet permitiu abrir as portas da Escola, valorizando e diversificando processos de interacção, de produção e de divulgação de conhecimento.‖ (155). O mesmo autor destaca, ainda, algumas funcionalidades que a Internet pode ter no ensino: como fonte de informação e recursos, como apoio ao ensino presencial, como derrube das barreiras geográficas e temporais, como novo modelo de aprendizagem, como fonte de comunicação, como facilitador da interacção e de uma aprendizagem colaborativa. (id). Relativamente à primeira funcionalidade, a Internet é vista como uma fonte inesgotável de informação e materiais educativos e que vai muito mais além do que qualquer escola muito apetrechada pode oferecer. Para além disto, tem a vantagem de disponibilizar informação actualizada, instantânea, motivante e de alcance mundial (id).

No que diz respeito aos recursos disponíveis, através da Internet é possível ter acesso a

softwares e pequenos programas – applets – educativos que, de outra forma, era difícil obter

devido ao seu elevado custo.

Para além destas, existem outras mudanças que importa referir. Uma delas situa-se ao nível do papel do professor que passa a partilhar juntamente com a Web o lugar de ―fonte de informação‖. D´ Eça (1998) citado por Carrilho (2006) afirma:

―a inserção da net na sala de aula tem outra faceta muito peculiar – ela põe alunos e professores em pé de igualdade. O professor deixa de se ser o detentor do saber e o ―debitador de matéria‖ para se tornar um facilitador, um guia, um orientador da construção do conhecimento, a quem o aluno recorre quando necessita. Gera-se um ambiente de aprendizagem em comum que tem como consequência um relacionamento mais natural e próximo entre alunos e professores. Os alunos (que já nasceram com estas tecnologias e têm uma intuição muito forte para elas) podem mesmo ajudar professores, com benefícios daí resultantes. É o caminhar para a democratização do processo de aprendizagem‖ (41).

O mesmo autor acrescenta que a utilização da Internet ―gera novos tipos de aprendizagem, mais centrada no aluno (…), mais baseada em projectos (…), mais baseada em investigação e em resposta a questões (…). É uma aprendizagem participativa, activa, dinâmica, na qual o aluno vai construindo o seu próprio conhecimento‖ (id: 41).

Carrilho (2006) refere Dias & Gomes (2004) que consideram a Web como um meio eficaz para a transformação da informação em conhecimento, uma vez que permite ao aluno, por um lado, o acesso à rede de informações e, por outro, porque é uma ferramenta para o desenvolvimento de interacções entre as representações da comunidade, facultando, assim, a contextualização e mobilidade das aprendizagens.

Não obstante estas primazias, os professores também não devem esquecer que ―...a utilização educativa de um meio poderoso como a Internet tem de ser equacionada em função dos alunos concretos, das condições reais de trabalho e do projecto educativo da escola e do grupo disciplinar onde o professor se insere‖ (Ponte et al., 2003: s/p).

Alguns estudos levados a cabo por muitos investigadores comprovam que o acesso à Internet na escola traz muitas vantagens tanto para alunos, como para professores e para o próprio processo de ensino e aprendizagem.

Numa investigação levada a cabo por Lobo (2004) sobre a utilização da Web com crianças do 1º Ciclo do Ensino Básico, conclui-se que, na maioria dos alunos envolvidos, foi possível verificar uma evolução de afluência e apetências tecnológicas no que respeita à navegação na Web. Os alunos sentiram-se mais motivados nas sessões em que acediam à Web, manifestando vontade de continuar a fazer pesquisas em situações futuras. Além disso, consideraram simples aprender a trabalhar na Web e que esse trabalho facilitou a aprendizagem do assunto em estudo.

Este estudo corrobora as conclusões de um outro estudo realizado por Oliveira (2002) sobre estratégias de pesquisa na Web com alunos do 1º Ciclo do Ensino Básico. Os alunos envolvidos nesta investigação demonstraram uma crescente apetência para fazer pesquisas na Web, sendo que os seus conhecimentos prévios neste campo eram praticamente nulos. Não revelaram grandes dificuldades de orientação e navegação nas páginas, revelando cada vez mais autonomia nesse trabalho. No final do estudo, a investigadora concluiu, também, que os objectivos foram claramente atingidos e que a pesquisa na Web desenvolveu competências tecnológicas e específicas nos alunos envolvidos.

Analisando os resultados destas investigações, torna-se evidente que a utilização da Internet e em especial da Web proporciona um ambiente de aprendizagem mais motivante pois incentiva o gosto pela pesquisa, a busca pelo desconhecido, a criatividade, a interacção e a cooperação de saberes.