de decisão estratégica. Estes fatores, como já referido, embora tenham dimensões diferentes, estão muitas vezes agrupados em modelos que permitem ao gestor analisar o processo de investimento através da relação dos mesmos e não separadamente.
No entanto, muitos desses modelos eram bastante teóricos sendo que, algumas vezes, não forneciam categorias de avaliação específicas. Portanto, diferentes autores tentaram construir modelos que explicativos práticos da tomada de decisão.
Por exemplo, o estudo de Teplensky et al. (1995) tinha como objetivo construir um modelo que integrasse e verificasse três dimensões determinantes na tomada de decisão em grupo identificadas pelos autores como sendo as dimensões fiscal-gerencial, estratégica-institucional e médico-individualista. Nenhuma das perspetivas conseguiu, no entanto, explicar a adoção de tecnologia por parte dos hospitais satisfatoriamente, na medida em que não são perspetivas mutuamente exclusivas, mas antes complementares (Teplensky et al., 1995). Numa primeira parte, os autores defendem que os hospitais devem a sua motivação aos potenciais lucros aquando da redução do tempo de espera, redução da intensidade tecnológica e procura de pacientes mais lucrativos pelo sistema de GDHs. A segunda perspetiva, denominada pela proeminência tecnológica, baseia-se na crença de que os hospitais adotam novas tecnologias, independentemente dos custos associados, de forma a aumentarem e melhorarem a sua imagem como líderes tecnológicos, atraindo tanto profissionais como pacientes. Nesta dimensão está presente a estratégia de diferenciação baseada na liderança tecnológica. A mudança tecnológica e as expectativas acerca das inovações futuras têm assim uma grande influência na decisão da adoção de investimentos tecnológicos para o hospital. A terceira perspetiva tem um enfoque na prestação de serviços de acordo com a equipa médica do hospital, ou seja, os hospitais e os profissionais que neles operam adotam novas tecnologias com base nas suas convicções daquilo que são as melhores práticas clínicas para o conjunto de pacientes que atendem, mesmo que haja alternativas a nível financeiro, competitivo ou de prestígio. Esta dimensão pressupõe que as instituições atuem de acordo com as solicitações médicas e que os profissionais tomem decisões exclusivamente com base no melhor critério de cada um. Desta forma, a decisão de investimento do hospital pode resultar de um conjunto de solicitações por parte dos profissionais ou dos objetivos da administração (Teplensky et al., 1995). Com isto, o modelo criado mostra que a incerteza tecnológica não constitui
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um impedimento na adoção de equipamento tecnológico e se houver uma alteração da ênfase para os Serviços de alta tecnologia, permanecendo as outras condições iguais, a probabilidade de adoção quase duplica (Teplensky et al., 1995).
Outros modelos são referidos na literatura, que acabam por ser a combinação uns dos outros ou a alteração/introdução de variáveis novas. Ahmadi (2015) fez uma compilação destas frameworks, na necessidade de criar uma que reunisse todos os fatores preponderantes para o processo de investimento. No seu estudo referiu os modelos TRA, TAM, TPB, UTAUT, DOI, TOE, HOT, e dedicou especial atenção aos modelos:
TOE (Technology, Organization, Environment Framework) - Segundo
esta perspetiva o processo pelo qual uma organização implementa inovações tecnológicas é influenciado pelo contexto tecnológico, organizacional e ambiental.
HOT (Human, Organization Technology fit model) – esta estrutura estava associada a um conjunto de dimensões abrangentes e à medição do sistema de informação em saúde. Este sugeria que quanto mais ajustamento houvesse entre a tecnologia, a dimensão humana e a organização, mais potencial era percebido em relação ao sistema de informação.
Ahmadi procedeu à junção dos dois modelos dando origem ao HTOE (Human,Technology, Organization, Environment) no qual, na dimensão humana, introduzia os fatores de grau de inovação e competência técnica percebida. Este modelo resulta dos estudos anteriores e aos quatro contextos diferentes identificados, e representa tudo o que influencia estatisticamente a decisão de adoção das inovações tecnológicas, no que diz respeito à indústria de saúde. A figura 3 abaixo apresentada é uma esquematização das dimensões que o autor considera de maior relevância para os decisores.
62 Gráfico 5 – Modelo de pesquisa conceptual. Fonte: Ahmadi et al. (2015).
Trata-se de um modelo de orientação informativo relacionado com os decisores e com o objetivo de promover a melhor decisão de adoção de tecnologia possível no contexto dos hospitais públicos. Contudo, deste modelo o autor mostrou que a competência técnica percebida era o fator de maior importância na dimensão humana; na dimensão tecnológica prevaleceu a vantagem relativa; da dimensão organizacional, o fator de maior importância foi o tamanho hospitalar; e na dimensão ambiental tratou-se da política do governo. Ahmadi realça a importância destes fatores não serem negligenciados no estudo de um processo de investimento (Ahmadi et al., 2015).
Existe ainda uma metodologia que auxilia a tomada de decisão acerca da tecnologia médica através de uma equipa de avaliação de tecnologia. Ao contrário dos anteriormente apresentados, esta metodologia não privilegia as dimensões de interesse para a aquisição de determinado equipamento, mas antes o melhor processo para ser tomada a decisão.
O comité multidisciplinar de avaliação de tecnologia foi proposto por Uphoff et al. (1997) e funciona em três fases distintas. A primeira fase envolve o processo de planeamento de capital de forma a incluir os elementos essenciais para a avaliação da tecnologia, para a formação do comité; este comité passa a utilizar uma abordagem multidisciplinar que envolve a participação dos médicos neste processo e aplica os critérios de avaliação de acordo com a missão, visão e planeamento estratégico da organização; a fase dois inclui a realização de um inventário de tecnologia e a avaliação da tecnologia depois da sua aquisição; a fase três envolve o desenvolvimento por parte
Decisão para adoção de tecnologia Humana • Grau de Inovação • Competência Técnica Percebida Tecnológica • Vantagem relativa • Compatibilidade • Complexidade Ambiental • Competição do mercado • Apoio do fornecedor • Políticas governamentais Organizacional • Centralização • Formalização • Tamanho • Ínfraestrutura • Apoio da Gestão de Topo
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do comité de um planeamento estratégico de tecnologia que inclui a identificação de novas tecnologias que vão de encontro às necessidades dos Serviços (Uphoff et al., 1997).
Decisão para fazer pedido de capital
Pedido completo em requerimento e submetido ao comité de planeamento de capital
É indicada a avaliação de tecnologia?
Comité de avaliação de tecnologia
Aplicação de triagem inicial
Avaliação da tecnologia
Considerar subcomité ou ad hoc (revisão de literatura, recolha de
dados)
Aplicação de questões chave
Decisão (sim ou não) de recomendar a aquisição
Supervisão para a implementação e avaliação
Aplicação do processo de tomada de decisão de capital
Decisão tomada de acordo com o pedido
Aquisição de nova tecnologia
Não o Sim Sim Não o Sem avaliação de tecnologia
Fluxograma 1 - Fluxograma do planeamento capital e avaliação tecnológica de Uphoff et al., 1997. Fonte: (Longest et al., 2000).
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