• Aucun résultat trouvé

Constats sur la trajectoire du mouvement entre 2000 et 2010

Chapitre 1. Introduction générale

1.2 Construire l’objet d’étude : le mouvement antiautoritaire au Québec

1.2.3 Constats sur la trajectoire du mouvement entre 2000 et 2010

Existe uma grande confusão em questão da utilização dos termos para referir-se ao palhaço. Seu famoso arquétipo (as roupas desproporcionais, a maquiagem e o nariz vermelho) tornou-se conhecido através do circo moderno, no entanto, como vimos, são várias origens distintas que culminaram na conhecida imagem de hoje. O que há em comum entre todas as denominações é que ambas se referem aos personagens que têm na comicidade sua principal característica.

O palhaço não é um personagem exclusivo do circo. Foi no picadeiro que ele atingiu a plenitude e finalmente assumiu o papel de protagonista. Mas o nome palhaço surgiu muito antes do chamado circo moderno. Aliás, seria melhor dizer “os nomes”. Uma das grandes dificuldades que a maioria dos autores encontra ao estudar a origem dos palhaços está na profusão de nomes que essa figura assume em cada momento e lugar. Clown, grotesco, truão, bobo, excêntrico, Tony, Augusto, jogral, são apenas alguns dos nomes mais comuns que usamos para nos referir a essa figura louca, capaz de provocar gargalhadas ao primeiro olhar (CASTRO, 2005, p. 11).

No Brasil, os termos “clown” e “palhaço” são frequentemente utilizados para a mesma figura. “Palhaço” também é visto apenas como a tradução literal da palavra “clown”, no entanto, ambas possuem origens etimológicas distintas. Segundo Castro,

Clown é uma palavra inglesa derivada de colonus e clod, palavras de origem latina que designam os que cultivam a terra, a mesma origem da portuguesa colono. Clown é o camponês rústico, um roceiro, um simples, um simplório, um estúpido caipira. De início, o sentido era apenas o de roceiro, mas a conotação pejorativa vai se entranhando aos poucos e clown passa a identificar um roceiro estúpido e bronco (2005, p. 51).

A origem do termo “clown” indica, portanto, suas origens populares de alguém vindo do campo não adaptado ao conjunto de regras sociais “oficiais” (assim como os bufões) compartilhados pela burguesia e pela aristocracia. Os clowns são, portanto, a representação do homem simples, camponês, rústico, típico das camadas populares. O termo se populariza uma vez que a representação do clown, associado ao homem rústico e popular, se deu principalmente pela expansão do circo moderno com Philip Astley. Já o “palhaço” teria vindo de um segundo nome dado ao Zanni (CASTRO, 2005), personagem da Commedia dell'arte que se popularizou junto com o formato teatral. Segundo Burnier, o termo “palhaço”

vem do italiano paglia (palha), material usado no revestimento de colchões, porque a primitiva roupa desse cômico era feita do mesmo pano dos colchões: um tecido grosso e listrado, e afofada nas partes mais salientes do corpo, fazendo de quem a vestia um verdadeiro “colchão” ambulante, protegendo-o das constantes quedas (2009, p. 205).

Uma das diferenças possíveis sobre o uso dos dois termos hoje pode ser vista como o “palhaço” sendo relacionado ao circo, enquanto o “clown” estaria mais relacionado ao teatro (MACHADO, 2005, p. 9), mas essa leitura varia de acordo com o campo de utilização analisado. Nos circos brasileiros, o termo clown não é comumente utilizado pelos artistas nem pelos espectadores. Existe, portanto, uma associação mais profunda do termo “palhaço” com a arte popular circense. Sobre esta diferença, Cláudio Thebas comenta:

Muitas pessoas falam palhaço, outras preferem dizer clown. Parece até que são duas profissões diferentes. Mas não é bem assim. O que existe é palhaço, e ponto. Quando alguém diz que é clown, está contando que é palhaço, sim senhor, e que estudou pelo método teatral. É que aqui no Brasil a palavra clown está associada à escola de teatro que é diferente da escola de circo (2005, p. 70).

O Autodenominado “Payaso terceromundista”, o argentino Chacovachi, em oficina realizada em João Pessoa – PB no ano de 2012 foi perguntado sobre a diferença entre ambos os termos e associou o clown a um estilo mais europeu cuja performance era mais relacionada à graciosidade e a técnica. O “palhaço”, por outro lado, seria mais “livre” e mais próximo das pessoas. Chacovachi utiliza “palhaço” como desígnio de sua profissão como artista de rua enquanto o clown seria apenas uma modalidade técnica teatral10. Os termos causam confusão,

pois o próprio Chacovachi se apresenta não apenas nas ruas, mas também em teatros. Como já dito, a preferência pelos termos podem variar de acordo com o contexto, com o campo artístico e com o artista.

Partindo destas citações podemos considerar, portanto, que “clown” e “palhaço” podem ser utilizados para designar a mesma figura, apesar de existir uma grande diversidade de termos que também podem ser empregados e de não existir uma regra em absoluto para sua utilização, pois, dependendo do campo, os termos podem ser mais comuns ou raros. Um destes termos é o “escada”, papel desempenhado por um palhaço ou pelo mestre de pista como “apoio” para a comicidade do outro palhaço. Outro termo utilizado antigamente é o 10

A oficina ministrada por Chacovachi foi oferecida através do evento II Balaio Circense e era destinada a artistas e curiosos sobre a arte de rua e do palhaço. Na ocasião, participei na condição de aprendiz de palhaço uma vez que tive nestas oficinas, mesmo antes de me tornar pesquisador, oportunidades de conhecer mais sobre o tema.

“Mr. Merryman” (Senhor Homem-alegre) como eram chamados os primeiros palhaços a realizarem os diálogos com Astley (CASTRO, 2005). A diversidade de nomes é bastante grande. Só no Brasil, alguns dos sinônimos levantados por Sacchet (2009, p. 146) são: Crou (na tentativa de falar Clown); Cômico; Excêntrico; Tony de Camerino (palhaço de camarim), Mateus, Velho e Bastão (brincantes de festas, folias e folguedos nacionais) entre outros. Podemos ainda incluir na lista o “bufão” e o “bobo” (da corte) que por vezes são resgatados como referência para o palhaço. Essa lista se expande significativamente se pensarmos a função do palhaço, do cômico, nas mais diversas culturas. Como exemplo, aqui mesmo no Brasil existe o “Hotxuá”, que desempenha para a tribo Krahô do Tocantins a mesma função que o palhaço (SACCHET, 2009).

Existe, portanto, uma diferenciação entre os termos em questões de contexto, espaço, período, campo entre outros diferenciadores, no entanto, todos podem ser considerados como sinônimos, afinal, como diz Castro,

É tudo cômico! Bufão, palhaço, merryman, grotesco, clown… O importante para o nosso estudo é perceber que, nesse “novo” tipo de espetáculo que surge na Inglaterra e logo, logo toma conta de toda a Europa e das Américas, o cômico vai assumir um papel preponderante e se desenvolver em múltiplas formas, mas mantendo uma identidade clara e indiscutível. Surge o palhaço de circo. O sábio bobo, o bobo esperto, o tonto, o astuto, o astuto tonto… tudo junto e coerente na sua incoerência intrínseca (2005, p. 55).

Para este trabalho utilizo, principalmente, o termo “palhaço” por estar muito mais presente no campo pesquisado, no entanto, sua preferência também se dá por sua proximidade às raízes populares do personagem, uma vez que o termo “clown”, no Brasil, é mais comumente associado ao campo teatral. Mesmo com essa diferença, os termos “clown” e “palhaço” ainda podem ser considerados como sinônimos já que “palhaço e clown são termos distintos para se designar a mesma coisa.” (BURNIER, 2009, p. 205). Uma vez que busco analisar a construção sociológica do palhaço tendo o circo popular como recorte inicial, poderia optar exclusivamente pela utilização do termo “palhaço” e isso justifica sua utilização mais frequente, no entanto, como na afirmação de Castro acima, não pretendo ater-me unicamente a este campo ao abrir a possibilidade de relações e comparações com outros cômicos e outros campos.

Por fim, outro sinônimo comum para o palhaço é o termo “Augusto”.