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Dans le document Rapport annuel 2012 Document de référence (Page 81-88)

mary Douglas nunca se descreveu senão como antropóloga. autora de um grande número de obras, destacou-se na europa e na inglaterra. É considerada uma das mais importantes antropólogas da escola britânica do século XX.

Com o nome de margaret mary Tew, a antropóloga nasceu em san Remo, itália, em 25 de março de 1921. era filha de Gilbert Charles Tew, membro do serviço civil indiano, e Phyllis Twomey. Quando a mãe faleceu, mary Douglas tinha 12 anos e sua irmã mais nova, Patricia, tinha 9. as duas foram morar com os avós maternos. ambas foram educadas no convento sagrado Coração, na in- glaterra. Com as freiras, mary Douglas aprendeu valores importantes para sua posterior reflexão em trabalhos sobre instituições, regras, símbolos e hierarquias, alimentando seu interesse pelos estudos da religião ao longo de toda sua vida (THe meDLaR PRess, s.n.t.).

aos 18 anos, a antropóloga ingressou no St´s Anne College, um dos colégios da Universidade de oxford, para estudar Filosofia, economia e Ciências Políticas, lugar onde recebeu influências do famoso antropólogo e. e. evans-Pritchard, seu mentor, quem a familiarizou com o pensamento sociológico francês. a trajetória

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de mary Douglas na Universidade de oxford se prolongou até 1951. em 1943, graduou-se em bacharel (B.a.) em Modern Greats; em 1947, recebeu seu títu- lo de m.a.; em 1948, B.Sci. (Bachelor of science Degree); e, em 1951, seu Ph.d. (BRUneL UniVeRsiTY LonDon, s.n.t.).

em oxford, mary Douglas foi aluna de max Gluckman, antropólogo so- cial da escola britânica, e meyer Fortes, ambos nascidos na áfrica do sul. ain- da nesta instituição, ela teve contato com os antropólogos africanistas, pro- fissionais importantes, principalmente nos primeiros 15 anos de sua carreira. nesse período, mary Douglas focou suas pesquisas quase exclusivamente à áfrica (TamBasCia, 2008).

no período de 1943 a 1947, foi, também, empregada pelo escritório Co- lonial Britânico (British Colonial Office), mesmo local onde trabalhara seu pai, estando nesse emprego nos anos finais da segunda Guerra mundial. Posterior- mente, com o retorno dos períodos de paz, regressou a oxford para fazer sua pós-graduação em antropologia social.

em 1949 e 1950, como bolsista da International African Institute, a antro- póloga realizou um trabalho de campo no Belgian Congo, atual República Demo- crática do Congo. estudando os povos Lele of Kasai, sociedade matrilinear, mary Douglas se especializou em etnografia dos povos africanos centrais e concluiu seu Ph.D. Três anos depois, retornou ao campo. Um novo retorno acontece 34 anos depois, em 1987. Depara-se com novos contextos e se entristece com a degrada- ção ecológica do local (TamBasCia, 2008).

em 1951, a antropóloga ingressou na University College London como pro- fessora (lectureship), onde ensinou antropologia por aproximadamente 25 anos. Foi em 1970 que a antropóloga conquistou uma cadeira própria na universidade. na University College London, mary Douglas se relacionou com os professores da

Brunel University e com figuras conhecidas da antropologia, como suzette Heald e

adam Kuper (THe GUaRDian, 2007; BRUneL UniVeRsiTY LonDon, s.n.t.). mary Douglas foi uma das poucas mulheres a conseguir uma cátedra na inglaterra. apesar de não ser considerada uma feminista, a antropóloga se preo- cupou, em seus trabalhos, com atividades concernentes aos espaços considerados femininos, como rituais de limpeza doméstica, refeições e eventos com familiares e amigos.

na década de 50, mary Douglas se casou com James Douglas, economista do Departamento de investigação do Partido Conservador. Possivelmente, esse contato com o partido conservador explique algumas preferências políticas de Douglas, geralmente consideradas conservadoras, em uma época em que a an- tropologia preferia se posicionar como radicalmente igualitária.

no mesmo período, nasceram os três filhos da antropóloga: Janet, James e Philip (THe GUaRDian, 2007). mary Douglas não abandona a carreira, mas, através de sua biografia, é notória sua preocupação em acompanhar o crescimento dos filhos nesse mesmo período onde escreve e conclui seu doutorado.

É somente em 1963 que a antropóloga publica seu primeiro livro, sobre sua experiência em campo, The Lele of Kasai. nessa obra, a autora analisa conceitos de poluição, higiene e tabu na áfrica, europa e oriente, procurando sempre re- conhecer os vínculos entre estruturas sociais e modos de pensamento, e a refle- xão desses fatores nos comportamentos simbólicos. os conceitos apresentados nesse livro unem os escritos de mary Douglas às ideias de Durkheim e mauss (TamBasCia, 2008).

apesar de ter sido integrante da University College London de 1951 até 1978, mary Douglas, durante esse período, realizou visitas acadêmicas a várias universi- dades, como Universidade de sorbonne (1967), University of Illinois (1969), Uni-

versity of Chicago (1969), New York University (1978-79), Columbia (1979-80) e

Yale (1980-81) (noRTHWesTeRn UniVeRsiTY LiBReRY, s.n.t.).

Foi nessa mesma época que mary Douglas publicou um grande número de obras, marcadas pelo humor e pela ironia, peculiaridade da autora, por sua formação oxfordiana, que lhe resultou em ideias holistas, anti-idealistas e socio- lógicas, e pelas influências estruturalistas de Durkheim. Dessas obras, podemos considerar duas, que tiveram maior destaque: Pureza e Perigo (1966) e natural symbols (1970).

É importante, também, lembrar a relevância de seus outros trabalhos e sua ampla contribuição para a antropologia. a autora editou vários livros e foi autora de numerosos textos e artigos de opinião que apareceram em publicações como o Times Literary Supplement, New Society, e Journal of the Royal Anthropological

Institute (noRTHWesTeRn UniVeRsiTY LiBReRY, s.n.t.).

Por volta de 1977, a autora estabeleceu-se em nova iorque, onde trabalhou como diretora de pesquisas sobre cultura na Fundação Russell sage. esse é um im- portante centro de pesquisa em ciências sociais dos estados Unidos e financiador de estudos acadêmicos.

em 1981, a autora foi nomeada Professor Avalon na northwestern Univer- sity, em conjunto com o departamento de antropologia e História da literatura e das religiões. mary Douglas se aposentou em 1985, o que não a impediu de con- tinuar publicando suas obras.

mesmo com a idade avançada, na década de 90, a professora continuou a fazer viagens e a escrever. em 2004, seu marido James morreu. e no dia 16 de

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maio de 2007, aos 86 anos de idade, é ela, uma das mais importantes antropólogas britânicas, quem falece (THe GUaRDian, 2007).

É possível encontrar várias biografias a respeito dessa respeitável antropóloga, assim como reflexões, debates e críticas sobre o que escreveu. as ideias de mary Douglas, suas notórias percepções e analogias brilhantes perpetuam-se após seu falecimento e ainda alcançam os estudantes de antropologia de todas as fases em vários lugares do mundo.

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