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Conclusions et perspectives

Cesar de Alencar Leme de Almeida (Girassol Comunicações) Maiara de Medeiros (Girassol Comunicações)

METODOLOGIA

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O critério de seleção para a escolha dos entrevistados em cada setor foi feito de acordo com a participação e importância de cada membro nas etapas de desen- volvimento das peças de merchandising, bem como, a garantia de abrangência da maioria dos setores envolvidos.

Os convites foram feitos por telefone e e-mail e agendados de acordo com a con- veniência e agenda dos entrevistados.

Foram elaborados três roteiros (Apendice A, B e C), com a base do seu setor; contudo algumas questões específi cas foram aprofundadas, levando em consideração a participação do entrevistado/informante com a etapa de maior envolvimento. Abriremos mão da padronização para um maior aprofundamento das entrevistas, permitindo que reformulemos algumas questões no momento para adequá-la à compreensão da pes- quisa.

Até o fechamento desta pesquisa, não foram recebidos os questionários; enviado ao Eduardo Nogueira da empresa Redecard e o questionário enviado ao César de Alen- car Leme de Almeida da empresa Girassol Comunicações. Mais uma vez percebe-se que as relações, as culturas e a disponibilidade são diferentes entre os grupos.

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...A moderna sociedade burguesa, uma sociedade que desenvolveu gigantescos meios de troca e produção, é como o feiticeiro incapaz de con- trolar os poderes ocultos que desencadeou com suas fórmulas mágicas[...]

Eric Hobsbawm

Neste item, procurou-se resumidamente, contextualizar o cenário da socieda- de contemporânea e sua relação com o consumo. Ao escrever A Era dos Extremos, o historiador inglês Eric Hobsbawm enfrentou o desafio de interpretar o que chamou de o “breve século XX”. Sua obra contribuiu para apresentar a descrição de eventos e de fatos econômicos e sociais; a cultura do século XX, o surgimento de novos gru- pos sociais, o culto à personalidade, o imperialismo, o comunismo etc, transitando pelas principais atividades humanas no século abordado, nas mais diversas regiões do planeta.

A princípio, pode-se imaginar que os “extremos” referidos pelo autor são os dois lados da bipolarização, da divisão do mundo em dois blocos, liderados pelas superpotências (EUA e URSS). Os “extremos” representam mais uma das faces ex- tremadas que se colocaram à mostra no breve século. Acima dessa possibilidade residem diversas máscaras daquilo que o autor chama de “extremo”; talvez a mais potente delas seja a violenta contraposição entre riqueza e miséria, progresso cien- tífico e barbárie humana. O mesmo século que produziu muitas riquezas tratou de agrupá-las em restritos campos do globo, e mesmo nestes, em poucas mãos.

Pode-se observar que, desde o século passado, estamos convivendo com problemas como a distribuição de renda. Em decorrência desse e de outros fatos, o ambiente do planeta vem se transformando e, atualmente, está chegando a um ponto crítico, no final não pode ser mais mantida a lógica dominante. Surge, então, a necessidade de buscar alternativas que minimizem os impactos ambientais e as desigualdades sociais. Essa necessidade tem levando alguns grupos da sociedade a questionar nossos estilos de vida, trazendo para o centro da discussão as práticas insustentáveis de produção, distribuição e consumo.

Segundo o Tratado sobre Consumo e Estilo de Vida, deve-se observar que:

Os mais sérios problemas globais de desenvolvimento e meio am- biente que o mundo enfrenta decorrem de uma ordem econômica mundial caracterizada pela produção e consumo sempre crescentes, o que esgota e contamina nossos recursos naturais, além de criar e perpetuar desigual-

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dades gritantes entre as nações, bem como dentro delas. Não mais pode- mos tolerar tal situação, que nos levou além dos limites da capacidade de sustento da Terra, e na qual vinte por cento das pessoas consomem oitenta por cento dos recursos mundiais. Devemos atuar para equilibrar a susten- tabilidade ecológica eqüitativamente, entre os países e dentro dos mesmos. Será necessário desenvolver novos valores culturais e éticos, transformar estruturas econômicas e reorientar nossos estilos de vida. (Preâmbulo do TRATADO SOBRE CONSUMO E ESTILO DE VIDA, www.vitaecivilis.org.br/ anexos/CONSUMO_ESTILO_VIDA_7.PDF).

Pode-se dizer que esse documento é direto ao abordar o modelo de civilização do- minante que, além de ter privilegiado a histórica desigualdade econômica, também divide o mundo entre aqueles que consomem e os que não tem condições de consumir.

Ambientalistas de renome nos mostram que o consumo de algumas socie- dades ocidentais modernas é ambientalmente insustentável, além de socialmente injusto. A partir dessa constatação, a temática do consumo ganha centralidade, não somente pela questão moral, mas porque é preciso impor limites diante da fragilida- de do planeta. Assim, se o consumo exagerado já era questionado por produzir de- sigualdade de classe, o discurso ambientalista nos mostra que existe também uma desigualdade intergeracional, já que este estilo de vida moderno pode dificultar a garantia de serviços ambientais para gerações futuras. Com isso, pode-se observar a mudança de foco do discurso que não mais prioriza a discussão da problemática ambiental e sua relação com a produção, mas a relação com o consumo.

Segundo Portilho (2005, p. 25) podemos acompanhar a trajetória da transfor- mação do discurso no campo de debates e práticas sobre o meio ambiente:

O poder político das nações industrializadas e de alguns grupos científicos, manteve até a década de 70, uma definição estreita da questão ambiental, atribuindo a crise ao crescimento demográfico, principalmente nos países em desenvolvimento, que estaria provocando uma grande pres- são humana sobre os recursos naturais do planeta. A partir da década de 70 com a realização da Conferência de Estocolmo, os países em desenvol- vimento tornaram explícito o argumento de que a causa da crise ambiental estava localizada, principalmente, nas nações industrializadas, onde o estilo de produção seja capitalista ou socialista, requer grande quantidade de re- cursos e energia do planeta e causa grande parte da poluição e do impacto ambiental. (PORTILHO, pag.12)

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Os problemas ambientais eram defi nidos principalmente em termos demográfi cos dos países em desenvolvimento, enquanto os países desenvolvidos não enxergavam a sua responsabilidade na crise, mantendo inalterados seus processos poluidores de produção e consumo.

Com isso, o debate voltado para as questões ambientais começa a dividir-se entre os problemas decorrentes do crescimento populacional dos países em desenvol- vimento e os problemas resultantes do crescimento industrial e avanço tecnológico dos países desenvolvidos. Passa-se a perceber a causa da crise ambiental, nos modelos produtivos e tecnológicos dos países desenvolvidos.

A partir de então, inicia-se um processo de internalização de novas regras am- bientais nos meio de produção, por meio do cumprimento das normas e exigências ambientais, quer seja em decorrência das legislações ou devido a denúncias e manifes- tações da sociedade.

É a partir da década de 90 do século XX, principalmente após a Rio-92, que a questão ambiental passa a ser associada também ao estilo de vida e aos padrões de consumo, especialmente das populações dos países do norte; começa uma outra eta- pa na redefi nição do debate ambiental, que desloca o foco da crise ambiental da produ- ção para o consumo. Então, o consumo assume uma posição central para as políticas ambientais que buscam a sustentabilidade.

Segundo Selene Herculano no prefácio do livro Sustentabilidade Ambiental, Con- sumo e Cidadania de Fátima Portilho, não se trata de deslocar a discussão, mas de unir o que não pode ser separado – produção e consumo:

Quando o foco das reflexões sobre a nossa sociedade está predo- minantemente apontado para a produção, os agentes transformadores são percebidos como aqueles que pertencem à esfera da produção e a orga- nizam, seja subordinadamente (o operário fabril visto pelo marxismo) seja hegemonicamente (o empresário de Pareto). O que houve recentemente que fez a esfera do consumo se destacar? Algumas respostas têm mostra- do a perda de centralidade do trabalho, o surgimento de novos movimentos sociais (centrados no cotidiano, na cultura, no mundo vivido, no plano local, nos valores éticos, na nova subjetividade), o ocultamento do sujeito que orienta as ações do capitalismo financeiro concentrado de hoje. Por outro lado, há exemplos de movimentos políticos que se organizam em torno de campanhas por boicotes, alguns muito bem-sucedidos, como o movimento negro contra o apartheid na África do Sul e contra o racismo nos Estados Unidos nos anos 60. Não se trata aqui de um movimento pendular da pro-

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dução para o consumo, mas de unir taticamente aquilo que não está de verdade separado, a produção e o consumo.

Os números nos mostram que um quarto da população mundial dos países desenvolvidos demanda nada menos do que três quartos dos recursos naturais do planeta, restringindo assim a capacidade dos países em desenvolvimento, para au- mentar de forma sustentável seus níveis de bem-estar.

Com isso, surgem alguns questionamentos como: qual o limite do consumo? Até que ponto o consumidor é responsável? Outras questões precisam ser elabo- radas com o objetivo de buscar uma melhor compreensão da sociedade e qual a contribuição podemos oferecer para desenvolver estratégias que levem a um debate sobre as mudanças possíveis e os processos que as acompanham em busca de um desenvolvimento sustentável.

Para tanto, estar-se-á conhecendo um pouco mais da sociedade de consumo, bem como, a cultura, a cidadania e o consumo sustentável para, a partir daí, pesqui- sar os consumidores dos produtos e projetos do Design Possível.

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