7. Seja B um anel ordenado e φ : A→ B um isomorfismo de an´eis. Mostre que A pode ser ordenado com A+ ={a ∈ A : φ(a) ∈ B+}.
8. Seja A ={m + n√2 : m, n∈ Z}. Mostre que A pode ser ordenado com uma ordena¸c˜ao distinta da usual (induzida de R). De quantas maneiras distintas pode ordenar A? (Sugest˜ao: Note que φ(m + n√2) = m− n√2 ´e um automorfismo de A e utilize o exerc´ıcio anterior.)
9. Mostre que, se o anel ordenado A ´e majorado ou minorado, ent˜ao A ={0}. 10. Mostre que qualquer anel ordenado A6= {0} ´e infinito.
11. Mostre que a lei do corte para o produto ´e v´alida em qualquer anel ordenado. 12. O anel ordenado A diz-se arquimediano se e s´o se para quaisquer a, b∈ A com a 6= 0 existe x ∈ A tal que ax > b. Prove que o anel dos inteiros ´e arquimediano.
2.3
Princ´ıpio de Indu¸c˜ao
De acordo com a defini¸c˜ao de N discutida na sec¸c˜ao anterior, o conjunto dos naturais verifica o princ´ıpio de indu¸c˜ao:
Teorema 2.3.1 (Princ´ıpio de Indu¸c˜ao). Se S ⊂ Z ´e um conjunto indu- tivo em Z, ent˜ao N⊂ S. Em particular, se S ⊂ N, ent˜ao S = N.
Tradicionalmente, uma demonstra¸c˜ao “por indu¸c˜ao” obedece ao seguinte esquema: dada uma proposi¸c˜aoP(n), h´a que provar que P(1) ´e verdadeira, e demonstrar que, seP(n) ´e verdadeira, ent˜ao P(n + 1) ´e tamb´em verdadeira. A rela¸c˜ao entre este procedimento e o Princ´ıpio de Indu¸c˜ao ´e facilmente esclarecida introduzindo o conjunto
S ={n ∈ N : P(n) ´e verdadeira}. Temos ent˜ao
• (P(1) ´e verdadeira) ⇐⇒ (1 ∈ S);
• (P(n) ⇒ P(n + 1)) ⇐⇒ (n ∈ S ⇒ n + 1 ∈ S).
O argumento por indu¸c˜ao habitual resume-se portanto a provar que o con- junto dos naturais para os quais determinada afirma¸c˜ao ´e verdadeira ´e um subconjunto indutivo de N. Frequentemente n˜ao chegamos a mencionar ex- plicitamente o conjunto S, mas isso n˜ao deve causar qualquer confus˜ao. Exemplo 2.3.2.
Dizemos que n ∈ N ´e par (respectivamente, ´ımpar) se existe k ∈ Z tal que
n = 2k (respectivamente, n = 2k + 1). Para provar a afirma¸c˜ao “qualquer
natural ´e par ou ´ımpar”, consideramosP(n) =“n par ou ´ımpar”. Agora:
(i) Se n = 1, temos 1 = 2· 0 + 1, donde 1 ´e ´ımpar, e P(1) ´e verdadeira.
(ii) Se n ´e um natural tal queP(n) ´e verdadeira, temos n = 2k ou n = 2k+1.
Segue-se que n + 1 = 2k + 1 ou n + 1 = (2k + 1) + 1 = 2(k + 1), e portanto
P(n + 1) ´e verdadeira.
Conclu´ımos queP(n) ´e verdadeira para qualquer natural.
Aproveitaremos esta t´ecnica de demonstra¸c˜ao para provar mais algu- mas propriedades de ordem dos naturais e dos inteiros. Come¸camos pelo princ´ıpio de boa ordena¸c˜ao.
Teorema 2.3.3 (Princ´ıpio de Boa Ordena¸c˜ao). Qualquer conjunto n˜ao vazio de naturais tem m´ınimo.
Demonstra¸c˜ao. Seja S um qualquer conjunto n˜ao vazio de naturais e consi- dere a proposi¸c˜ao
P(n) =“Se S cont´em um natural k ≤ n, ent˜ao S tem m´ınimo”. Observe que o teorema a demonstrar ´e equivalente `a afirma¸c˜ao (porquˆe?)
“P(n) ´e verdadeira para qualquer natural n”. Podemos pois utilizar o Princ´ıpio de Indu¸c˜ao:
(i) P(1) ´e verdadeira, porque, se S cont´em um natural k ≤ 1, ent˜ao de acordo com a Proposi¸c˜ao (2.2.9) temos k = 1, e 1 ´e obviamente o m´ınimo de S, porque ´e o m´ınimo de N.
(ii) Suponha-se que P(n) ´e verdadeira para o natural n, e suponha-se que S cont´em um natural k ≤ n + 1. Temos de provar que S tem m´ınimo. Se S cont´em algum natural k ≤ n, segue-se de P(n) que S tem m´ınimo. Caso contr´ario, S cont´em um natural no intervalo [1, n + 1], mas nenhum natural no intervalo [1, n]. Como sabemos que o intervalo ]n, n + 1[ ´e vazio, conclu´ımos que n + 1 ´e o m´ınimo de S.
Quando S ´e um conjunto de inteiros, temos
Teorema 2.3.4. Qualquer conjunto n˜ao-vazio de inteiros tem m´ınimo (res- pectivamente, m´aximo) desde que seja minorado (respectivamente, majo- rado).
2.3. Princ´ıpio de Indu¸c˜ao 73
Deixamos a demonstra¸c˜ao deste teorema como exerc´ıcio, mas provamos o resultado seguinte, que pode ser utilizado para fazer demonstra¸c˜oes por indu¸c˜ao que “come¸cam” num qualquer inteiro k6= 1. Note-se, do argumento seguinte, que os Teoremas 2.3.3 e 2.3.4 s˜ao ocasionalmente de utiliza¸c˜ao mais pr´atica do que o princ´ıpio de indu¸c˜ao finita, e podem substitu´ı-lo.
Proposi¸c˜ao 2.3.5. Se a afirma¸c˜ao P(n) ´e verdadeira para n = k e se P(n) ⇒ P(n+1) para qualquer n ≥ k, ent˜ao P(n) ´e verdadeira para qualquer inteiro n≥ k.
Demonstra¸c˜ao. Seja
S ={n ∈ Z : n ≥ k e P(n) ´e falsa}.
Pretendemos provar que S ´e vazio, i.e., queP(n) ´e verdadeira para qualquer n≥ k. Note-se que S ´e por defini¸c˜ao minorado por k. Portanto, de acordo com o Teorema 2.3.4, se S ´e n˜ao-vazio tem necessariamente um elemento m´ınimo m. Al´em disso, como m∈ S, segue-se que m ≥ k.
Por hip´otese P(k) ´e verdadeira, e portanto k 6∈ S, donde m > k. Considere-se agora o inteiro m− 1. Como m > k, temos m − 1 ≥ k. Como m−1 ´e menor que o m´ınimo de S, m−1 6∈ S, ou seja, P(m−1) ´e verdadeira. Mas tamb´em por hip´oteseP(n) ⇒ P(n + 1) para qualquer n ≥ k e portanto P(m) ´e verdadeira. Esta conclus˜ao ´e absurda, porque m ´e elemento de S. Ou seja, S n˜ao pode ter m´ınimo, e por isso ´e necessariamente vazio.
Em certas circunstˆancias ´e mais conveniente utilizar ainda uma outra forma do princ´ıpio de indu¸c˜ao. A t´ıtulo de exemplo, considere-se a sucess˜ao andos n´umeros de Fibonacci, constitu´ıda pelos naturais
1, 1, 2, 3, 5, 8, 13, 21, 34, 55, 89, 144, . . .
Esta sucess˜ao costuma ser introduzida como a sucess˜ao an que satisfaz6: (2.3.1) a0= a1 = 1, e an+1 = an+ an−1 para n≥ 1.
´
E poss´ıvel determinar uma express˜ao expl´ıcita para a sucess˜ao de Fibonacci. N˜ao nos detemos para examinar o processo do seu c´alculo, mas a express˜ao ´e a seguinte: (2.3.2) an= 5 + √ 5 10 1 +√5 2 !n +5− √ 5 10 1−√5 2 !n .
6Fibonacci, tamb´em conhecido por Leonardo de Pisa (1180-1250), chegou a esta su-
cess˜ao, considerando o seguinte problema: Quantos casais de lebres existem ao fim de um ano se cada casal origina um novo casal ao fim de um mˆes que, por sua vez, passa a reproduzir-se ao fim de 2 meses.
Parece ´obvio que a sucess˜ao an acima definida deve ser a ´unica que satisfaz (2.3.1). No entanto, a demonstra¸c˜ao desta ´ultima afirma¸c˜ao n˜ao ´e t˜ao simples como `a primeira vista pode parecer. Conv´em antes do mais formalizar a no¸c˜ao de sucess˜ao num qualquer conjunto X.
Defini¸c˜ao 2.3.6. Uma sucess˜ao de elementos do conjunto X ´e uma fun¸c˜ao f : N→ X.
Quando discutimos sucess˜oes, ´e tradicional escrever fn em vez de f (n), e falar da “sucess˜ao{f1, f2, . . .}”, “{fn}”, ou mesmo “fn”, em vez de men- cionar “a sucess˜ao f ”. Cometeremos frequentemente o mesmo abuso de linguagem (porque ´e que este h´abito ´e um abuso de linguagem?).
Note-se tamb´em que, se k ´e um inteiro, ent˜ao `a fun¸c˜ao g : [k,∞[∩Z → X corresponde a sucess˜ao f : N→ X dada por f(n) = g(n + k − 1). Por este motivo, dizemos que g ´e uma sucess˜ao definida em [k,∞[. A “sucess˜ao de Fibonacci” mencionada acima ´e portanto uma sucess˜ao definida em [0,∞[.
O resultado que pretendemos demonstrar ´e o seguinte:
Proposi¸c˜ao 2.3.7. Se f ´e uma sucess˜ao de naturais definida em N0, tal que f0 = f1 = 1 e fn+1 = fn+ fn−1 para n ≥ 1, ent˜ao f(n) = a(n), onde a(n) = an ´e a sucess˜ao definida por (2.3.2).
Sendo P(n) a afirma¸c˜ao “f(n) = a(n)”, temos de provar P(n) para qualquer inteiro n ≥ 0. A dificuldade em empregar o habitual m´etodo de indu¸c˜ao est´a em que, por raz˜oes evidentes, n˜ao conseguimos demonstrar que P(n) ⇒ P(n+1), mas apenas que (P(n) e P(n−1)) ⇒ P(n+1). Para tornar mais f´acil a resolu¸c˜ao deste problema e doutros semelhantes, introduzimos a seguinte forma do princ´ıpio de indu¸c˜ao:
Teorema 2.3.8. Seja S um conjunto de inteiros tal que (i) k∈ S, e
(ii) para qualquer n≥ k, [k, n] ⊂ S ⇒ [k, n + 1] ⊂ S. Ent˜ao [k, +∞[⊂ S.
Em termos da proposi¸c˜ao P(n) =“n ∈ S”, o resultado anterior diz que, seP(k) ´e verdadeira e se P(n) ´e verdadeira sempre que P(m) ´e verdadeira para ( qualquer) m, k≤ m < n, (e n˜ao apenas para m = n − 1), ent˜ao P(n) ´e verdadeira para qualquer n ≥ k. A demonstra¸c˜ao desta afirma¸c˜ao faz-se sem dificuldades de maior, a partir do princ´ıpio de boa ordena¸c˜ao, de forma semelhante `a demonstra¸c˜ao da Proposi¸c˜ao 2.3.5.
Demonstra¸c˜ao do Teorema 2.3.8. Seja F = {n ≥ k : n 6∈ S}. Pretende- mos provar que F ´e vazio. Se F 6= ∅, como F ´e por defini¸c˜ao minorado, conclu´ımos que F tem m´ınimo m≥ k.
2.3. Princ´ıpio de Indu¸c˜ao 75
Como k ∈ S, ´e claro que m > k. Portanto m − 1 > k, e o intervalo [k, m−1] n˜ao cont´em nenhum elemento de F , porque todos os seus elementos s˜ao menores do que o m´ınimo de F . Por outras palavras, [k, m− 1] ⊂ S. Segue-se da hip´otese (ii) que [k, m]⊂ S, e portanto m ∈ S, i.e., m 6∈ F , o que ´e absurdo.
Conclu´ımos que F n˜ao pode ter m´ınimo, donde F ´e vazio, ou seja, [k, +∞[⊂ S.
O teorema anterior permite uma demonstra¸c˜ao imediata da Proposi¸c˜ao 2.3.7 que deixamos como exerc´ıcio.
Este resultado, no entanto, n˜ao elimina totalmente as dificuldades l´ogicas com defini¸c˜oes como (2.3.1). Esta ´e, na realidade, um exemplo duma de- fini¸c˜ao recursiva, ou seja, duma defini¸c˜ao que refere o objecto a definir na descri¸c˜ao que d´a desse mesmo objecto. Como sabemos pelo menos desde que Epim´enides de Creta se tornou famoso pela sua frase “Todos os homens de Creta s˜ao mentirosos”, ´e poss´ıvel criar paradoxos l´ogicos, ou afirma¸c˜oes cujo valor l´ogico n˜ao pode ser decidido, utilizando proposi¸c˜oes que de algum modo se referem a elas pr´oprias. Um exemplo j´a cl´assico ´e o paradoxo de Bertrand Russell7, sugerido pela tentativa de definir o “conjunto de todos os conjuntos”.
Observe-se que a defini¸c˜ao “U ´e o conjunto de todos os conjuntos” ´e recursiva, porque U , sendo um conjunto, ´e um dos elementos que entram na sua pr´opria composi¸c˜ao, ou seja, U tem a estranha propriedade de ser elemento dele pr´oprio, o que n˜ao ´e usual nos conjuntos que conhecemos! Se nos desagrada esta propriedade de U , podemos considerar em seu lugar o conjunto N dos conjuntos “normais”, i.e., dos que n˜ao s˜ao elementos deles pr´oprios. Em s´ımbolos,
N ={C ∈ U : C 6∈ C}.
A pergunta a pˆor agora ´e simples: N ´e ou n˜ao um conjunto “normal“? Infe- lizmente, se supusermos que N ´e “normal” (i.e., N 6∈ N) ent˜ao N pertence ao conjunto dos conjuntos normais (i.e., N ∈ N!). Se supusermos que N n˜ao ´e “normal”, temos N ∈ N. Mas ent˜ao N ´e um elemento do conjunto dos conjuntos normais, e portanto N ´e ele pr´oprio normal (N 6∈ N!). Por outras palavras, n˜ao conseguimos atribuir um valor l´ogico `a afirma¸c˜ao “N ∈ N”.
A um n´ıvel superficial, a li¸c˜ao a tirar deste exemplo ´e simplesmente que ´e necess´ario algum cuidado com defini¸c˜oes recursivas, afirma¸c˜ao que,
7Bertrand Russell (1872-1970) foi juntamente com Alfred N. Whitehead (1861-1947)
autor do famoso tratado Principia Mathematica (3 vols., 1910-13), onde se tentavam formalizar de forma axiom´atica as no¸c˜oes fundamentais da aritm´etica. Este trabalho monumental foi sem d´uvida o auge de um programa de formalizar a Matem´atica, a que se poder´a chamar “log´ıstica”, e que consistia em construir toda a Matem´atica atrav´es da dedu¸c˜ao l´ogica a partir de um pequeno n´umero de conceitos e princ´ıpios. Embora essa abordagem tenha falhado, devido aos trabalhos posteriores de G¨odel, ela deu uma contribui¸c˜ao not´avel para a L´ogica Matem´atica.
como dissemos acima, j´a era compreendida por alguns fil´osofos da Gr´ecia Antiga. Mais prosaicamente, a mesma dificuldade surge quando se utilizam folhas de c´alculo autom´atico (spreadsheets), e se cria um circuito fechado de referˆencias entre c´elulas da folha, ou quando se enuncia um “teorema” como o que se segue:
Teorema 2.3.9. Esta afirma¸c˜ao ´e falsa. . . ´
E intuitivamente claro que dificuldades deste tipo n˜ao podem surgir com defini¸c˜oes semelhantes `a utilizada para a sucess˜ao de Fibonacci, e na rea- lidade empregaremos frequentemente defini¸c˜oes recursivas para introduzir no¸c˜oes fundamentais. Discutiremos v´arios exemplos na sec¸c˜ao seguinte, e esbo¸caremos o processo formal que as sustenta no Apˆendice a este texto. A um n´ıvel mais profundo, no entanto, as dificuldades l´ogicas com de- fini¸c˜oes recursivas, ou mais geralmente com proposi¸c˜oes que se referem a elas pr´oprias, parecem inevit´aveis e est˜ao relacionadas com alguns dos pro- blemas mais dif´ıceis contemplados por matem´aticos e fil´osofos. ´E poss´ıvel dar uma defini¸c˜ao (rigorosa!) de “defini¸c˜ao rigorosa“? Podemos compreen- der o funcionamento da nossa pr´opria inteligˆencia? Como podemos conciliar o aspecto mecˆanico das dedu¸c˜oes l´ogicas, espelhado no funcionamento dum programa de computador, com a infinita adaptabilidade que chamamos com- portamento “inteligente“? Afinal de contas, e regressando `a vida “pr´atica”, este ´e o problema central do desenvolvimento da Inteligˆencia Artificial. Exerc´ıcios.
1. Determine todos os subconjuntos indutivos de Z. 2. Prove o Teorema 2.3.4.
3. Prove a Proposi¸c˜ao 2.3.7.
4. Considere-se a afirma¸c˜ao (obviamente falsa!) “Todas as mulheres loiras tˆem olhos azuis”. Qual ´e o erro da seguinte “demonstra¸c˜ao” por indu¸c˜ao? Desi- gnamos por P(n) a afirma¸c˜ao “Se num conjunto de n mulheres loiras existe uma com olhos azuis, ent˜ao todas tˆem olhos azuis”. Ent˜ao:
(a) P(1) ´e evidentemente verdadeira.
(b) Suponha-se queP(n) ´e verdadeira, e considere-se um conjunto com n + 1 mulheres loiras L ={M1, . . . , Mn+1}. Supomos que M1tem olhos azuis.
Definimos Ln+1={Mk : k6= n + 1}, e Ln ={Mk : k6= n}. Como P(n)
´e verdadeira, todas as mulheres em Ln e Ln+1 tˆem olhos azuis. Como
L = Ln∪ Ln+1, todas as mulheres em L tˆem olhos azuis.
(c) Como existe pelo menos uma mulher loira com olhos azuis, todas as mulheres loiras tˆem olhos azuis.
5. Uma outra variante do problema das mulheres loiras de olhos azuis ´e a se- guinte. Considere-se a afirma¸c˜ao (obviamente falsa!) “Todas os grupos finitos