2.2 Injection de fautes dans les systèmes distribués
2.2.4 Conclusion
Introdução
Nos capítulos anteriores foi feita uma abordagem teórica aos aspectos compotamentais, cognitivos e neurocognitivos da dislexia, passando pela avaliação e intervenção nesta perturbação, interessa agora um outro nível de análise, centrada no papel da escola, do professor e da família do aluno com dislexia.
A escola, sendo o local privilegiado para o desenrolar da acção educativa, funciona também como um vértice fundamental no âmbito das dificuldades de aprendizagem, sendo relevante, neste trabalho, o que concerne à dislexia. Esta instituição segue políticas de integração e de igualdade de oportunidades, mas tem ao mesmo tempo que preparar os alunos para atingir objectivos estandardizados, o que a coloca perante um dilema.
Se, por um lado, deve atender às diferenças de destrezas dos alunos, por outro deve conduzi-los a determinados objectivos, e é aqui que surgem as situações problemáticas quando se consideram alunos com dificuldades de aprendizagem, como é o caso da dislexia. Como é sabido, a responsabilidade na prevenção do insucesso escolar recai na escola.
A pergunta que ressalta é: como pode esta instituição fazer face ao duplo desafio de lutar contra o insucesso e ao mesmo tempo desenvolver o potencial dos seus alunos com dislexia?
O que se pretende é melhorar o fluxo da informação entre a escola e a comunidade, de modo a que alunos e pais conheçam tanto aquilo que a escola pode oferecer como as limitações com que se debate; prever horários específicos de consulta, promover encontros entre a escola, o pessoal especializado, o aluno com dislexia e a sua família, com vista a que todos possam adoptar uma abordagem de colaboração e cooperação que torne mais fácil o encontrar de soluções; não podemos esquecer a promoção de formação frequente para todos os interessados. Esta instituição deve, portanto, reunir
todo um conjunto de condições com o objectivo comum de minorar os défices associados à perturbação em causa e de contribuir para a promoção do sucesso das crianças disléxicas.
O professor do 1º ciclo, enquanto profissional responsável pelo ensino da leitura e da escrita, é geralmente a primeira pessoa a confrontar-se com as dificuldades observadas em crianças com dislexia. Assim sendo, o seu papel é primordial na detecção destas dificuldades, no encaminhamento para os serviços competentes, e na posterior intervenção pedagógica a realizar junto do aluno disléxico.
De acordo com Cogan (2002), os professores devem saber que os alunos com dislexia podem ser bem sucedidos na escola, necessitando é de formas diferentes de ensino; devem ser positivos e construtivos; devem reconhecer que um aluno com dificuldades específicas de aprendizagem pode demorar mais tempo a aprender e até cansar-se mais rapidamente; devem ser cuidadosos, não rotulando a pessoa, mas sim o comportamento; devem saber que chantagens e ameaças não são motivadoras para a criança com dislexia, necessitando esta de instruções claras e de um ritmo mais lento e repetido; e devem valorizar as capacidades da criança procurando ensiná-la baseando-se nos seus pontos fortes, realçando capacidades e talentos.
A autora supracitada continua referindo que o profissional se deve manter informado acerca dos problemas com que a criança disléxica se depara nas diversas áreas do ensino básico; deve também reconhecer que um ensino por objectivos direccionado para as competências e utilizando uma metodologia multisensorial pode ser de grande utilidade; reconhecer que o nível de empenho de uma criança disléxica pode estar muito aquém do seu potencial; deve ainda demonstrar simpatia, atenção e compreensão construindo, assim, uma boa relação professor-aluno/professor-encarregados de educação; deve também acompanhar de perto o aluno que lê bem e que participa oralmente nas actividades, mas que revela lacunas no que diz respeito à parte escrita.
Por fim, deve fazer com que as outras crianças compreendam o que é a dislexia para não troçarem dos colegas que a têm.
Além destes aspectos, que reflectem um conjunto de atitudes pedagogicamente eficazes, é importante que o professor detenha uma panóplia de conhecimentos acerca do ensino/aprendizagem da leitura/escrita e da dislexia permitindo-lhe utilizar estratégias mais adequadas junto destes alunos (Snowling, 2000).
No que concerne à dislexia importa salientar que do ponto de vista educativo, esta perturbação não se pode dissociar de um enquadramento holístico da criança dado a que a perturbação em causa, bem como as dificuldades de aprendizagem em geral, pode conduzir à insegurança emocional e ao isolamento social (Bakker, 2002, cit. in Lima, Cameirão, Meireles e Lucci, 2005)32.
Assim, quanto mais precocemente forem detectadas as dificuldades, mais fácil poderá ser tanto lidar com a dislexia, como trabalhar com alunos disléxicos, dado que o historial de frustração e de sentimentos de fracasso que podem afectar negativamente a motivação do aluno será menor.
Problemas de leitura persistentes que não sejam alvo de intervenção podem conduzir a consequências comportamentais negativas, podendo também causar importantes deficiências educacionais comprometendo a confiança e auto-estima da criança (Snowling, 2004).
Torna-se, então, fundamental que o professor e a escola em geral estejam preparados para uma detecção eficaz destas dificuldades, até porque é também a partir do domínio das competências de leitura e escrita que se desenvolve a maioria das aprendizagens posteriores.
Pelo que foi dito, pode-se concluir que os professores, sendo profissionais privilegiados que lidam diariamente com os alunos, e a escola, enquanto
instituição que enquadra a acção educativa, desempenham papéis essenciais no âmbito da abordagem da dislexia no 1º Ciclo.