7.3 MPICH-V
7.3.7 Chasse aux Bogues en utilisant FAIL-MPI
Como já pudemos constatar, actualmente, a promoção da leitura tornou-se uma preocupação (inter) nacional e toda a sociedade manifesta interesse em fomentá-la, embora continue a delegar-se à escola a sua responsabilidade. Com efeito, parte-se do princípio que esta instituição, ao disponibilizar os mesmos recursos a todos os seus utilizadores, independentemente da sua proveniência social, pode compensar as desigualdades.
Ao considerarmos, à semelhança doutros autores, que a motivação para a leitura não depende apenas do facto de as crianças viverem rodeadas de material impresso, mas principalmente do tipo de experiências que tenham vivido com os livros, então facilmente deduzimos que, para além da importância do contacto da criança com o livro no seio familiar, importa ainda atentar noutros factores determinantes, como sejam as próprias leituras e as interacções familiares. O certo é que as pessoas por nós inquiridas para além de, em crianças, não terem vivido rodeadas de livros, também lhes faltou a fundamental interacção familiar.
Considerando que “ a toda a leitura preside, por mais inibida que seja, o prazer
de ler” (Pennac, 1992: 41) e que há sempre alguma coisa que pode ser feita para
proporcionar a descoberta ou o reencontro do referido prazer, seja qual for a idade do indivíduo que não manifesta particular apreço pela leitura, então é fundamental alimentá-lo, o que poderá ser concretizado através de práticas de promoção de leitura.
Para o fomento da leitura dever-se-á ter em conta o apoio e a pressuposta cumplicidade dos mediadores, entre os quais destacamos a família e a escola. Para além destes, importa ainda referir o animador, cuja função é dinamizar um conjunto de actividades junto de um grupo de indivíduos.
Cotejando o conceito de promoção da leitura com o de animação da/para a leitura, constatamos que aquele é mais abrangente e relaciona-se, primordialmente, com as políticas culturais da colectividade. Pressupondo um trabalho a longo prazo, continuado, acções repetidas e disponibilidade de tempo, a promoção requer a união de esforços da escola, da família, das várias bibliotecas, livrarias, sem esquecer os decisores políticos. A animação da leitura, indo além da mera animação, cuja finalidade é tornar mais vivo um lugar de leitura, designa um conjunto de técnicas e estratégias centradas no livro e não constitui uma actividade exclusiva de um determinado espaço, embora a biblioteca possa ser um dos espaços privilegiados para a promover.
Segundo a investigação, torna-se fundamental que as actividades de animação se pautem pela acepção corrente do próprio vocábulo, porquanto nem todas as animações conduzem à leitura e nem todas as actividades de leituras são animação.
Etimologicamente, animar converge em dois sentidos: um, traduzindo a expressão «anima» “dar alma ou vida a”; outro, traduzindo a expressão «animus», “dar ou
imprimir acção, movimento ou aceleração” (Dicionário Houiass, 2002: 289), pelo que
o principal intuito de uma actividade de animação, apesar de não formar leitores, é motivar ou despertar a curiosidade para a leitura, ao mesmo tempo que possibilita ainda desbloquear algum distanciamento, medo ou qualquer outra inibição.
Pressupondo um trabalho sistemático, alicerçado em convicções e articulado com outras acções, a animação para a leitura tem como principais propósitos incitar sem, no entanto, constranger, dar vida e obviar determinadas carências. Com efeito, urge proporcionar a descoberta de um maior número possível de livros, esperando-se que cada um dos futuros leitores tenha “um encontro decisivo com um livro, uma revista,
um género, um autor ou uma colecção “ (Poslaniec, 2005: 128). Em suma, pretende-se
melhorar os hábitos de leitura a quem se dirige a animação, tornando-os duradoiros, promovendo, desse modo, a leitura livre e voluntaria, activa e crítica.
Tornou-se para nós evidente, tendo por base as respostas dos nossos inquiridos, que muitas pessoas ainda não perceberam que a leitura é uma ferramenta importante na medida que permite aos indivíduos tornarem-se sujeitos activos no seu processo de desenvolvimento pessoal e intelectual.
Segundo Poslaniec (2005) só se descobre o prazer de ler à medida que cada um constrói o seu próprio projecto de leitura, pois só a motivação interna e a prática reiterada poderão enraizar a leitura e conduzir o leitor à autonomia.
Segundo o mesmo autor, o decisivo encontro com o livro, revista, autor, colecção, capaz de cativar o leitor, depende de uma série de circunstâncias que têm como denominador comum a multiplicação, não só de ocasião de encontros, de animações, mas, essencialmente, de material impresso.
Christian Poslaniec (2005) propõe um conjunto de actividades de animação para a leitura considerando fundamental a existência de três intervenientes/personagens em qualquer animação: os animadores, que sugerem a actividade; os actores, que se apropriam dela e a praticam, e os destinatários, o público a quem a mesma de dirige.
Quintanal Díaz (2005) secunda algumas das ideias de Poslaniec, sugerindo, por sua vez, outras a serem aplicadas.
O conjunto de técnicas/estratégias a seguir apresentadas (são algumas das mais seleccionadas pelos nossos inquiridos) não pretende ser exaustivo e o animador deverá, com a sua sensibilidade, criatividade e imaginação, adequar cada uma delas aos recursos, ao grupo e ao espaço onde decorre a actividade. O objectivo a alcançar será proporcionar o contacto com o livro, criar e/ou manter leitores e incentivá-los para o prazer de ler.
Leitura em voz alta – ler em voz alta é uma actividade marcante para quem lê e para quem ouve. O texto adquire vida, sonoridade, atenção. Ao emprestarmos a nossa voz às palavras, estas transfiguram-se, ganham novo colorido, musicalidade e encanto. A selecção de textos, a inflexão, o ritmo, a intensidade, o silêncio, a cadência, a emoção, a encenação…podem transforma-se na varinha mágica da sedução e do prazer de novos leitores. Falamos de leitura expressiva e leitura dramatizada.
Relação livros/cinema – promover a comparação do livro com as suas adaptações a filmes de cinema, descobrindo qual deles melhor narra a história e mais favorece a imaginação. Poder-se-á elaborar uma lista de obras cinematográficas que correspondam a obras literárias, ou a vidas de personalidades. Actividade semelhante pode ser feita com os desenhos animados, procurando encontrar similitudes com obras literárias.
O livro/o escritor/o ilustrador (do mês) … - numa tentativa de proporcionar uma aproximação a um livro, escritor, ilustrador, como pessoa próxima, para poder tratar de temas e pontos de vista com ele directamente e/ou para saber mais sobre ele, a sua obra, a sua vida, e/ou conhecer melhor uma das suas personagens, aventuras, imagens ou histórias, tirando, sobretudo, partido dos escritores transmontanos.
Leitura de jornais – o jornal permite o conhecimento, põe o jovem em contacto estreito com a realidade envolvente, favorece o pensamento
divergente, estimula a interacção e é de acesso fácil, cómodo e económico. Para além disso, tem um enorme potencial pedagógico que poderá, eventualmente, ser aproveitado multidisciplinarmente.
Brincar a ler – o objectivo é procurar motivar o indivíduo a ler, não só livros, mas também jornais, letreiros, folhetos informativos, etc., e comprovar que toda a leitura é informação, comunicação e o melhor meio de aprender.
Representação teatral/jogo dramático – o teatro desinibe a pessoa, fá- la interagir, é transmissor de opiniões, valores, ideias. Proporciona o envolvimento, o convívio e a partilha. Poder-se-ia adaptar poesia e/ou contos de tradição popular ou de escritores da região, tal como Miguel Torga.
Leitura em suportes variados: cd-rom; on-line – proporcionando ao leitor o acesso às novas tecnologias.
Os grandes lêem aos pequenos – levar os jovens/adultos a partilhar leituras com crianças, conduzindo-os a uma partilha inter-geracional. Concursos de leitura – leitura de livros previamente seleccionados pelos
intervenientes, promovendo uma disputa salutar.
Clubes de leitura – proporcionar encontros de leitores onde possam partilhar a sua experiência de leitura.
Visitas à Biblioteca – dado que a grande maioria dos inquiridos não frequenta a biblioteca, seria importante proporcionar-lhes uma visita a este espaço por excelência vocacionado para o encontro com o material impresso.
(…)
Estas actividades, tal como afirma Azevedo (2007), para além da dimensão de alargamento cultural e literácito, com benefícios individuais e sociais, podem igualmente potenciar o desenvolvimento de estratégias intelectuais e sociais necessárias à vida complexa em que vivemos. Por conseguinte, o sucesso destas iniciativas depende, fortemente, do comprometimento de todos neste processo.
A responsabilidade do professor/animador é cada vez maior e cumpre-lhes a árdua tarefa de formar leitores conscientes de que uma cidadania activa e responsável implica ter um conhecimento do mundo que permita fazer opções e tomar decisões conscientes.
Concluímos com as palavras de Henrique Barreto Nunes (citado por Azevedo, 2007):
“Não podemos obrigar ninguém a ler, mas pelo menos temos a obrigação