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As rápidas mudanças nos ambientes empresariais, à disseminação de tecnologias, a competitividade aumenta o problema que as organizações enfrentam para alcançar a autonomia na produção do conhecimento. Nestes ambientes competitivos, os processos de absorção do conhecimento externo tornam-se elemento essencial para a inovação nas empresas e para adaptação as mudanças (CAMISÓN; FORÉS, 2010).

A capacidade de absorção de uma empresa é uma capacidade dinâmica que permite às empresas obter vantagens competitivas (ZAHRA; GEORGE, 2002). A capacidade de absorção (ACAP) é a capacidade de identificar e assimilar conhecimentos externos e sua integração com conhecimento interno que podem ser transformados e explorados para resultados lucrativos e competitivos (ZAHRA; GEORGE, 2002; BRETTEL; GREVE; FLATTEN, 2011; ADRIANSYAH; AFIFF, 2015). O conceito de ACAP está enraizado na teoria da aprendizagem organizacional que propõe que uma organização possa aprender e, portanto, se adaptar às mudanças em seu ambiente (VASYLIEVA, 2013). Isso é facilitado através dos funcionários da organização que são os condutores de transferência do conhecimento entre o ambiente externo da organização e seus processos internos (COHEN; LEVITHAL, 1990).

Os primeiros estudos sobre a Capacidade Absortiva (ACAP) são do final da década de 80 e início de 90, os primórdios desta teoria foram discutidos por Cohen e Levinthal (1990), a partir de seus estudos o interesse pela capacidade de absorção das organizações tem crescido.

Cohen e Levinthal (1990) propuseram o primeiro modelo de capacidade absortiva que contém três dimensões: o reconhecimento da informação externa; a sua assimilação a partir das implicações deste conhecimento na firma e a aplicação deste conhecimento para desenvolver um desempenho inovador ou gerar inovações propriamente.

Figura 3 – Modelo de Capacidade Absortiva baseado em Cohen e Levinthal (1990)

. Fonte: Todorova; Durisin, 2007.

Todorova e Durisin (2007) traduziram as ideias do modelo de Cohen e Levinthal (1990) em imagem, conforme a Figura 3.

A ACAP é definida como a capacidade de uma organização reconhecer o valor de novas informações e conhecimentos externos, assimilá-los e aplicá-los para fins comerciais, sendo que a habilidade de avaliar e utilizar conhecimento externo ocorre largamente em função do nível anterior de conhecimento (COHEN; LEVINTHAL, 1990; WANG; AHMED, 2007).

Para Cohen e Levithal (1990) a ACAP refere-se à capacidade da empresa de se adaptar internamente à processos e sistemas para apoiar ideias e mudanças promovidas pela aquisição de novas informações valiosas a partir do ambiente externo para ganhar vantagens competitivas nos mercados. A capacidade absortiva realça a importância de obter conhecimento externo, combiná-los com conhecimento interno e absorvê-lo para uso interno da organização (ZAHRA; GEORGE, 2002).

A capacidade de absorção refere-se não apenas à aquisição ou assimilação de informações por uma organização, mas também à capacidade da organização de explorá-la. Portanto, a capacidade de absorção de uma organização não depende simplesmente da interface direta da organização com o ambiente externo, mas depende também das transferências de conhecimento dentro da organização (COHEN; LEVINTHAL, 1990).

Após a definição original de Cohen e Levinthal poucos estudos tentaram expandir e explorar essa definição, bem como contribuir para uma maior compreensão de suas dimensões. Entre os primeiros autores a estender o conceito estão, Lane e Lubatkin (1998) indicando três fatores para uma empresa aprender em relacionamentos interorganizacionais

e evidenciaram que o conhecimento prévio de ambas as organizações deve ser semelhante, da mesma forma como a remuneração de funcionários e estrutura organizacional. Evidenciaram, também, a relevância da similaridade no tipo de problemas que ambas as organizações enfrentam em relação à utilização dos conhecimentos.

Zahra e George (2002) estenderam o quadro teórico da ACAP identificando-o como uma capacidade dinâmica e combinatória que é dependente do trajeto e de natureza estratégica cuja existência influência a capacidade da empresa para criar e implantar o conhecimento necessário para construir outras capacidades organizacionais. A partir da teoria das vantagens competitivas e capacidades dinâmicas, Zahra e George (2002) propõem que ACAP pode ser usado para ganhar diferenciais e vantagens em mercados competitivos proporcionados pela natureza adaptativa do processo ACAP.

O modelo de ACAP de Zahra e George (2002), como mostra a Figura 4, combina quatro capacidades de conhecimento, divididas em duas dimensões, a potencial e a realizada, além dessas quatro capacidades, os fatores que influenciam a ACAP, denominados por eles de antecedentes, os moderadores e resultados da capacidade absortiva.

Figura 4 – Modelo de Capacidade Absortiva baseado em Zahra e George

Fonte: Zahra; George, 2002.

A capacidade de aquisição consiste na identificação e aquisição de conhecimento do ambiente externo (ZAHRA; GEORGE, 2002). Esta dimensão engloba a capacidade da empresa em usar o seu conhecimento atual para discernir informações necessárias dentro de seu ambiente externo (ARIBI; DUPOUET, 2016). A qualidade da aquisição de uma empresa está expressa na velocidade, intensidade e valor do conhecimento adquirido (BRETTEL; GREVE; FLATTEN, 2011). Para Murovec e Prodan (2009), esta aquisição pode ocorrer por meio de clientes, parceiros industriais, concorrentes, fornecedores ou até mesmo por meio de universidades, institutos de tecnologia e centros de pesquisa.

A assimilação refere-se a rotinas e processos de uma empresa que lhe permitem analisar, processar, interpretar e compreender as informações obtidas a partir de fontes externas trata-se da capacidade de interpretação organizacional e conversão do novo conhecimento (ZAHRA; GEORGE, 2002). Refere-se às capacidades de compreensão de uma empresa. A capacidade de uma empresa para entender novos conhecimentos é dependente dos sistemas, processos e rotinas em lugar de traduzir, interpretar e avaliar as informações (BRETTEL; GREVE; FLATTEN, 2011).

Transformação “denota a capacidade de uma empresa para desenvolver e aperfeiçoar as rotinas que facilitam a combinação de conhecimento existente e os conhecimentos recém adquiridos e assimilados” (ZAHRA; GEORGE, 2002, p.188). Consiste na internalização e processo de conversão que ocorre dentro de uma empresa, cada vez que uma nova informação foi interpretada (NOBLET; SIMON; PARENT, 2011). A empresa avalia e adapta os seus sistemas internos, processos e procedimentos para a informação recém-assimilada (TODOROVA; DURISIN, 2007). Neste processo, as capacidades de inovação de uma empresa são estendidas, pois moldam a mentalidade empresarial e promove ação empreendedora da empresa especificamente na geração de novos conhecimentos, o reconhecimento de oportunidades (ZAHRA; GEORGE, 2002). A dimensão transformação também considera as orientações estratégicas da empresa que incluem a capacidade de reconsiderar, desenvolver ou implementar planos estratégicos baseados em informações recém-adquiridas e assimiladas (TODOROVA; DURISIN, 2007).

Aplicação (exploração) refere-se à capacidade de uma empresa para usar suas competências existentes ou desenvolver novas integrando conhecimento adquirido que lhe permitam extrair de forma consistente e utilizar o conhecimento, transformando em suas operações (ZAHRA; GEORGE, 2002). Ou seja, o desenvolvimento ou adaptação de processos atuais para apoiar novas informações. Em sentido complementar, para Lane e Lubatkin (1998) esta capacidade, também chamada de capacidade de exploração engloba o processo pelo qual novas rotinas internas, processos e sistemas são desenvolvidos que forneçam a empresa algum tipo de elemento competitivo, buscando não só aperfeiçoar, refinar, expandir e alavancar suas rotinas, processos, competências e conhecimentos existentes, mas criar operação, competências, rotinas, novos produtos, e formas de organização com base nas informações recém-adquirido e assimiladas. Esta etapa é fundamental, pois determina como e onde uma empresa vai optar por desenvolver as suas competências através da atribuição de recursos internos. Ao optar por investir internamente

seus recursos, a empresa efetivamente estabelece a capacidade de exploração (TODOROVA; DURISIN, 2007).

Zahra e George (2002) dividiram as referidas capacidades em dois subgrupos, sendo o primeiro o potencial da capacidade de absorção (PACAP) e o segundo a realização da capacidade de absorção (RACAP).

Estes dois subgrupos ajudam a definir a causa e o efeito entre as dimensões da ACAP e como o valor é criado para a empresa (ZAHRA; GEORGE, 2002; JANSEN, VAN DEN BOSCH; VOLBERDA, 2005; TODOROVA; DURISIN, 2007). Os defensores dessa visão indicam que a distinção entre os dois subgrupos pode ajudar a explicar deficiências em ACAP entre empresas. Eles formam uma base para ajudar a explorar a fluidez entre as dimensões, e identificar diferenças em ações gerenciais e competências necessárias para desenvolver e sustentar os subgrupos (ZAHRA; GEORGE, 2002; FOSFURI; TRIBÓ, 2008).

PACAP consiste em aquisições de uma empresa e capacidades de assimilação. A RACAP refere-se a sua capacidade de transformar e explorar novos conhecimentos. Zahra e George (2002) propõem que os dois subgrupos têm papéis distintos, mas complementares, na forma como a empresa pode lucrar com o conhecimento. Por exemplo, uma empresa não vai beneficiar plenamente sua potencial capacidade de absorção, se a sua capacidade de transformar e explorar essas informações continuar a ser limitada (ZAHRA; GEORGE, 2002). Esta distinção tem levado pesquisadores a explorar os vários antecedentes e contextos de PACAP e RACAP e como eles podem ser manipulados para melhorar a vantagem competitiva de uma empresa (FOSGURI; TRIBÓ, 2008; YEOH, 2009).

 Potencial capacidade de absorção: é a capacidade de adquirir e assimilar conhecimento do ambiente externo como sua potencial capacidade de absorção (PACAP), o que ocorre quando a empresa interage com seu ambiente externo e é fundamental para desenvolver a sua posição competitiva no mercado. No entanto, o valor do PACAP de uma empresa não pode ser plenamente realizado a menos que a empresa possa efetivamente alavancar essa informação (ZAHRA; GEORGE, 2002). A capacidade de absorção potencial está diretamente ligada à capacidade de inovação e o grau em que uma empresa pode aplicar novos conhecimentos para fins comerciais (FOSFURI; TRIBÓ, 2008). A relação PACAP e inovação, identifica a capacidade da empresa para extrair conhecimento ou identificar novos conhecimentos a partir de seus conhecimentos externos que irá fornecer a empresa

resultados comerciais rentáveis (FOSFURI; TRIBÓ, 2008; ADRIANSYAH; AFIFF, 2015);

 Realizada capacidade de absorção: reflete uma empresa que tem capacidade de alavancar efetivamente conhecimento adquirido e é responsável por dirigir o desempenho estratégico de empresas para sustentar o ACAP geral (ZAHRA; GEORGE, 2002; YEOH, 2009; BRETTEL; GREVE; FLATTEN, 2011). RACAP refere-se a sistemas internos, processos, e capacidades necessárias para lucrar com o conhecimento e depende muito da organização, da capacidade e receptividade à aprendizagem (YEOH, 2009). É o mecanismo que permite que as empresas transformem conceitos inovadores em resultados inovadores, a partir de novos conhecimentos (FOSFURI; TRIBÓ, 2008). A dimensão transformação estende a base de conhecimento da empresa e permite novos insights, que ajusta as perspectivas atuais e entendimentos para novas informações (BRETTEL; GREVE; FLATTEN, 2011). Por meio deste processo, as empresas podem reconhecer oportunidades futuras e tomar decisões estratégicas mais informadas (BRETTEL; GREVE; FLATTEN, 2011). A dimensão exploração utiliza competências organizacionais atuais para desenvolver ou adaptar produtos, serviços e processos (BRETTEL; GREVE; FLATTEN, 2011).

Zahra e George (2002) consideram que a ACAP pode respaldar a construção de uma vantagem competitiva a partir da flexibilidade estratégica, inovação e performance. Uma vez que a organização passa a ser vista como agente ativo do processo de absorção de conhecimento, pressupõe-se que os desempenhos inovativos de tais organizações também são diferenciados. Para Lane, Koka e Pathak (2006), vários estudos têm mostrado que a capacidade de absorção afeta positivamente a inovatividade das empresas.

As dimensões eram inicialmente consideradas dependentes da trajetória que começa com a capacidade da empresa para extrair informações do seu ambiente e usá-lo para fins lucrativos (COHEN; LEVENTHAL, 1990). O avanço da investigação sobre a construto revelou que as dimensões sofrem um processo de co-evolução em que capacidades aumentadas em uma dimensão tem um impacto positivo residual sobre as capacidades em outras dimensões (ZAHRA; GEORGE, 2002).

O inverso também é verdadeiro, indicando que a capacidade diminuiu em uma dimensão pode inibir a eficácia das capacidades nas outras dimensões. Para uma empresa aumentar a sua ACAP geral, deve considerar o desenvolvimento de suas capacidades ao

longo de cada dimensão simultaneamente (ZAHRA; GEORGE, 2002). Cada dimensão é composta de sua finalidade original, permitindo assim o desenvolvimento de várias vantagens competitivas simultâneas (CAMISÓN; FORÉS, 2010).

Para o presente estudo, utiliza-se o conceito de Zahra e George (2002), desenvolvidos a partir do conceito inicial de Cohen e Levinthal (1990), que reposicionaram a capacidade absortiva como uma capacidade dinâmica composta em quatro capacidades, sendo elas: aquisição, assimilação, aplicação e transformação; e que facultam a constituição da capacidade organizacional dinâmica (ZAHRA; GEORGE, 2002), entretanto os componentes não serão divididos em capacidade absortiva potencial e realizada, pois acredita-se que não há suporte teórico robusto que comprove esta separação (LANE; KOKA; PATHAK, 2006, TODOROVA; DURISIN, 2007). Feito as descrições dos elementos componentes da capacidade absortiva apresenta-se a metodologia que orientou a presente dissertação.

3 METODOLOGIA

Nesse capítulo são apresentados os procedimentos metodológicos referentes ao estudo empírico, bem como a classificação da pesquisa, os objetos e sujeitos da pesquisa, os métodos e técnicas adotadas no processo de coleta e análise dos dados.