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Figura 3: Genograma da família Alves

História

Angelina teve uma história de vida inconstante. De origem humilde, morava com sua mãe, seu padrasto e outros dois irmãos desta segunda união. Não chegou a conhecer seu pai biológico e não demonstrou, ao longo de sua vida, qualquer interesse em saber sobre seu paradeiro.

“[...] eu não tenho pai, esse, eu não considero, ele fez igual ao pai do meu filho, fez e...”.

“Um dia, um estranho chegou na casa da minha tia, me pegou no colo e falou: ‘ oi minha filha’. Eu falei: ‘opa, tira eu do colo que eu não sou sua filha! O senhor é um estranho para mim, tira eu do colo que eu não sou sua filha não!’ ”.

Mário Ricardo 23 anos Angelina Ap. 36 anos André Ricardo prematuro

Quando contava com seis anos de idade, sua mãe veio a falecer, dois dias após o parto de seu irmão mais novo. Poucas são as lembranças que restaram da figura materna, apenas que era uma mulher muito atraente.

“[...] faz muitos anos, muito, muito tempo. Ela era uma morena, alta, de cabelo longo, preto, sobrancelha preta, parecia uma índia. Ela era calma igual eu, calmíssima. Muito namoradeira, é só isso”.

A morte da mãe foi um acontecimento pouco explorado pelos familiares junto aos filhos. Poucos detalhes e informações foram compartilhados.

Por ter escutado na época alguns comentários sobre o acontecimento, Angelina acabou construindo uma explicação sobrenatural para justificar a perda repentina. Apesar de ter sido informada que a morte se deu em virtude de complicações no parto, para ela, sua mãe fora alvo de “trabalhos espirituais”.

Por ser uma mulher muito bela e que inevitavelmente chamava a atenção dos homens, sua mãe fora vítima da inveja e do mau agouro das próprias companheiras, aquelas que se diziam suas amigas.

“Ela morreu dois dias depois do parto, se eu não me engano, naquela época, falavam que era aquela doença de amarelão, tirícia, mas eu acho que foi é coisa feita mesmo”.

“Naquela época, existia bastante isso, e até hoje ainda existe. Porque eu ouvi comentários, minha tia fala que fizeram alguma coisa. Naquela época tinha muito olho gordo, eles não gostavam, ela incomodava. Não sei, acho que ela era muito namoradeira demais, bonita, inveja das próprias colegas. É por isso que eu falo, amizade, é melhor ficar sozinho do que mal acompanhado”.

Após a morte de sua mãe, passou a morar com uma tia, permanecendo com a mesma até os dezesseis anos, enquanto que o irmão do meio continuou com o padrasto e o irmão caçula foi morar com sua avó.

O contato com o irmão caçula é mais próximo, enquanto que com o irmão do meio, a relação é mais distante, devido ao envolvimento deste com as drogas e o álcool.

“Eu tenho contato com o irmão mais novo, agora com o do meio [...]. Ele só dá trabalho, não liga para nada, está perdido, na perdição. Então eu abandonei, me afastei, só para passar nervoso? Então não adianta ficar correndo atrás”.

Sua tia é descrita como uma pessoa ambígua, com qualidades e defeitos, sendo que os defeitos, segundo ela, se sobressaem. O aspecto positivo refere-se ao acolhimento por parte da tia, que a recebeu em sua casa, dando-lhe abrigo e alimentação. O aspecto negativo refere-se à agressividade e distanciamento emocional. Praticamente não havia diálogo entre ambas ou demonstrações de carinho e afetividade por parte da tia, que ainda é descrita como uma pessoa autoritária, rude e violenta.

“Eu estou falando para você que a minha tia era boa mas também era ruim. Ela me dava o que comer, o que dormir, ela me dava tudo, me dava casa. Só que também me dava surra, ela me batia sem motivo. Então a relação com ela era assim, quando eu era menor, não era aquelas coisas [...]. Me batia sem motivo, me espancava sem motivo. Ela não conversava comigo, não tinha dessas coisas”.

“O meu tio, marido dela, era um coitado, comia na mão dela. Ela batia sem motivo, parecia que queria descontar na gente a raiva que ela tinha dos outros. Batia porque não estava fazendo o que ela queria, na hora que ela queria”.

Cansada dos maus tratos e da vida que vinha levando, resolve sair de casa para morar sozinha aos dezesseis anos de idade. A decisão de construir uma nova vida longe da presença inconstante da tia é percebida como um importante marco na vida de Angelina. Agora, além de não precisar mais conviver com as agressões, ela dava um importante passo rumo ao que seria primordial para ela: a independência.

“Eu sempre fui uma pessoa independente. Desde quando eu saí da casa da minha tia, eu sou independente. Eu saía da casa da minha tia, do portão para fora, eu já era independente, não dependia mais de ninguém. Eu mesma fui levando a minha vida, fui morando sozinha, fui trabalhando, fui pagando aluguel, morando na casa de colega [...]”.

“[...] vixe, eu trabalhei a minha vida toda, tenho até mão grossa, olha só. Imagina, eu fazia de tudo, ajudava meu tio a montar muro, depois entrei nas usinas, de tudo um pouco eu já fiz, fui até pedreira”.

“[...] a minha vida é um livro aberto, todo mundo sabe, eu não gosto de mentira”.

Deste modo, Angelina passou algum tempo morando sozinha. Ao conseguir emprego numa usina de corte de cana conhece Ednéia, que viria ser sua melhor amiga e que dividiria uma casa com ela, ajudando-a financeiramente.

Ednéia resolve sair de casa e morar sozinha após o falecimento de sua mãe, convidando Angelina para morarem juntas. Mais tarde, ambas passariam a morar com um tio aposentado de Angelina. Até os dias de hoje, Angelina, seu tio, sua colega Ednéia e o filho dela, Emerson de oito anos de idade, residem todos juntos num imóvel comprado pelo tio.

Ao relembrar do nascimento de Emerson e da própria criança, Angelina sente-se feliz. A relação entre ambos é bastante estreita, visto que foi praticamente ela quem

criou o garoto, enquanto sua mãe trabalhava fora. A chegada de Emerson auxiliou a exercitar seu lado maternal.

“Tudo que eu aprendi nesta vida, eu aprendi sozinha. Eu aprendi a lavar roupa sozinha, eu aprendi a fazer a compra sozinha, eu aprendi a fazer as coisas olhando os outros fazerem [...]. Eu fui aprender a fazer as coisas quando eu cuidei daquele menino, quando eu tive que ser mãe para ele, ali naquela hora, enquanto ela não podia ser. Tive que aprender tudo ali na hora, lendo, vendo, olhando. Minha vida foi baseada assim, só olhando, tentando, fazendo, querendo fazer, fazia, do meu jeito, mas fazia”.

O relacionamento com o garoto é tão especial, que Angelina se sente um pouco mãe dele.

“Eu morava na casa da Ednéia quando ela engravidou, então a gestação dela toda eu fiquei na casa dela. Quando ela ganhou nenê, eu que cuidei dele desde que ele nasceu, até no hospital, eu peguei ele no colo, eu praticamente... .Ele até me chamou de mãe, até de mãe”.

A convivência dentro do lar é vista como boa de maneira geral, apesar de algumas brigas e desentendimentos. Essas situações são resolvidas por meio do diálogo e, quem acaba assumindo a liderança é Angelina. Aliás, foi ela quem ensinou Ednéia a fazer as tarefas domésticas como cozinhar, arrumar a casa, fazer compras e lavar roupas.

“A gente convive bem, sempre tem um bate-boca, mas resolve, né? [...] Eu sou a cabeça da casa, eu não gosto de discutir, não gosto de briga, não gosto de nada disso, comigo é na conversa. [...] Sou eu que tomo as decisões em casa, em matéria de compra, se eu vejo que tem alguma coisa errada ali, eu chamo a atenção. [...] as prestações mesmo, eu não gosto que atrasa, então eu boto consciência na cabeça deles, entende? Não é porque eu estou desempregada que eu não vou dar ordem também, né?”.

“Eu sou o pai, sou a mãe, tudo. [...] O meu tio não apita muito dentro de casa, ele é mais mandado do que apitado, quem apita lá sou eu e quando não sou eu, é ela. [...] Coisa errada, eu não gosto de ver coisa errada, não gosto de mentira e coisa errada. Eu chamo a atenção do pessoal, eles não gostam muito, mas tem que gostar. Porque eu falo, se não gostar, pega a malinha e zarpa, some daqui”.

Foi neste contexto, residindo com seu tio, sua colega e o filho dela que Angelina conheceu seu vizinho Mário Ricardo. Foram se conhecendo, iniciando assim uma amizade. Conversavam, trocavam intimidades, experiências e, aos poucos, foi surgindo um interesse recíproco.

“Nós éramos só amigos, de confidências, sabe? Ele conversava comigo as coisas dele, eu conversava com ele sobre as minhas coisas e assim ia. E aí eu me interessei e ele também já estava afim, então rolou”.

O casal começou a se encontrar sem, contudo, firmarem um compromisso mais sério. Angelina não tinha a intenção de namorar, pois para ela, não valeria a pena investir naquele relacionamento.

“Só ficamos, ficamos umas quatro ou cinco vezes e aí aconteceu. Nós não chegamos a ter um namoro. Não valia a pena levar adiante. E ainda fez um filho em mim, sem autorização. Quando eu descobri, nossa, eu quis morrer com aquilo, nossa, eu xinguei ele tanto”.

Os relacionamentos anteriores deixaram um rastro de desapontamento em seu coração e, por causa disso, aquele seria mais um namoro que terminaria da mesma forma que os anteriores, decepcionando Angelina.

Desses relacionamentos, um em especial marcou suas lembranças, foi quando estava namorando com um rapaz e decidiram ficar noivos. A relação transcorria normalmente, até Angelina pressentir que algo estava errado em relação ao noivo.

“[...] eu namorava com ele só que eu tinha aquele aperto, você sente que tem alguma coisa errada, você sente aquele pressentimento. Eu sentia pressentimento de que tinha alguma coisa errada ali. Eu chegava da roça, ia estudar, ele ia junto e a prima dele junto. Ia nós três e ele morava no fundo da casa da prima”.

Sentia um forte aperto no peito sem saber ao certo o porquê daquilo, a única certeza é que algo de errado estava acontecendo. Esses presságios levaram Angelina a romper o noivado com o rapaz. Mais tarde, ela viu suas suspeitas serem confirmadas: o noivo a estava traindo com uma prima dele.

“Um dia eu fui trabalhar e briguei com uma mulher lá na roça, cheguei nervosa em casa, ele chegou no portão, eu tirei a aliança, joguei no meio da rua e falei: ‘você nunca mais pisa o pé no meu portão, vai embora, vai’. Eu nem sabia o porquê eu tinha feito aquilo, eu coloquei na cabeça e não falei para ninguém. E ele vinha atrás de mim, só que vinha atrás e estava papando a prima. Você entende o coração como é que estava? O pressentimento fala, eu não sou trouxa, aí depois foi só decepção, né?”.

Se por um lado, Angelina já havia tido alguns relacionamentos anteriores, Mário seria o seu primeiro parceiro sexual. O casal selou uma espécie de pacto em relação à prevenção da gravidez, combinando que ela faria a “tabelinha”, enquanto que ele interromperia a relação sexual momentos antes da ejaculação.

Entretanto, não foi exatamente isso o que ocorreu durante a última relação sexual do casal, pois Mário não cumpriu a sua parte conforme o que havia sido acordado.

“Eu fiz a minha parte, mas ele não cumpriu a parte dele e isso, eu nunca vou perdoar. Ele me desrespeitou, infringiu todas as leis, que era não ficar grávida, eu não queria de jeito nenhum, mas agora já está feito, fazer o quê?”.

Angelina havia sido bem clara quanto ao seu posicionamento em relação a concepção. A maternidade nunca fora alvo de sonhos ou planos até então. Para ela, o fato de ter trinta e seis anos, problemas de saúde, uma condição sócio-econômica desfavorável e ainda a tão prezada independência, configuravam uma situação onde um filho decididamente não se encaixava.

“Eu não queria ficar grávida, queria não. Eu não posso ter liberdade, eu não posso trabalhar [...]. Eu tenho um problema muito forte de dor de cabeça, escoliose, infecção na bexiga. Eu não posso fazer esforço, eu tenho vários problemas de saúde”.

“Eu sempre falava para ele: ‘eu vou ficar com você, mas eu não quero filho, você sabe que eu tenho problema’. Eu explicava para ele que eu tinha vários problemas, que eu não tenho condições de cuidar de um filho, de tratar”.

“Eu nunca quis ter filho, eu não sei porque. Acho que é pelas condições

que eu não tinha para cuidar e eu imaginava que mais para frente, quando eu arrumasse uma pessoa, juntasse, casasse, aí sim, né? Aí sim, até poderia, teria uma pessoa para cuidar, para ajudar, eu não imaginava, eu não pensava em ter filhos”.

Se Angelina não tinha planos de engravidar e apresentava uma resistência em assimilar o novo fato, Mário por sua vez, parecia estar lidando melhor com a idéia.

Ao retomar a confirmação da gravidez e a figura do pai do bebê, sua postura e entonação mudam radicalmente durante a entrevista. Sente-se enganada, frustrada e tomada de ira ao relembrar que Mário não cumprira a sua parte no acordo estabelecido em relação à contracepção.

“Ele falava que queria um filho, só que ele queria o filho mas não queria assumir a mãe, entende? Eu não sei porque ele queria tanto um filho. Eu não sei se é para se mostrar, porque ele é muito mentiroso. Tudo

que ele fala, ele pensa que é verdade. Você fala com ele, ele não olha dentro do seu olho para falar, ele abaixa a cabeça, tipo falso, dissimulado. Para ele, era uma aventura”.

Ainda assim, a gravidez alimentou uma esperança de que os dois pudessem se reaproximar e até mesmo ficar juntos. Contudo, à medida em que o tempo foi se passando, Angelina percebia que as atitudes de Mário não correspondiam às suas expectativas.

“No começo eu até gostei, sabe? Eu gostei porque ele falava para mim que não estava com ninguém, que estava sozinho. Só que eu não sou trouxa, eu não sou tonta, só de olhar, ele conversa com a gente e não olha no olho, então eu já sabia que ele estava mentindo. Sabe quando você conversa com a pessoa e sente aquela angústia? Você vê que a pessoa está mentindo? [...] eu pensei que ele ia melhorar depois disso, só que em vez de melhorar, piorou, entende?”.

O sentimento de desilusão com o comportamento de Mário foi aumentando à medida em que percebia que o mesmo, agora, estava mais ausente e indiferente que antes. Vendo-se solitária e cansada da indefinição do parceiro, decide afastá-lo definitivamente da sua vida e da do bebê que estava esperando.

“Senti mais responsabilidade só para mim. Daí eu peguei e falei: ‘bom, já que a responsabilidade é só para mim, então vamos em frente, deixa ele de lado’. Vou pensar só no meu filho, para que eu vou pensar nele, ele não merece”.

Invadida pela emoção, deixa-se levar pelo desejo de vingança. Muito amargurada e cheia de rancores, Angelina envolve-se numa pesada discussão, rompendo relações com Mário e com a família de origem dele.

“[...] ele passava por mim e fingia que eu era invisível, já começou por isso. Quando eu contei para ele e a barriga começou a aparecer, ele começou a me desprezar. Esperei a mãe dele chegar e falei assim: ‘o seu filho é um sem vergonha, um safado, ele não presta, para mim ele é um moleque, ele não tem atitude. Ele ficou aí na sua casa com uma fulana, transando o dia inteirinho, a tarde todinha dentro da sua casa e a senhora acha isso correto? Fazendo fusquinha na minha cara? Não é porque eu não estou casada com ele que ele não vai me respeitar’”.

“[...] ela olhou para a minha cara e disse: ‘você sabia que ele era assim e agora você quer segurar ele? Você sabia que ele era biscateiro e agora quer segurar ele? ‘. Eu falei assim: ‘a senhora está enganada, eu não quero segurar ele, eu não gosto dele, eu jamais vou morar com ele, eu só quero uma coisa dele, a pensão do meu filho, o resto que se dane, que se lixe!’”.

Além de ter exposto o que sentia para a mãe de Mário, Angelina também fez questão de dirigir-se ao próprio para dizer-lhe o que a incomodava pessoalmente.

“Eu peguei ele no meio da rua e falei: ‘olha, para mim você é um

moleque, um sem vergonha, um covarde, um safado. E faz um favor para mim? Pega aquelas coisas que você comprou para o seu filho e leva lá na zona para as biscates, que são mais bem tratada do que eu. Quer saber de uma coisa? Nunca mais olha para a minha cara e não conversa mais comigo não’”.

O distanciamento de Mário e de sua família de origem durante a gestação e após o nascimento do bebê, seria essencial para poupar-lhe de aborrecimentos e cobranças no futuro.

“Eu cortei com a família inteira, se eu deixasse que eles conversassem comigo, eles não iam mais me deixar em paz, na fofoca, na mentira. [...] eles dão o berço para você e falam que te deram os móveis inteiros da casa, então eu cortei com a família inteira”.

No decorrer da gestação, Angelina não apresentou qualquer problema mais sério, o único incômodo citado era o enjôo. E assim se passaram os dois primeiros

trimestres. No final do sexto mês de gestação, começou a apresentar um quadro de hipertensão arterial inédito até então.

Sentindo-se mal, decide procurar um pronto-socorro em sua cidade, preocupando o médico. Esse, Dr. André, era o mesmo que estava fazendo seu acompanhamento pré-natal. O quadro começava a se agravar, chegando a apresentar sintomas convulsivos, o que mobilizou o médico a providenciar sua transferência para a cidade de Assis.

Já em Assis, a equipe médica constatou que os batimentos cardíacos do bebê estavam acelerados e que isso colocava ambos, mãe e bebê, em risco de vida. A única saída encontrada seria a realização de um parto prematuro.

“O médico falou assim para mim: ‘você acha que o seu bebê está bom na sua barriga?’. Eu falei: ‘eu não sei, eu acho que sim’. Aí ele falou assim: ‘você acha que ele está bom, mas ele não está, ele está com os batimentos cardíacos muito fortes, então nós vamos ter que tirar ele’. Eu falei: ‘ai meu Deus, lá vai eu, sozinha’. Na hora que eles estavam fazendo cesárea, minha tia chegou”.

A prematuridade é lembrada como uma experiência difícil, cercada de apreensão, expectativas e fantasias.

“[...] dá um aperto, um medo, sei lá, tudo pode acontecer. Então a gente bota um monte de coisa na cabeça, medo dele não nascer chorando ou medo de não dar certo a operação”.

Nascia então o filho de Angelina, um garotinho que foi chamado de André Ricardo. Em meio ao parto inesperado, ao nascimento de um bebê tão frágil e à

passagem pelo hospital, Angelina reprime seus sentimentos para que os mesmos não interfiram em seu estado de saúde.

“Dá um pouquinho de medo, porque a hora que a gente vai conversar com o médico, vem a situação. Eu seguro para não chorar, porque se eu chorar, não vai adiantar, vai me dar dor de cabeça, dor no corpo, vou passar mal, minha pressão vai subir e eu vou voltar a ficar internada de novo”.

Várias tentativas foram feitas no intuito de minimizar a ansiedade e a angústia provenientes desta delicada situação, como a distração frente a programas de televisão e músicas no rádio colocado no quarto das acompanhantes, assim como conversas com suas colegas de quarto.

“Se eu começar a pensar, aí eu choro sozinha no quarto. Eu faço de tudo para não pensar, eu não penso, a hora que vem aquela coisinha assim na minha cabeça, eu não penso”.

Angelina permaneceu internada dois dias após ter dado à luz ao pequenino André, para que sua pressão arterial pudesse ser estabilizada, enquanto que o bebê foi removido para a U.T.I. neonatal. O contato entre mãe e filho ocorreu apenas após a alta de Angelina.

Frente ao estado de seu bebê e todos os procedimentos a que estava sendo submetido, Angelina relata não ter muitos temores. De acordo com suas palavras, as leituras específicas efetuadas e as informações obtidas durante a gestação, contribuíram para que pudesse encarar a situação de forma mais tranqüila.

“[...] eu não fiquei assustada e nem com medo, sabe por que eu não

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