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Chapitre 2 : Conception d’interface virtuelle pour commander un bras

7. Conclusion du chapitre 2

Foram utilizadas duas técnicas de coleta de dados, com o objetivo de proporcionar contextos distintos e enriquecer a análise, a partir da comparação e das informações obtidas entre os pesquisados. Dessa forma, a primeira etapa da pesquisa caracterizou-se pela aplicação de entrevistas semi-estruturadas, e posteriormente, na segunda etapa, foram realizados grupos de foco.

A seguir são detalhados os métodos de coleta de dados empregados neste trabalho, bem como os procedimentos operacionais necessários durante a execução da pesquisa.

3.2.1 Entrevistas

A entrevista semi-estruturada é definida por Laville e Dione (2007, p. 188) como “uma série de perguntas abertas, feitas verbalmente em uma ordem prevista, mas na qual o entrevistador pode acrescentar perguntas de esclarecimento”. Para Vergara (2000), a entrevista constitui um importante instrumento para a coleta de dados em profundidade. Por se tratar de um estudo de percepções, neste trabalho a aplicação de entrevistas se mostra adequado, pois elas são bastante úteis, segundo Silverman, “para se ter acesso às atitudes e aos valores dos indivíduos” (SILVERMAN, 2009, p. 111).

As entrevistas foram realizadas com deficientes físicos das cidades de Niterói e Petrópolis, no Estado do Rio de Janeiro. Na primeira etapa, o estudo foi realizado com a colaboração da Associação Niteroiense dos Deficientes Físicos (ANDEF) e da Associação Pró-Deficiente de Petrópolis. A ANDEF, organização não-governamental fundada em 1981, promove ações em diversas áreas para garantir a cidadania de deficientes físicos. Nesse sentido, a instituição mantém em sua sede atividades esportivas, eventos culturais, um centro de fisioterapia e reabilitação, além de ações voltadas à colocação dos deficientes físicos no mercado de trabalho. A Associação Pró-Deficiente, por sua vez, atua desde 2005 fornecendo apoio, treinamento e ações de ajuda médica e social aos deficientes de Petrópolis. Foram realizadas visitas à sede social da ANDEF para a realização das primeiras entrevistas nos dias 28 de agosto e 15 de outubro de 2010. Outras entrevistas foram realizadas entre os meses de novembro e dezembro de 2010, na cidade de Petrópolis.

O critério não-probabilístico de amostragem justifica-se pelos objetivos da pesquisa, sendo a coleta de dados realizada pelo critério de conveniência. Segundo Vergara (2000), a utilização desse critério leva à seleção dos elementos a serem pesquisados de acordo com a facilidade de acesso a eles, em detrimento de qualquer procedimento estatístico. Nesse contexto, as informações não são tratadas em termos numéricos, mas de acordo com critérios qualitativos de análise, o que impede a generalização dos resultados.

Na seleção dos sujeitos da pesquisa, foram obedecidos dois critérios, de acordo com os objetivos do trabalho. A existência de uma deficiência física, bem como uma experiência preliminar em viagens e turismo foram os elementos considerados para a seleção dos pesquisados. O número de entrevistados foi definido por meio da saturação das respostas obtidas. Foram entrevistados dez deficientes físicos, selecionados por indicação das instituições colaboradoras do projeto. As primeiras cinco entrevistas ocorreram na sede social da ANDEF, em Niterói, e outras cinco foram realizadas em Petrópolis, nas residências dos pesquisados.

Durante as entrevistas, os pesquisados responderam a questões sobre seus hábitos de viagem, e puderam falar abertamente sobre as maiores preocupações e apreensões que surgem quando se planeja uma viagem. Os entrevistados também relataram as providências que costumam tomar no sentido de minimizar essas preocupações, reduzindo assim o risco percebido a um nível tolerável (APÊNDICE B). A repetição das respostas auxiliou na determinação do fim dessa etapa – para Dencker (2003), numa pesquisa qualitativa, quando a mesma resposta é repetida num determinado número de vezes, tem-se um sinal de que a pesquisa pode ser finalizada. A partir disso, procedeu-se a segunda parte da coleta de dados, referente à realização de grupos de foco.

3.2.2 Grupos de foco

Na segunda etapa da coleta de dados, foram realizados três grupos de foco com deficientes físicos. O recrutamento dos participantes ocorreu de diversas formas. Para o primeiro grupo focal, realizado na cidade de Paraisópolis, no Estado de Minas Gerais, o convite à participação se deu por meio de indicações pessoais. Essa técnica, conhecida como “bola de neve” (MENDES, 2008), possibilita a definição da amostragem por meio de referências fornecidas por um ou mais pesquisados, que indicam pessoas que atendam ao perfil necessário para participação na pesquisa. Dessa forma, a existência de vínculos

familiares da pesquisadora com a cidade facilitou a articulação dos contatos, com a colaboração de amigos e conhecidos.

Posteriormente, foram realizados dois grupos de foco na cidade de Petrópolis. Nas duas ocasiões, para o recrutamento utilizaram-se indicações da Associação Pró-Deficiente de Petrópolis, bem como contatos obtidos em portais de relacionamento na internet.

As reuniões foram realizadas nos dias 21 de janeiro, 5 e 12 de fevereiro de 2011. Participaram dos três grupos, ao todo, quatorze pessoas, sendo cinco no primeiro, quatro no segundo e cinco no terceiro.

A utilização de grupos focais tem como objetivo aprofundar o conhecimento sobre as percepções dos pesquisados, por meio da discussão e da interação entre os participantes. Nesse sentido, Neto et al (2002) salientam o caráter de debate dos pontos de vista expressos durante os grupos de foco, diferenciando-os, dessa maneira, do contexto das entrevistas individuais. Por facilitarem o surgimento de novas idéias, bem como a interação espontânea e as emoções dos participantes, o grupo de foco oferece um estímulo a mais aos pesquisados (MATOS, 2008). Sua realização se justifica, portanto, como uma ferramenta de pesquisa em profundidade, que se soma aos dados obtidos por meio de entrevistas, possibilitando o refinamento de alguns aspectos da primeira etapa da pesquisa (VERGARA, 1999). O roteiro para a condução dos grupos de foco foi elaborado, portanto, com base em elementos relevantes identificados durante as entrevistas individuais, além de orientações teóricas do estudo do risco percebido.

Durante as reuniões dos grupos focais, os pesquisados foram estimulados a discutir e opinar sobre questões-chave relacionadas aos objetivos deste trabalho. Na primeira parte da reunião, foram questionados sobre as principais preocupações que surgem quando decidem viajar, no intuito identificar os tipos de risco percebido mais importantes. Na seqüência, os participantes eram incentivados a falar sobre que tipo de providências costumam tomar para minimizar tais preocupações, com o objetivo de serem identificadas as estratégias redutoras de risco percebido mais relevantes. Ao final da discussão, foram solicitadas sugestões que eles julgassem importantes para os planejadores do setor de viagens e turismo (APÊNDICE A).