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Conception participative du module expert

Dans le document Vanda LUENGO (Page 70-74)

modélisation de l’apprenant dans un STI pour l’apprentissage du

3. Conception participative du module expert

Também Brazelton e Cramer (1989) contribuíram para a melhoria das práticas de intervenção com as famílias ao desenvolverem um modelo de desenvolvimento da interação entre pais e filho. Neste modelo os autores defendem que existe uma “influência mútua, ou seja, um membro age e modela o outro, mas o outro também age e também o modela” (p. 113). Para tal basearam-se nos estudos psicanalíticos, nas observações etiológicas, na aprendizagem e interação e na investigação quantitativa nos estudos da interação infantil. Acrescentam ainda que existem quatro fases de interação precoce designadamente o controlo homeostático, o prolongamento da atenção e da interação, os limites experimentais e o aparecimento da autonomia, as quais têm como caraterísticas a sincronia, a simetria, a contingência, a adesão, os jogos, a autonomia e flexibilidade.

Na fase do controlo homeostático as crianças vão ter de aprender a “atingir o controlo dos seus sistemas de captação e produção de energia” (Brazelton e Cramer, 1989, p. 129), i.e., “elas têm de ser capazes de fechar-se ao exterior e de receber estímulos, além de ter de controlarem os seus estados de consciência e sistemas fisiológicos” (p. 129). De acordo com os autores a criança normal atinge este estado de atenção por volta dos primeiros oito a dez dias de vida e, nesta fase, a tarefa dos pais consiste não só em aprender a controlar o bebé e a diminuir a sua captação de energia, mas também aprender a adequar as suas reações comportamentais às limitações individuais e especificas do bebé.

A fase de prolongamento da atenção decorre no período entre a primeira e oitavas semanas atingindo o seu máximo no final do segundo mês, altura em que a criança já sorri para o adulto e emite sons. Os autores consideram que nesta fase, depois de já ter atingido um determinado grau de controlo, a criança manifesta uma ativa vontade em prolongar a interação com o adulto usando para isso as suas capacidades em constante progresso nomeadamente sorrisos, vocalizações, comportamentos faciais, estímulos motores (Brazelton e Cranner, 1989).

Brazelton e Cramer (1989) indicam que na fase dos limites experimentais, entre o terceiro e quarto meses, os pais “começam por pressionar os limites da capacidade da criança para captar e reagir às informações, e a sua aptidão para se retirar e recompor, no seio do sistema homeostático” (p. 132), i.e., através de jogos sequenciais de sorrisos, vocalizações e toques a criança vai acrescentar outras capacidades ao seu reportório. Os autores referem que se esta interação não for gratificante ou se alguns destes jogos não tiverem lugar a relação pais-filho pode estar seriamente em risco.

A fase do aparecimento da autonomia é a última fase de interação precoce entre pais-filho e decorre entre os quatro meses e os quatro meses e meio de idade. Brazelton e Cramer (1989) indicam que esta etapa vital é atingida quando os pais possibilitam que seja o bebé a liderar a emissão de sinais, i.e., quando os pais reconhecem e o encorajam “a procurar, sozinho, e a reagir aos estímulos sociais, do meio e aos jogos – imitando-os, procurando-os e brincando com os objetos” (p. 133). Ao aceitarem e fomentarem esta atividade os pais estão a permitir o brotar da autonomia da criança. Os autores acrescentam ainda que embora os pais possam, nesta fase, sentir algum sentimento de rejeição estes acabam por aperceber-se que o bebé necessita cada vez mais deles para lhe proporcionarem novas experiências e para demonstrarem a sua competência.

Os estudos de Brazelton, conjuntamente com o pedopsiquiatra Greenspan também contribuíram para o estudo do desenvolvimento da criança e consequentemente para a melhoria das práticas de intervenção com as famílias. Estes consideram que a primeira infância é, ao mesmo tempo, a fase mais crítica, mas também a mais frágil no desenvolvimento da criança já que, tal como outros autores, estes defendem que é nos primeiros anos de vida que se definem as bases do desenvolvimento intelectual, emocional e moral. Os autores defendem que “Se não for nessa fase, é certo que uma criança em desenvolvimento pode ainda vir a adquiri-las, mas a um preço muito mais elevado e com hipóteses de sucesso que vão diminuindo à medida que decorre cada ano” (Brazelton e Greenspan, 2002, p. 12). Nesse sentido consideram que existem “necessidades reais”, i.e., experiências e tipos de apoio a que todas as crianças têm direito e identificaram sete necessidades reais das primeira e segunda infâncias bem como das suas famílias. Na opinião dos autores “Estes sete aspetos básicos propiciam os alicerces para a construção das nossas capacidades emocionais, sociais e intelectuais ao seu mais alto nível” (p. 26) e têm repercussões ao nível familiar, educacional, dos cuidados prestados às crianças e também dos sistemas de serviços (saúde, assistência social, judicial). Desta forma estes definiram como necessidades reais nomeadamente: a necessidades de relações afetivas e contínuas; a necessidade de proteção física, de segurança e de disciplina; a necessidade de experiências adaptadas às diferenças individuais; a necessidade de experiências adequadas ao desenvolvimento; a necessidade de estabelecer limites, de organização e de expetativas; a necessidade de comunidades de apoio estáveis e de continuidade cultural; e, por último, a necessidade de proteger o futuro.

Ao longo do seu percurso Brazelton desenvolveu um “modelo explicativo do desenvolvimento humano no qual são considerados os momentos-chave de desenvolvimento da criança” (Rodrigues, Guimarães, Fuertes, Cravo e Grazina, 2016, p.91), o modelo Touchpoints ou Pontos de Referência. Este está relacionado com “períodos que ocorrem durante os três primeiros anos de vida em que os esforços de desenvolvimento da criança resultam numa ruptura pronunciada da vida familiar” (Brazelton e Greenspan, 2002, p. 230). Estes consideram que se trata de “espécie de mapa do desenvolvimento infantil que pode ser identificado e antecipado pelos pais e educadores” (Brazelton e Greenspan, 2002, p. 230) tendo identificado treze pontos de referência nos primeiros três anos de vida os quais decorrem no período pré-natal (sétimo mês de gravidez), no nascimento, às três semanas, entre as seis e oito semanas, aos quatro meses, aos sete meses, aos nove meses, aos doze meses, aos quinze meses, aos dezoito meses, aos dois anos e aos três anos (Brazelton, 2005, 2010; Brazelton e Greenspan, 2002).

Gomes-Pedro (2005) defende que é a partir do nascimento de uma criança que os pais descobrem a sua capacidade de adaptação ou de contingência e é nesse momento também que “começa a construção do sentido de família, um processo onde todos o membros têm um papel individual e único nos processos de descoberta e de enriquecimento” (p.30) em que cada um dos membros individuais influencia os outros e por conseguinte também é influenciado.

Trata-se, segundo Brazelton, de um modelo conceptual concebido inicialmente para um ambiente de cuidados de saúde primários, mas que neste momento é utilizado por profissionais de várias áreas. Com vista à prevenção, a abordagem deste modelo é multidisciplinar e pretende ser uma base de apoio para os indivíduos e os seus sistemas no que diz respeito à melhoria dos cuidados prestados às famílias. Tem por isso um duplo enfoque no desenvolvimento de relações já que tem implicações quer para os profissionais multidisciplinares quer para as famílias (Brazelton e Greenspan, 2002). Pode perceber-se desta forma o quão importantes foram os estudos de Brazelton e dos seus colaboradores para a Intervenção Precoce.

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