questions votées en ligne dans le cadre d’une classe inversée
5. Analyse de différences entre les questions sur lesquelles votent les étudiants et les questions
5.1. Analyse de lien entre questions, vote et performance
De acordo com Huberman e Miles (1991), o processo de análise dos dados de natureza qualitativa é um processo interactivo, que se baseia em três componentes ou actividades; “condensation des données, présentation des données, et élaboration/vérification des conclusions” (Huberman & Miles, 1991, p. 34)53. Segundo estes autores, estas actividades são concorrentes, pois a análise qualitativa configura-se cíclica, o investigador percorre constantemente estas três componentes, até à finalização da análise, com a apresentação das conclusões. A redução dos dados é uma operação contínua, que consiste na selecção e transformação do material compilado, na sua simplificação e abstracção. É um processo que ocorre desde o momento de definição do campo de observação, integrando as sucessivas fases, onde se incluem a recolha, organização, codificação e apresentação dos resumos, designada de redução concomitante (Lessard-Hébert et al., 1990). De facto, esta foi uma preocupação nossa desde a fase de concepção do próprio estudo e à qual dedicámos especial atenção durante a fase de planeamento das entrevistas. Procurou-se que estas se cingissem a tópicos estritamente necessários, que fossem ao encontro dos objectivos propostos, estruturando-se o protocolo das entrevistas para que a discussão se mantivesse sem desvios relevantes, evitando assim a produção de material sem interesse para o estudo. A realização de uma entrevista de pré-teste, para além das vantagens já indicadas, trouxe benefícios também neste domínio, pois permitiu ajustar a forma de
52 Software desenvolvido pela “QSR International”,
http://www.qsrinternational.com
condução das entrevistas, tornando mais eficaz a produção de material pertinente. Desde logo existiu a preocupação de redução dos dados.
Categorização e codificação
Para além da redução, a análise de dados implica ainda a sua organização e uma forma de o fazer é através da sua categorização segundo determinado sistema de codificação. Para que este procedimento se revele eficaz, importa que o sistema de codificação “capte a informação importante dos dados a codificar” e que permita “recolher informação útil para descrever e compreender o fenómeno que se estuda” (Lessard-Hébert et al., 1990). Ou como sugere Coutinho (2005c), a “categorização é uma operação de classificação de elementos constitutivos de um conjunto, por diferenciação e, seguidamente, por reagrupamento segundo o género (analogia), com os critérios previamente definidos” (Coutinho, 2005c, pp. 65-67). Consiste na organização dos dados brutos em dados organizados, sem no entanto se induzirem desvios no material em análise, mas de tal forma que permita revelar “índices invisíveis ao nível dos dados brutos” (Bardin, 2000, p. 117; Coutinho, 2005c; Lessard-Hébert et al., 1990). Esta operação pode ser realizada de duas formas, segundo uma sistema de categorias existente ou segundo um sistema de categorias que emerge “da classificação analógica e progressiva dos elementos” (Bardin, 2000, p. 119), ou como referem Carmo e Ferreira (1998), “a definição das categorias, pode ser feita a priori ou a postriori” (Carmo & Ferreira, 1998, p. 225).
Nesta fase metodológica, não partimos de um plano teórico completamente definido a respeito do qual se pretendiam inferir determinados pressupostos. Empreendemos uma abordagem exploratória, atitude que nas palavras de Hubermann, citado por Lessard-Hébert et al. (1990), se caracteriza pela entrada “no campo de pesquisa munido de um quadro conceptual em embrião e de uma série de questões de âmbito geral” (Lessard-Hébert et al., 1990, p. 103). Nas palavras de Ghiglione e Matalon (1993), trata-se de “procedimentos abertos” ou procedimentos exploratórios em “que nenhum quadro categorial teórico serve de suporte à análise” (Ghiglione & Matalon, 1993, p. 232).
A estruturação inicial das categorias de análise foi emergindo de uma primeira leitura das transcrições das entrevistas. Salientamos que durante o processo de análise dos dados tivemos sempre em consideração as questões de investigação para as quais se pretendia respostas e os próprios objectivos do estudo. Contudo, procurámos manter alguma abertura em relação a este referencial para a eventualidade de surgirem dados que levantassem outras questões, nomeadamente, questões eventualmente remíveis para outros estudos.
De seguida, aquando do processo de categorização das unidades de registo, previamente preparadas, as categorias e subcategorias foram subdivididas, fundidas, eliminadas ou ajustadas consoante as imposições dos dados. As maiores alterações na organização inicialmente proposta foram implementadas na categorização dos dados da primeira e segunda entrevistas. De forma gradual, foi-se intervindo cada vez menos na estrutura que foi emergindo a partir da proposta
inicial. O tratamento dos dados relativos à terceira entrevista, resultou num processo de refinamento e sedimentação das categorias encontradas, ou como referem Lessard-Hébert et al. (1990) pela “saturação teórica” ou “saturação da amostra”. De facto, durante a codificação dos dados da terceira entrevista, não se verificaram acrescentos importantes de informação, os dados não revelaram situações novas. Tratou-se, portanto, de uma análise indutiva, procurando-se “aspectos específicos dos dados para descobrir categorias, dimensões e inter-relações importantes” (Tuckman, 2000, p. 509). Acima de tudo, procurou-se explorar cada um dos tópicos em profundidade, não partindo de hipóteses baseadas em concepções teóricas, ou seja, procedeu-se a uma análise afastada da dedução (Rosseau & Saillant, 2003, p. 151).
Pelo exposto, conclui-se que o processo de análise dos dados colhidos através das entrevistas consistiu num trabalho exaustivo e sistemático, de organização dos elementos (unidades de registo) em torno de uma estrutura flexível de categorias, que se foi ajustando até se verificarem alguns princípios, como o da exclusão mútua, da homogeneidade, da pertinência, da objectividade, fidelidade e da produtividade (Bardin, 2000; Carmo & Ferreira, 1998; Rosseau & Saillant, 2003, p. 152). Não cabe neste trabalho a discussão pormenorizada de questões técnicas tão específicas como a discussão em torno de cada uma destas características consideradas essenciais na busca de boas categorias. Ainda assim, no intuito de se oferecer uma melhor compreensão do trabalho desenvolvido e dada a importância das categorias criadas no contexto de análise dos dados, cumpre-nos sintetizar alguns dos aspectos considerados fundamentais neste domínio. O princípio da exclusão mútua baseia-se no pressuposto de que cada elemento de análise se encontra apenas codificado em apenas uma das categorias. De acordo com Bardin (2000), este princípio depende do princípio da homogeneidade, que foi também respeitado, visto que para cada um dos conjuntos categoriais só funciona apenas com “um registo e com uma dimensão de análise” (p. 120). A adequação de cada uma das categorias ao material em análise justificou a pertinência da sua criação. Por outro lado, procurou-se, tanto quanto possível, a criação de categorias não dotadas de qualquer espécie de ambiguidade, para que a codificação fosse a mais objectiva e fiel possível, relativamente às ideias expressas pelos participantes. Por último, procurou-se ainda criar categorias produtivas, férteis na criação de resultados, no levantamento de hipóteses ou no fornecimento de dados exactos.
Em suma, a análise dos dados das entrevistas consistiu na procura de um discurso singular a partir dos discursos de cada um dos elementos e de cada um dos grupos. Durante as entrevistas procurámos que cada um dos entrevistados falasse sobre cada um dos tópicos. Aquando da análise, procurou-se fazer “falar” o material colhido de forma a libertar as categorias que permitem sintetizar o conteúdo dos discursos dos participantes. Quando nos referimos aos discursos de cada um dos elementos e de cada um dos grupos referimo-nos às características intrínsecas do conteúdo dos discursos de cada participante, cada um tem vivências e conhecimentos diferentes sobre cada um dos tópicos e do discurso colectivo, que apresenta algumas nuances que diferenciam os grupos. Concluímos referindo que respostas idiossincráticas,
ou seja, respostas apresentadas por apenas um dos participantes não constituíram categoria. De seguida apresenta-se a grelha final de análise, resultante das iterações acima relatadas.
Grelha de análise final
As dimensões de análise e respectivas descrições são apresentadas nos quadros seguintes.
Comunidades online / Comunidade de Prática
1. Perspectivas e experiências sobre:
O entendimento que os professores inquiridos manifestam sobre os conceito de Comunidades online, Comunidades de Prática e Comunidades de Prática online.
o Comunidades online
Pertença a comunidades online: descrição do nível de envolvimento; funcionamento e perspectivas sobre as mesmas.
o Comunidades de Prática
Pertença a CoP e a CoP online: nível de envolvimento; funcionamento e perpectivas sobre as mesmas.
2. Concepção de uma CoP de professores de EVT
Informações recolhidas junto dos professores de EVT que suportem a concepção da CoP online
o Lançamento
Estratégias para o lançamento da CoP: número de elementos; formas de divulgação e agregação dos membros em torno da comunidade; eventos.
o Funcionamento
Ideias e sugestões sobre funcionamento da CoP.
Actividades
Actividades a desenvolver no âmbito da CoP.
Organização
Estrutrura social, papéis e responsabilidades dos membros. Ferramentas
Ferramentas de comunicação, de colaboração e partilha a disponibilizar aos membros da CoP online.
Envolvimento
Níveis de envolvimento e formas de participação dos membros. Interacções
Interacções entre os membros da CoP online, presenciais e online.
Atitudes dos membros
Atitudes que os membros da CoP online devem ter.
o Expectativas e benefícios
Expectativas relativamente à CoP online a constituir. Benefícios que os inquiridos esperam obter.
o Indicadores do surgimento da CoP
Indicações ou referências que indiciem potencial surgimento de CoP online por vontade ou desejo dos participantes das entrevistas.
o Stakeholding, suporte e logística