1.3 Conclusion et objectifs
2.1.1 Concept et formalisme
A construção de um projeto de EA depende de vários fatores, entre eles um fator considerável é a perspectiva da escola ante esse contexto de EA, que pode ser observado a partir do Projeto Político-Pedagógico da unidade de ensino. Os tópicos a seguir abordam como deve ser elaborado um Projeto Político-Pedagógico, sua importância e a elaboração do projeto de educação ambiental.
1.3.1 Definição e propósitos de um Projeto Político-Pedagógico
A identidade da escola, seus princípios filosóficos, metodológicos, que indicam a direção que a escola irá tomar no decorrer do ano letivo, são aspectos que constituem um projeto geral da escola de acordo com Oliveira (1990), que se refere ao Projeto Político Pedagógico (PPP) como o que indica a direção, o norte, os rumos da escola e que retrata a cara da escola, sua identidade.
O PPP é um processo de trabalho coletivo da escola, fundamentado na reflexão e na discussão dos problemas, na busca de propostas a solucioná-los. Sendo assim, será subsídio no desenvolvimento do trabalho pedagógico, devendo constantemente ser revisto e se necessário adaptado.
Veiga (2003) define o PPP como sendo:
um meio de engajamento coletivo para integrar ações dispersas, criar sinergias no sentido de buscar soluções alternativas para diferentes momentos do trabalho pedagógico-administrativo, desenvolver o sentimento de pertença, mobilizar os protagonistas para a explicitação de objetivos comuns definindo o norte das ações a serem desencadeadas, fortalecer a construção de uma coerência comum, mas indispensável, para que a ação coletiva produza seus efeitos. (VEIGA, 2003, p. 8).
Já para Vasconcelos (1995),
é a sistematização, nunca definida, de um processo de planejamento participativo, que define a intencionalidade da ação educativa, constituindo- se numa construção coletiva de conhecimento, como elemento de integração da atividade prática da escola no processo de transformação da realidade. (VASCONCELOS, 1995, p. 31).
Para elaborar um PPP é preciso perguntar: Para que queremos a escola? Que cidadão (participação política) e que sociedade queremos formar? Quais temas a escola vai trabalhar? Como será o seu trabalho pedagógico?
Ao responder a essas perguntas será possível entender quais conhecimentos e qual cultura a escola vai valorizar no seu trabalho educativo, quais serão suas necessidades e quais suas prioridades; como a escola vai trabalhar com o conhecimento construído por educandos e educadores e que relação ela vai estabelecer com a comunidade onde se insere.
Para Gadotti e Romão (1997), o projeto da escola depende, sobretudo, da ousadia de seus agentes, da ousadia de cada comunidade escolar em assumir a sua “cara”, tanto para
dentro, na própria escola, nas menores manifestações de seu cotidiano, quanto para fora, no contexto histórico em que ela se insere.
Padilha (2003) indica que, para iniciar um PPP numa perspectiva de escola cidadã, a elaboração do projeto político-pedagógico deve começar pela reflexão sobre a prática para, em seguida, fundamentá-la. Ou seja, é preciso que todos os segmentos da escola analisem os acontecimentos cotidianos para então buscarem mudanças. Esse mesmo autor explica que:
Ao desenvolvê-lo, as pessoas ressignificam suas experiências, refletem suas práticas, resgatam, reafirmam e atualizam valores, explicitam seus sonhos e utopias, demonstram seus saberes, dão sentido aos seus projetos individuais e coletivos, reafirmam suas identidades, estabelecem novas relações de convivência e indicam um horizonte de novos caminhos, possibilidades e propostas de ação. (PADILHA, 2003, p. 1).
Veiga (2000) enfatiza a intencionalidade da escola ao conceber o projeto como uma totalidade articulada decorrente da reflexão e do posicionamento a respeito da sociedade, da educação e do homem, como proposta de ação político-educacional e não como artefato técnico, pois o que dá clareza ao projeto político-pedagógico é a sua intencionalidade.
O PPP, quando feito participativamente, tem caráter emancipador, pois faz com que a escola reflita sobre os problemas educacionais, locais e sociais, tornando-se assim uma instituição de confronto, de resistência e com proposição de inovações, o que promove a democratização da escola. Para Vasconcelos (1995), é uma metodologia de trabalho que possibilita ressignificar a ação de todos os agentes da escola.
Assim, levando-se em conta o que dizem Vasconcelos (1995) e Veiga (2000), pode-se considerar que a elaboração do PPP envolve os seguintes passos:
1) Mobilização da comunidade escolar. Nesse primeiro passo deve-se mobilizar a comunidade escolar, discutir o seu significado e as consequências do projeto para a transformação da escola, o que significa refletir a prática pedagógica escolar, (re)definir uma direção, pensar propostas concretas para atingir a intencionalidade da escola, com a qual o grupo se compromete. É preciso planejar, definir estratégias para a elaboração do projeto político-pedagógico, analisar em que contexto a escola está inserida e, após concluir esse referencial, elaborar documento escrito que servirá de referência para os passos seguintes;
2) Diagnóstico. O diagnóstico é o segundo passo da construção do projeto e se constitui em momento importante que permite uma radiografia da situação em que a escola se encontra na organização e nodesenvolvimento do seu trabalho pedagógico;
3) Definição das propostas de ação. Esse é o momento em que se procura pensar estratégias, linhas de ação, normas, ações concretas, permanentes e temporárias, para
responder às necessidades apontadas pelo diagnóstico, tendo por referência sempre a intencionalidade assumida. Assim, para cada problema constatado, cada necessidade apontada é preciso definir uma proposta de ação. Nessa direção, são inseparáveis os processos de reflexão sobre a prática assumida pelo coletivo da escola e as práticas de cada um dos seus segmentos;
4) Execução. A execução do PPP, no decorrer do ano letivo, deve ser baseada na flexibilidade e na adaptação de acontecimentos emergentes, bem como na reflexão da prática, observando pontos a ser modificados e melhorados para o ano seguinte.
Para a elaboração de um Projeto Político Pedagógico, é essencial a participação de todos os sujeitos que serão envolvidos nesse processo. Guimarães (1995) defende a importância da participação:
dá-se grande importância ao papel participativo, atuante do educando/ educador na construção do processo de EA, envolvendo-se integralmente, domínio afetivo e cognitivo, com a realidade apresentada, vivenciando-a criticamente para atuar na construção de uma nova realidade desejada. (GUIMARÃES, 1995, p. 32).
Vinculado à participação está o planejamento, pois é ação pedagógica essencial traçar linhas, estratégias e metas para determinado projeto. O grande desafio para realizar a EA, conforme indica Guimarães (1995), é exatamente o planejamento participativo, resultado da interdisciplinaridade e da coletividade. A colaboração de todos proporcionará visão integrada do conhecimento.
De acordo com Portugal (2008), o sucesso para o desenvolvimento de projetos de EA está no planejamento participativo, em que todos os segmentos contribuam com suas experiências e suas expectativas.
A inserção de temas relevantes dentro de um projeto de educação ambiental é muito importante e o projeto deve estar incorporado ao Projeto Político-Pedagógico da escola para que tenha dimensão eficaz e faça parte das prioridades de execução no decorrer do ano letivo.
A inserção de um projeto de educação ambiental no PPP da escola é um primeiro passo para esse projeto ter legitimidade durante o ano letivo, mas isso não assegura sua execução. Mas se, caso contrário, o projeto não fizer parte do PPP, será apenas um subprojeto isolado de determinados professores, mas não da escola como um todo, e o desafio é exatamente envolver toda a escola nas ações relativas ao projeto de educação ambiental. O próximo tópico trata de como elaborar projeto de EA inserido num PPP.
1.3.2 Como elaborar projetos de educação ambiental
A transversalidade pode ser concretizada a partir da metodologia de projetos (MORAES, 2006). Essa autora aponta que a metodologia de projetos visa a uma educação de mudança, já que parte do estudo, do interesse de problemas da comunidade para a busca de resposta às necessidades. Os PCN destacam a importância dos projetos.
A organização dos conteúdos em torno de projetos, como forma de desenvolver atividades de ensino e aprendizagem, favorece a compreensão da multiplicidade de aspectos que compõem a realidade, uma vez que permite a articulação de contribuições de diversos campos de conhecimento. Esse tipo de organização permite que se dê relevância às questões dos Temas Transversais, pois os projetos podem se desenvolver em torno deles e ser direcionados para metas objetivas ou para a produção de algo específico. (BRASIL/MEC, 1997, p. 42).
De acordo com os PCN, então, um meio de inserir a EA na escola de forma transversal são os projetos pedagógicos que os professores desenvolvem com os alunos em sala de aula. Esses projetos são na verdade subprojetos do PPP, pois podem ser realizados por toda a escola sobre determinado tema, por um grupo de professores ou apenas por um professor com seus alunos.
Antunes (2001) define projeto como pesquisa ou investigação, mas desenvolvida em profundidade sobre um tema ou um tópico que se acredita interessante conhecer. Esse autor aponta que a grande vantagem é que o projeto proporciona a investigação – professores e alunos não recebem as informações prontas, mas, juntos, buscam respostas para questões levantadas pela curiosidade do grupo ou pela necessidade de solucionar problemas.Os objetivos de um projeto não se resumem apenas a buscar respostas corretas e abrangentes, mas principalmente devem propiciar aprender de maneira significativa o tópico estudado (ANTUNES, 2001).
Uma observação necessária a ser feita é que o desenvolvimento de um projeto de EA não exclui o estudo sistematizado dos conteúdos. Nenhum teórico, nem mesmo Paulo Freire, defendeu a exclusão dos conteúdos e um trabalho apenas com projetos. Na verdade, faz parte do projeto desenvolver as habilidades e as competências de cada conteúdo, só que de maneira diferenciada e integrada. Se os alunos forem para a escola para estudar apenas os temas transversais por meio de projetos, sem estar inseridos nos conteúdos, fica comprometido o ensino de qualidade.
Guimarães (1995) afirma que inserido nos projetos de EA devem estar os próprios conteúdos das diferentes áreas de conhecimento, aplicados à realidade no sentido de transformá-la.
Nos PCN há recomendação de que a organização das etapas do projeto deverá ser previamente planejada, de forma a comportar as atividades que se pretende realizar dentro do tempo e do espaço que se dispõe. Recomenda-se ainda que devem ser incluídas no planejamento saídas da escola para trabalho prático, para contato com instituições e organizações (BRASIL/MEC, 1997).
Para a realização de um projeto pedagógico são necessárias algumas fases, apresentadas a seguir, em uma síntese da explicação de Antunes (2001):
1) Abertura do projeto. Momento que há a seleção de perguntas e a definição do eixo temático central que será investigado, com base na experiência diária dos alunos e da familiaridade destes com o tema. É importante que o projeto integre grande variedade de matérias. Uma estratégia considerável é traçar um mapa conceitual sobre as linhas gerais dos projetos em todas as fases e os passos, assim como o tema central e os subtemas ou temas adjacentes a esse projeto, sendo necessário que toda a informação colhida na investigação esteja sempre relacionada aos saberes e às experiências dos alunos;
2) O trabalho prático. Consiste na investigação direta, por meio de textos, visitas, entrevistas, observações, entre outras atividades que buscam novos conhecimentos sobre determinado tema;
3) A culminância: apresentação. Exposição dos resultados das investigações, quando