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Full title : “GPDOF : A Fast Algorithm to Decompose Under-constrained Geometric Constraint Systems : Application to 3D Modeling”

G.6 Computing a Plan and a Set of Input Parameters

O processo de aquisição do conhecimento é geralmente composto por proce- dimentos de elicitação e de codificação. Nesta pesquisa, optou-se em agrupar o processo de codificação ao processo de elaboração do material didático, pois se tornou complexo identificar nitidamente seus limites, impossibilitando verificar claramente quando termina um e inicia outro.

Para a análise do conhecimento foram utilizados procedimentos tradi- cionais de interpretação de textos, sem aplicação específica de outra técnica auxiliar. De forma geral, as transcrições obtidas pelos procedimentos de elici- tação – análise de protocolo e entrevista – foram analisadas com a finalidade de classificar e organizar o conteúdo em categorias, permitindo sua aplicação no material didático, que foi desenvolvido com base em algumas técnicas de elaboração de conteúdo, notadamente o mapeamento de informação. Esses procedimentos foram realizados sem o envolvimento dos sujeitos de pesqui- sa, a única exceção foi a leitura do material didático pelos especialistas para efetivarem suas sugestões ou eventuais correções.

A apresentação do processo de desenvolvimento do material didático tem como propósito uma observação geral das escolhas e procedimentos realiza- dos. Uma vez que o projeto editorial do material didático faz parte de um domínio específico de conhecimento, o design gráfico, não são tratados em detalhe todos os seus procedimentos, mas apenas apresentada uma síntese de modo a facilitar sua compreensão.

Nesta seção é apresentada uma síntese de todos os procedimentos rea- lizados, partindo da análise das transcrições até a obtenção de um material didático impresso que contém o conhecimento elicitado dos especialistas. Encontra-se estruturado em duas partes: (i) procedimentos de análise do conhecimento e (ii) desenvolvimento do material didático.

3.3.1 Análise do conhecimento

Os procedimentos realizados para analisar o conhecimento elicitado seguiram uma seqüência tradicional utilizada para interpretação de transcrições de entrevistas ou de depoimentos. É importante salientar que as informações fornecidas pelos especialistas, durante as sessões de elicitação, não foram apresentadas de forma ordenada ou seqüencial. Os especialistas fornece- ram seu conhecimento de forma aleatória, sem uma seqüência definida. O pensamento humano não é linear e, por isso, conhecimentos seqüenciais ou semelhantes podem ser elicitados durante diferentes momentos das sessões. Além disso, a geração de idéias e a configuração de produtos quase nunca são

processos lineares, implicando em flexibilidade e dinâmica durante a atividade projetual. Isso faz com que o processo de organização seja fundamental para tornar o conhecimento elicitado mais acessível.

Inicialmente foram realizadas a leitura e a análise das transcrições e, pa- ralelamente, foram observados os registros de vídeo. Tanto durante a leitura das transcrições quanto durante a observação dos registros em vídeo, foram listados alguns tópicos básicos (palavras-chave) que serviram como indica- ção de possíveis categorias para organizar o conhecimento fornecido pelos especialistas. Ao longo dessas tarefas também foram anotadas idéias que poderiam contribuir com a apresentação do conteúdo do material didático.

A partir da análise das transcrições foram identificados diferentes tipos de informação: (i) informações relevantes; (ii) informações relevantes, mas que não se enquadram no foco do conteúdo do material didático; e (iii) infor- mações que correspondem à conversas paralelas, não sendo caracterizadas como conhecimento útil. Assim, foram selecionadas apenas as informações relevantes para o objetivo do experimento que, correspondem à grande maio- ria das informações elicitadas. A seleção e a simplificação do conhecimento foi uma tarefa essencial para identificar somente o conhecimento válido e necessário para ser tratado posteriormente.

Partindo da lista de tópicos básicos, passou-se para uma definição mais precisa das categorias. Essa definição serviu para agrupar o conhecimento relevante, organizando-o em categorias menores para permitir um tratamen- to facilitado das informações. Todos os tópicos foram revistos, alguns foram agrupados e outros se tornaram uma categoria individual. Essa definição de categorias foi considerada provisória e, posteriormente, várias dessas foram unidas em categorias maiores. As categorias estabelecidas podem ser observadas a seguir:

• Herança caligráfica

• Utilização/inteligência das fontes • Processo de desenho

• Conceitos gerais • Equipamentos utilizados

• Desenho vetorial das curvas/Ajustes finos • Forma geral dos caracteres

• Equilíbrio visual • Caracteres principais

• Derivação e desenho dos demais caracteres • Dicas práticas

• Conhecimentos e habilidades

Cada uma dessas categorias definidas recebeu uma cor específica, que foram utilizadas para identificar as informações nas transcrições. Dessa forma, todo o conhecimento relevante foi marcado, indicando à qual categoria per- tencia. Com base nessas categorias e na identificação de uma necessidade de aprofundamento em algumas partes do conhecimento elicitado, buscou-se referências bibliográficas externas. Essa busca foi realizada com o objetivo de complementar alguns conhecimentos explícitos que foram citados pelos especialistas durante as sessões de elicitação, e que foram considerados es- senciais para o desenvolvimento do conteúdo do material didático.

A escolha de quais conhecimentos explícitos seriam parte do material didá- tico foi influenciada diretamente pelos relatos ou respostas dos especialistas, que associaram determinados conhecimentos explícitos ao seu processo de trabalho. Muito conhecimento a respeito de tipografia que já se encontra explicitado não foi inserido no material didático devido à proposta do tra- balho e ao recorte efetivado. Seria difícil desenvolver um material didático sem considerar o conhecimento explícito que já se encontra codificado, a não ser talvez em propostas bem específicas, que não se enquadravam nos objetivos estabelecidos.

3.3.2 Desenvolvimento do material didático

Com base na determinação do conhecimento relevante, na definição e clas- sificação em categorias, e na busca por referências bibliográficas para com- plementação, iniciou-se o desenvolvimento do material didático impresso. Alguns pontos importantes foram estabelecidos com o propósito de auxiliar

no direcionamento dos procedimentos. O primeiro foi a forma de redação do conteúdo, que deveria ser acessível, clara e objetiva, para facilitar o entendi- mento do conteúdo pelo leitor. O segundo foi considerar a possibilidade de utilizar técnicas específicas para a elaboração de conteúdos e, dentre essas, foi considerado indispensável o mapeamento de informações.

Este material didático não teve como propósito assumir ou suportar por si só o processo de ensino-aprendizagem, como acontece nos materiais didáticos utilizados na educação a distância. A proposta era que ele fosse utilizado como um complemento para o processo de ensino-aprendizagem presencial e, nesse sentido, não foi necessário trabalhar seu conteúdo de forma instru- cional ou auto-instrucional. Sua função básica foi servir como um material didático de apoio, utilizado como um recurso complementar em sala de aula. O importante é que o material didático apresentasse de forma eficiente e satisfatória o conhecimento elicitado dos especialistas.

A ênfase e a delimitação do conteúdo, utilizadas para o desenvolvimento do material didático impresso, foram determinadas pelos resultados do pro- cesso de elicitação. Pela observação do processo e pela entrevista, identificou- se que os profissionais realizaram primeiramente os caracteres minúsculos e, posteriormente desenvolveram os caracteres maiúsculos. Os processos de construção dos caracteres maiúsculos seguem lógicas semelhantes à cons- trução dos minúsculos. Dessa forma, a ênfase foi concentrada nos caracteres minúsculos. Não foram tratados aspectos relativos à pontuação, acentuação, numerais, e demais caracteres especiais, assim como não foram abordados aspectos relativos ao espacejamento dos caracteres. Todo esse universo de co- nhecimento necessitaria de muitas sessões de elicitação com os especialistas, exigindo deles uma disponibilidade de tempo maior, e resultando também numa quantidade ampla de informações a serem tratadas, o que estaria fora dos limites e proposta deste estudo. Também seria necessário muito mais tempo para a aplicação do material didático, visto que, para aplicar todo esse universo de conhecimento com os estudantes seriam necessários diversos meses, além de que os sujeitos de pesquisa envolvidos nesta aplicação deve- riam ter conhecimento dos programas computacionais de desenho de fontes. A discussão que trata do crédito do conhecimento dos especialistas torna- se novamente importante neste momento. O conhecimento dos especialistas é a base essencial desta pesquisa, e o pesquisador não pode assumir o crédito absoluto pelo desenvolvimento do material didático. Portanto, optou-se por creditar os profissionais, Fabio Haag e Eduilson Coan, como especialis- tas participantes, assumindo a co-autoria do material didático. Creditar a participação dos especialistas é uma forma de incentivar e motivar outros profissionais para que participem futuramente de outros projetos de natu- reza semelhante. É importante a realização de novos estudos e discussões a respeito da melhor forma de creditar aos especialistas o conhecimento elicitado, bem como as funções de elicitação e codificação do conhecimento, como também do desenvolvimento de materiais didáticos.

Definição da estrutura do conteúdo

gorias provisoriamente definidas durante os procedimentos de análise do conhecimento, numa seqüência considerada mais compreensível e adequada ao processo de ensino-aprendizagem. A estruturação do conteúdo relativo ao conhecimento elicitado pode ser realizada de diferentes formas, conforme o enfoque adotado e a interpretação de cada pesquisador. A estrutura aqui apresentada foi considerada a mais adequada no contexto desta pesquisa. Dessa forma, optou-se por apresentar inicialmente os conhecimentos básicos e posteriormente os conhecimentos especificamente direcionados ao desenho dos caracteres. A estrutura do conteúdo foi dividida em três partes: a primeira apresenta informações fundamentais a respeito de conceitos importantes ao desenho dos caracteres; a segunda apresenta aspectos gerais de desenho dos caracteres tipográficos; e a terceira trata do processo de desenho dos caracteres tipográficos. Além disso, foram consideradas para essa estrutura as informações pré e pós-textuais (figura 3.10).

Figura 3.10 – representação gráfica da estrutura adotada para a organização do conteúdo do material didático.

As categorias prévias, nas quais o conhecimento foi anteriormente agrupado, serviram como base para formar a estrutura geral do conteúdo do material didático. Por exemplo, a categoria herança caligráfica tornou-se parte dos