• Aucun résultat trouvé

Compression d’une nappe sour flexion circulaire

a) Família

Este tópico surge primeiramente devido ao local onde se realizaram a maioria dos encontros na investigação, os abrigos de acolhimento. No entanto, na primeira etapa da escola também houve alguns momentos que a relação família surgiu, como no 7º CN onde duas irmãs comentaram que não gostavam de ficar em casa por que o pai bebia. Além disto o Programa que tem o nome “Escola da Família”, não tinha famílias em espaço.

Nos abrigos teve registro de adolescente que fugiu para casa do irmão e depois voltou devido conflitos que existiam, conforme 11º CN. Algumas vezes eles contavam suas histórias, como 15º e 16º CN onde um relata ter pedirdo a mãe muito cedo, outros eram caso de rejeição como 24º CN quando o pai que iria buscar no final de semana, avisa que não iria mais, e teve também um no 21º CN que disse ter os pais envolvidos com crime e uso de SPA, até chegou a falar de abuso que sofreu em casa. Além de estarem retirados de seus pais por diversos fatores, existe a situação onde alguns tem irmãos acolhidos em outros abrigos, no 26º CN conversamos sobre um passeio que teve na cidade, onde reuniram todas as crianças e adolescentes de abrigos para passarem um dia juntos num clube da cidade, foi uma oportunidade de reencontros, conforme reportagem do Jornal da Cidade no Apêndice 3.

Considerada como uma das instituições mais antigas da humanidade, a família vem sofrendo diversas alterações em sua composição ao longo dos anos, mas continua tendo sua função diante da sociedade: de ser base para seus entes em afeto e proteção, seja física, moral ou social. Entendendo a família como base da sociedade, seja ela tradicional ou em seus diversos arranjos, entende-se que é através dos laços e vínculos criados ao longo da vida, vivenciados dentro da instituição família que se dá a formação do caráter, das emoções e da personalidade de seus entes como coloca Chalita:

[...] a família tem a responsabilidade de formar o caráter, de educar para os desafios da vida, de perpetuar valores éticos e morais. Os filhos se espelhando nos pais e os pais desenvolvendo a cumplicidade com os filhos.

[...] A preparação para a vida, a formação da pessoa, a construção do ser são responsabilidades da família. É essa a célula mãe da sociedade, em que os conflitos necessários não destroem o ambiente saudável. (2001, p. 20).

Freitas (2002, p.8) nos traz o seguinte conceito sobre a família: “enquanto um processo de articulação de diferentes trajetórias de vida, que possuem um caminhar conjunto e a vivência de relações íntimas, um processo que se constrói a partir de várias relações, como classe, gênero, etnia e idade”.

No Brasil, foi a partir da Constituição Federal de 1988 que os novos arranjos de família foram reconhecidos, mais especificamente em seu artigo 226 que diz: “São grupos ligados afetivamente e que tenham estabilidade”, dando assim espaço para suas diversas formações.

Sendo realidade encontrada na investigação de abandono e falta de estrutura, tratando-se especificamente dos abrigos. São em sua maioria, de famílias em situação de risco, exclusão e vulnerabilidade social. Os adolescentes que lá se encontram, vivenciaram diferentes trajetórias de vida em suas famílias. Refletindo diversos aspectos a isso relacionados tais como: violência, vícios, dificuldade de relacionamentos e até mesmo infrações como furto e tráfico de drogas.

b) Agressividade e afetividade

Durante os encontros teve muitos momentos de agressividade nas relações entre os adolescentes, principalmente no abrigo “B”, mas na primeira etapa da escola, logo no 1º CN também foi registrado esta situação. No abrigo “A” não houve tantos relatos, apenas no primeiro encontro 9º CN quando disseram terem se juntado e espancado um menino, que foi para o abrigo “B”. Na última etapa da investigação no abrigo “B”, esta situação ocorreu várias vezes, destaco o 21º CN onde o cuidador precisou mobilizar um dos adolescentes devido uma briga. Também teve o 25º CN onde um dos meninos que era mais quieto e judiado pelos demais, acabou sendo agredido e teve convulsão. Todos estes relatos são agressões físicas, não abordaremos outros tipos de agressão, que também aconteceram, pois seria muito amplo. De acordo com estudo da relação de jovens infratores com escola, Torezan (2005, p. 226) declara que “a violência é vista como um dos elementos

estruturantes do fato social, sempre presente na história da humanidade”, ela ainda aponta como violência dos poderes institucionais, aquela que os jovens sofrem.

Por mais que agressividade seja algo pertinente em nós e conforme Ximenes (2001, p. 41) aponta “o homem, já na sua origem, para sobreviver teve que desenvolver a sua agressividade”, entendemos que estes são mecanismos de defesa. Mas também vimos a afetividade se contrapor durante a investigação.

Nos encontros houve momentos que os adolescentes mostravam a afetividade com os funcionários e com o investigador que muitas vezes foi convidado por eles para almoçar ou jantar ali junto, conforme 14º, 18º, 22º e 27º CN, percebia- se o quanto isto era importante e significativo para eles. No 16º CN foi relatado por uma das cuidadoras uma situação muito delicada, que talvez não seria este o tópico para aborda-la, mas é o que mais se aproxima, onde um dos adolescentes propôs para cuidadora uma relação sexual, algo que a deixou muito irritada, mas que revela uma carência de afeto, distorcida, mas ainda assim uma carência.

Para finalizar este tópico é apresentado algumas imagens do último passeio no Parque Vitória Régia, como encerramento. Ali os meninos se divertiram e mostraram afeto e interação nas atividades e no momento que juntos estávamos sentados na grama comendo. Foi um momento muito especial como encerramento.