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CHAPITRE 1 - SYNTHESE BIBLIOGRAPHIQUE : DESCRIPTION DE LA CORROSION GENERALISEE

3. Description de la couche d’oxydes native formée à la surface des alliages base Ni à température

3.2. Composition de la couche d’oxydes

Para aprofundar o estudo sobre as áreas de atuação profissional da população que vive em cortiços, entrevistas semiestruturadas foram realizadas com 10 moradores de cortiço. Essa fase representou um enriquecimento significativo das informações já apresentadas e permitiu ampliar o olhar sobre as repercussões desse tipo de moradia na inserção dessas pessoas no emprego.

A escolha da população pesquisada buscou somente pessoas que viviam em cortiços por mais de cinco (5) anos em domicílios de apenas um (1) cômodo. Nesses casos, as pessoas dividem banheiro, na maioria das vezes a área para lavar e estender roupa é comum, e em nenhum dos casos a cozinha era coletiva. Isso implica o perigo do uso de gás em fogões nessas habitações.

Esse aspecto comum foi respeitado na escolha das pessoas entrevistadas. O processo de agendamento para a entrevista foi difícil, e muitas pessoas se recusaram a participar da

pesquisa por diversas causas. Mas, na maioria dos casos, as pessoas ficavam desconfiadas sobre os motivos da entrevista, o que revela uma situação característica dessa população em permanente estado de tensão sobre a moradia.

Em alguns casos, as pessoas alegaram cansaço do trabalho, atividades ligadas à família, a casa; e outros que não aceitavam ser entrevistados porque as pessoas estão cansadas de responder a pesquisas e a situação continuar a mesma. Não se pôde verificar que tipo de expectativa elas ansiavam com as pesquisas que já foram feitas anteriormente, mas o fato de reclamarem da falta de algo simboliza uma demanda por auxílio de alguma natureza. Tendo em vista a situação de precariedade em que vivem, não seria precipitado supor que fosse por melhores condições de vida.

O agendamento foi realizado via telefone ou por meio de visitas às residências das pessoas. Em ambos os casos, foi necessária a intermediação de uma pessoa que possuía algum tipo de relação com eles, seja por meio de lideranças comunitárias conhecidas na região ou por pessoas que trabalham em serviços que atendem diretamente a população de cortiços. Em todos os casos se perguntou sobre o domicílio, e se o mesmo era de apenas (1) um cômodo. Apesar de a resposta ser positiva no momento do agendamento, em dois casos uma situação diversa foi revelada ao longo da entrevista, e as habitações dos entrevistados possuíam banheiro próprio.

Mesmo que esse tipo de viés possa prejudicar os resultados da investigação, em todos os casos as pessoas viviam em situação de vulnerabilidade social e partilhavam de uma situação comum: viver por mais de cinco anos no bairro. Já nas outras duas situações, viviam por mais de 10 anos em cortiços. Outro fator comum desses dois casos era que no mesmo cortiço havia outras habitações sem banheiro, e o espaço de uso coletivo (para lavar e secar roupa) era compartilhado por todos. Esses dois casos, portanto, foram considerados na análise por se tratar de situações muito típicas dessa população e comungavam de diversos pontos comuns entre os demais entrevistados.

Um aspecto interessante surgiu durante os agendamentos das entrevistas com os moradores de cortiço, quando era relatado o tema da pesquisa e as áreas de atuação profissional de moradores de cortiços. Apesar de confirmarem todas as características sobre a situação do domicílio, muitos diziam que não viviam em cortiços, mas em pensões. Por conta dessa rejeição espontânea, uma pergunta foi colocada na entrevista sobre o que as pessoas achavam de ver o lugar que moravam ser chamado de “cortiço”. As respostas exibem uma

questão curiosa. Mesmo entre eles, há uma certa discriminação com o nome, que foi muito associado a locais de baderna, de pessoas amontoadas umas nas outras. Essa questão é importante, pois revela um valor pessoal muito singular para a própria moradia, um apego, mesmo que incidental, ao local em que vivem, valorizando-o como uma conquista pessoal, do trabalho, de ter vencido e conquistado um espaço na região na qual o valor do aluguel de um quarto encontra-se muito valorizado.

As entrevistas foram transcritas num total de 81 páginas de conteúdo analisado. A transcrição registrou as peculiaridades que foram além do conteúdo das respostas. Observou- se a forma como se comportavam os entrevistados, as nuances subjetivas que ocorreram no momento da entrevista, os sorrisos, as interjeições e todo o tipo de manifestação que trouxe elementos importantes para a análise. Todos os aspectos do comportamento das pessoas (risos, postura, reação negativa às perguntas...), portanto, foram utilizados para tentar captar ao máximo as mensagens explícitas e implícitas nos discursos proferidos.

A escolha por uma pesquisa semiestruturada (Minayo, et al, p. 64) demonstrou-se acertada, e as pessoas, na maioria das vezes, não gostavam de discorrer sobre um assunto por algum tempo. O estímulo por meio de perguntas sobre a questão pesquisada foi muito importante para fazê-las expressarem-se melhor, o que ampliou a compreensão do universo dessa população.

O roteiro para as entrevistas inspiriou-se no estudo de Paugam (2003, p. 313), incorporando variáveis adaptadas para a realidade local que tentaram cobrir o objetivo do trabalho. As entrevistas foram divididas em blocos temáticos para dar uma direção ao entrevistador, mas isso não quer dizer que tenha sido seguido burocraticamente ponto a ponto. Ao longo das entrevistas, muitas respostas, por exemplo, anteciparam perguntas que seriam feitas mais à frente. A ideia principal era deixar o interlocutor falar com liberdade, para tentar captar ao máximo a relação que tinha com o meio e o trabalho. Como o repertório linguístico de muitas pessoas nesses locais não permitia a compreensão do sentido exato de algumas perguntas, muitas delas foram feitas por meio de uma linguagem que tentava se aproximar da realidade local. Essa adaptação, por sua vez, não interferiu no resultado das respostas, pelo contrário, foi essencial para cobrir com mais propriedade o fenômeno observado. A entrevista buscou abranger três perspectivas da pessoa:

1. Modos de vida e relações sociais no bairro 2. Condições de moradia

3. Trajetória socioprofissional

Para a sistematização e análise desse conteúdo, o guia metodológico utilizado compõe técnicas de análise de conteúdo sobre o discurso, o enunciado, tentando explorar as relações psicológicas que os indivíduos criam com seu espaço, com sua relação com a cidade e de que modo ela se concebe dentro das qualificações sociovalorativas de cada entrevistado. (Bardin, 2010)

O processo de codificação das entrevistas foi realizado em duas fases, como orienta Bardin (2010, p. 91). A primeira delas foi a decifração estrutural, cujo objetivo é se debruçar no caso a caso de cada entrevista, em todos os aspectos que fogem às análises quantitativas, em que o aspecto interpretativo das questões subjetivas tem um alto valor para a construção da compreensão sobre o discurso do indivíduo. A etapa seguinte foi a análise horizontal, explorando a transversalidade temática das entrevistas, com o foco na síntese das respostas encontrando pontos comuns e expressões recorrentes. É um processo mais superficial, que basicamente procura agrupar categorias expressivas que fazem parte das perspectivas de análise.

Essa triangulação entre diferentes fontes de observação tem o objetivo de trazer uma visão integrada entre os aspectos quantitativo e qualitativo da pesquisa. Tenta-se, com isso, ampliar a compreensão do problema estudado e dos indivíduos que são o foco desse estudo. Nesse ponto, pode-se citar Goldenberg (2009, p. 63):

“Enquanto os métodos quantitativos pressupõem uma população de objetos comparáveis, que fornecerá dados que podem ser generalizáveis, os métodos qualitativos poderão observar, diretamente, como cada indivíduo, grupo ou instituição experimenta, concretamente, a realidade pesquisada.”

O modelo de análise, assim, será construído por meio dos dados, tomados cada qual dentro do seu contexto específico, e da associação entre ambos. Por meio das análises será possível melhorar a compreensão desse processo metodológico.

Nenhuma metodologia de pesquisa é capaz de abarcar a totalidade de um fenômeno. A compreensão integral de qualquer universo, por menor que seja, é praticamente impossível. Por outro lado, qualquer problema pode ser explorado de diversas maneiras. Dessa forma, o trabalho se constitui de uma visão muito específica da realidade estudada, e a pretensão de esgotar o tema não esteve presente em nenhum momento dentro das aspirações do autor.

Talvez um preciosismo de tentar cercá-lo ao máximo dentro das variáveis de análise apresentadas, mas, ainda assim, a temática estudada é complexa.

É muito difícil definir um perfil geral dessa população, pois a realidade dos cortiços é por natureza heterogênea e volátil. O fluxo migratório de pessoas no bairro, por exemplo, é um processo contínuo; mesmo que seja importante conhecê-la, a população flutuante não é foco deste trabalho. O objetivo do estudo está na população que se fixa na região, assumindo todos os custos de viver em uma habitação precária por motivos socioeconômicos que a coloca naquela situação.

Embora o estudo fale de uma população determinada, somando-se as duas pesquisas, ela pode ser considerada representativa em alguma medida. Este olhar sobre uma população específica, que não necessariamente abrange a sua totalidade, pode ser explorado por outras perspectivas. Se interpretado por meio do conceito de pobreza, definido como privação de capacidades (Sen, 2000), essa população está dentro de uma perspectiva comum, dentro de uma realidade que cerca muitos dos vivem ali, levando basicamente ao mesmo ponto: a pressão social por meio de uma marginalidade complexa, pois ao mesmo tempo que vivem numa uma área geograficamente bem localizada e de alto padrão de renda, são pessoas que transitam por universos paralelos nesse mesmo território. É dentro dessas circunstâncias que se busca compreender quais repercussões ela produz no indivíduo, especialmente sob a orientação profissional dessa população.