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Comportement des solides

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Lois de comportement

Exemple 3. Bloc pesant posé sur un plan rigide

4.2 Comportement des solides

Márcia informa também que a família toda sempre ajudou, seja no comércio em si, no caso, os filhos homens mais velhos, seja na produção de víveres para a venda, tais como: a fabricação de farinha, que D. Maria e as filhas produziam, tiravam uma parte para o consumo da família e outra (maior) era destinada à venda; a produção de ovos; entre outras atividades que envolviam todos os familiares.

Narra também que “sempre trabalhamos com roça, era assim roça grande, aí vinham aquelas pessoa de fora, pessoas que não eram da família, contratava no período de tirar a mandioca, preparar a farinha, sabe?”.

Tais atividades ficaram tão fortes na memória e no modo de vida da família Freitas, que, mesmo “mesmo eu sendo funcionária pública, pedagoga, eu sempre gostei de ter o meu comércio, mas já trabalho num tipo de comércio diferente, mas sempre comércio, tá no

sangue47. Eu tenho umas tias que também são comerciantes bem sucedidas, não moram aqui, são as irmãs do papai, (...) mas em Belém, não é aqui”.

Obviamente, há quem discorde dessa denominação. O seu Raimundão, por exemplo, afirma que

INF – por um lado eu discordo com esse nome aí da feira de João Freitas, são pessoas que não procuram as pessoas de idade pra saber qual foi o primeiro comerciante de Murinin. (...) Aí se lembraram do João Freitas, mas o João Freitas veio muito depois. Quando o João Freitas se estabeleceu como comerciante aqui, já tinha passado, então. O primeiro comerciante desse ponto aqui chamava-se Raimundo Mendes.

ENT – Ah, então, pela sua concepção, deveria ser Raimundo Mendes?

INF – Sim porque ele teve comércio aí, que comprava o carvão do pessoal, os carvoeiros, farinheiros, tudo negociava com Raimundo Mendes, chamavam de Dico Mendes, depois ele faliu sabe? Faliu e tal, aí acabou-se o negócio do Dico Mendes, esse Dico Mendes só tem uma filha dele aí, que é a mulher do Badicão.

ENT – Que é a dona Ivani?

INF – É a Ivani, é filha do Dico Mendes, o pai dela, essa feira aí deveria ter botado o nome do primitivo comerciante de Murinin, aí sim era o justo, colocaram João Freitas, num tem nada a ver, depois que ele veio pra cá, com o Murinin já criado, a gente começou e a história tem que começar do princípio.

ENT – Se é pra homenagear né?

INF – É, se é pra homenagear, tem que homenagear os principiantes né? Como tem o nome do meu pai nas ruas, Felipe Monteiro, o nome do meu pai, essa primeira rua aí, Manuel Monteiro, era meu avô, Pedro Monteiro era primo do meu avô, Catarina, a tia ‘Catita’ era irmã do meu avô, meu avô, que era avô da minha mulher, ela é minha prima, a dona Sofia é minha prima, e o meu pai era primo do pai dela. Perguntei à Márcia como seus pais conseguiram formar os filhos, considerando que Murinin, à época em que eles eram estudantes, era uma comunidade muito fechada, sem energia elétrica e com o sistema de transporte precário e oneroso, principalmente pra uma família com uma prole tão grande.

Márcia então me explica que, como aqui só existia uma escola, Grupo Escolar Jarbas Passarinho, que dispunha de uma única turma (multisseriada), com formação até a quinta série do ensino fundamental, os homens só estudaram até este nível, parando de estudar, em seguida, para ajudar no trabalho na roça e no comércio. Já as mulheres passaram a estudar em Benevides (Centro), mas também com formação até a oitava série do ensino fundamental. Então passavam a semana em Belém, na casa de parentes, retornando, nos finais de semana, a Murinin.

A interlocutora expôs que, como o pai “já tinha uma condição financeira melhor, ele comprou um gerador. Só tinha dois geradores aqui, que era na nossa casa e outro na casa do seu Jango. Seu Jango, nessa época era dono da empresa de transporte daqui. Tinha um ônibus cinco horas da manhã, meio dia e cinco da tarde. Só chegava e voltava, ainda passava pelo

terminal, então era muito difícil realmente. As pessoas que viviam aqui era porque gostavam daquela vida, era acostumado com roça”.

Informou ainda que “o comércio de peixe, por exemplo, era muito fraco, porque, naquela época tinha muito peixe, caça. Então, a gente ainda era daquele tipo que o papai ia pescar com os meninos, aí traziam muito peixe, muito. Então, ele não vendia, ele dava pros vizinhos, chamava as mulheres pra ajudar a tratar, a salgar, e dava uma parte pra cada um, era assim, não tinha como vender, porque todo mundo tinha, era farto. (...) Naquela época, eles chamavam isso de vizinhar, o que é vizinhar, é dar um pouco do que você tem pro seu vizinho, se vai comer uma galinha caipira, você manda uma panelinha pro seu vizinho, e assim vice-versa”.

Conta ainda que, embora pequena, lembra que “eles48 queriam que o papai fosse

prefeito, mas o papai nunca quis, ele sempre foi um homem muito simples, e ele continuou com essa mentalidade de simplicidade dele. Naquela época, era assim, eles escolhiam, eu ainda peguei aquela época que não tinha voto direto, eles faziam uma comitiva e diziam ‘olha, o João Freitas vai ser o prefeito’, e o papai nunca quis”.

Márcia relatou também que seus pais foram muito importantes na construção da Paróquia de São Francisco de Assis, “junto com D. Elba, seu Kasuó, a D. Maria Pretinha, a Zulene, do Pessoal do Chico Borges. Naquela época, foi construída mesmo pela comunidade. (...) A D. Elba tinha muitas fotos dessa época. (...) Ela ficou muito revoltada, ela te contou da revolta dela? (...) Ela se sente muito só, porque – não adianta, a gente não recebe a benesses, não adianta você fazer o bem pra alguém e esperar a pessoa dizer ‘Ah, Adelina, muito obrigado pelo que você fez’, às vezes, você recebe de uma outra pessoa que não tem nada a ver”. A vida toda de seu João Freitas foi dedicada à comunidade, conforme sua filha relata. Foi presidente e tesoureiro, até que seu genro, Esmaelino Oliveira assumiu seu lugar.

Perguntei a Márcia como os filhos receberam o fato de ele ter sido homenageado com o nome no mercado. Ela disse que ficaram satisfeitos, “ficamos até agradecidos por terem lembrado, porque outros prefeitos entravam e saíam e ninguém nem falava nada. (...) O governador veio na inauguração, daí eles fizeram uma homenagem. A gente nem tirou foto porque foi uma coisa rápida, já sabe, quando o governador vem, né? ((risos))... ficamos todos felizes, estávamos todos os filhos, os netos, só quem realmente não pôde vir foi que não veio. (...) O prefeito veio em casa e disse ‘olha, a gente conversou com os vereadores, e discutiu sobre a história, seu pai foi um dos maiores comerciantes aqui, dos pioneiros’. Eu disse ‘tá,

tudo bem’. É até gratificante você saber que alguém lembrou do seu pai, porque é memória, né?”.

Com relação à localização da Feira, Márcia afirma que “aquele espaço ali ficou escondido e ninguém teve coragem de brigar no legal pra botar os vendedores pra lá – eles queriam ficar aqui perto da Praça – e os vereadores não tiveram coragem de brigar pra mudar o local da Feira. Surgiu a ideia de fazer onde é o Centro Comunitário. Poderiam ter feito o Centro pra lá onde é a Feira e trazia a Feira pra cá. (...) Não há a conversa com a comunidade, o que acontece é a política”.

Foto 34: Praça Central de Murinin

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