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Comportement m´ ecanique et m´ ecanismes de d´ eformation en traction des aciers de type AISI 316L

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Étude bibliographique de l’acier AISI 316LN : présentation, comportement

1.2 Comportement m´ ecanique et m´ ecanismes de d´ eformation en traction des aciers de type AISI 316L

Ao longo da investigação debruçamo-nos sobre as trajetórias de vida dos diferentes intervenientes no Som da Rua, realizando duas entrevistas ao diretor artístico do Som da Rua e a um dos músicos profissionais e formador da Casa da Música que se encontra a acompanhar o projeto. Este interesse adveio da necessidade de perceber de que forma é que determinados aspetos (como a formação artística, o percurso académico, o percurso profissional, o contexto familiar, a relação com as artes e a cultura, assim como, a ligação ao projeto) podem ou não determinar as orientações estratégicas quanto ao posicionamento no projeto e favorecer (ou não) a emergência de aspetos de inovação artística. Provenientes de um quadro familiar cujas relações são próximas da música ainda que de forma amadora, ambos estiveram ligados à arte e à cultura desde tenra idade.

31 Tomamos aqui de empréstimo o contributo de Robert de Merton quando analisa a funcionalidade da

ação social e distingue entre a lógica intencional e a logica objetiva da ação, isto é, distinguir funções sociais manifestas e latentes. Por outras palavras, Merton faz uma distinção entre comportamentos sociais que cumprem determinadas funções, e define as funções manifestas como “aquelas consequências objetivas que contribuem ao ajuste e adaptação do sistema as quais são pretendidas e reconhecidas pelos participantes no sistema” (Merton, 1957, p.51), enquanto de uma forma contrastante define as funções latentes como “aquelas que não são nem pretendidas nem reconhecidas (pelos participantes no sistema)” (Ibidem), (Higgins, 2011: 276)

“É assim não tendo nem pai nem mãe músicos, ou artistas, se quisermos até no sentido mais lato, ligados a atividades artísticas, fui sempre criado nesse meio ambiente e sempre houve referências, sei lá, desde o meu avô que tinha sido clarinetista na banda, até à minha madrinha que tinha tocado violoncelo, até à minha mãe que tinha tocado piano. Até ao meu pai que sempre adorou música e sempre foi um melómano comprando discos, portanto, eu cresci, no fundo, a ouvir muita música e a ver muita coisa. O que eu acho que condiciona, pelo menos o conhecimento que eu tive enquanto criança foi, provavelmente, muito superior a de muitas crianças da minha geração. Conhecimento e contacto com a música.” (Jorge Prendas Diretor Artístico Som da Rua)

“Desde de miúdo que fazia barulho. Inventava instrumentos. Nunca me esqueço que havia uma caixa de biscoitos redonda, que fazia o barulho de um gongo chinês e eu utilizava como bombo de bateria. Sempre tive esse gosto. (P. Músico Profissional).

Se por um lado Jorge Prendas tem duas licenciaturas, uma em Informática de Gestão e outra em Composição, ambas certificadas pela Universidade de Aveiro, que lhe permitira ser contactado pelo coordenador dos Serviços Educativos para integrar uma equipa de formadores em projetos na Casa da Música, por outro lado, P. abandonou a formação académica após ter concluído o 12º ano para seguir a música enquanto paixão:

“ (…) abdiquei dos meus estudos superiores a dada altura (…) depois dediquei-me um bocadinho autodidaticamente. (…) Eu tenho uma coisa que a DREN considera importante… que se chama currículo relevante. Portanto, há um currículo que é avaliado e inclusive já tive aulas assistidas, foram bastante elogiadas e foram referência para colegas meus, com o dito canudo” (P. Músico Profissional)

Além de um currículo relevante reconhecido pela DREN32, P. seguiu o Curso de animador musical, o que lhe abriu portas para ser formador na Casa da Música integrando o Projeto Som da Rua. Ambos deram aulas de música em diferentes escolas, no caso de P. realçam-se a Escola de Jazz do Porto e a Escola Superior de Educação do Porto. O seu percurso profissional está ligado à música e à criação de instrumentos com objetos reciclados, Jorge Prendas por sua vez, teve um percurso profissional ligado ao ensino e à formação ao mesmo tempo que mantinha uma prática musical profissional.

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“ (…) eu enquanto músico nessa altura fazia um bocadinho de tudo, tocava em bares, tocava ah… em hotéis, tocava em academias de ballet, dava aulas de música” “(…) depois de facto, houve aí uns anos de, meios de afirmação profissional, trabalhando em muitas coisas e depois voltei um bocadinho à formação porque isso começava a ser muito necessário.” (Jorge Prendas Diretor Artístico do Som da Rua)

Denota-se em cada um dos entrevistados um perfil de valor de entrega pessoal, solidariedade e voluntarismo:

“eu ofereci me como voluntário porque tenho necessidade de dar. E fui voluntário na Fundação do Gil onde faço este trabalho. É um misto. Porque eu ofereço-me como voluntário de um projeto da Casa da Música que a partida é garante de alguma qualidade.” (P. Músico Profissional)

“(…)quantas vezes eu me questiono porque estou a fazer isto (…) será que isto é mesmo bom para estas pessoas? Eu não tenho sequer necessidade de fazer isto, mas porque é que eu o estou a fazer? Porque eu sei que depois há esse lado bom, não é, e esse lado bom é depois quando nós vamos apresentar o nosso trabalho e somos reconhecidos pelo público e é uma coisa inexplicável (…) não tinha necessidade disto, do ponto de vista artístico estou mais do que realizado com aquilo que faço noutros até fora da casa… do ponto de vista profissional tenho muito trabalho e realizo-me com tudo mas fui incapaz de largar o “Som da Rua” (…) se calhar, é o bom que o “Som da Rua” me traz… é, às vezes, o contacto. O contacto com o “Som da Rua” leva-nos, leva-me muitas vezes, leva-me muitas vezes, pessoalmente ah… menorizar alguns problemas que nós vamos tendo, porque aquela gente tem problemas muito, mas muito piores do que eu, aquela gente vive muito mas muito pior do que eu, têm situações bem mais graves que as minhas, e portanto o chegar ali, estar em contacto com aquela realidade é uma espécie, de um murro que tu levas, mas por outro é uma espécie de vitamina porque te leva a pensar que a vida não é só os nossos pequenos problemas e as coisinhas que nós às vezes não sabemos lidar bem, portanto, o “Som da Rua” tem esse lado extremamente positivo” (Jorge Prendas Diretor Artístico do Som da Rua)

Por outro lado, embora economicamente falando não lhes origine mais-valia, a verdade é que o capital simbólico que ganham é deveras relevante, uma vez que o trabalho de cada um é reconhecido e legitimado por uma instituição como a Casa da Música. Ora, os elementos analisados indiciam condições objetivas que favorecem e favoreceram à luz de Quintela (2011) práticas de experimentação e de inovação artística e pedagógica, contribuindo para diferenciar, na área educativa, criativa e artística as estratégias de mediação cultural e de integração social do projeto Som da Rua.

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