Space Complexity
5.3. Non-deterministic Space Complexity
5.3.2. NL and Directed Connectivity
5.3.2.3. Complementation or NL = coNL
É elevada a incidência anual de pessoas diagnosticadas com cancro, cujo diagnóstico implica uma série de desafios associados ao confronto com os aspectos físicos e psicossociais, que o desenvolvimento da doença e seu tratamento favorecem (Bishop, 1994).
Implicações físicas
Segundo Bishop, "depending on its location, type, and stage of development, cancer can have a devastating physical impact on its victims" (1994, p.347), pois embora o seu aparecimento seja em geral silencioso, o decurso da doença implica irremediavelmente sintomas físicos e alterações funcionais. Em algumas situações, o cancro pode desenvolver incapacidades, disfunção sexual e alteração da imagem, implicando lesões profundas no auto-concerto. Adicionalmente, as fases mais avançadas da doença, implicam perda de peso ou mesmo caquexia, dor, alterações metabólicas e químicas diversas associadas a problemas renais e hepáticos (Bishop, 1994; Greer, 1999; Miranda & Ribeiro, 1996; Pfeifer, 2000a).
As diferentes modalidades de tratamento implicam alterações, por vezes violentas, da estrutura física e psicossocial. A cirurgia envolve reiteradamente a remoção de extensas áreas teciduais, no sentido de exteriorizar a massa tumoral e evitar a metastização. Esta necessidade implica, em muitas situações, violentas incapacidades e alterações profundas na anterior imagem e funções corporais.
A terapia por radiações, favorece a destruição de células anormais, mas envolve invariavelmente uma lesão de tecidos saudáveis, apresentando inúmeros efeitos laterais, como a fadiga, as náuseas e vómitos, anorexia25, a alopecia26, xerostomia27, obstipação e/ou
diarreia, cáries dentárias, lesões cutâneas (secura, irritabilidade e aumento da sensibilidade), aumento da susceptibilidade às infecções e redução do funcionamento medular ósseo.
Os tratamentos de base química, com o objectivo de destruir o funcionamento celular anormal e a sua divisão celular, têm evoluído consideravelmente nos últimos anos. Existe
25 anorexia - nome da terminologia médica, que pretende significar, a diminuição marcada ou perda de apetite associada a
inúmeras patologias (Diccionário de Medicina (2002). Oceano Mosby, Barcelona: Oceano; Rey, L. (1999). Dicionário de termos técnicos de medicina e saúde, Rio de Janeiro. Guanabara koogan, S.A.)
26 alopecia - nome da terminologia médica, que pretende significar, a queda rápida de cabelo, temporária, parcial ou geral,
associada a tratamentos com substâncias químicas ou rádio (Ibidem).
27 xerostomia - nome da terminologia médica, que pretende significar, secura intensa da mucosa bucal devida ã diminuição ou
actualmente um número muito elevado de agentes químicos capazes de obter o efeito pretendido, nâo impedindo no entanto, alguns dos efeitos laterais a eles associados. Tal como a radioterapia, estes tratamentos destroem também inúmeras células saudáveis e implicam efeitos laterais semelhantes e indutores de elevados níveis de distress, como o emagrecimento, alopecia, náuseas e vómitos, lesões da mucosa oral, lesões corporais diversas e aumento da susceptibilidade às infecções. Estudos recentes estimam a experiência de náuseas e vómitos antecipatórios28 em 18 a 50% dos doentes em tratamento
(Bishop, 1994). Também a antecipação de alopecia tem se mostrado como o efeito mais perturbador em mulheres a iniciar quimioterapia, com graves implicações na auto-imagem e qualidade de vida (McGarvey, Baum, Pinkerton & Rogers, 2001).
A dor oncológica, constituindo um sintoma marcante, geralmente associado a fases avançadas da doença, é hoje tratável através de uma associação de fármacos diversos, desde os analgésicos mais simples até à morfina. Para isso existem actualmente consultas especializadas (clínicas de dor) em que a dor é tratada de forma séria e eficaz. Está também descrito no tratamento da dor, e em paralelo com o tratamento farmacológico, as intervenções de âmbito comportamental, como o relaxamento, a massagem, a distracção e mesmo a hipnose, que surgem com o objectivo de ajudar o doente a lidar com essa mesma dor. No entanto, não se encontraram referências à utilização destas técnicas comportamentais para controlo da dor, no nosso país.
Implicações psicossociais
Mas as implicações psicossociais da doença oncológica são tão graves como as de âmbito físico. É inquestionável o efeito do diagnóstico de doença oncológica sobre o bem- estar emocional (Keitel & Kopala, 2000; Sarafino, 2002).
Estudos nesta área, descritos por Bishop (1994), descrevem violentos sentimentos de ansiedade, depressão, cólera, vergonha e baixa de auto-estima, associados ao desenvolvimento da doença, com manifestações de insónia, falta de concentração e mesmo pensamentos suicidas. Estas respostas não se apresentam, no entanto, tão pessimistas em todos os trabalhos, pois Massey e Holland (1990) descrito pelo mesmo autor consideram que apenas uma média de 25% dos doentes oncológicos desenvolve depressão.
A doença oncológica tem ainda implicações graves nas relações interpessoais, em especial entre o doente e os restantes membros da sua família. Os sentimentos despertados pelas características da doença nos seus familiares, os conflitos entre os sentimentos positivos para com o doente e negativos para com a doença, a incerteza na capacidade de
Náuseas e vómitos antecipatórios - resposta condicionada clássica, na qual os doentes experimentam essas sensações, mesmo antes do estímulo que habitualmente o suscita (a administração da quimioterapia) (Doron, R., & Parot, F., Eds., 2001, Dicionário de Psicologia. Lisboa: Climepsi Editores).
ajuda, podem resultar em comportamentos contraditórios para com o doente ou mesmo evitamento físico, aumentando o distress emocional conjunto (Ogden, 1999; Sarafino, 2002). Mas os diferentes trabalhos realizados nesta temática, e descritos por Bishop (1994), indicam que os doentes em geral se sentem satisfeitos com o suporte emocional, sendo as acções menos úteis compensadas com as positivas. Por outro lado, esses estudos referem ainda a importância de outro tipo de suporte social, o suporte dos profissionais de saúde. Segundo eles, o suporte emocional familiar é insubstituível, mas os doentes contam com os profissionais, para um suporte mais de tipo informativo.