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14. Compiler Directives and Conditional Compilation
Com este trabalho tentamos nos aproximar da realidade vivenciada pelas pessoas em situação de privação de liberdade a fim de compreender a sua inserção invisibilizada na sociedade capitalista contemporânea.
Entendê-los como uma das faces da Questão Social se mostrou de suma importância tanto para o crescimento tanto pessoal quanto profissional. Se faz preciso analisar criticamente a realidade a fim de desmistificar preconceitos e a desconstrução pessoal de uma vida inteira permeada por uma sociabilidade excludente e segregadora é um limite a ser superado cotidianamente, só assim é possível compreender que todas as pessoas são sujeitos de direitos e que a população encarcerada é apenas mais uma vítima do modo de produção capitalista.
Contudo, a ineficiência do Estado e a fragilidade e focalização das políticas sociais na sociedade contemporânea corroboram para a manutenção do status quo de uma sociedade de classes, onde a minoria que detém a riqueza socialmente produzida exploram a classe trabalhadora.
A experiência no processo de estágio no Hospital Giselda Trigueiro significou um grande desafio para a formação profissional, pois é o momento de aproximação com a prática profissional e constitui, portanto, um divisor de águas. O estágio obrigatório em Serviço Social se apresenta como uma experiência extremamente significativa, na medida em que o estagiário o capta como um processo e que é contínuo enquanto eixo basilar do ensino-aprendizagem; nesse período são feitas muitas reflexões, críticas e autocríticas. É a expressão do cotidiano de disputas de projetos profissionais e de análise da realidade da política de saúde.
Foi ainda no interior do HGT que germinou a necessidade de se aprofundar os estudos acerca das políticas Sociais, principalmente a Política da Saúde voltadas à população em privação de liberdade. Durante tal processo de ensino- aprendizagem foi possível constatar a indissociabilidade entre a teoria e a prática na profissão do Serviço Social. A compreensão da articulação entre Formação e Exercício Profissional para responder qualificadamente as mais diversas demandas que se materializam nos campos de estágio (pobreza, violência, fome, educação), e que perpassam com força acentuada a vida da população carcerária foi imprescindível para fomentar a reflexão crítica e, gradativamente desenvolver as competências profissionais diante das realidades das instituições.
Conseguir apreender a realidade de forma dialética se mostrou (ainda que eu esteja apenas galgando os primeiros passos na profissão) um caminho para o avanço na luta pelos direitos sociais em uma sociedade heterogênea, concebida sobre o modelo capitalista excludente.
Na primeira parte desse estudo, onde tentou-se resgatar a origem da Questão Social traçando um paralelo com as novas expressões dessa mesma Questão Social, foi deveras um processo árduo, mas que contribuiu sensivelmente para ampliar a perspectiva crítica de leitura da sociedade contemporânea.
Há de se compreender que a criminalização da pobreza é algo notório do sistema capitalista, que aumenta em proporções nunca vistas antes o hiato entre as Classes e isso contribui para o aumento da população carcerária em nosso país. Dando continuidade ao estudo chegou-se à conclusão de que o cenário da população em privação de liberdade no Estado do RN não se difere da realidade nacional. Sobre a população privada de liberdade, constatou-se que os avanços ou retrocessos nas políticas sociais que contemplam esses usuários estão intrinsicamente ligados aos períodos históricos nos quais se inserem.
Cabe destacar que o adoecimento da população carcerária e seu internamentos nas Unidades de Saúde estão intrinsicamente ligados à realidade vivenciada nas prisões, tais como: superlotação, insalubridade, condições precárias de estrutura, etc.
Dentre as Políticas Públicas estudadas, destaca-se a da Saúde, por questões que remetem à experiência vivida no Hospital Giselda Trigueiro. Contudo, compreende-se que a Política de Saúde deve acompanhar o acesso às demais políticas sociais, evidenciando aqui o conceito amplo de Saúde e não apenas a ausência de doenças.
Pode-se perceber que os problemas vivenciados no HGT que dificultam a integralidade da atenção à saúde, como direito de cidadania aos usuários custodiados, devem ser sistematizados e debatidos para que tão logo sejam inseridos nas diretrizes e metas do Plano Estadual de Saúde, com vistas a sua superação.
Por fim, é necessário compreender que a atual conjuntura política e econômica, de contrarreformas nas áreas sociais, sobretudo através do desfinanciamento das Políticas Públicas, ocasionando de forma proposital o sucateamento do Sistema Único de Saúde, é pauta de um projeto privatista conservador que agudiza ainda mais as desigualdades sociais. Tem-se observado um verdadeiro desmonte das políticas sociais, que mesmo tendo seu papel contraditório de controle de uma determinada classe sobre a outra, só foram conquistadas através de muitas lutas históricas. Implica dizer que as lutas por uma outra sociabilidade, pautada na emancipação humana, encontra-se cada vez mais necessária e que o papel da classe trabalhadora (na qual se insere a profissão do Serviço Social) precisa ser o de protagonista.
Destarte, se faz necessário pontuar que esse trabalho, inserido no cotidiano aligeirado, sofreu prejuízos relacionados ao curto espaço de tempo. Todavia, espera-se ter conseguido ao menos contemplar a realidade vivenciada por uma população tida como invisível pelos governantes e que futuramente outros estudos deem continuidade ao trabalho aqui realizado.
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