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COMPETENCES CLES DRH

Dans le document Le pouvoir d'influence du DRH (Page 32-34)

Para Contador (2001), o corpo “é o lugar de confluência/convergência da tensão entre ‘o que se é’ e ‘o que se quer ser’, delimitando a opção, a escolha contextual de narrativas” (p. 30) e tudo isso dá forma ao processo de identificação. Aqui vemos, mais uma vez, a relação entre o que se é e o que se quer ser, relação que não deixa de ser conflituosa dentro do universo juvenil com sua subjetividade em construção. Muitas vezes, ao observar ou falar com os jovens, eu percebia o quanto se mexiam, com atitudes corporais que denotavam dificuldades em controlar o fluxo agitado do corpo.

Sobre música e corporeidade juvenil, encontrei muitos dados ricos e expressivos, nas observações.

Os meninos usam calças jeans escuras, tênis e camisetas pretas com estampas de grupos de rock: Slayer (C.), ACDc (banda favorita do J. V.) e Venom (G., 14 anos). Eles também usam umas pulseiras características de roqueiros, pretas com apliques de metal prateado. Eles dizem que vão comprar mais adereços, para ficarem mais caracterizados, pois querem criar um visual que, segundo J. V. não será escandaloso, chamativo, mas uma coisa natural (O PII1).

Em sua pesquisa sobre gosto, música e juventude, Seren (2011) também descreve o vestuário de jovens alunos de uma escola, o qual se assemelhava ao visual de rappers americanos, não somente pelas roupas e adereços, mas também por seu gestual característico. A partir da observação desse visual, o autor deduz que as músicas que esses jovens escutavam nos seus tocadores digitais eram rap, hip hop e fGnk.

Olho do corredor do segundo andar e vejo um grupo de quatro meninas, no meio do pátio. Elas dançam enquanto uma delas escuta música num fone de ouvidos. [...] ‘Eu gosto de forró’, diz outra. Pergunto seu nome. M. H., do 1º Médio, e tem 15 anos. Pergunto a outra se gosta de dançar também, e diz que adora. E também pergunto, brincando, se quer dançar para vermos, e ela ri, dizendo não (O PII2).

“Os alunos se reúnem ao redor de uma quadra aberta, e um casal de alunos do Ensino Médio, vestido a caráter dança um bolero cantado por Chico Buarque, Nosso Bolero” (O SM2).

Sobre o corpo e a identidade, Contador afirma que “o sentido geográfico, físico, da identificação, exercita-se por via do corpo, e da sua presença, enquanto corpo-personificação das escolhas musicais, logo identitárias” (CONTADOR, 2001, p. 73). Podemos notar, nas descrições acima, que a dança, manifestação corporal e artística intrinsecamente vinculada à música, está muito presente nos contextos escolares que investiguei, e se relaciona com escolhas musicais feitas pelos próprios jovens, a não ser no caso da apresentação de dança, cujo estilo é opção da escola particular que oferece aulas fora do currículo escolar a seus alunos (O SM10). Chamou-me a atenção a invariabilidade de gêneros musicais e estilos na referida apresentação, diante da possibilidade de um curso de dança livre em uma escola utilizar-se de muitos outros, enriquecendo assim o repertório cultural dos alunos. Não se pode esquecer, no entanto, que, uma vez cientes da preferência musical e de estilo de dança ofertados pela instituição, os jovens acabam por fazer disso também uma opção sua. Ou, ao contrário, a escola se adapta ao que acha ser a opção preferencial do grupo: “Observamos que

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Perguntamos a um grupo e disseram que isso é uma orientação do Colégio, que usem adereços discretos com o uniforme” (O SM6).

Seren (2011), ainda tratando do visual de jovens estudantes, afirma que na escola privada não observou os mesmos adereços e roupas semelhantes aos de rappers nos alunos, devido a uma maior rigidez no uso do uniforme. Também eu observei, como descrevo acima, que as meninas da escola particular portavam adereços mais discretos juntamente com os uniformes, ao contrário das alunas da escola pública, que usavam brincos, colares, broches e enfeites de cabelo em maior abundância do que essas.

O mesmo autor comenta sobre o poder das mídias em ditarem normas de comportamento, que passam por aspectos materiais, tais como o vestuário, e por outros:

[...] os ditames estilísticos lançados pela MTV [emissora americana de estilo jovem internacional] vão muito além da pura apreciação musical. Os pareceres e sugestões de estilo e atitude habitam a moda, a linguagem, a impostação corporal e até o comportamento sexual do público telespectador (SEREN, 2011, p. 121).

Nas entrevistas encontrei os depoimentos seguintes:

Pesquisadora – Quais são seus grupos musicais e cantores preferidos? O que você mais admira neles?

E PII3 (12 anos, menino) – Eu gosto do MC Pet, tá ligado? Porque as músicas deles são legais também. O ritmo dele, o visual. (Pesquisadora: Como é o visual dele?). Ah, ele gosta de andar com um colar, boné, blusa de frio, um tênis chamado Mizuno e uma calça. Ele anda mais assim.

E PII4 (12 anos, menino) – Racionais no rap, e no pagode, o MC Guimê. Pesquisadora – O que você mais gosta neles?

E PII4 – Ah o estilo de vestir, os cordões que eles usam, as roupas.

Curiosa é a maneira como os meninos e meninas se referem aos MCs, sempre mencionando seu visual, suas roupas e adereços. Isso indica o quanto esse componente é importante na figura do ídolo, que parece não poder ser ou estar desvinculado desses elementos, sob a pena de deixar de ser quem é. Assisti há algum tempo a uma entrevista com o MC Guimê, e pude comprovar a forma peculiar como se veste, seus adereços de ouro, tatuagens e corte de cabelo. Ele é um dos representantes do estilo fGnk ostentação, surgido em São Paulo, o qual se caracteriza pelo hábito de divulgar o consumo de produtos, especialmente os de grife, como um modo de se afirmar nos grupos sociais que frequentam ou que desejam frequentar. Ao

ouvir entrevistas com o referido funkeiro, pode-se perceber que o que encanta os jovens é o modo como eles se apresentam visualmente, e também se pode pressupor que a maneira como ascenderam socialmente por meio da música fGnk é um atrativo relevante aos jovens. Embora nenhum dos meus entrevistados tenha feito referência a tal fato, não podemos deixar de considerá-lo um fenômeno impressionante mesmo aos olhos de um adulto que já passou pela fase de idolatrar artistas e de imitá-los.

Pesquisador – Você alguma vez já se inspirou neles para fazer algo ou se influenciou por eles, de alguma forma? Como?

E PII2 (12 anos, menino) – Eu sempre quis comprar a camisa deles. Meu pai ainda está procurando...do Red Hot.

E PII3 (13 anos, menina) – Sim. Não sei, eu acho mais bonito. Já desenhei no braço, já pintei o cabelo.

E PII6 (14 anos, menina) – Acho que sim, com certeza, principalmente de roupa, no estilo que bate muitas vezes com as coisas que você gosta.

E SM2 (15 anos, menino) – Já [...]. Por exemplo, o jeito de eu me vestir, principalmente.

E SM3 (15 anos, menino) – Já. Usei tênis que um cantor - Dinho Ouro Preto - usou. Do Capital Inicial.

E SM5 (15 anos, menino) – Já. Teve uma vez que eu raspei a cabeça porque tem um cantor que usa o cabelo raspado aqui do lado, aí eu fui e raspei também.

Parte do consumo afeta a corporeidade dos jovens. Nos comentários acima, veem-se algumas influências de músicos sobre a maneira como os jovens apresentam seus corpos, vestindo-os, adornando-os e até mesmo modificando-os por meio de cortes e tinturas de cabelo, tatuagens. Seren menciona, em seu trabalho, a produção do estilo rapper por alunos da escola pública onde pesquisou música e gosto musical entre jovens. Ele cita não somente as roupas e adereços, mas também diz que “os cortes de cabelo e o arcabouço gestual singular desses grupos também foram fáceis e recorrentemente identificados” (SEREN, 2011, p. 110).

Os grupos focais também revelaram elementos sobre música e corporeidade dos jovens:

Pesquisadora – Vocês curtem música mais quando estão sozinhos ou em grupo? Por quê?

S., GF SM2 (13-14 anos, menina) – A gente dança também. É, a gente canta e dança. [...] Vai puxando o outro. [...] Se ela for agitada, a gente dança.

182 Pesquisadora –Alguma vez vocês já se inspiraram nesses cantores ou grupos de alguma forma?

A.L., GF SM2 (13-14 anos, menina) – O meu estilo é por causa de muitos artistas, sabe? Porque eu me inspiro muito. Tipo a Brody Dalle do grupo Distillers, porque o estilo dela é bem parecido com o meu. Ela usa umas roupas mais surradas, umas roupas rasgadas, e ela faz umas doideiras com o cabelo dela e eu me inspiro também.

G., GF PII1 (12-13 anos, menina) – A minha unha é grande. Quando eu vou fazer ela, eu me inspiro neles. Assim: o Louis, que é de uma banda, One Direction, ele gosta muto de blusa xadrez e suspensório. Aí, nessa unha... ah, e ele gosta de azul. Eu pintei de branco, fiz listrinha azul, fiz o suspensório preto. No dedão, eu coloquei O. D., que é a sigla, e nesses dois dedos eu coloquei L. T., Louis Thompson. E no dedinho eu coloquei um coração. Do Niall, eu coloquei a bandeira da Irlanda. Ele é da Irlanda.

A., GF PII1 (12-13 anos, menina) – Quando eu comecei a gostar de rock, era lápis todo dia, pulseira com espinho.

Assisti a alguns vídeos de artistas e grupos citados pelos alunos entrevistados e membros dos grupos focais, para verificar não somente as canções e os gêneros que representam, mas para ver suas roupas, adereços e gestuais no palco. Brody Dalle, citada pela menina A.L. (GF SM2), tem os cabelos desalinhados e os olhos cheios de maquiagem, usa calças compridas escuras e uma camiseta clara, cheia de furos e surrada. Tem a guitarra pendurada a tira-a-colo e canta rock. Durante a performance musical, ela vai sendo alvejada por objetos como flores, garrafas, uma espécie de farinha branca e fina, e tintas escuras caem se seu rosto. O visual de A.L. é também bastante despojado, sua calça tem rasgos, seu cabelo é azul e ela usa os olhos fortemente pintados, além de brincos e piercings.

Os detalhes com que G. (GF PII1) se preocupou para homenagear seus ídolos do One Direction por meio do seu corpo são impressionantes. Essas inscrições corporais parecem ser o máximo a que os jovens podem chegar para demonstrar sua admiração e, por que não dizer, amor por seus ídolos, pois o corpo parece ser um patrimônio bastante precioso para que se disponha dele por um motivo que não seja muito importante e significativo. Para Seren,

[...] a música de consumo apresenta ao ouvinte não só um conjugado sonoro, mas também um intérprete na forma de ídolo, uma divindade performática. Ademais, o cenário e o figurino auxiliam o jovem a definir o gênero musical a que ela pretende pertencer. Em suma, o sucesso de uma composição não depende de fatores necessariamente musicais, mas da exploração de outras expressões. Essas expressões adjacentes que carrega a figura do ídolo são os principais motivos para se gostar dele ou não” (SEREN, 2011, p. 122).

Pesquisadora – Qual é a experiência de vocês com música?

A.C., GF SM2 (13-14 anos, menina) – Eu danço. Jazz e pop, mais pop mesmo. Numa academia.

Pesquisadora – O que vocês mais fazem quando estão num ambiente com outros jovens quando tem música?

A.C., GF SM2 (13-14 anos, menina) – Depende, tipo... quando eu tô com amigas mesmo e começo a escutar alguma música, a gente começa a dançar, a se divertir, a pular, gritar.

G., GF PII1 (12-13 anos - menina) – Tipo assim, quando eu tô com minha irmã, sempre a gente escuta uma música e inventa uma coreografia, uma dancinha, fica escutando, fica dançando. Ou igual com uma amiga minha, a gente gosta do mesmo estilo musical, a gente também dança, escuta, dá um grito e abraça uma a outra. Faz a dancinha e a gente começa a rir, para e começa a rir de novo.

Mais uma vez, eles se referem à dança como elemento componente de sua forma de curtir música e o interessante é notar, em mais de um depoimento, que eles gostam de dançar quando estão junto de pessoas mais próximas e íntimas, parecendo ficar, assim, mais à vontade.

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