4.6 Validation de l’optimisation sur la période 2006-2011
4.6.1 Comparaison avec les données satellites
No decorrer de um projeto de investigação, podem ser adotadas metodologias de diversas modalidades que se agrupam em dois conjuntos fundamentais: investigação quantitativa, ligada a questões de mensuração, definições operacionais, variáveis e estatística, e investigação qualitativa, que enfatiza a descrição, a indução, a teoria fundamentada e o estudo das perceções pessoais (Bogdan & Biklen, 1994). Assim, torna-se, antes de mais, essencial definir qual o paradigma mais adequado para abordar o problema sobre o qual incide a presente pesquisa. A natureza deste projeto que, por não se basear em teorias prévias, mas sim em dados observados; por não se preocupar tanto com uma generalização dos resultados, privilegiando antes a descrição e compreensão de dados recolhidos com base em contextos específicos, livres de expressão de ideias particulares do problema em questão, justifica que a opção recaia sobre o paradigma qualitativo (ibid.).
60 Para Olabuénaga (2003), encontrar o foco central de toda a análise qualitativa assenta na busca do significado. A definição desse significado corresponde, em princípio, a uma demarcação concetual aberta a múltiplos sentidos, quanto quer ao conteúdo, quer à compreensão do significado dos discursos. Este tipo de análise visa o conhecimento e a compreensão de significados e interpretações dos atores sociais relativamente às situações e acontecimentos em que estão envolvidos. Logo, a abordagem deste estudo pretende privilegiar a perspetiva dos atores sociais, representada pela “pesquisa no campo dos significados atribuídos ao sujeito no processo saúde/doença, morte/vida, inclusão/exclusão” (Martinelli, 2003, p. 16), que, na investigação, é desempenhada pelo assistente social inserido na área da saúde.
A investigação qualitativa foi efetuada por meio de um estudo exploratório e descritivo, uma vez que contém características essenciais da metodologia qualitativa Deste modo, o presente estudo baseia-se em três pressupostos principais, suportados pela fundamentação teórica. O primeiro pressuposto consiste no facto de o papel de mediador e facilitador do assistente social ser fundamental para a interação profissional, permitindo uma reflexividade constante, não obstante a evolução das atribuições/competências deste profissional na saúde, especialmente no âmbito das equipas multidisciplinares que trabalham com crianças e jovens em risco psicossocial. Desta forma, “o lugar do Serviço Social na área da saúde é, portanto, um lugar multidisciplinar, plural, um lugar de acções cooperativas e complementares, de práticas interdisciplinares” (Martinelli, 2003, p. 12).
O segundo pressuposto baseia-se na intervenção do Serviço Social na saúde, a qual deve ocorrer na dimensão “psicossocial”, ou seja, não se resumir a uma intervenção individualizada, fazendo, antes, uma “abordagem global”, tendo em vista o
61 acompanhamento das crianças nos seus papéis sociais e nas suas redes de sociabilidades mais amplas (Carvalho, 2003).
Por último, esta investigação assenta ainda num terceiro pressuposto, de que o “novo” enquadramento definido pelo Despacho Ministerial n.º 31292/2008 de 5 de dezembro, sobre a ação dos serviços de saúde com crianças em jovens em risco psicossocial, se sustenta no paradigma da “Parceria” e da “Interdisciplinaridade” que, no âmbito das políticas públicas sobre esta matéria, impõe uma nova intervenção profissional para o Serviço Social (Ferreira, 2011).
Nestas circunstâncias, a importância da problemática em estudo, e a consequente justificativa pela escolha do tema deste trabalho, prende-se com o facto de incidir sobre uma nova política introduzida nos serviços de saúde prestados a crianças e jovens em risco psicossocial, visando dar uma resposta adequada e efetiva à premência da problemática dos maus-tratos infanto-juvenis. Por outro lado, por advogar a neutralidade possível do papel assumido pelo investigador, esta pesquisa visa contribuir para uma melhor compreensão do Serviço Social, discernindo, nomeadamente, se, no domínio da saúde, tem uma especificidade própria, se as suas atribuições/competências diferem de serviço para serviço ou, ainda, se, independentemente do contexto, refletem uniformidade, progressos e eficiência na prevenção do fenómeno.
3.1.1. Questões de investigação
As questões de investigação representam o ponto de partida, orientador de um processo partilhado de construção de informação, no qual o destino não passa seguramente pela aferição de normas ou por tentativas de estabelecer generalizações. O objetivo desta pesquisa assenta na necessidade de estabelecer relações entre esta nova
62 medida de política social, designada de Projeto “Ação da Saúde para Crianças e Jovens em Risco”, e as suas implicações para o papel e para a prática profissional do assistente social na saúde.
Tendo em vista a problemática do estudo, formulámos as seguintes questões orientadoras de investigação:
• Quais as implicações da reorganização e do funcionamento dos serviços de saúde prestados a crianças e jovens em risco psicossocial no papel e na prática profissional do assistente social?
• Quais as competências/atribuições da prática profissional do assistente social neste domínio?
• Terá o Serviço Social no contexto da saúde uma especificidade própria no atendimento a crianças e jovens em risco psicossocial?
3.1.2. Objetivos de investigação.
Para responder às questões orientadoras de investigação previamente enunciadas, estabelecemos como objetivo geral deste estudo o seguinte: Compreender as implicações da reorganização e do funcionamento dos serviços de saúde prestados às crianças e jovens em risco psicossocial no papel e na prática profissional do assistente social.
Para atingir o objetivo geral, formulámos os seguintes objetivos específicos:
• Caracterizar o “novo” modelo organizativo dos serviços de saúde para o atendimento de crianças e jovens em risco psicossocial, a partir da perspetiva do assistente social;
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• Identificar, nas unidades em que as novas orientações já foram implementadas, que implicação trouxe a adoção deste “novo” modelo de organização para o papel desempenhado pelo assistente social;
• Identificar as competências/atribuições gerais e específicas do assistente social, no contexto da saúde, ao nível da promoção e proteção de crianças e jovens em risco;
• Verificar se, no âmbito do “novo” modelo organizativo, a intervenção do assistente social se situa preferencialmente a nível da prevenção primária, secundária ou terciária;
• Analisar a articulação entre os assistentes sociais e os demais profissionais entre os diferentes serviços de saúde e os serviços da comunidade implicados na intervenção de promoção e proteção das crianças e jovens em risco psicossocial.