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Commentaires sur la pertinence de la remise en cause du Pacte de stabilité

KEYNESIANISME, MARXISME ET PACTE DE STABILITE ET DE CROISSANCE

1) Commentaires sur la pertinence de la remise en cause du Pacte de stabilité

Dando seguimento, considerando as Pedagogias Críticas21 aquelas que

abonam o caminho para a busca das transformações sociais, tem-se estas ocorrem a partir do sistema educativo e são agenciadas pelas disciplinas acadêmicas que pretendem formar o entendimento e o tratamento do ser humano como sujeito ético e político, dotado tanto de sensibilidade como de humanidade susceptível de emancipação.

Esta dinâmica torna o ser humano o eixo da sua própria busca, da sua própria escolha, das suas próprias perguntas e das suas próprias respostas, que na medida em que são adequadas à sua realidade social, podem encontrar percursos que os conduzam até a liberdade individual e coletiva, pensada pelas Ciências Sociais e também pelas Ciências Humanas. Com isso, obter a liberdade de habitar territórios nos quais a

21 Reitera-se que neste estudo se entende pelo estudo das Pedagogias Críticas como a prática formativa

alternativa que, apoiadas no enfoque da Teoria Crítica, tem como objetivo oferecer aos estudantes a possibilidade de alcançar uma leitura crítica do contexto. A partir disso, contribuir com a solução das problemáticas de sua comunidade. Estas pedagogias centram sua atuação em uma educação de sujeitos éticos, políticos e com um alto espírito de criticidade. São exemplos de Pedagogias Críticas: a Pedagogia Libertadora, a Pedagogia Intercultural, a Pedagogia em Direitos Humanos e a Pedagogia Dialogante.

igualdade seja a característica prioritária e a condição ideal subjacente das pedagogias transformadoras na pretensão de subverter a ordem social hegemonicamente instaurada.

Nesta perspectiva, o ser humano do qual falam as Pedagogias Críticas é o ator principal do desenvolvimento individual e coletivo nos espaços sociais e culturais. Estes espaços propiciam a formação que privilegia a presença do sujeito comprometido que, a partir de sua participação, alcance níveis de ação importantes para contribuir com as melhorias da comunidade.

As Pedagogias Críticas mencionadas por sua vez se inserem dentro da Teoria Crítica e dão às problemáticas sociais o foco de atenção principal para estruturar alternativas de solução que favoreçam as populações mais vulneráveis. As dicotomias que geram desigualdades nas relações de poder desequilibradas são fatores que determinam a luta, que no Sistema educativo dos países latino-americanos precisa ser agenciada para que sejam verdadeiras ações de incidência e transcendência social.

Se o que se pretende – como tem sido expressado neste trabalho – é dar prioridade ao fenômeno da desigualdade social, não há um percurso mais fácil para sua visibilidade do que os conceitos teóricos das Pedagogias Críticas a partir das correntes mais radicais a exemplo do representado pelo pensamento de Paulo Freire. As ideias do autor eram permeadas pelas questões relacionadas à injustiça e desigualdades sociais presentes na América Latina e especialmente no Brasil, sua nação de origem, além de demais países considerados poucos desenvolvidos no seus aspectos humano e coletivo.

Assim, a Pedagogia como Ciência Social e Humana tem como objeto de estudo os fenômenos relacionados à educação no campo sociocultural, e tem na visão de Freire a oportunidade de fornecer instrumentos conceituais ideológicos para que todos os sujeitos, membros dos grupos humanos que se encontram em condição de desigualdade, possam adquirir a formação necessária que lhes permita se reconhecer como sujeitos de direitos, capazes de transformar a realidade adversa em caminhos mais fecundos e produtivos.

Desse modo é possível contribuir com a diminuição das lacunas que geram a pobreza e a falta de oportunidades, bem como a dificuldade que se tem para aproveitar as possibilidades que estão presentes no contexto social.

O processo formativo dos profissionais da Biblioteconomia pode propiciar espaços reflexivos onde se privilegiem a crítica da realidade social na cotidianidade escolar. O profissional da informação tem a possibilidade real de alcançar, a partir do saber disciplinar, grandes momentos de protagonismo social que contribuam com as transformações sociais requeridas pela comunidade num contexto onde seja exercida sua influência.

Esta concepção é mencionada por Cordeiro e Dimario (2008) quando agregam que o profissional da informação tem a necessidade de se atualizar de acordo com as realidades de seu papel social na sociedade da informação, através da busca de conhecimento amplo dos fatos produzidos no campo da ciência e da tecnologia, da educação e da cultura. “Ele pode ser considerado um agente educacional, pois realiza suas atividades dentro de um contexto educacional, suprindo as necessidades informacionais da comunidade” (CORDEIRO; DIMARIO, 2008, p. 6).

A tarefa que aqui se empreende é pela humanização, pelo reconhecimento, pela distribuição equitativa de opções de ser no mundo, pela possibilidade de habitá-lo com condições de dignidade humana. Buscar uma equidade que atualmente não é alcançada devido aos altos níveis de desigualdade que se apresentam no cotidiano social, que é construída pelos interesses do mercado capitalista em detrimento da verdadeira razão de ser dos Estados (o bem-estar geral da população)22.

Nesta direção, a formação dos bibliotecários no século XXI responderá a uma perspectiva crítica quando “prioriza a condição humana, enfatiza os princípios como o conhecimento pertinente, o aprender a ser, comunicar-se e a compreender outros indivíduos” (SILVA, 2002, p. 77). É importante não esquecer que o bibliotecário é, em sua essência, um mediador, um comunicador; alguém que coloca em contato a informação com as pessoas, as pessoas com a informação (CORDEIRO; DIMARIO, 2008, p. 6).

A pretensão das Pedagogias Críticas é oferecer experiências que sirvam para sedimentar as bases da formação dos atores sociais, capazes de encorajá-los a empreender lutas que a partir da educação e da disponibilização da informação,

22 Os estados de bem-estar não podem ser compreendidos apenas em términos de direitos e garantias.

Precisa-se também mirar como as atividades estatais se entrelaçam com o papel do Estado e da família em términos de provisão social (ANDENSER, 1991) para alcançar espaços de igualdade.

preparem-nos para fazer suas apostas éticas e políticas pela vida de sua comunidade de origem, oferecendo com isso, alternativas de solução para os grupos populacionais mais vulneráveis.

Se no percurso curricular da Biblioteconomia se leva em conta as possibilidades de protagonismo social que possui esta área, pode-se transcende-la efetivamente nas comunidades, fazendo com que os grupos sociais de oprimidos adquiram ferramentas informacionais (capacidade de materializar espaços e opções de possibilidades de acesso e uso adequado da informação, para transformá-la em conhecimento útil) que os ajudem a fortalecer seu espírito de luta e de superação. Os fenômenos sociais tão presentes e sentidos nas comunidades, a exemplo da desigualdade, têm que ser combatidos por muitas frentes em todas as esferas sociais e em todas as instituições públicas e privadas, especificamente nas universidades que formam a partir dos programas acadêmicos, ainda que a luta seja conjunta.

Nesse caso, vale salientar que a classe dominante oferecerá soluções aparentes que não chegarão a se consolidar como verdadeiras saídas. É o próprio oprimido que deve tomar as iniciativas que o leve à sua libertação e de sua comunidade.

Esta libertação de que se fala deve ser produto de decisões coletivas, interessadas numa transformação social real, que encontre no contexto do curso de Biblioteconomia um lugar de distribuição de conhecimento, para que este chegue às classes populares. Nessa direção, podem os professores do nível de educação superior liderar algumas mudanças para que a realidades tornem-se mais amenas aos desfavorecidos socialmente. Quanto a estes atos emancipatórios, Freire (1987) prediz que quanto a

Esta superação não pode dar-se, porém, em termos puramente idealistas. Faz- se indispensável aos oprimidos, para a luta por sua liberação, que a realidade concreta da opressão já não seja para eles uma espécie de mundo fechado (em que se gera seu medo à liberdade) do qual não pudessem sair, mas uma Situação que apenas os limita a que eles possam transformar. É fundamental, então, que, ao reconhecerem o limite que a realidade opressora lhes impõe, tenham neste reconhecimento o motor de sua ação liberadora (p. 7).

Não basta para o oprimido se reconhecer numa relação direita com o opressor, é preciso se reconhecer como um ser humano em condições de igualdade, que por

circunstâncias da vida, está numa situação de desequilíbrio da qual precisa sair, construindo sua própria libertação.

A condição do homem, de certa maneira, subalterna, considerando as desigualdades sociais e humanas que vivem, os obriga a reunir esforços para obter forças na luta pela desconstrução dessa situação.

É como homens que os oprimidos têm que lutar e não como coisas. É precisamente porque reduzidos a quase coisas, na relação de opressão em que estão, que se encontram destruídos. Para reconstruir-se é importante que ultrapassem o estado de quase “coisas”. Não podem comparecer à luta como quase “coisas”, para depois ser homens. É radical esta exigência. Ao ultrapassarem este estado em que se destroem, para o de homens, em que se reconstroem, não é a posteriori. A luta por esta reconstrução começa no auto- reconhecimento de homens destruídos (FREIRE, 1987, p. 8).

Nesta caminhada, querer lutar sem as ferramentas propiciadas pela educação é muito mais difícil e insuficiente; é preciso achar sentido nessa luta. O significado que se alcança quando a formação permite olhar para o outro como sujeito partícipe da consolidação de uma sociedade justa e igualitária, permite reduzir distâncias que inferiorizam uns e engrandecem outros. O reconhecimento que a desigualdade social reclama por espaços que veiculem a eliminação dessas separações, faz com que o Currículo nas universidades e especificamente em espaços acadêmicos como o da Biblioteconomia se convertam em opções de transformações sociais.

As aulas tornam-se pontos de encontro para liderar, a partir dessa perspectiva, as verdadeiras revoluções que a sociedade atual requer. A Biblioteconomia, enquanto área que lida com a informação, é uma possibilidade de tratamento do fenômeno da desigualdade social, bem como de muitas outras problemáticas sociais que afetam a real convivência nas comunidades. A prática da Pedagogia da Libertação traz possibilidades amplas de humanização dos Currículos nas diferentes dimensões da vida educativa.

Desse modo, o professor que participa dos espaços educativos de formação destes profissionais deve conceber-se como agente de mudança, a partir da possibilidade que as matérias acadêmicas oferecem num programa curricular demarcado pela influência das Ciências Sociais Aplicadas. É necessário inserir no decorrer do processo formativo uma intenção de transcendência e compromisso com as causas

sociais, mostrando coerência efetiva entre o discurso e a ação pedagógica desenvolvida na sala de aula.

O caminho para a Pedagogia Libertadora proposta neste estudo passa pela possibilidade de propiciar uma educação que se preocupe inicialmente em facilitar os processos de humanização do ser humano, que se constitua em vetor para alcançar a libertação – ação esta que além de liberar o oprimido, também consegue libertar ao opressor.

Segundo Freire (1987), o problema da humanização, além de ser problema central, tem sido sempre de um ponto de vista axiológico, assumindo hoje um caráter de preocupação coletiva. A partir deste olhar, não atentar para os fatores que dificultam esse processo de humanização do homem é um erro que precisa ser corrigido pelo sistema educativo, e mais especificamente por aqueles cenários que facilitam o conhecimento do campo social e cultural. A Ciência da Informação, por ser uma Ciência Social Aplicada, deve, por sua natureza, compreender os fenômenos e problemas sociais que fragmentam a sociedade.

Os espaços de encontro acadêmico nos quais cotidianamente se desenvolvem os planos de estudo das disciplinas nas universidades são suscetíveis de se converter em oportunidades potenciais para a realização de reivindicações sociais.

A necessidade de libertação como insumo para a humanização do homem torna-se relevante para o reconhecimento e materialização da cidadania roubada, conforme assertiva de Freire (1987, p.16):

Constatar esta preocupação implica, indiscutivelmente, em reconhecer a desumanização, não apenas como viabilidade ontológica, mas como realidade histórica. É também, e talvez, sobretudo, a partir desta dolorosa constatação, que os homens se perguntam sobre a outra viabilidade – a de sua humanização. Ambas na raiz de sua inconclusão, que os inscreve num permanente movimento de busca. Humanização e desumanização, dentro da história, num contexto real, concreto, objetivo, são possibilidades dos homens como seres inconclusos e conscientes de sua inconclusão. Mas, se ambas são possibilidades, só a primeira nos parece ser o que chamamos de vocação dos homens. Vocação negada, mas também afirmada na própria negação. Vocação negada na injustiça, na exploração, na opressão, na violência dos opressores. Mas afirmada no anseio de liberdade, de justiça, de luta dos oprimidos, pela recuperação de sua humanidade roubada.

Claramente a formação dos profissionais da Ciência da Informação e demais profissionais das Ciências Sociais devem orientar-se de forma a reforçar os processos de humanização, considerando que esta é desestabilizada pela desigualdade social que se quer combater. O esforço compartilhado destas disciplinas do conhecimento, somado à complexidade destes fenômenos faz com que a busca de alternativas de soluções sejam igualmente complexas.

Vislumbrar as possibilidades é o primeiro passo que se apresenta no esclarecimento das vias de emancipação social, dentre as quais se encontram as disciplinas de cunho social como é caso da Biblioteconomia. Em geral, as aulas são espaços de formação educativos não aproveitados para confrontar esta relação dialógica oprimido-opressor, fato que favorece a perpetuação das relações verticais de poder no tempo e no espaço, com a anuência de um Sistema educativo que funciona como um canal de reprodução das desigualdades.

Este projeto de cunho social tem que ser posto ao alcance de toda a população. Para isto, Chevallard (1998), em sua Transposição Didática, as apresenta como um facilitador da materialização desta intenção educativa. “Todo projeto de ensino- aprendizagem se constitui dialeticamente com a identificação e designação de conteúdos de saberes como conteúdos a ensinar, por geral preexistem ao movimento que os cria como tais” (p.45). São verdadeiras criações didáticas suscitadas pela necessidade de formação em aspetos relevantes para a mudança social.

De igual maneira, as reflexões pedagógicas deixadas por Freire (1987) ao longo de sua vida de inquietudes sociais, se traduzem em insumo de luta que ensina um percurso a ser seguido pelos docentes que desejam transitar pelas Pedagogias Críticas. A partir de então é possível atentar para as problemáticas sociais que dificultam a materialização da condição humana em todos os indivíduos de uma comunidade.

Percorrer os caminhos da Pedagogia Libertadora significa querer formar futuros profissionais da Ciência da Informação comprometidos com uma verdadeira possibilidade de transformação social, fazendo de sua prática profissional, espaços de participação comunitária que produzam sentido de emancipação coletiva nos grupos humanos menos favorecidos. Freire (2004, p.18) convida a entender, com um olhar crítico, a realidade que afeta a população, ao dizer que “Ler criticamente o mundo é um

fazer político-pedagógico; é inseparável do pedagógico-político, é dizer, da ação política que involucra a organização de grupos e de classes populares para intervir na reinvenção da sociedade”.

Para se libertar da opressão construída ao longo de tempo é preciso desmontar as estruturas mentais que legitimam a superioridade de uns sobre os outros, onde o oprimido alimenta e avalia com seu comportamento permissivo a luxúria do opressor, acrescentando e eternizando seu poder hegemônico de dominação.

Ainda que pareça que se está caminhando por estradas muito difíceis de transitar, mediadas por desejos e utopias, as Pedagogias Críticas são consideradas como sustento epistemológico de esperança, tendo espaço para a utopia, fazendo dela um caminho necessário para o crescimento. O autor uruguaio Galeano (2006. p. 230) salienta essa afirmação quando diz que: “ella está en el horizonte [...]. Me acerco dos pasos, ella se aleja dos pasos. Camino diez pasos y el horizonte se corre diez pasos más allá. Por mucho que yo camine, nunca la alcanzaré. ¿Para qué sirve la utopía? Para eso sirve: para caminar”.

Este estudo, tal qual a utopia de Galeano, é uma oportunidade para uma reflexão permanente sobre a vida, seu o valor e a atuação do indivíduo como sujeito necessário para o crescimento da comunidade, como base da sociedade humana. É preciso unir esforços que construam meios que possibilitem a libertação das pessoas, assim como alcançar a união e o trato equitativo entre homens, mulheres, negros, mestiços, homossexuais, pobres, ricos e demais sujeitos constituintes das sociedades modernas.