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Commande concernant les enquêtes POP .1 Flux entrant et sortant

L’Enquête Sociale Rapide (dans le cadre de la POP)

II.3 Commande concernant les enquêtes POP .1 Flux entrant et sortant

Encontrava seu Francisco sentado na cadeira de balanço de frente à janela que dá para a cancela. Cancela que dá para a estrada. Estrada que leva à cidade para onde há muito seu Francisco não vai. Com esforço, de olhos sempre fecha- dos, “os ouvidos puxam as lembranças das imagens” que se desentendem nesse tempo de quase nove décadas vividas.

Assim pode “ver” os passarinhos cantando lá fora, o frescor vindo do mato, o chão molhado da serra, a água corrente entre as pedras e o ronco do carro que passa distante, a cada três horas. Sua irmã, sentada ao seu lado, acompanha-o na apreciação da paisagem. Na visita usual (da Equipe da ESF), artrite reumatoide, defi ciência visual e auditiva, difi culdade de deambulação são palavras reescritas e registradas no prontuário.

Algum tempo depois da verifi cação da TA, ausculta, exame físico e prescri- ções, alguém da equipe conta que, quando criança, muitos saíam de casa para ouvi-lo tocar sua gaita. A irmã relatou que após sangramento nasal que o levou a consultar um otorrino, seguiu rigorosamente a recomendação do especialista: há catorze anos não tocava a sua gaita e até desfez-se dela presenteando um parente. Alguém pergunta em tom alto para que ele possa escutar: sente saudade, seu Chico? Ele direciona o rosto à voz e responde com os olhos fechados: SIM! Muita, muita saudade! Aprendera a tirar sons sozinho, devagar, mas quando gostava de uma canção, não sossegava enquanto não a tocava “todinha”. Lem- brava o poeta Fernando Pessoa: E a melodia que não havia / se agora a lembro

/ faz-me chorar.

No dia seguinte, a equipe encontra Seu Francisco e a irmã diante da janela. A mesma cena e uma sensação de que nada acontecia por ali. Ao entrar, a médica  ansiosamente  põe um objeto em suas mãos: “Trouxe uma coisa pro senhor!” Ele o apalpa de uma ponta a outra; reconhecendo a velha parceira, agarra-a com os olhos marejados e canta alto, com cara feliz de menino quando ganha um brinquedo novo: “Eu vou pra lua, eu vou morar lá”... Leva a gaita aos lábios; con- tinua a canção tocando-a inteirinha. Acho que Manoel de Barros diria: “cigarra

que estoura o crepúsculo que a contém”. Mas era também uma manifestação de

alegria; algo com cheiro de aurora. Abstrações ganhando formas. Seu Francisco pegara a música do ar e das coisas lá de fora; inseria na música tudo o que havia colhido naquela janela; tudo o que precisava para expressar o seu  mundo.

Seu Francisco arrumou-se, foi à cidade. Como quem sai para exibir a antiga namorada reencontrada, foi  brilhar na abertura da conferência municipal de saúde do local.

No meio do discurso de abertura do secretário de saúde, seu Francisco, com a gaita na mão, não aguentou esperar sua vez de se apresentar; começou a to- car ainda na plateia sendo rapidamente conduzido ao palco. Ele queria “tirar o desconto dos catorze anos que fi cou sem tocar”.

1

Resumo

2

Atividade

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Módulo 3 O processo de trabalho em saúde

Depois da leitura do Caso 2, refl ita sobre as seguintes questões:

a)

que atores estiveram envolvidos na prestação dos serviços?

b)

que recursos tecnológicos predominaram no processo assistencial?

c)

como se deu a participação do usuário no processo de trabalho, de forma ativa ou passiva?

Registre suas refl exões e envie para o seu tutor juntamente com a

Atividade 1. Lembre que as atividades devem ser enviadas por meio da

plataforma virtual do curso.

Neste módulo, você teve a oportunidade de contextualizar o trabalho em saúde em sua dimensão conceptual e nas relações que estabelece com a realidade social, política e econômica do país e com as transformações do mundo do trabalho, bem como analisar os aspectos do Processo Coletivo de Trabalho nos serviços de saúde, destacando sua composição tecnológica e especifi cidades em relação a outros setores de serviços. Aprendeu que o trabalho nos serviços de saúde é parte integrante do processo de trabalho em geral e, portanto, compartilha características comuns com outros processos de trabalho, mas que por ser um serviço que se funda numa inter-relação pessoal muito intensa, ele possui características muito especializadas e particularmente decisivas para a sua própria efi cácia. Aprendeu também que todo e qualquer trabalho realizado abriga um espaço peculiar para inovações no plano da organização micropolítica do trabalho em saúde que é o espaço relacional – o espaço da comunicação entre os usuários e os produtores dos serviços.

Atividade fi nal

Agora, tomando como base a leitura realizada do texto Por uma Composição

Técnica do Trabalho centrada no campo relacional e nas tecnologias leves, de

Merhy e Franco (2003), e a sua própria realidade enquanto gestor e trabalhador da saúde, responda às seguintes questões:

a)

quais são as características mais marcantes do trabalho em saúde?

b)

que fatores difi cultam ou facilitam a qualidade do trabalho em saúde?

c)

q que precisamos mudar em nossas práticas gerenciais e nos processos de trabalho em saúde para que efetivemos um trabalho vivo humanizante, com acolhimento, resolutividade e corresponsabilidade?

Estamos encerrando a Unidade 1 do curso. Felicitamos a todos que continu- am nesta jornada de ensino e aprendizagem que, embora árdua, é sem dúvida também prazerosa e instigante. Para celebrar, vamos usar a nossa criatividade para enviar uma mensagem de estímulo para aqueles que, porventura, ainda não concluíram. Pode ser uma frase, uma carta, uma refl exão, um pensamento, enfi m, algo que os estimule nesse esforço em busca do aprendizado signifi cante. Sucesso nos estudos da Unidade II: Gestão do Trabalho em Saúde!

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Módulo 3 O processo de trabalho em saúde

Referências

ALBORNOZ, Suzana. O que é trabalho. 2. ed. São Paulo: Brasiliense, 1986. Col. Primeiros Passos.

FRIGOOTO, Gaudêncio. Educação e crise do capitalismo real. São Paulo: Cor- tez, 1995.

FRIGOTTO, Gaudêncio. A dupla face do trabalho:criação e destruição da vida. In: CIAVATTA. Maria; FRIGOTTO, Gaudêncio (Og.). A experiência do trabalho

e a educação básica. Rio de Janeiro: DP&A, 2002.

MARX, Karl. O Capital. São Paulo: Abril Cultural, 1984. v 1.

MERHY, E. E.; ONOCKO, R. (Org.). Agir em Saúde, um desafi o para o público. São Paulo: HUCITEC, 1997.

MERHY, E. E.; FRANCO, T. B. Por uma Composição Técnica do Trabalho Centrada nas Tecnologias Leves e no Campo Relacional. Saúde em Debate, Rio de Janeiro, ano XXVII, v. 27, n. 65, set./dez. 2003.

NOGUEIRA, Roberto Passos. O Trabalho em Saúde. In: SANTANA, José Parana- guá de (Coord.). Desenvolvimento Gerencial de Unidades Básicas de Saúde

do Distrito Sanitário: Projeto GERUS, Ministério da Saúde: Fundação Nacional

de Saúde, Brasília, 1997. p. 182-186.

______. Trabalho e qualidade em serviços de saúde. In: SANTANA, José Parana- guá de; CASTRO, Janete Lima de. (Org.). Capacitação em desenvolvimento de

Janete Lima de Castro

Elizabethe Cristina Fagundes de Souza Rosana Lúcia Alves de Vilar

Jorge Luiz de Castro

Maria Jalila Vieira de Figueirêdo Leite

Janete Lima de Castro

Elizabethe Cristina Fagundes de Souza Rosana Lúcia Alves de Vilar

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