8. The Command Processor Program Interface
8.1 The Command Processor Reader
Antes de abordar sobre o tema da iniciação científica no contexto da Biblioteconomia e da Ciência da Informação, é necessário abordar os conceitos do que seria a Biblioteconomia e a Ciência da Informação.
No que se refere à Biblioteconomia, é importante saber como se dá a formação dessa palavra, que segundo Fonseca (2007, p. 1) “é composta por três elementos gregos – biblíon (livro) + théke (caixa) + nomos (regra) – aos quais juntou-se o sufixo ia”.
Ainda conforme Fonseca (2007, p. 1) aborda Biblioteconomia é etimologicamente definindo como sendo “um conjunto de regras de acordo com os quais os livros são organizados em espaços apropriados: estantes, salas, edifícios”.
Para Le Coadic (1996, p. 14) Biblioteconomia é “união de duas palavras, biblioteca e economia (esta no sentido de organização, administração, gestão) não é nem uma ciência, nem uma tecnologia rigorosa, mas uma prática de organização: a arte de organizar bibliotecas”.
Já de acordo com Siqueira (2011, p. 41) “ainda não se chegou a um consenso: dependendo da vertente, a Biblioteconomia pode ser vista como ciência, disciplina ou técnica”.
Para Russo (2010, p. 37) “[...] a Biblioteconomia compreende as regras de organização de livros ou outros documentos em caixas, materializadas em estantes, salas, edifícios etc.”
Define-se Biblioteconomia, no seu sentido restrito, como a área que realiza a organização, gestão e disponibilização de acervos de bibliotecas, e a Bibliografia como a atividade de geração de produtos que indicam os conteúdos dos documentos, independente dos espaços institucionais em que estes se encontrem (ORTEGA, 2004 p. 1).
Nota-se que as definições citadas referentes à Biblioteconomia foram abordadas por cada autor, tendo um ponto de vista, expondo sua opinião do que seria o conceito de Biblioteconomia. Com isso, percebe-se que a Biblioteconomia está associada à organização, administração e gestão de acervos.
Quanto ao conceito de Ciência da Informação, Borko (1968, p.1):
[...] é a disciplina que investiga as propriedades e o comportamento informacional, as forças que governam os fluxos de informação, e os significados do processamento da informação, visando à acessibilidade e a usabilidade ótima. A Ciência da Informação está preocupada com o corpo de conhecimentos relacionados à origem, coleção, organização, armazenamento, recuperação, interpretação, transmissão, transformação, e utilização da informação.
Para Robredo e Cunha (1994, p. 5) a Ciência da Informação:
[...] é uma ciência interdisciplinar que se deriva de e se associa a disciplinas tais como as matemáticas, a lógica, a linguística, a psicologia, a informática, a pesquisa operacional, a análise de sistemas, as artes gráficas, as comunicações, a biblioteconomia, a administração, etc.
Dessa forma, de acordo com os conceitos citados, pode-se dizer que a Ciência da Informação é uma ciência interdisciplinar que pesquisa os problemas voltados tendo como base e contexto a informação.
Já de acordo com, Saracevic (1996, p. 47) diz que:
A Ciência da Informação é um campo dedicado às questões científicas e à prática profissional voltadas para os problemas da efetiva comunicação do conhecimento e de seus registros entre os seres humanos, no contexto social, institucional ou individual do uso e das necessidades de informação. No tratamento destas questões são consideradas de particular interesse as vantagens das modernas tecnologias informacionais.
Entende-se que a ideia de Ciência da Informação está associada aos diversos contextos ligada à informação. Pode-se dizer que a Ciência da Informação “se ocupa com a geração, coleta, organização, interpretação, armazenamento, recuperação, disseminação, transformação e uso da informação, com ênfase particular, na aplicação de tecnologias modernas nestas áreas” (CAPURRO; HJORLAND, 2007, p. 186). Para Silva (2006, p. 140-141, grifo do autor) Ciência da Informação:
[...] é uma ciência social que investiga os problemas, temas e casos relacionados com o fenómeno info-comunicacional perceptível e cognoscível através da confirmação ou não das propriedades inerentes à géneses do fluxo, organização e comportamento informacional (origem, colecta, organização, armazenamento,
recuperação, interpretação, transmissão, transformação e utilização da informação.) (grifo do autor).
Percebe-se assim, que a Ciência da Informação está relacionada aos aspectos sociais, que norteiam à informação, isso levando em consideração a realização de pesquisas nesse contexto.
Com isso, é relevante abordar à relação da Biblioteconomia e Ciência da Informação, que segundo Ortega (2004, p.10):
[...] parte da relação entre Biblioteconomia e Ciência da Informação é decorrência da continuidade da oposição entre Biblioteconomia e Documentação. Afinal, se a Documentação surgiu de uma cisão da Biblioteconomia e impulsionou a formação da Ciência da Informação, seria coerente considerar as duas últimas como divergentes. Apesar de ser verificável relativa divergência, ela só não é maior pois a Biblioteconomia assimilou algumas técnicas da Documentação, sendo por isso definida atualmente como uma grande área nomeada "Biblioteconomia e Documentação".
Percebe-se que a relação entre as áreas de Biblioteconomia e Ciência da Informação está associada à contradição da Biblioteconomia com a Documentação. “Conclui-se que a Biblioteconomia, a Documentação e a Ciência da Informação são áreas que se relacionam conceitual e historicamente” (ORTEGA, 2004, p.11).
Sendo assim, com a breve exposição dos conceitos de Biblioteconomia e Ciência da Informação e a relação delas, é necessário abordar como se deu a pesquisa no contexto da Ciência da Informação.
Com isso, a Ciência da Informação no que diz respeito à pesquisa teve inicio no Brasil da seguinte forma:
No Brasil, ela surgiu no início da década 70, com a implantação do Curso de Mestrado em Ciência da Informação, do Instituto Brasileiro de Bibliografia e Documentação-IBBD, atual Instituto Brasileiro de Informação em Ciência e Tecnologia IBICT, órgão vinculado ao CNPq. Para a consolidação da Ciência da Informação, no Brasil, como campo de conhecimento científico, o IBICT teve um papel destacado, e a Associação Nacional de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação e Biblioteconomia-ANCIB, fundada em 1989, igualmente. A ANCIB, entidade associada à Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência SBPC, é a principal sociedade científica da área e vem, desde 1993, promovendo os Encontros Nacionais de Pesquisa e Pós-Graduação em Ciência da Informação e Biblioteconomia.(SILVA, et al., 2006, p. 160).
Sobre o surgimento de outros cursos de pós-graduação stricto sensu em Ciência da Informação, Stumpf (2009, p. 168) expõe que “primeiramente como Mestrado em Biblioteconomia, e só na década de 90 assumiram a denominação de Ciência da Informação e ampliaram sua atuação para o nível de doutorado”.
Observa-se que as iniciativas em relação à pesquisa surgem a partir das instituições da área de Ciência da Informação. Além disso, percebe-se que a pós- graduação está associada a esse acontecimento.
No ano de 1972 “o IBBD lança a revista Ciência da Informação, sem interrupção de publicação até os dias de hoje e um dos principais veículos de divulgação de pesquisas e práticas de informação [...]” (MARTELETO, 2009, p. 30).
Um ponto a ser a abordado é sobre a formação científica que começa na graduação, pois segundo Costa (2013, p. 34) “a trajetória para a formação científica ocorre, principalmente, no espaço das IES. Trajetória essa que tem início na graduação prosseguindo nos cursos de Pós-Graduação Stricto Sensu, aonde vem a consolidar-se”.
Nota-se que antes da pós-graduação o discente constrói sua formação acadêmica e científica em um curso de graduação. E é na graduação que se começa a se inserir na pesquisa científica.
Sobre isso Castro (2002, p. 51) afirma:
[...] a pesquisa discente, independentemente de área e curso, como o meio pelo qual efetiva-se a relação saber-fazer-saber. Assim, a pesquisa assume papel relevante, na medida em que contribui para romper com aulas expositivas e reprodutivas do discurso alheio, trazendo para o espaço da aula contribuições essenciais reais e concretas, etc...
Compreende-se que a pesquisa realizada pelos graduandos efetua-se uma construção de conhecimento. Além disso, esse conhecimento vai além dos espaços de uma sala de aula.
A pesquisa oferece diversos benefícios para o discente, proporcionando assim algumas vantagens. Castro (2002, p. 51- 52) atribui “algumas vantagens à participação e desenvolvimento de estudantes na pesquisa acadêmica, nos cursos de Biblioteconomia e Ciência da Informação, objetivando”:
a. Ampliar e aprofundar os saberes e as práticas pedagógicas de sala de aula. b. Possibilitar um novo olhar sobre o campo da Biblioteconomia e Ciência da
Informação.
c. Contribuir para a formação crítica e politicamente engajada com questões sociais, econômicas, culturais, científicas e tecnológicas.
Diante dessas vantagens que são estabelecidas, identifica-se que cada uma delas proporciona um tipo de contribuição para o estudante de graduação em Biblioteconomia e Ciência da Informação. Seja nas práticas pedagógicas; proporcionar outra visão das áreas de Biblioteconomia e Ciência da informação; formação critica em diversos âmbitos e possibilitar o interesse do aluno de graduação pela pesquisa científica.
Todas estas ações somente se concretizam se o processo for conduzido no sentido do aprender a aprender, em que o discente atua de modo ativo e cujo papel do orientador é conduzir, encaminhá-lo na leitura e na adoção de metodologias científicas adequadas para encontrar ‘verdades’ que não sejam absolutas e abstratas (CASTRO, 2002, p. 52).
Constata-se que a pesquisa científica é um processo que envolve o amadurecimento intelectual do estudante de ensino superior que abrange a aprendizagem, absorção do conhecimento, disseminação do saber. Isso tendo a figura do orientador que tem um papel fundamental para a construção e formação desse pesquisador. “Além de formar um futuro pesquisador ético e comprometido consigo, com o outro e com o mundo” (CASTRO, 2002, p. 52).
Cabe então mencionar que a formação do bibliotecário não deve ser apenas pautada na especialização e tecnicidade. Deve ter conhecimento do campo da área, mas também, está preparado para os problemas da profissão, com habilidades e competências, refletindo ao contexto da realidade da sua atuação. (RODRIGUES, 2002). Ainda conforme Rodrigues (2002, p. 91):
[...] o ensino de Biblioteconomia deve utilizar-se de novas aproximações didáticas e pedagógicas que permitam ir além do simples domínio cognitivo de conteúdos. Evidencia-se, assim, a importância da iniciação à prática da pesquisa, ainda no percurso da formação profissional. (RODRIGUES, 2002, p. 91).
Entende-se dessa forma, que os cursos de graduação em Biblioteconomia devem ter estratégias, ações pautadas para além dos conteúdos ministrados. Pois serviriam para a construção da formação do aluno, sendo uma delas a pesquisa.
É possível perceber que há algumas discussões sobre isso na literatura da área, a exemplo dos trabalhos de Rodrigues, Valls e Alonzo Diéguez (2012)7 "Ações
7
RODRIGUES, W. F.; VALLS, V. M.; ALONSO DIÉGUEZ, C. R. M. Ações de fomento à pesquisa científica na FaBCI/FESPSP: panorama do período de 2008 a 2010. RDBCI: Revista Digital de
de fomento à pesquisa científica na FaBCI/FESPSP: panorama do período de 2008 a 2010" e do trabalho de Siqueira (2014)8 "Iniciação científica e a formação do bibliotecário".
Associando a formação do discente em Biblioteconomia da UFRN, pode-se citar alguns aspectos que dizem respeito à pesquisa que estão no Projeto Pedagógico do Curso de Graduação em Biblioteconomia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (PPC/UFRN). Sendo assim, de acordo com PPC/UFRN (2017, p.10) o curso de graduação em Biblioteconomia da UFRN tem como objetivos:
• formar profissionais que compreendam o valor da informação para os indivíduos e para a sociedade;
• promover o entendimento da importância dos sistemas de informação no processo de transformação da sociedade;
• capacitar profissionais para modificarem o ambiente e a comunidade intervindo ativamente nos fluxos informacionais;
• desenvolver a capacidade crítica e criativa para a identificação das demandas informacionais, visando propor ações inovadoras para soluções de problemas;
• preparar profissionais para atuarem como especialistas no tratamento da informação, visando sua máxima utilização;
• habilitar profissionais para realização de pesquisas relativas à utilização da informação e ao desempenho profissional;
• promover o desenvolvimento integral do aluno, com vistas ao exercício mais humanístico da profissão.
Cada um desses objetivos tem uma relevância para a construção da formação do bibliotecário e para sua atuação como futuro profissional. Contudo, voltando à temática, entende-se dessa forma, que o sexto objetivo está relacionado à realização de pesquisa, ou seja, tem como propósito preparar o futuro bibliotecário para a prática de pesquisa.
Biblioteconomia e Ciência da Informação, v. 10, n. 2, p. 102-126, 29 jun. 2012. DOI:
https://doi.org/10.20396/rdbci.v10i1.1899. Disponível em:
https://periodicos.sbu.unicamp.br/ojs/index.php/rdbci/article/view/1899. Acesso em: 19 jun. 2019. 8
SIQUEIRA, T. G. S. Iniciação científica e a formação do bibliotecário. Biblionline, v. 10, n. 2, 2014. Disponível em: http://hdl.handle.net/20.500.11959/brapci/16105. Acesso em: 19 jun. 2019.
Com isso, de acordo com o PPC/UFRN(2017, p. 19) espera-se que com a conclusão do curso, os egressos do curso de Biblioteconomia, tenham o seguinte perfil de formando e que tenham capacidades para:
• Interagir e agregar valor nos processos de geração, tratamento, apropriação e preservação da informação, em todo e qualquer ambiente.
• Processar a informação registrada em diferentes tipos de suporte, mediante a aplicação de conhecimentos teóricos e práticos de coleta, de processamento, de armazenamento e de difusão da informação.
• Trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza, expressando criatividade, adaptação e flexibilidade.
• Atuar de forma colaborativa, entre várias áreas do conhecimento, objetivando estudar os processos de geração, de comunicação, de armazenamento e de uso da informação, além do planejamento e do desenvolvimento de produtos e serviços de informação.
• Atuar no contexto local e regional a partir das necessidades de organização da documentação.
• Tomar decisão e ser proativo no seu ambiente de trabalho.
• Atuar em prol da construção de conhecimentos e do acesso à informação, visando a sua democratização.
• Observar padrões éticos de condutas, levando em consideração os direitos e deveres dos cidadãos.
• Agir de forma reflexiva e crítica, atentos ao compromisso social inerente à profissão.
• Atualizar de forma contínua os conhecimentos adquiridos na formação. • Realizar pesquisas no âmbito da Biblioteconomia e Ciência da Informação.
Espera-se do egresso do curso que tenha todos esses fatores e capacidades, percebendo que envolve diversos aspectos voltados a informação, gestão, contexto social. Um fator que deve ser levando em consideração é que esse aluno já formado deverá ter capacidade de efetuar pesquisas no contexto da Biblioteconomia e Ciência da Informação.
Nas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de: Filosofia, História, Geografia, Serviço Social, Comunicação Social, Ciências Sociais, Letras, Biblioteconomia, Arquivologia e Museologia, são expostas as competências e
habilidades dos graduados em Biblioteconomia - Parecer CNE/CES 492/2001(2001, p. 32-33), como sendo gerais e especificas:
A) Gerais
Gerar produtos a partir dos conhecimentos adquiridos e divulgá-los;
Formular e executar políticas institucionais;
Elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos;
Utilizar racionalmente os recursos disponíveis;
Desenvolver e utilizar novas tecnologias;
Traduzir as necessidades de indivíduos, grupos e comunidades nas respectivas áreas de atuação;
Desenvolver atividades profissionais autônomas, de modo a orientar, dirigir, assessorar, prestar consultoria, realizar perícias e emitir laudos técnicos e pareceres;
Responder a demandas sociais de informação produzidas pelas transformações tecnológicas que caracterizam o mundo contemporâneo. B) Específicas
Interagir e agregar valor nos processos de geração, transferência e uso da informação, em todo e qualquer ambiente;
Criticar, investigar, propor, planejar, executar e avaliar recursos e produtos de informação;
Trabalhar com fontes de informação de qualquer natureza;
Processar a informação registrada em diferentes tipos de suporte, mediante a aplicação de conhecimentos teóricos e práticos de coleta, processamento, armazenamento e difusão da informação;
Realizar pesquisas relativas a produtos, processamento, transferência e uso da informação.
Nota-se também que nas Diretrizes Curriculares Nacionais dos Cursos de Biblioteconomia, apresenta um quesito referente a realizar pesquisas. Percebe-se com isso que a formação do bibliotecário da UFRN tem sua vertente voltada para a pesquisa. No capítulo 4 será exposto o percurso metodológico utilizado para alcançar os objetivos traçados nesta pesquisa.