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Simulations de la photochimie de Vénus : Résultats

8.1 Le monoxyde de carbone CO. L’exemple des espèces à longue durée de vie

8.1.4 Comparaison avec les observations

8.1.4.2 CO au sommet des nuages

O PPGEdu UNEMAT, semelhante a muitos outros Programas de Pós- Graduação do país, resiste e persiste em seu princípio ético, político e estético de compromisso social. Está envolvido, entre outras questões, com intensas atividades de Formação de Professores da cidade e do campo; Formação continuada de educadores do campo; Formação Continuada de professores através do cinema; educação em espaços não escolares; move-se para compreender a abrangência de políticas afirmativas; envolve-se com questões socioculturais relacionadas à Infância e à Adolescência; movimenta-se entre populações indígenas, quilombolas e ribeirinhas; ouve clamores e cria, coletivamente, alternativas para constituir formas outras de afetos e vidas. O PPGEdu parte do princípio de que a ciência pode classificar e nomear os órgãos de um sabiá, mas não pode medir os seus encantos. A ciência não pode calcular quantos cavalos de força existem nos encantos de um sabiá. Quem acumula muita informação perde o condão de adivinhar: divinare. Os sabiás divinam (BARROS, 1999, p.53).

O investimento efetivo em atividades de pesquisa com interface na extensão dos Grupos de Pesquisa do PPGEdu/UNEMAT ocorre no sentido de acreditarmos que classificar, nomear e medir valem menos do que divinar. Partimos do princípio de que temos que criar mecanismos para que o condão de divinar seja visibilizado na Avaliação Quadrienal, seja sentido (por ser impossível de ser quantificável) na Plataforma Sucupira, e seja mais valorizado em relação aos fatores de impacto, produtividade e qualis.

No entanto, eis que os impasses se constituem:

• Como medir o sorriso da criança do acampamento... quando a professora pesquisadora chega com uma formação continuada, mobiliza a todos e traz consigo esperança de uma outra vida?

• Como classificar a preocupação do barqueiro ao conduzir crianças e professores para a escola, nas curvas do rio Guariba Roosevelt, no Noroeste de Mato Grosso? • Como dar visibilidade às tentativas de alfabetização das crianças que vivem

na fronteira Brasil-Bolívia?

• Como propiciar encontros formativos a professores indígenas, a partir de seus saberes, para que produzam materiais didático-pedagógicos, tendo como foco letramento e numeramento, sem ser afetado por línguas distintas, hábitos e costumes que não são mais os nossos?

• Como quantificar a importância de ações de socioeconomia solidária, que coloca o pequeno produtor rural no pátio da Universidade para comercializar seus produtos agroecológicos?

• Como dimensionar um programa de incubadora que visa fortalecer a economia solidária e construir políticas públicas para garantir a sustentabilidade do desenvolvimento de atividades de inclusão socioprodutiva de pessoas em estado de vulnerabilidade social, especificamente catadores de lixo?

A ideia aqui não é reforçar estereótipos que circulam nacionalmente sobre Mato Grosso, ou sobre a região Centro Oeste do Brasil. Até porque, todos sabemos, Mato Grosso, por exemplo, é o terceiro Estado da Federação em extensão territorial. Esse território guarda o terceiro contingente de povos indígenas e dezenas de comunidades quilombolas que ainda lutam pela demarcação e titulação de suas terras. De acordo com o Censo de 2010, mais de 60% da população mato-grossense é negra. Cabe também registrar que Mato Grosso é o único Estado da Federação com três biomas: pantanal, floresta amazônica e cerrado. Essas características socioambientais têm sido, nos últimos anos, fortemente pressionadas pela expansão da economia produtora/exploradora de commodities, processo este que impede que o Estado saia do mapa da devastação ambiental, dos conflitos agrários e sociais e da explosão dos indicadores de violência no campo e na cidade. Fronteiriço com a Bolívia, Mato Grosso também tem a peculiaridade de pensar suas fronteiras para além da geografia física, o que tem possibilitado a realização de ações multilaterais. As complexas relações sociais (étnicas, raciais, culturais, identitárias, territoriais, internacionais, etc.) encontram terreno fértil nas ações educacionais/científicas realizadas pelo Programa de Pós-Graduação em Educação que se encontra, concomitantemente, em terreno movediço, pantanoso. Como traduzir a singularidade de projetos, pesquisas, ações, intervenções, sujos de mundo, em linguagem quantificável e compreensível na Plataforma Sucupira? Eis o impasse.

Segundo o Documento de Área da CAPES (BRASIL, 2016), a área de Educação definiu para a avaliação quadrienal 2013-2016 a seguinte proporção para os Quesitos a serem analisados:

1. Proposta do Programa; 2. Corpo Docente, 15%;

Impasses e desafios para uma avaliação formativa em Programas de Pós-graduação • 433

R. Educ. Públ. Cuiabá, v. 28, n. 68, p. 429-439, maio/ago. 2019

3. Corpo Discente, Teses e Dissertações, 35%; 4. Produção Intelectual, 35%;

5. Inserção Social, 15%.

Em relação à avaliação realizada no triênio anterior, a maior alteração aconteceu no que se refere ao quesito 4, passando a ser considerada a média ponderada de até oito produções mais bem qualificadas por docente permanente no quadriênio, compreendendo livros, capítulos, verbetes e periódicos’, e não mais toda a produção apresentada pelos docentes. As pontuações para cada produto serão as mesmas utilizadas na avaliação trienal anterior. O objetivo é alterar a característica da indução decorrente da avaliação da pós-graduação. O que se espera não é que simplesmente os programas passem a produzir mais, mas que passem a produzir melhor e isso se reflita nas métricas adotadas no processo de avaliação. Dessa forma, espera-se com essa alteração que pontue mais quem produz melhor e não quem produz mais. (BRASIL, 2016, p. 9, grifo nosso).

É um pouco sobre quem produz melhor que centraremos nossa análise. Para isso, não teríamos como não relacionar o quesito 4, Produção Intelectual, ao quesito 5, Inserção Social. Partimos do princípio de que pesquisas resultante de projetos com inserção social demandam um tempo maior para alcançar resultados publicáveis em periódicos qualificados.

Esse tipo de pesquisa requer do pesquisador:

Parar para pensar, para olhar, parar para escutar, pensar mais devagar, olhar mais devagar, escutar mais devagar; parar para sentir, sentir mais devagar, demorar-se nos detalhes; suspender a opinião, suspender o juízo, suspender a vontade, suspender o automatismo da ação, cultivar a atenção e a delicadeza, abrir os olhos e os ouvidos, falar sobre o que nos acontece, aprender a lentidão, escutar os outros, cultivar a arte do encontro, calar muito, ter paciência e dar-se tempo e espaço (LARROSA, 2004, p. 160).

Além do tempo ser outro, geralmente tratam-se de pesquisas menores, realidades diversas, de sujeitos singulares e invisibilizados, oriundas de Programas pequenos, com conceitos menores ainda; o que essas pesquisas têm a dizer, muitas vezes, não interessa às narrativas dominantes, à vontade de verdade que constitui a ordem discursiva hegemônica. Ora não interessa pela não predisposição (de alguns) de interromper a história contínua com fragmentos que podem paralisá- la, rompê-la em mil pedaços, e ver os cacos saindo (GAGNEBIN, 1993), constituindo novas histórias de lutas, forças e resistências; ora não interessa para não sair do lugar comum, da poltrona de veludo, da mesmidade que define quem são os melhores e relega os outros a serem outros, e só.

Mas, como produzir o que se espera no quesito Produção Intelectual, que representa 35% da avaliação na Plataforma Sucupira, que se entende por melhor, estando sujo de mundo, ou realizando pesquisas implicadas com questões sociais que representam 15% da mesma Plataforma?

Quantificar qualis na Sucupira e se sujar de mundo, eis o impasse