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1.2 Le rythme de la parole

1.2.2 Classification des langues : évolution du concept Théorie des langues isoaccentuelles/isosyllabiques

“na aparência simples de um jogo de futebol esconde-se um fenómeno que assenta numa lógica complexa” (Garganta & Gréhaigne, 1999). Com a entrada no século XXI, o futebol afirma-se como a modalidade desportiva de maior expressão mundial, alcançando uma popularidade sem precedentes na história da humanidade. Este jogo, cuja beleza parece decorrer da sua aparência simples e dos comportamentos matizados e pouco previsíveis, tem suscitado a adesão de um elevado número de afiliados (Garganta, 2006). Porém, na aparência simples de um jogo de futebol esconde-se um fenómeno que assenta numa lógica complexa (Garganta & Gréhaigne, 1999).

Numa análise mais profunda e detalhada, apesar do facto dos desportos de equipa terem uma série de caraterísticas estruturais e funcionais que lhes trazem um sentido único, o futebol, como desporto específico condicionado por um regulamento e cultura particular, apresenta uma série de traços próprios que o distinguem do resto das modalidades pertencentes à família dos desportos coletivos. (…) Entre os principais aspetos que particularizam esta modalidade desportiva podemos destacar: a) a proibição de usar as mãos para manipular a bola, o que leva a um potencial aumento do grau de discordância entre o projeto de ação e a execução, motivada pela elevada dificuldade coordenativa das ações de jogo; b) o desenvolvimento do jogo num espaço amplo, o que leva a uma importante exigência percetiva e que exige uma amplitude visual. Exige ainda um domínio de jogo, tanto num espaço próximo (situações 1x1, etc), como num espaço mais distante (mudanças de orientação, remates de longa distância, etc). Requer ainda uma certa especialização posicional e funcional, para que os jogadores racionalizassem o espaço (guarda-redes, sector defensivo, sector intermédio e sector ofensivo); c) a participação de um importante número de jogadores e a limitação das possibilidades de substituição entre os mesmos, o que leva a redes complexas de interação, a uma solicitação física em termos bioenergéticos e neuromusculares, pois são no mínimo oito os atletas que têm

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que disputar a totalidade do tempo; d) a presença de um elevado tempo de jogo e a obtenção de um escasso número de golos durante os jogos, o que evidencia uma elevada dificuldade para desenvolver e manter o ritmo de jogo intenso durante todo o jogo, a importância de dispor jogadores especialistas para as fases de finalização para fases de finalização e de bola parada (Vales, 2015).

A performance nos jogos desportivos é difícil de analisar e avaliar, muito particularmente nos jogos desportivos coletivos, pois trata-se não apenas de quantificar comportamentos, mas sobretudo de os qualificar. O comportamento dos jogadores não é tão previsível como as trajetórias dos planetas, mas também não é tão imponderável quanto os lançamentos de dados (Garganta, 2008). Por exemplo, as equipas de futebol, como referem Garganta (2000), operam como sistemas dinâmicos que se confrontam simultaneamente com o previsível e o imprevisível, com o estabelecido e a inovação. O decorrer do jogo dá-se na interação e através da interação, das regras constitutivas do jogo, o acaso e a contingência de acontecimentos específicos com as escolhas específicas e as estratégias dos jogadores, viradas para a utilização das regras e do acaso para criarem novos cenários e possibilidades.

Garganta (2000) referem que, decorrente da relação de oposição, existe uma lógica interna que, em cada sequência de jogo, gera uma dinâmica de movimento global, de um alvo ao outro, que a cada instante pode inverter-se. Castelo (2009) reforça dizendo que o futebol é um fenómeno que se projeta numa cadeia de estados, os quais têm caráter de ordem e desordem, estabilidade e instabilidade, equilíbrio e desequilíbrio, uniformidade e variabilidade, previsibilidade e imprevisibilidade, etc. Os contextos sempre em mudança, radicam porventura o seu verdadeiro fascínio e espetacularidade, na incerteza que envolve o resultado das ações realizadas.

Garganta (1997) considera ainda que o jogo de futebol apresenta uma estrutura formal e uma estrutura funcional. A estrutura funcional decorre das ações de jogo, enquanto resultado da interação recorrente entre os companheiros de equipa e, da interação concorrente entre adversários, em torno da bola, a fim de conseguirem vencer a oposição dos adversários e atingir os

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objetivos propostos. A estrutura formal refere-se ao terreno de jogo, à bola, ao regulamento, aos companheiros e adversários.

No futebol, a ideia básica é perceber que há um esforço da equipa para marcar golo e para impedir que o adversário o faça. É claro que o adversário terá o mesmo objetivo. Assim, ambas as equipas perseguem o mesmo objetivo, simultaneamente. Importante, porque esses objetivos que são mútuos, são perseguidos ao mesmo tempo, resultando interações entre ambas as partes. Essas interações são dinâmicas, mudando no tempo ao longo do jogo (Lames & McGarry, 2007).

No concurso das equipas para um objetivo comum e no permanente antagonismo destas, de acordo com as diferentes fases que atravessa, o jogo de futebol apresenta-se como um fenómeno de contornos variáveis no qual as ocorrências se intrincam umas nas outras. As competências dos jogadores e das equipas não se confinam, portanto, a aspetos pontuais, mas reportam-se a grandes categorias de problemas, pelo que se torna necessário perceber o jogo na sua complexidade (Garganta & Gréhaigne, 1999).

Não devemos esquecer que o futebol é jogado por pessoas. Os jogadores estão em constante formação, em contínua incorporação de conhecimentos e experiências próprias, em mútua interação consigo e com o envolvimento, enriquecendo-se eles mesmos e enriquecendo o jogo. O jogador e o jogo são os dois lados da mesma moeda. Um não existe sem o outro (…) A relação entre o jogo e o jogador é bidirecional. Há influência do primeiro sobre o segundo e vice- versa (Castellano, 2009).

Assim, numa partida, o quadro do jogo é organizado e conhecido, mas o seu conteúdo é sempre surpreendente, imprevisível, incerto e aleatório. Não é possível estandardizar as sequências de ações. Pode mesmo dizer-se que não existem duas situações absolutamente idênticas e que as possibilidades de combinação são inúmeras, o que torna impossível recriá-las no treino. Todavia, não obstante essas caraterísticas, as situações podem ser “categorizáveis”, isto é, reconvertíveis num número restrito de categorias ou tipos de situações (Garganta & Gréhaigne, 1999).

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Tal entendimento repousa na convicção de que os comportamentos dos jogadores e das equipas, quando observados várias vezes e no confronto com diferentes oponentes, são suscetíveis de exibir traços que permitem identificar padrões de jogo (McGarry et al., 2002).