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Scouting

Antes de se abordar o scouting como uma prática e um processo, parece pertinente deixar claro o significado objetivo da expressão. Entendido de um modo generalista, pode dizer-se que se trata do “ato ou efeito de observar; consideração atenta de um facto para o conhecer melhor”. Salta à vista a ideia de que se trata de um processo que envolve uma observação de algo, tendo como objetivo conhecer mais pormenores sobre esse facto (Ventura, 2013).

Para Pedreño (2018) o Scouting é um processo desempenhado pelos analistas que permite recolher informações e manipular os dados de diferentes parâmetros, obtidos durante os jogos e durante os treinos da própria equipa, da equipa adversária ou de jogadores, mediante utilização de ferramentas específicas para posterior elaboração de um plano de atuação.

Para Sanchez (2015), a figura de scouting está mais orientada para a deteção de jogadores e posterior captação. A análise está mais desenvolvida e é mais uma função dos analistas táticos e pessoal destes departamentos que centram o seu trabalho no acompanhamento e posterior análise de adversários e das próprias equipas. Segundo o mesmo autor, o scouting realiza-se sobre uma perspetiva de análise individual dos jogadores e realiza-se pelos

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denominados scouters. Para este autor, generalizar, considerando o scouting tudo e todos os que têm relação com a análise é um erro, pois o scouting realiza- se sobre os jogadores a nível individual e pelos scouters que não são outras pessoas que os antigos olheiros.

Ventura (2013) refere que o scouting não serve só para observar e analisar as equipas adversárias. Também existe o trabalho de scouting no que respeita à análise individual de jogadores e na análise comportamental dos árbitros. Silva (2006), reforça isto mesmo, afirmando que os treinadores consideram o scouting importante para selecionar e recrutar jogadores para as suas equipas.

Desta forma podemos ficar a entender a complementaridade das diferentes missões e as diferenças entre funções. Para uns o scouting representa tudo e é depois subdividido. Para outros scouting e análise moram em lados distintos.

Figura 10 - Domínios de intervenção do processo de Scouting. Ventura (2013), adaptado por Pereira (2017).

Scouter e Analista

O analista do jogo, o “scouter” ou ainda o gabinete de scouting possuem no futebol dos dias de hoje, uma presença indispensável nas equipas técnicas cujos objetivos passam pela necessidade de render ao alto nível (Ventura, 2013). O mesmo autor, após entrevistar um conjunto de treinadores portugueses, escreve dizendo que a observação e análise do jogo é um dado importante e que deve ser utilizado pelo treinador no seu trabalho de preparação da equipa.

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Garganta entrevistado por Pedreño (2018) explica que o scouting, “numa primeira fase era utilizado como um processo de ir espiar, observar e explorar dados sobre o adversário. Mas scouting, se formos à raiz da palavra, tem a ver com ir buscar pistas, pistas que vão permitir tomar as decisões mais adequadas para treinar e jogar. Depois, como vamos operacionalizar o nosso modelo ou conceção de jogo, mas também tendo em conta quem vamos enfrentar. Assim, quando se restringe o termo de análise do adversário, é uma forma de reducionismo também, porque para mim Scouting é tudo o que tenha que ver com aquilo que podes buscar, para melhorar o teu processo de treino, a tua tomada de decisões e o teu rendimento nos jogos”.

Segundo Pedreño (2018) o analista é o profissional responsável por funções relacionadas com a análise da própria equipa e também da equipa adversária e trabalha com uma metodologia de trabalho definida. Já, o scouter é a pessoa responsável pela análise individual de jogadores, pelo conhecimento do mercado e edição de relatórios para o diretor desportivo e para o treinador.

Garganta, entrevistado por Pedreño (2018), explica que as pessoas que se dedicam à análise utilizam três termos: “Game analysis”, para referir-se à análise de jogo em geral, “Match analysis”, que se trata da análise da competição e, “notational analysis”, que é algo mais ligado ao registo de dados. Para Garganta, entende mais o analista enquanto um interpretador, o observador do jogo e dos treinos e deve ser muito competente no registo não só de dados mas também saber interpretar essa informação ao longo da temporada para encontrar padrões, sejam eles positivos ou negativos, quer da nossa equipa como das equipas adversárias.

Segundo o mesmo autor, o analista deve:

 Possuir conhecimento de Futebol em todos os seus níveis: tática, técnica, psicológica, metodologia, preparação física e sociologia;

 Deve ser conhecedor da categoria em que compete a equipa e dos jogadores adversários;

 Possuir conhecimento do plantel, características técnico-táticas e psicológicas dos futebolistas;

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 Ser consciente do modelo de jogo pretendido pelo treinador principal. O trabalho de analista deve estar sujeito ao treinador e à aquisição e regeneração do modelo de jogo da equipa;

 Ter a capacidade para utilizar corretamente os meios tecnológicos: câmara de vídeo, software informático especifico de AJ, aplicações de edição de vídeo, etc.;

 Ser um bom comunicador, o que permitirá que as suas informações cheguem com clareza ao corpo técnico;

 Ter capacidade e conhecimentos suficientes para participar na criação da estratégia operativa propondo tarefas e soluções à equipa técnica para contrariar e superar os pontos fortes e débeis do adversário;

 Ter capacidade para quantificar estatísticas, contextualizando sempre com o modelo de jogo, ou seja, contrastar informação quantitativa com a informação qualitativa;

 Ser uma pessoa regular no trabalho, renovar conhecimentos e estar sempre aberto a novas mudanças à sua volta;

 Ser consciente de que o seu trabalho surge em função do treinador e da equipa. Ou seja, está intrínseco ao treinador;

 Ter consciência de que analisar não supõe apenas criticar, mas também reforçar comportamentos desejados junto dos jogadores.

Sanchez (2015) considera que o analista é um profissional capaz de identificar padrões que estruturam os modelos de jogo, pontos fracos e pontos fortes de cada equipa. Já Vales (2015) refere que o observador deve ter um perfil semelhante ao de um treinador, com importantes conhecimentos e experiência no treino de equipa e análise tática do jogo, assim como uma elevada capacidade para manusear softwares informáticos. Acrescenta ainda que de uma forma resumida o observador pode ser definido por “uma pessoa especialista em futebol, com conhecimento e experiência no manuseamento de certos recursos tecnológicos”.

O treinador Marcelino García Toral entrevistado por Pedreño (2018) explica: “não tenho dúvidas que o analista tático deve ser uma pessoa com conhecimentos do desporto que analisa. Mas mais que isso, deve ser consciente

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de qual o seu papel e ter a capacidade de adaptar-se às exigências do treinador e ao modelo de jogo que impera na sua equipa, saber em que aspetos deve focar a sua atenção e saber utilizar os programas informáticos que normalmente o clube disponibiliza para fazer o seu trabalho, no menor tempo e com a maior eficácia possíveis”.

No entanto, é preciso salientar que a observação não é um dom natural. Como foi escrito nos capítulos anteriores, para ver é preciso ter um conhecimento prévio, uma compreensão acerca daquilo que vamos observar. Por isso, o observador terá de ser uma pessoa altamente qualificada, com um grande conhecimento, para poder identificar acontecimentos relevantes.

No seguimento, Pedreño (2018), afirma que o trabalho desenvolvido pelo scouter traz as seguintes vantagens: a) conhecimento do mercado de jogadores; b) análise e avaliação de jogadores para possível incorporação; c) edição de relatórios para apresentar ao treinador, diretor desportivo e coordenador da formação do clube;

Segundo Pereira (2017), existem ainda outros dois intervenientes com preponderância na observação e na AJ sendo eles o investigador que procura analisar o jogo com a finalidade de construir modelos gerais explicativos do rendimento competitivo tendo como base a identificação, hierarquização e caracterização dos distintos fatores que o determinam e o treinador que procura construir um modelo que permita caraterizar a própria equipa, a equipa adversária e os jogadores identificando padrões, aspetos fortes e fracos quanto ao jogo das equipas.

Domínio do Recrutamento: Prospeção de jogadores

Relativamente ao domínio do recrutamento e à prospeção de jogadores, tem se como objetivo a prospeção de mercado no que respeita à seleção e deteção de talentos. Hoje em dia, é habitual os clubes terem nos seus quadros técnicos, pessoas qualificadas que têm por missão observar e identificar talentos que possam vir a interessar ao clube. Esta tarefa de prospeção é feita para a equipa principal, e aos poucos, os clubes começaram a alargar também às suas equipas dos escalões de formação (Ventura, 2013). O mesmo autor refere que,

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atualmente, os clubes procuram, cada vez mais cedo, detetar os potenciais talentos e anteciparem-se à concorrência. Este processo de recrutamento não se resume apenas ao país em que o clube se encontra, uma vez que é alargada ao resto do Mundo.

Os clubes definem criteriosamente todos os aspetos em que os atletas observados se devem enquadrar, quer a nível físico, técnico, tático, psicológico e social (Ventura, 2013). O mesmo autor escreve-nos o testemunho de Adriaanse (2006), quando este refere que a prospeção deve ser realizada de acordo com o modelo de jogo adotado pelo treinador, para que os jogadores que possam vir a ser contratados pelo clube apresentem caraterísticas que se enquadrem nesse modelo de jogo. Também Paulo Bento, quando entrevistado por Ventura (2013), explica: “na prospeção, eu vou à procura de jogadores para a minha forma de jogar. Tenho definido os elementos que acho necessário para ir à procura desses jogadores, ou seja, em termos técnicos, táticos, físicos e psicológicos”.

Para Pedreño (2018), o scouting de jogadores individuais é muito importante, tanto ao nível dos escalões de formação como no alto rendimento. No alto rendimento, é necessário prever que necessidades pode ter a equipa para encarar o futuro, e ir moldando os plantéis com base nas necessidades do clube e do treinador. Para o treinador é necessário ter uma boa base de dados de jogadores, para que em qualquer momento se busque um jogador com determinadas caraterísticas.

Observação e Análise da equipa adversária e da própria

equipa

Face à necessidade de melhor se perceber os constrangimentos que promovem o sucesso desportivo, a observação e análise da performance, e particularmente a análise do jogo, é reconhecidamente, uma valência com aplicações fecundas no quadro dos jogos desportivos (Garganta, 2008).

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Nos últimos anos, com a aplicação de diversos recursos tecnológicos no âmbito do desporto de alto rendimento, o trabalho de AJ ganhou popularidade e reconhecimento entre os treinadores de elite (Vales, 2015).

O scouting como observação das equipas adversárias serve para analisar as caraterísticas dessas equipas, tentando identificar padrões de conduta coletivos, que possam ajudar o treinador a preparar da melhor forma o jogo. Quanto maior for o conhecimento do adversário, mais fácil e mais eficaz se torna o trabalho para o treinador (Ventura, 2013).

Neste âmbito, o scouting, segundo Vales (2015), entende-se como a função desenvolvida por uma parte do organigrama técnico do clube, com a responsabilidade de estabelecer um reconhecimento prévio das caraterísticas do jogo de determinadas equipas ou jogadores adversários. O scouting centra a sua atenção nas equipas adversárias contra as quais se terá que competir no futuro, com a ideia de se tentar encontrar possíveis regularidades nos seus comportamentos desportivos, que nos permitam antecipar planos tático- estratégicos com o fim de competir com o máximo de garantias de êxito desportivo. Assim, para que os relatórios técnicos relativos à AJ da equipa adversária surtam os efeitos desejados, será necessário considerar que a informação que conste nos mesmos seja a mais detalhada possível, descrevendo as caraterísticas principais do seu jogo, tanto a nível coletivo como individual, assim como as situações do jogo em que estas se manifestam com uma maior claridade.

Segundo Pedreño (2018), o trabalho que o analista pode desenvolver sobre a equipa adversária abrange os seguintes items:

 Análise da dinâmica de jogo da equipa adversária (quatro momentos de jogo e ações de bola parada);

 Avaliação e recolha de informação do plantel;

 Análise do sistema de jogo mais utilizado, suas variantes e as caraterísticas que o definem;

 Organização por linhas (comportamentos padrão intersectorial e intrassectorial);

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 Criação de um plano estratégico semanal, estratégia operativa;

 Analisar possíveis condicionantes externas na disputa do jogo (terreno de jogo, público, meteorologia);

 Edição de vídeos, animações e apresentação de um vídeo sobre o adversário a todo o plantel.

Contudo, Lago (2009) refere que o alvo principal da AJ é identificar as forças da sua equipa, forças essas que podem ser desenvolvidas. Ao mesmo tempo, as suas fraquezas devem ser trabalhadas e colmatadas.

O ex selecionador nacional e também treinador do Sporting Clube de Portugal, Paulo Bento, entrevistado por Ventura (2013), refere que a AJ deve ser algo que se faz, seja em relação à própria equipa, seja em relação ao próprio adversário, de uma forma permanente.

Pedreño (2018) explica que “se queres jogar como treinas, tens de conhecer como jogas e como jogam as equipas adversárias, para treinar com base nisso e estar melhor preparado para a competição”.

Segundo Garganta, entrevistado por Pedreño (2018), a mudança produzida na forma de ver e perspetivar o treino, e que depois teve repercussões no jogo, contribuiu de alguma forma para que a figura do analista ganhasse importância. Quando começamos a entender que o treino do futebol deve ser, treinar ideias para jogar futebol, a necessidade de ver se as ideias com que treinamos e jogamos são coerentes e congruentes com as que definimos no início do processo, é cada vez maior, e então ganha importância a figura do analista como interpretador. O mesmo autor, entrevistado por Pedreño (2018) explica que fez análise das equipas adversárias, mas o mais importante era perceber como queríamos jogar. A preocupação é tentar mapear o jogo, tentando definir as caraterísticas em organização ofensiva, defensiva, transições e bolas paradas. Isto é feito por toda a gente. Mas, o que consideramos importante é ir buscar subindicadores específicos da nossa forma de jogar e da forma de jogar do adversário, que nos permita tomar decisões para que possamos jogar como queremos.

Nós entendemos que estar bem informado acerca das forças e fraquezas adversárias é extremamente importante. Mas antes de olhar para fora, devemos

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olhar para dentro e perceber o que estamos a fazer corretamente e incorretamente. Depois de identificadas as nossas potencialidades e as nossas debilidades então entendemos que devemos começar a procurar saber o que se passa no nosso oponente, no sentido de prepararmos um plano para conseguir neutralizá-los e em simultâneo para conseguir explorar os seus pontos fracos.

Emery cit. por Pedreño (2018) sugere: “Há que ter sempre em conta o nosso adversário, já que esse rival pode condicionar em um dado momento o teu estilo e a tua personalidade. Em 70% queremos ser nós e em 30% temos que adaptar-nos aquilo que a equipa adversária nos pode oferecer. Mas entendo e entendemos o futebol como um todo”.

Já Toral, entrevistado por Pedreño (2018) afirma: “Bem, uma coisa é conhecer o adversário e outra muito distinta é adaptar-se a ele. Eu acredito que a equipa deve ter o seu estilo próprio, seus próprios conceitos tanto a nível ofensivo como defensivo e deve ter muito em conta qual o adversário que enfrenta. Nesse sentido, nós consideramos importantíssimo a análise do adversário e saber como defende e como ataque, onde vemos que é vulnerável e onde acreditamos que é potente, para que nós, desde os nossos próprios conceitos apliquemos os detalhes que nos permitam contrariar o adversário. Não mudamos a nossa ideia geral de jogo, não mudamos o nosso sistema, mas incidimos mais em aqueles aspetos do jogo que acreditamos que nos podem ajudar a fazer dano no rival, por exemplo, se jogamos contra uma equipa que defende mal as situações longe da baliza decidimos incidir mais em transições, se o adversário nos cria muitos problemas pelas alas, buscamos soluções para contrariar isso, não mudamos marcações, nem fazemos grandes mudanças sobre a nossa organização”.

Segundo Pedreño (2018), o trabalho desenvolvido junto da própria equipa traz as seguintes vantagens:

 Analisar comportamentos táticos da equipa e análise da competição. O objetivo é a busca de possíveis pontos fortes e débeis, para potenciar tudo aquilo que fizemos bem construindo e reconstruindo o nosso modelo de jogo e minimizar aqueles aspetos que fazem a equipa vulnerável;

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 Avaliação e análise do rendimento físico, técnico e tático da equipa ou de jogadores em concreto;

 Analisar atitudes psicológicas, tanto individuais como coletivas, para colocá-las à disposição da equipa técnica e até, em algumas situações, editar vídeos com a ajuda de um especialista para motivar ou trabalhar diferentes aspetos psicológicos do futebolista;

 Análise dos treinos para avaliar o rendimento e atitudes da equipa, e autoavaliar as tarefas da equipa técnica.

Depois de recolhidas informações sobre o adversário e feitas as análises da própria equipa e da equipa adversária, passamos a um plano operativo. De acordo com Pedreño (2018), a estratégia operativa ou plano estratégico deve ter: a) informação sobre o modelo de jogo predominante; b) pontos fortes e pontos débeis do adversário; c) análise da própria equipa; d) ações de bola parada do adversário, tanto ofensivas como defensivas; e) plano estratégico a desenvolver; f) desenho da semana de treino.

Estratégia e Tática

No futebol, os pressupostos organizativos da competição determinam que, os jogadores estejam agrupados em duas equipas numa relação de adversidade, denominada de rivalidade desportiva. O objetivo central das duas equipas é de lutarem pela conquista da posse da bola, com o intuito de a introduzir o maior número de vezes na baliza adversária e, evitá-los na sua própria baliza, com vista à obtenção da vitória. Durante o confronto, os jogadores defrontam-se de forma direta e deliberada, procurando que as suas ações e inter-ações prejudiquem, a todo o instante os adversários e, concomitantemente evitando serem prejudicados por estes. Nesta perspetiva, a aproximação mais importante para se desvendar e compreender a lógica do jogo, deriva da análise dos aspetos inerentes às diferentes contextualidades situacionais que a cada momento do jogo emergem. A constante variação situacional observada é proporcionada por decisões e ações motoras desenvolvidas numa dinâmica de ordem estratégica e tática. (Castelo, 2009).

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Segundo Castelo (2009), partindo desta perspetiva, o primeiro problema que se coloca no jogo de futebol é, de natureza percetiva (informação) com caráter: a) estratégico, na medida que refere os propósitos e os objetivos gerais da equipa, como corpo coletivo numa dada competição; b) tático, solicitando intervenções imediatas e prementes para cada instante do jogo, a partir das quais, se influencia a emergência de novas configurações dinâmicas.

Garganta (1997) já havia dito que, no caso do futebol, apesar da dificuldade em determinar quais são os fatores de rendimento que têm um maior protagonismo na prestação individual e coletiva na competição, observa-se um maior consenso entre os especialistas, destacando a dimensão tático estratégica, ocupando esta o núcleo central do rendimento.

Vales (2015) explica que este protagonismo dado à dimensão tático estratégica justifica-se se atendermos, por um lado, ao caráter situacional e aberto dos distintos episódios do jogo, em que os jogadores implicados deverão desenvolver uma importante atividade cognitiva e estratégica orientada fundamentalmente para facilitar uma correta e inteligente adaptação às situações mutáveis do mesmo. Por outro lado, a importância da faceta tático estratégica do jogo também se justifica se contemplarmos este fator de rendimento como um elemento que coordena e aglutina os esforços e capacidades individuais dos jogadores que formam uma equipa, orientadas a tentar combater e neutralizar as ações desenvolvidas pela equipa adversária na busca do êxito.

O futebol, enquanto jogo desportivo coletivo em que existe cooperação e oposição exige uma permanente interação entre os jogadores. As equipas, a partir desta interação entre jogadores, comportam-se de forma dinâmica, sendo possível identificar alguns padrões de ação quer individuais, quer coletivos. Para além de tudo isto, no jogo verifica-se ainda a predominância de julgamentos e decisões, efetuadas em função de um contexto instável e incerto. Assim, importa